Tag: dentista

  • É possível extrair os 4 sisos de uma vez?

    É possível extrair os 4 sisos de uma vez?

    Sim. Mas vamos por partes.

    A extração de terceiros molares (os sisos) não difere muito da extração de qualquer outro dente, a não ser pelo fato de que, muitas vezes, eles estão inclusos (dentro da gengiva) e/ou impactados (tem outro dente no caminho impedindo que eles nasçam ou eles estão mal posicionados dentro da gengiva). Embora muita gente ache que a remoção desses dentes é obrigatória, ela não é. Mas quando é, começam as dúvidas: dói extrair os sisos? Se eu não extrair eles vão entortar meus outros dentes? O pós-operatório é muito dolorido? Essas perguntas eu já respondi aqui no blog, basta clicar nos links.

    Aí você foi ao dentista, fez uma avaliação e ele confirmou: é preciso extrair os 4. Sim, como já esclarecido, é possível remover os 4 numa mesma sessão… em tese. Digo “em tese” porque cada caso é um caso, se for possível no seu caso, seu dentista irá confirmar.

    4 sisos
    Melhor 4 terceiros molares na mão do que 2 com pericoronarite! (*)

    Ok, seu dentista disse que, no seu caso, é possível tirar os 4 sisos de uma só vez. Só que você não quer isso, seja porque está com medo, porque não tem dinheiro ou porque não vê necessidade de ter pressa. É obrigatório? Não. Dá pra extrair só 1, 2 de cada lado ou todos de uma vez só. E qual a melhor estratégia? Depende.

    São vários os fatores que o seu dentista / cirurgião buco-maxilo-facial leva em conta pra decidir se dá ou não pra fazer várias extrações numa mesma sessão. É preciso considerar, principalmente, a complexidade do procedimento. Se os seus 4 dentes do siso já nasceram, provavelmente a remoção de todos de uma só vez será relativamente simples. Se você tem dentes inclusos, a tendência é que seja um pouco mais complicado, então talvez seja melhor extrair 2 de cada vez. Se esses dentes inclusos estiverem muito próximos a regiões nobres, como vasos sanguíneos e nervos importantes, talvez seja mais prudente fazer uma extração de cada vez.

    Mas essas são decisões técnicas, que só o seu dentista é capaz de tomar. Eu acho que o fator mais importante do ponto de vista do paciente é como será o pós-operatório. Os sintomas mais comuns após a extração dos sisos são: edema (rosto inchado), dor local e nas estruturas próximas (ouvido, garganta e articulação da mandíbula) e trismo (dificuldade de abrir a boca), além da possibilidade de complicações pós-cirúrgicas como parestesia (ausência de sensibilidade em lábio inferior, bochecha e língua, geralmente temporária) e alveolite (infecção). Cada extração contempla esses sintomas e complicações… imagine assumir esses riscos “vezes 4” e de uma vez só?

    Eu, particularmente, sempre sugiro aos meus pacientes que sejam feitas 2 extrações por vez, e por uma razão bem simples: removendo 2 dentes do mesmo lado, sobra o outro lado pra mastigar! Depois de mais ou menos 1 semana, quando os pontos dessas extrações forem removidos (e não havendo nenhuma complicação, claro), já é possível fazer as outras 2 cirurgias.

    O vídeo abaixo  (que legendei em português pra vocês… obrigado, de nada 😀 ) é muito didático e explica 1. como se dá a decisão pela extração dos sisos (que costuma partir do clínico-geral ou do ortodontista), 2. o procedimento em si (que em princípio pode ser executado por qualquer dentista, embora dê-se preferência ao dentista especialista em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial) e 3. o pós-operatório. Ainda, enfatiza o benefício e a facilidade de higienização que a ausência desses dentes proporciona. Assistam!

    Notem que o vídeo explica que o dente talvez precise ser cortado em 2 ou mais pedaços. Uma das maiores bobagens que eu escutei nos últimos tempos sobre remoções cirúrgicas de terceiros molares é que “dentista bom é aquele que tira o dente inteiro”. Essa afirmação, vinda de uma reportagem que vi na TV e que foi feita por um leigo, não procede. Em muitos casos simplesmente é impossível remover o dente sem seccioná-lo, e essa manobra visa justamente facilitar a extração e manter o máximo de osso no local da cirurgia (o que é altamente desejável).

    Quer saber se você precisa extrair nenhum, 1, 2, 3 ou os 4 sisos? Procure um dentista e faça uma avaliação!

    (*) Ah, os sisos que você vê na foto, lá em cima, são os meus. 😉


  • A relação entre HPV e câncer de boca

    A relação entre HPV e câncer de boca

    Papilomas em bocaHPV é uma sigla que vem do inglês e significa human papillomavirus. Em bom português, é o vírus do papiloma humano, e esse vírus se apresenta em mais de 200 tipos diferentes. A maioria dos tipos de HPV são benignos, ou seja, não estão associados ao câncer. Um exemplo de lesão que pode ser causada pelo HPV é a verruga, e quase sempre uma verruga não passa disso: uma verruga. Mas se você de uma hora pra outra notou que apareceu uma verruga em você, não custa nada procurar um médico pra ver, não é mesmo?!

