Tag: dentista

  • Acupuntura contra o medo de dentista

    Acupuntura contra o medo de dentista

    Acupuntura no dentistaSegundo a Sociedade Americana de Odontologia, 3 em cada 10 adultos têm medo de ir ao dentista. Confesso que achei “pouco”, visto que interajo com esse tipo de paciente já há alguns anos. Claro, é preciso considerar que  a severidade do medo varia da ansiedade à fobia e, felizmente, a fobia é exceção. O que poucas pessoas sabem é que técnicas alternativas, como a acupuntura e a hipnose, ajudam a diminuir a ansiedade e controlar o estresse, tornado a consulta no dentista mais tranquila.

    A acupuntura é uma técnica milenar da Medicina Tradicional Chinesa e tem sido usada como aliada no tratamento dentário de quem tem medo de dentista. Parece um contrassenso que uma técnica que utilize agulhas seja capaz de ajudar a combater o medo, mas pacientes afirmam que as agulhas não causam nenhum tipo de dor e/ou incômodo.

    Para o presidente da Câmara Técnica da área de acupuntura do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), o cirurgião-dentista Helio Sampaio Filho, a acupuntura visa o equilíbrio geral do organismo do indivíduo. “As agulhas são colocadas em alguns pontos espalhados pelo corpo todo, dentro dos meridianos, que consistem em vias por onde circula a energia. Dentro desses meridianos, existem alguns pontos que quando estimulados por agulhas, são mais apropriados para relaxar, melhorar a questão da ansiedade e do medo também”, afirma.

    A técnica pode ser feita na própria cadeira do dentista – ainda que alguns destinem uma sala apenas para isso – e a duração da sessão varia entre 30 e 60 minutos de acordo com o caso de cada paciente. Alguns especialistas também procuram fazer algumas sessões antes mesmo de começar o tratamento odontológico. “Quando essa questão do medo e ansiedade é muito forte, o paciente pode fazer de três até cinco sessões de acupuntura antes de iniciar o tratamento até que ele se sinta mais tranquilo e confiante”, afirma o dentista.

    Sem contraindicações, a acupuntura também é indicada para outros casos além do medo de ir ao dentista, dentre eles: alergia a anestesia, disfunções temporomandibulares, bruxismo, paralisia facial, nevralgia do trigêmeo, aftas, reflexo de regurgitação, náusea e no tratamento de pacientes com doenças mentais.

    “Pacientes com paralisia cerebral, por exemplo, têm muitos movimentos involuntários, o que torna o tratamento odontológico mais difícil. Com a acupuntura, eles ficam tão calmos que às vezes não é preciso colocar faixas de contenção durante o tratamento”, aponta Maria Cristina Borsatto, professora-titular de Odontopediatria e de Acupuntura da Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto.

    Via UOL


  • Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um denteUma pergunta que sempre me fazem e que eu vivo respondendo. Acho que vale escrever um post só sobre isso. 🙂

    Não custa nada relembrar as principais orientações pós-operatórias:

    1. Não fazer esforço físico.
    2. Não ingerir alimentos consistentes ou duros.
    3. Não ingerir alimentos e bebidas quentes. Prefira os mornos e frios.
    4. Não fumar.
    5. Não ingerir bebidas alcoólicas.
    6. Não fazer bochechos (a não ser quando indicado por seu dentista) ou cuspir.
    7. Higienizar o local.
    8. Tomar a medicação que seu dentista prescreveu, pelo tempo indicado por ele.
    9. Comparecer para remover os pontos.

    O local da extração consiste basicamente num “buraco” (uma loja óssea chamada alvéolo) protegido pelos pontos que o dentista deu na gengiva. Sim, é normal que fique esse ‘buraco”, porque a gengiva, nesse caso, cicatriza de uma forma diferente da nossa pele, um processo que se chama cicatrização por segunda intenção, ou seja, as bordas da ferida não se juntam, a cicatrização se dá “de dentro pra fora”. Então os pontos que o dentista dá (quando não há cortes, claro) servem mais pra formar uma rede de proteção, e não pra fechar o “buraco”, ok?!