    E por que é que um blog que se ocupa de falar de Odontologia estaria preocupado em alertar sobre HPV? Porque o assunto aqui é saúde e o HPV nem sempre é “só uma verruga”. Sendo a via sexual a principal forma de transmissão do vírus do papiloma humano, é preciso ficar atento, já que não há órgão mais sexual que a boca. 😀

    Como se dá a transmissão?

    Como dito, é a principal forma de transmissão do HPV é pela relação sexual sem proteção. Tanto isso é verdade que a infecção por HPV é a DST (doença sexualmente transmissível) mais comum que existe. Estima-se que 75% mas mulheres sexualmente ativas um dia terão HPV, e 50% dos homens já estejam contaminados! O problema é que a maioria das pessoas nem chega a apresentar sintomas clínicos, então não dá pra ter certeza que o seu parceiro(a) não tem HPV só porque ele ou ela não apresenta uma verruga no órgão sexual. E sim, o HPV genital pode ser transmitido para a mucosa bucal através de sexo oral sem proteção.

    Como prevenir?

    Não fazendo sexo oral, vaginal ou anal sem proteção. Use camisinha (ou encoraje seu parceiro a fazê-lo)! Existe uma vacina contra o vírus, que a partir do dia 10/03/2014 será disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas de 11 a 13 anos, em Unidades de Saúde e em escolas públicas e privadas de todo o país.

    Quais são os sinais e sintomas?

    Basicamente as lesões aparentes são as verrugas genitais (condilomas acuminados) e, em caso de contaminação da mucosa bucal, lesões papilomatosas (projeções em forma de papilas ou verrugas).

    Como é feito o diagnóstico?

    Através de exames específicos que detectam o DNA (o código genético) do vírus. No caso da contaminação genital, o médico ginecologista / urologista detecta possíveis lesões através da inspeção visual. Nas mulheres, o exame preventivo de Papanicolau é essencial, pois embora não confirme a presença do vírus, permite reconhecer as alterações que ele causa nas células e detectar precocemente um câncer no colo de útero. No caso da presença de lesões em boca, procure seu dentista o mais rápido possível. Nem sempre um papiloma na boca está associado ao HPV, mas e se estiver? Melhor conferir.

    Qual é o tratamento?

    O tratamento depende do tipo de HPV e das lesões causadas por ele. Geralmente consiste na remoção dos papilomas / verrugas. Em certos casos, pode-se usar medicamentos imunomoduladores.

    HPV

    Recentemente o ator Michael Douglas se curou de um câncer de garganta, diagnosticado em 2010. A versão oficial sobre as causas da doença era de que o problema havia sido consequência de anos de consumo de bebida e cigarro. Porém, nesta semana, o próprio ator deu uma declaração em que afirma que seu câncer foi causado por “ter feito sexo oral em muitas mulheres”. Segundo ele,“…meu câncer foi causado pelo vírus HPV, uma doença sexualmente transmissível, por causa do sexo oral”. Portanto, fica aí o testemunho. Juízo, pessoal. 🙂


  • Desmaio na Cadeira do Dentista

    Desmaio na Cadeira do Dentista

    Certamente você já ouvir falar de alguém que tenha passado mal durante o atendimento odontológico. Talvez tenha até acontecido com você. Eu já tive pacientes que quase perderam a consciência, mas nunca chegou-se ao desmaio de fato. Melhor assim. A questão é: por que isso acontece?

    As causas podem ser várias. Segue um resumo das principais situações que podem levar ao desmaio:

    Lipotimia

    É um mal estar passageiro, geralmente associado a uma sensação de angústia e eminente desfalecimento. A pessoa fica pálida, começa a suar, pode relatar zumbidos nos ouvidos e visão turva, mas ainda não ocorre a perda total da consciência.

    Causas:

    • Diminuição de O2 no cérebro (hipóxia) por medo ou ansiedade
    • Origem cardiovascular
    • Hipoglicemia (falta de açúcar no sangue)
    • Uso de medicamentos ansiolíticos / antidepressivos

    O que o dentista tem que fazer:

    Acalmar o paciente, conversar pra mantê-lo consciente, afrouxar roupas, colocar em posição supina (barriga para cima) com as pernas ligeiramente elevadas. Em caso de não haver recuperação em até 4 minutos, administração de O2 (5L/min) em respiração espontânea.

    Síncope

    É a perda repentina de consciência, ou seja, o desmaio em si.

    Causas:

    • Diminuição do fluxo sanguíneo e diminuição de O2 no cérebro
    • Causas neurológicas / metabólicas
    • Má perfusão cerebral
    • Fatores emocionais (medo e ansiedade)
    • Fatores não-emocionais (fome, exaustão, debilidade física)
    • Queda do débito cardíaco que leva à hipotensão (pressão baixa), à hipóxia (falta de O2) e à hipotonia muscular (redução da força, a tal “moleza” ;))
    O que provoca um desmaio?
    O que provoca um desmaio?

    O que o dentista tem que fazer:

    Valem as mesmas recomendações dos casos de lipotimia, além de verificar nível de consciência, confirmar respiração e administrar O2 (5L/min). Confirmar hipotensão, colocar o paciente em posição de recuperação, observar evolução e liberar o paciente com acompanhante. Se o paciente não estiver respirando, fazer o protocolo SBV (suporte básico à vida).

    Hipoglicemia aguda

    É a redução da taxa de glicose circulante, ou seja, de repente faltou açúcar no sangue! A pessoa pode ficar irritada, pálida, com confusão mental. Não há náusea e não há vômito.

    Causas:

    • Excesso de insulina
    • Supressão da alimentação (jejum)
    • Exercício físico prolongado

    O que o dentista deve fazer:

    Oferecer um “docinho” ao paciente. Uma dica é aplicar a Regra dos 15 (15g de carboidrato = meia lata de refrigerante. Se persistir, mais 15g). Dispensar o paciente com acompanhante depois de 30 minutos (para casos leves).

    Hiperglicemia

    Os sintomas são os mesmos da hipoglicemia.

    Causa:

    Ao contrário da hipoglicemia, sobrou açúcar no sangue!

    O que o dentista deve fazer:

    Se o paciente é diabético, isso já ficou claro na anamnese. O protocolo é a aplicação de insulina 50UI. ATENÇÃO: na dúvida entre hipoglicemia e hiperglicemia (e não é fácil distinguir entre uma e outra), é melhor considerar como hipoglicemia (porque glicose demais faz menos mal do que de menos).

    Hipotensão ortostática

    É a queda brusca da pressão arterial quando a pessoa assume a posição vertical. Sabe aquela tontura que dá quando se levanta muito rápido? Isso. Essa é uma situação relativamente comum, pois muitos pacientes querem levantar logo da cadeira depois que o procedimento é concluído (principalmente após extrações dentárias). Basta sentar novamente e aguardar a recuperação.

    Muita gente associa o fato de passar mal no dentista com a anestesia, concluindo que o líquido anestésico, em si, é capaz de causar os efeitos descritos anteriormente. Não que não possa ocorrer uma reação alérgica… é raro, mas acontece. Mas na grande maioria das vezes o problema não é o aspecto farmacológico da anestesia, mas a reação psicológica do paciente ao fato de estar sendo anestesiado, ou seja: medo da agulha e  ansiedade. Portanto, a dica é procurar manter-se calmo e confiar no seu dentista.


  • Grávida pode ir ao dentista?

    Grávida pode ir ao dentista?

    Gestante no dentista

    Há algum tempo o Dr. Sérgio Braga da Cruz nos falou sobre os efeitos da gravidez no organismo da gestante, principalmente das consequências bucais da gestação. Aquela história de “a cada filho vai-se um dente” é coisa do passado e qualquer interferência hormonal nas condições bucais da mulher durante a gravidez pode ser controlada com medidas preventivas. E sabe qual é a melhor forma de prevenir? Indo ao dentista!

    Pode ou não pode ir?

    Não só pode, como deve! Existe uma grande penumbra acerca do tratamento odontológico durante a gravidez, e diz a lenda que é proibido realizar qualquer procedimento no dentista quando se está esperando um bebê. Não, não é. Taí um momento ótimo pra você procurar seu dentista e manter a saúde em dia. O aumento da vascularização e da permeabilidade da gengiva durante a gravidez, por exemplo, podem deixar a gengiva mais vulnerável ao ataque bacteriano e facilitar a ocorrência de sangramento. Se a mulher descuidar com a higienização durante esse período, a probabilidade de se instalar um problema gengival ou periodontal é maior. Por isso é importante que haja avaliações odontológicas periódicas. Grávida, vá ao dentista!

    Pode extrair dente? E fazer tratamento de canal?

    A dúvida maior que as pessoas têm não é nem com relação a uma visita de rotina ao dentista, mas aos procedimentos mais invasivos, como extrações e tratamentos de canal. A gravidez, em si, não contraindica esses procedimentos. Apenas prefere-se, por uma questão preventiva, não submeter a mãe e o bebê a tratamentos que possam ser adiados.

    E se a gestante estiver com dor?

    Nem sempre um tratamento pode ser adiado. Aí é urgência, e urgência não admite espera, até porque passar dor ou manter uma infecção no seu organismo durante a gestação certamente é mais prejudicial do que qualquer atendimento pelo qual você venha a passar. Quando dói alguma coisa ou o dente da frente quebra e deixa a pessoa “banguela”, tem-se uma urgência. E se uma gestante estiver com dor de dente ou quebrar o dente da frente, faz-se o quê? O óbvio: procura-se o dentista e faz-se o tratamento necessário. Mas não vai fazer mal para o bebê? Não. Você acha que seu dentista submeteria você e seu bebê a um risco desnecessário? Pode confiar!

    Grávida pode tomar anestesia?

    Sem dúvida que pode! Se há dor e urgência no atendimento, não há absolutamente nada que justifique não usar anestesia. A anestesia odontológica é local e muito segura. Se ela não faz mal pra você, por que faria para o bebê? Além disso, existem opções de anestésicos de uso específico para gestantes (prefere-se a lidocaína em vez da prilocaína ou da mepivacaína). (FERREIRA, 1998)*

    Grávida pode fazer raio X?