    Dito isso, vamos falar da higienização.

    Pode escovar diretamente o local?

    Não. Considere que no local da extração há uma ferida, e feridas não devem ser escovadas. Quando há uma ferida na sua pele, você não mete uma escova nela, certo?! O mesmo princípio vale para a gengiva em cicatrização após uma extração dentária. Escove todos os dentes normalmente, mas o local da cirurgia, não. Até porque provavelmente você não vai conseguir, já que vai doer. Escovar a ferida, além de machucar, fazer doer e provocar sagramentos, pode soltar os pontos. Cuidado.

    Pode fazer bochechos?

    Sim, mas nunca nos primeiros 3 dias após a extração. Isso porque logo que o dente é removido se forma uma tecido inicial de cicatrização dentro do “buraco” onde o dente estava, chamado coágulo. Ele geralmente parece uma gengiva mole e mais escura. Fazer bochechos nessa fase pode remover o coágulo, o que causará sangramento e até pode levar a uma alveolite. Mesmo passados os 3 dias iniciais, evite bochechos muito vigorosos. Vá com calma.

    Então, como limpar o local da extração de um dente?

    Essa não costuma ser uma tarefa muito fácil, principalmente porque não é incomum que a pessoa não consiga abrir a boca direito nos primeiros dias após a extração, uma condição chamada trismo, que é um sintoma comum após a extração dos sisos, por exemplo. Nesse caso, um enxaguante bucal pode ser muito útil, desde que – como já mencionado – não se façam bochechos vigorosos pra não remover o coágulo.

    Algo que pode ajudar bastante é usar uma seringa (sem agulha) cheia de água limpa, enxaguante bucal ou soro fisiológico pra lavar o local da extração. Da mesma forma que ocorre com o enxaguante, evite fazer isso nos 3 primeiros dias do pós-operatório. Essa estratégia ajuda a remover resíduos alimentares maiores como grãos de arroz, etc..

    Outra dica é usar um cotonete umedecido pra limpar os pontos superficialmente, já que sobre eles às vezes se forma uma camada esbranquiçada de resíduos. Essa camada pode e deve ser removida, mas não introduza o cotonete no “buraco” ou em qualquer reentrância, ok?! A limpeza é apenas superficial. É muito comum que a pessoa queira enfiar o cotonete dentro do alvéolo, mas isso não ajuda em nada e ainda atrapalha.

    Por último: é praticamente impossível que você consiga manter totalmente limpo o local da extração o tempo todo. Abrir a boca dói, mexer no local dói, higienizar dói. Então não fique muito neurótico, apenas procure fazer uma boa limpeza superficial após cada refeição e seguir as recomendações pós-operatórias do seu dentista. Mesmo que a cor da gengiva pareça estranha, haja inchaço, o seu hálito esteja péssimo e um líquido transparente e com gosto ruim saia do local, não significa que você tem uma infecção. Esses sintomas são comuns e inerentes ao processo inflamatório, que está presente em qualquer cicatrização.

    Mas caso realmente você ache que tem alguma coisa errada (muita dor, sangramento, pus, febre, etc..), não hesite em entrar em contato com o seu dentista. É atribuição dele orientar você depois da extração, também.

    Fico aqui torcendo pra que você tenha uma boa recuperação. 🙂


  • Mandíbula deslocada. O que fazer?

    Mandíbula deslocada. O que fazer?

    Sabe aquela expressão “fiquei de boca aberta”? Às vezes acontece mesmo!

    Você certamente já ouviu falar no Desafio do Balde de Gelo, agora já é notícia velha. Pra quem estava em coma e não ouviu falar, consiste em desafiar qualquer um a jogar um balde de água gelada na cabeça ou doar 100 dólares para a ALS Association, organização sem fins lucrativos que arrecada fundos para pesquisa e ajuda pacientes com esclerose lateral amiotrófica. O que as pessoas têm feito é doar e, também, levar o banho.