    Pode, mas não deve. É aquela história: precaução. Embora o feixe de raios X passe longe da barriga quando se faz uma radiografia no dentista e a paciente use um colete de chumbo durante a tomada radiográfica, se der pra evitar, melhor. Por isso é que não se costuma fazer tratamentos de canal durante a gravidez, o que exigiria algumas radiografias. Mas isso não quer dizer que aquele seu dente com uma cárie enorme, que já deu canal, deve ficar aberto aguardando o bebê nascer. Limpá-lo e fazer um curativo seria uma ótima ideia, para diminuir a chance de uma infecção ainda pior.

    Qual a melhor época da gravidez para ser atendida pelo dentista?

    A melhor época para uma grávida se submeter a um tratamento odontológico, se necessário, é o segundo trimestre, ou seja: 4o, 5o e 6o meses de gestação. Mas a época certa de procurar o dentista é qualquer uma! A questão é: você não deve ficar em casa sofrendo e se perguntando se deve ir ao dentista. Se o tratamento do qual você precisa será feito de imediato ou se será realizada uma ação paliativa (um curativo, por exemplo) visando aguardar um melhor momento para o tratamento em si, é uma decisão conjunta entre você e seu dentista. Se houver necessidade de opinião ou liberação médica, o próprio dentista requisitará que você procure seu médico obstetra para isso.

    Assista uma reportagem sobre o tema:

    E sobre tratamento ortodôntico na gravidez, você lê no Ortodontia Para Todos

    (*) FERREIRA MBC. Anestésicos locais. In: Fuchs FD, Wannmacher L (eds). Farmacologia clínica. Fundamentos da terapêutica nacional. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1998. p.15-64.

    Veja também:


  • Dentista, seja paciente!

    Dentista, seja paciente!

    Luz na cara!

    Não… eu não tô querendo que você, colega, tenha mais paciência (embora em certas situações isso fosse muito útil). A minha proposta é outra: que você se coloque no lugar do seu paciente.

    Já fiz isso de forma prática quando eu ganhei uma avaliação odontológica, lembram? Naquela ocasião pude refletir um pouco a respeito, mas hoje eu gostaria de ir além. Até porque dentista também vai ao dentista, não é mesmo?

    Ontem eu atendi a minha cunhada, que também é dentista. Ela me ligou contando que estava com um pouco de sensibilidade num molar que tinha uma restauração grande e antiga. Radiografamos. Na radiografia, nada que indicasse problema… mas sabe como é, restauração de resina que não é trocada há anos, com sinais de infiltração… tava na hora de mexer. E então ela me procurou.

    Você, paciente, deve estar achando que a gente tira de letra esse tipo de coisa, né?! É abrir a boca e deixar o colega trabalhar! Só que não. Tem um MONTE de dentista que não gosta de ir ao dentista… que prefere esperar mexer pra ver se precisa MESMO tomar anestesia… que adia um procedimento mais invasivo enquanto dá. Com a minha cunhada foi mais ou menos assim. E sabe por quê? Porque a gente também sente dor. Porque a gente também acha um saco ficar de boca aberta, a articulação da mandíbula dói e o queixo treme por causa da luta pra não fechar a boca, enquanto nossas línguas se debatem freneticamente. Porque a luz do refletor na cara é sim de cegar!

    Dentista sendo paciente

    Eu estive no dentista recentemente. Quem fez o papel de minha dentista, no caso, foi uma colega minha de faculdade (é ela ali disfarçada ;), na foto). Eu precisava remover uma contenção ortodôntica que estava solta, e ela me fez esse favor. Fazia uns 5 anos que eu não encarava o motorzinho, e tenho que admitir: a sensação não é legal. Não tenho e nunca tive medo de dentista, e o procedimento ao qual eu me submeti é algo muito simples… mas é chata a sensação de alguém mexendo dentro da sua boca… do spray que deixa sua cara molhada… da cabeça inteira vibrando quando a broca encosta no dente.

    Eu acho que colocar-se no lugar de quem deita nas nossas cadeiras é um exercício de humildade. Porque só assim o dentista consegue compreender o que é ser paciente e, dessa forma, pode ajudar as pessoas a passarem sem traumas por essa experiência. Além disso, nos ensina e nos lembra de tratar nossos clientes com respeito.

    Quanto à minha cunhada, em breve ela terá a oportunidade de “se vingar” de mim. Uma restauração que tenho num molar vem dando sinais de cansaço e, daqui a pouco, é a minha vez. Tomara que ela, ao me atender, seja tão boazinha comigo como eu fui com ela. 😉


  • Pergunte ao SEU Dentista

    Pergunte ao SEU Dentista

    Eu adoro responder perguntinhas odontológicas na Internet. Faço isso o dia todo aqui no blog, por e-mail e no Pergunte ao Dentista. Aliás, não sei se vocês notaram, mas cada post meu é na verdade uma resposta mais detalhada a alguma pergunta que eu vivo escutando (ou lendo). Tem certas perguntas recorrentes que eu já respondi centenas de vezes (mesmo, sem exagero algum). Se eu ganhasse R$ 1,00 cada vez que me perguntam “quanto custa tal procedimento?”, “quanto tempo eu vou usar aparelho?” ou se “tá certo o que o dentista fez”, eu tava feita (e precisaria comprar um porta-moedas maior)! 😉

    Taí um botão que seria útil em muitos teclados…

    Esclarecer dúvidas via Internet ou qualquer outro meio não-presencial é uma forma de apenas orientar o paciente. Tem certas perguntas que só um exame clínico, uma tomada radiográfica e uma anamnese bem feita podem responder. Acontece muito da pessoa descrever sintomas e pedir diagnóstico. Não dá.

    Um comportamento muito comum de quem pergunta na Internet (e é isso que eu quero abordar) é o de tentar complementar as informações que faltaram na sua consulta ou atendimento odontológico. Por exemplo: se a pessoa teve um dente extraído, ela quer saber o que pode e o que não pode fazer (e por quanto tempo). Se o ortodontista instalou só a parte de cima do aparelho, a dúvida que fica é quando ele vai instalar a parte de baixo. Se o problema foi uma pancada e o dente está mole, a pessoa quer saber se “fica duro de volta” e de quanto em quanto tempo tem que voltar no dentista para reavaliar.

    Gente… pergunte ao SEU dentista!

    Eu não sei se a dúvida não ocorreu na hora do atendimento (o que pode acontecer) ou se é vergonha de fazer uma pergunta “boba”, mas o que não falta é gente perguntando para o dentista da Internet o que deveria ter perguntado para o dentista de verdade (não que o da Internet não seja de verdade… ;))! Se você refletir um pouquinho vai perceber que certas perguntas só podem ser respondidas por quem já examinou você… e que aquela sua descrição do problema do tipo “está doendo a minha gengiva perto do meu dente do fundo” não é suficiente pra saber o que você tem e muito menos pra dizer qual remédio você tem que tomar (se é que tem).

    Resumindo: se você quer saber quando precisa retornar para remover os pontos da cirurgia ou em que dia, mês e ano vai poder tirar o aparelho… pergunte ao SEU dentista. Ele é o único que conhece o seu caso e está apto para lhe dar uma resposta com conhecimento de causa. No mais, eu continuo por aqui… orientando e ajudando no que eu puder.


  • Dentista Não Cuida Só de Dente

    Dentista Não Cuida Só de Dente

    Você aí me responda a primeira coisa que vem à sua cabeça: o que faz um dentista? Tenho certeza que a maioria dos leitores respondeu mentalmente: cuida dos dentes. E cuida mesmo, vocês têm toda razão. Só que dentista não cuida SÓ de dente, como a massa acredita.

    Na terça-feira o assunto do Programa Bem Estar, atração das manhãs da Rede Globo, era mastigação. Os profissionais convidados para falar sobre o tema: uma fonoaudióloga e uma médica endocrinologista. O fato de não haver um dentista presente, embora piss me off, não me surpreende. Há alguns meses o assunto era saliva e os debatedores eram 2 médicos, uma pediatra e um infectologista. Não vejo problema nenhum em ter quaisquer profissionais de saúde presentes, a interdisciplinaridade só torna a discussão mais rica. Mas é INADMISSÍVEL a ausência de um cirurgião-dentista. Na minha opinião, um desprestígio sem tamanho por parte da emissora platinada.

    E por que não havia um dentista presente em ambos os programas? Porque as pessoas realmente acham que dentista cuida só de dente, oras! O que é que um dentista poderia saber A MAIS do que um médico sobre os músculos da mastigação, a função dos dentes ou a composição da saliva? Aí é que tá: um MONTE de coisas.

    Em determinado ponto do programa, surgiu a seguinte pergunta: “O paciente tem que procurar que ‘médico’ pra tratar de problemas mastigatórios?”. A endocrinologista respondeu, olhando nos olhos da fono <3: “Tem que procurar um fonoaudiólogo que pode ensinar o paciente a mastigar adequadamente. Isso é um processo de aprendizagem”. Ok, concordo.

    Aí a apresentadora perguntou: “Dentistas também podem ensinar isso, ou não?” As convidadas se entreolharam e a fonoaudióloga respondeu: “Ééééé… normalmente o dentista vai fazer uma avaliação da arcada dentária, da relação dos dentes, falta de elementos dentários, cáries…”. Dente. Dentista cuida de dente e ponto final. Se o dente tiver um buraco, a gente tapa. Se estiver sujo, a gente limpa.

    O paciente odontológico segundo a crença popular: um punhado de dentes.