    Pois bem. A jovem inglesa Isabelle Roberts, de 20 anos, acabou deslocando a mandíbula durante o desafio e precisou ser levada para o hospital. O deslocamento parece ter sido mais por causa dos gritos do que da pancada. Infelizmente, a moça removeu o vídeo do incidente que estava no You Tube, mas foi mais ou menos isso:

    Deslocamento de mandíbula

    “Tentei fechar minha boca, mas não conseguia, pois estava trancada. Então, eu cheguei à conclusão de que algo estava acontecendo”, contou a moça. E estava acontecendo mesmo: uma luxação de ATM.

    O que é luxação de ATM?

    Luxação é o deslocamento repentino e duradouro, parcial ou completo, de um ou mais ossos de uma articulação. E a articulação que liga nossa mandíbula ao crânio é a ATM (articulação temporomandibular).  A luxação de ATM é, portanto, a perda de contato entre as 2 superfícies articulares: a cabeça da mandíbula e a eminência articular. Entenda:

    Deslocamento de mandíbula

    Quais os tipos de luxação de ATM?

    A luxação de ATM pode acontecer de um lado só (com desvio de linha média, há assimetria facial e a mandíbula se desloca para o lado oposto ao da luxação) ou dos dois lados (sem desvio de linha média, há simetria facial e ambas as cabeças da mandíbula se deslocam à frente da eminência articular). A da moça do vídeo foi de um lado só.

    Ainda, luxações de ATM podem estar ligadas a traumas (fraturas ósseas) ou serem atraumáticas, ou seja, apenas há o “desencaixe” dos ossos, mesmo.

    O que causa uma luxação de ATM?

    Um bocejo, uma mordida num sanduíche (!), uma gargalhada, uma pancada, extrações dentárias, anestesia geral, um balde de gelo 😉 etc.. São fatores predisponentes (que facilitam que uma luxação de ATM ocorra): fossa mandibular rasa e lassidão ligamentar (ligamentos “frouxos”).

    Quais os sinais / sintomas?

    Basicamente o aumento da abertura bucal, e a pessoa pode simplesmente não consegue fechar a boca. Há dificuldade de falar e o aumento da salivação (sialorréia). Dói? Nem sempre. Mas pode doer depois que o seu dentista colocar sua mandíbula no lugar de novo. Pra investigar melhor, podem ser pedidas radiografias (de Towne, lateral e oblíqua de mandíbula, panorâmica, etc.), tomografia e/ou ressonância magnética.

    Qual o tratamento?

    Colocar os ossos de volta no lugar, um procedimento chamado redução. Geralmente dá pra fazer a redução incruenta (sem cirurgia) no consultório do dentista mesmo, ou em ambiente hospitalar, nesse caso por cirurgião bucomaxilofacial (que também é dentista 😉 ). Na técnica de redução normal, faz-se apoio em região de trígono retromolar (atrás do último dente molar inferior) e se empurra a mandíbula para baixo, para trás e para cima (com o dentista à frente do paciente).

    Existem outras formas de redução, como a Manobra de Atterbury e a Manobra de Watson Jones. Na primeira se coloca uma rolha de cortiça na região de trígono retromolar e o queixo do paciente é empurrado pra cima. Na outra, vários palitos de madeira (abaixadores de língua) são colocados aos poucos entre os dentes anteriores do paciente até que a boca dele fique BEM aberta, de forma que a cabeça da mandíbula volte para o lado de trás da eminência articular.

    Por fim, há a técnica medicamentosa. Nela, injeta-se anestésico na articulação (zona bilaminar / retrodiscal) de forma que haja um relaxamento local. Esse relaxamento permite que a mandíbula volte para o lugar.

    Quem decide qual é a melhor forma de reduzir a luxação de ATM, dada a situação, é o seu dentista. Por isso, se acontecer com você, busque ajuda profissional.