    Aí eu fico me perguntando pra que é que eu tive que estudar todo o sistema estomatognático na faculdade? “Perda de tempo”, né?! Portanto, independente da sua profissão, credo ou classe social, deixe-me esclarecer o que um dentista faz:

    Cirurgião-dentista (denominação oficial) é o nome do profissional de Odontologia. A Odontologia estuda o sistema estomatognático, que compreende a cavidade bucal, os dentes, a face (seus músculos, ossos, vasos e nervos), o pescoço, articulações e tecidos. A formação do cirurgião-dentista inclui disciplinas básicas da área da saúde, como anatomia, patologia, farmacologia e fisiologia (do organismo todo), além de disciplinas profissionalizantes (aquelas específicas do curso), como dentística, endodontia, oclusão, cirurgia, prótese, materiais dentários, diagnóstico bucal, etc.. Enfim: face e pescoço é com a gente. Dentro das especialidades odontológicas podemos realizar cirurgias complexas de face em caso de traumas, por exemplo, tratamos disfunções temporomandibulares (da articulação da mandíbula – ATM) e até distúrbios do sono como ronco/apneia e bruxismo! Ah, a gente cuida de dentes também. 😉

    Recentemente recebi um comentário no post Eu Nunca Quis Ser Médica (um dos mais acessados e comentados deste humilde bloguinho) em que o leitor discordava da minha afirmação de que “dentistas, ainda que não sejam médicos, precisam saber o mesmo que um médico generalista sabe”. E eu imagino o porquê da discordância dele: por que um profissional que vive de consertar dentes precisa ter o conhecimento de um médico, que salva vidas? Não, não se assuste caro leitor, eu não penso assim. Mas muita gente pensa. O senso comum não sabe o que um dentista faz DE VERDADE e nem como ele se preparou pra estar apto a atender um paciente… UM PACIENTE INTEIRO, não só o buraco no dente dele.

    O dentista que eles acham que conhecem ainda é aquele da pré-história, que arrancava dentes à ordem do freguês. Ao mesmo tempo, as pessoas têm uma visão totalmente romântica da medicina. Reitero minha admiração pelos colegas médicos, eles ralaram pra chegar onde estão, mas nós também, cada um na sua praia. O benefício fica para o paciente, que mesmo não sabendo o trabalho que deu ou entendendo a importância de considerá-lo por inteiro, colhe os frutos da nossa formação. Dentes não têm diabetes, pressão alta ou insuficiência renal… dentes não ficam “grávidos”. Quem apresenta essas condições são as pessoas, e pessoas têm organismos completos. Se nós dentistas simplesmente desconsideremos esse fato, a vida do paciente é colocada em risco.

    Portanto, se você ainda acha engraçada aquela ~~piadinha~~ “se não existisse cárie, dentista não tinha o que fazer”, pode parar de rir. Meu emprego, graças a Deus, não depende da sua falta de higiene. Trabalho é o que não falta.


  • Dentista: eu não acredito em você!

    Dentista: eu não acredito em você!

    “Doutor, eu fui em outro dentista e ele me disse que eu tenho que fazer o tratamento de canal deste dente e colocar uma coroa, que não dá mais pra restaurar. Tá certo isso?”

    Certamente uma situação parecida já aconteceu com você, colega. “Tá certo isso?” é uma frase que eu ouço bastante no consultório… o paciente quer uma “segunda opinião”. Problema nenhum, é um direito dele. O que estraga é o motivo recorrente: ele acha que o outro dentista está inventando procedimentos para ganhar mais dinheiro. Pode até ser, né?! Mas, via de regra, não é não.

    Esse tipo de comportamento me faz pensar sobre a imagem que os pacientes fazem da gente. Será que o outro dentista não transmitiu segurança? Será falta de credibilidade no profissional de Odontologia? Ou será uma crise de confiança no próximo, de forma geral? Ao que me parece, na maioria das vezes, o que ocorre é a terceira situação. As pessoas aprenderam a ser desconfiadas. E aprenderam da pior forma: sendo enganadas… e enganando. 🙁

    O pódium

    Em 2007, numa pesquisa da Rider’s Digest (Revista Seleções) feita entre 1000 leitores da publicação, o cirurgião-dentista foi o profissional liberal que obteve o maior índice de confiabilidade, isso de acordo com com 81% dos entrevistados. No índice geral os dentistas só ficaram atrás dos bombeiros, que chegaram ao respeitável número de 96%. Isso faz 4 anos, mas demonstra que o problema da desconfiança não parece ser específico da relação paciente / dentista. Digo mais: creio que a relação que mais carece de confiança é a dentista / dentista.

    Quem aí já ouviu que “a classe odontológica é desunida” levanta a mão o/o/o/! Quer saber? Eu não acho. A minha rede de relacionamentos profissionais só me beneficia, aliás, NOS beneficia. E tem que ser assim, sozinho ninguém cresce. Quem pensa que vai longe sem uma equipe, quebra a cara rapidinho. O colega da porta ao lado “cobre o seu preço”? Deixe ele lá contando as moedinhas dele… 😉 ou você vai fazer igual?

    Anyway…

    E quando o paciente coloca você naquela saia-justa com uma pergunta perigosa do tipo: “Como assim eu só tenho 1 cárie? O outro dentista disse que eu tinha 8!” O que você responde?

    1. Mas você não tem! Ele inventou as outras 7. OU
    2. Puxa, que coisa! Na minha opinião você só tem 1. Talvez ele tenha considerado alguns sulcos mais profundos, escurecidos, como cáries. Vamos fazer o seguinte? Restauramos o seu dente cariado e ficamos de olho nos outros 7.

    Notaram a diferença? A mensagem é a mesma e você não incorre no erro de julgar quem você não conhece baseado no relato de… quem você não conhece! PENSE o que você quiser, é um direito seu, mas não caia na armadilha de EMITIR OPINIÃO como se você fosse um perito. O CEO condena esse tipo de atitude, além de pegar mal pra caramba. E nem preciso dizer (mas vou): não use esse tipo de situação como oportunidade para angariar pacientes, parecendo melhor ao diminuir um colega.

    Enfim, se o paciente não acredita em você ou no colega que o atendeu primeiro, talvez o problema seja o paciente. Talvez o problema seja o colega. Talvez o problema seja você. Por via das dúvidas, faça a sua parte. Não fale do que o outro deveria ter feito, e sim do que você faria… parece a mesma coisa, mas não é. E se o paciente estiver no meio do tratamento com um colega e aparecer na sua porta reclamando, sugira que ele volte e esclareça as coisas com o dentista que o atendeu primeiro. Agindo assim, ganha a Odontologia e quem mais consideramos: nossos pacientes.


  • Anestesia Geral no Dentista

    Anestesia Geral no Dentista

    Alexandre vai fazer cirurgia bariátrica… é, aquela que diminui o tamanho (ou pelo menos o volume) do seu estômago. Cirurgia nunca é brincadeira, ainda mais nessa modalidade… requer preparo físico e mental. Não é fácil dormir gordo e acordar… ainda gordo :). Mas sabendo que, em poucos meses, lá se vão os quilos… e o cérebro que se habitue com isso!

    Dá pra deixar pra outro dia?

    Lendo o testemunho em seu blog, um parágrafo me chamou a atenção, o qual transcrevo:

    “Agora, uma coisa é certa: se fosse algo relacionado ao dente,
    eu já estaria
    tomando calmantes e calmantes. Tenho pavor de
    dentista, meu batimento
    cardíaco aumenta só de escrever
    essa palavra e imaginar o motorzinho, que tortura!”

    Até tu, Alexandre? 🙂

    Achei interessante isso… o cara vai fazer uma cirurgia importante, com implicações sérias. Mas não tá nem aí. O que importa mesmo é que não tem nada a ver com dente… ainda bem! Por isso digo: medo é uma coisa muito pessoal mesmo, e não tem nada a ver com a razão. É mais profundo que isso, é como a cárie: é multifatorial.

    Então… por que as pessoas têm medo de dentista? Posso pensar em “n” motivos… mas motivo é como [insira seu termo engraçadinho aqui], cada um tem o seu! No caso do Alexandre, ele não explica o porquê de temer o dentista, mas esclarece a razão de estar tranquilo em relação à cirurgia que vai fazer:

    “Sou bem grandinho (e é real rsrs), mas tenho medo de dentista,
    fico tenso e com mau humor
    uma semana antes. Já para a cirurgia bariátrica
    não vejo a hora de tomar anestesia geral e apagar,
    entrar no mais profundo
    relaxamento, esquecer de tudo e deixar o Dr. Marcelo exterminar meu estômago”.

    Entendeu? No dentista, é preciso enfrentar o medo acordado. Pra fazer a cirurgia bariátrica é só “apagar” e deixar o Dr. Marcelo agir :). Isso me lembra uma pergunta que vivem me fazendo no consultório (e fora dele): “Doutora, dá pra fazer anestesia geral no dentista?”.

    Dá pra fazer anestesia geral no dentista?

    E não é que dá? Mas não é bem assim… não vamos banalizar. Primeiramente, não dá pra fazer anestesia geral em ambiente ambulatorial (consultório), tem que ser no hospital. Ainda, o cirurgião-dentista não está habilitado a aplicar anestesia geral, isso tem que ser feito por um médico anestesiologista, que deve ficar presente durante todo o atendimento, monitorando o paciente.

    Em que casos é possível usar a anestesia geral no dentista?

    Existem indicações para o uso de anestesia geral, não é pra qualquer caso nem pra qualquer paciente. Essas indicações são associadas às características dos pacientes e aos procedimentos que serão realizados. A anestesia geral em Odontologia está indicada para:

    • Pacientes com fobia de dentista (FOBIA, não medo);
    • Pacientes que não conseguem abrir a boca (trismo);
    • Pacientes que têm reações adversas aos anestésicos locais;
    • Pacientes incapacitados física e/ou mentalmente;
    • Crianças não-cooperativas;
    • Procedimentos muito invasivos ou traumatizantes (cirurgia ortognática, por exemplo) ou demorados.

    Há opções mais simples que a anestesia geral?

    Sim, as sedações. As mais usadas em Odontologia são a analgesia inalatória com óxido nitroso (que é administrada por cirurgião-dentista com habilitação para isso) e a sedação via endovenosa (que, como a anestesia geral, é aplicada por médico). Pra saber se dá pra usar e se há necessidade de qualquer um desses meios, consulte seu dentista.

    * * *

    E lembre-se: conversar não tira pedaço. Agende uma avaliação com o seu dentista e converse com ele, sem a obrigação de realizar qualquer procedimento nessa sessão. Pergunte sobre TUDO, até se sentir seguro. Garanto que você vai até esquecer da anestesia geral… 🙂

    Ao Alexandre, boa sorte! 🙂

    Com base no blog Pensando Leve


  • “É que surgiu um imprevisto…”

    “É que surgiu um imprevisto…”

    Ouvi essa frase ontem, de uma paciente que, horas antes, ao telefone, relatava fortes dores. A frase foi usada para justificar, 5 minutos antes da consulta marcada, que ela não poderia comparecer ao compromisso acordado. “Apenas” mais um cano como muitos que eu e você, prezado colega cirurgião-dentista, estamos acostumados a levar.

    Porém, nem era minha paciente propriamente dita. Não nesse caso, pelo menos. Ela passou por uma remoção cirúrgica de 3o molar no meu consultório, em dezembro, realizada por um colega meu que é cirurgião bucomaxilofacial. Entrei em contato com ele, num dia em que eu não viria ao consultório até então, e perguntei se ele poderia atendê-la. Ele cancelou alguns compromissos e veio especialmente para vê-la… afinal, ela sentia dor. Eis que, momentos antes do nosso encontro… a fatídica ligação.

    É fato: imprevistos acontecem. Estamos à mercê deles. Neste caso específico, não fui informada do tipo de compromisso que cancelou nossa consulta. Fico imaginando, inevitavelmente, que tipo de imprevisto é mais importante que uma dor pulsante. O pai na forca?

    Os pacientes não fazem ideia do transtorno que causam quando cancelam suas consultas em cima da hora, ou quando, simplesmente, não aparecem. A paciente do meu relato ligou avisando que não viria. Mas não havia nada mais a ser feito naquele momento, a não ser esperar a chegada do meu colega e pedir desculpas a ele.

    Nós, dentistas, somos profissionais liberais. Ou seja, a maioria de nós não trabalha naquele regime de um número determinado de horas por dia, com salário fixo no final do mês. Para nós, o ditado “tempo é dinheiro” não é só um adágio popular… é a nossa rotina. Como trabalhamos com hora marcada, nosso tempo é reservado para cada paciente em especial. Quando o paciente não aparece, ficamos ociosos. Quando ficamos ociosos… tuitamos! 😀

    Os pacientes costumam ficar bravos quando atrasamos o atendimento deles. Afinal, “eu já estou aqui esperando há 10 minutos!”… e, devo reconhecer, eles têm toda razão. Atender no horário é uma questão de respeito. O tempo dele é precioso, assim como o nosso. Tem colega que marca paciente a cada 10 minutos… a chance de atender a cada um deles no horário certo é quase nenhuma. Veja, cada profissional sabe do tempo clínico que precisa…. mas um pouquinho de “tempo de manobra” não faz mal, né?

    Porém, para os casos de atraso, nós temos algumas “desculpinhas” bem aceitáveis… 🙂

    –> Os encaixes: são os pacientes de emergência. Na Odontologia, as emergências costumam ser ligadas à dor e à estética. Dor eu não preciso nem explicar. Estética pode ser quando, por exemplo, a pessoa perde a prótese do dente da frente. Tem que fechar o 1001, né?! E tem que ser AGORA.

    –> Complicações durante o procedimento: aquele dente que estava “pulando para fora” deu mais trabalho do que parecia que ia dar. Acontece. Ou pior: sem motivo aparente que conste na anamnese, o paciente não pára de sangrar. Vai mandar ele pra casa “pingando” porque é a vez do próximo?

    –> Dependência de outros profissionais: o protético. O protético é o cara que devia ter entregado aquela dentadura há meia hora. Mas ele não entregou. E o paciente está na sala de espera, puto. Com o dentista.

    –> O atraso dos outros pacientes: sua consulta era 14:00h. Mas você chegou 14:15h. Os 15 minutos em questão foram “tirados” do próximo paciente, o que gerará um efeito cascata que fará a agenda do seu dentista entrar em combustão espontânea. Se o dentista disser para os outros pacientes que a culpa é sua, inevitavelmente ouvirá: “Por que atendeu se ele estava atrasado?”. Mas se os atrasados forem eles… “é só 15 minutinhos, doutor! Dia desses esperei por você mais de meia hora!”.

    Para o bem da nossa relação, por favor prezado paciente:

    –> Se você sabe que não poderá vir, não marque a consulta “só pra garantir” seu lugar na agenda.

    –> Se você não sabe se poderá vir no momento de marcar a consulta, não marque. Aguarde ter certeza. Ou pelo menos, quase.

    –> Se você não pretende aparecer, não confirme sua presença quando a secretária ligar perguntando se você vem.

    –> Se realmente precisar faltar, ligue avisando. E isso deve ser feito com, no mínimo, 1 dia de antecedência. Outros pacientes estão doidinhos por aquele horário que nós reservamos só pra você…

    –> Você não é de açúcar. Chuva, a não ser que você more em algum morro com perigo de vir abaixo, não é motivo pra faltar.

    –> Chegue com uns 5 minutinhos de antedência. E conforme-se: talvez você tenha que aguardar.

    Seguindo esses conselhos, todos seremos mais felizes. Eu serei :). Quanto ao caso que relatei, a paciente volta hoje. Ou não… afinal, imprevistos acontecem 🙂

    UPDATE: Acreditem, não é piada. A paciente me ligou no horário exato da consulta, desmarcando.