  • Cuidados para pacientes com câncer

    Cuidados para pacientes com câncer

    🙂

    Pessoas com câncer necessitam de cuidado odontológico diferenciado, as terapias para o combate da doença costumam afetar a boca em vários aspectos. A atuação do dentista costuma ser dividida em três etapas: antes, durante e depois da  terapia. Cada etapa tem abordagem claramente diferenciada e respeitá-las é fundamental para oferecer conforto e qualidade de vida a quem passa por esse processo.
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    1. Antes da terapia (Adequação Bucal!): O dentista deve agir preparando o paciente para uma futura baixa de imunidade provocada pela maioria das terapias. Extrações, raspagens e tratamentos de canal devem ser realizados nesta fase, por que normalmente estão relacionados à processos infecciosos, que devem estar controlados durante a terapia. Restaurações e limpezas são realizadas como medidas preventivas, para evitar infecções na fase crítica.
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    2. Durante a terapia (Prevenção e Conforto): Nesta fase o dentista deve manter tudo limpo e restaurar pequenas cáries antes que cresçam. Não, a terapia não faz seus dentes caírem, mas é mais fácil desenvolver gengivites já que a imunidade é prejudicada. Pode ocorrer diminuição da quantidade de saliva (o dentista pode receitar sprays de saliva artificial para suavizar o problema) e mucosites (as grandes vilãs desta fase). As mucosites são feridas extensas e doloridas, por toda a mucosa da boca, que dificultam a alimentação. Nesta fase evite alimentos ácidos, duros ou quentes, pois todos pioram as dores. Procure consumir gelados (picolé, sorvete, bebidas geladas) durante as infusões de quimioterapia! Laserterapia funciona bem na prevenção e no alívio dos sintomas da mucosite. Seu dentista pode indicar um spray contendo anestésico e remédio para evitar infecções, melhorar as dores e facilitar a alimentação!
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    3. Após a terapia (Manutenção da Saúde Bucal): Existe um período em que as intervenções odontológicas mais próximas ao osso são contraindicadas, mas isso só inclui extrações, cirurgias em osso (implantes por exemplo) e as raspagens mais agressivas. Outros serviços são realizados normalmente e, ao fim deste período, o paciente pode ser submetido a qualquer tratamento novamente.

    A autoestima e o bom humor são ferramentas importantíssimas no fortalecimento psicológico, todos estes cuidados fazem muita diferença na qualidade de vida de quem precisa vencer este desafio!


    Este texto foi adaptado de OdontoEspecial, visite no Facebook ou no Tumblr.


  • Aftas: Causas e Tratamento

    Aftas: Causas e Tratamento

    Quem nunca se incomodou com aquelas feridinhas que aparecem de vez em quando na boca da gente? Elas acometem adultos e crianças e são chamadas de aftas, caracterizando-se como ulcerações branco-amareladas de contorno avermelhado, várias ou uma só, grandes ou pequenas. São mais comuns em mulheres.

    Quais os tipos de aftas?

    Existem 2 grupos principais de aftas, as menores e as maiores, sendo a mais comum dentre as menores a afta vulgar, geralmente pequena e única. A afta vulgar faz parte do grupo das UARs, as ulcerações aftosas recorrentes, que são aquelas que aparecem de vez em quando, duram de 7 a 10 dias e não deixam cicatrizes.

    Quais as causas?

    O que causa uma afta ainda não é consenso, e o número de agentes causadores sugeridos é grande. Entre eles:

    • Alimentos ácidos (frutas cítricas como abacaxi, laranja, etc.)
    • Baixa imunidade
    • Predisposição genética
    • Anormalidades hematológicas (sanguíneas)
    • Influências hormonais (menstruação, menopausa)
    • Agentes infecciosos (vírus, fungos, bactérias)
    • Alterações nutricionais
    • Traumas (pequenos ferimentos causados pela própria escova de dentes ou pelo uso de aparelho ortodôntico, por exemplo)
    • Estresse
    Aftas ardem.

    Qual o tratamento?

    O combate às aftas vulgares costuma não ser específico, já que as causas podem ser muitas. Portanto, o tratamento dessas ulcerações é sintomático, ou seja, visa a diminuição dos sintomas. Eu costumo indicar para os meus pacientes um corticóide tópico em orabase. É uma espécie de gel grudento e com consistência arenosa que, em contato com a afta, cria uma película que protege a lesão enquanto trata e acelera a cicatrizacão. Não acho legal o uso de certos medicamentos à base de bicarbonato de sódio (ou o próprio), pois eles ardem demais, o que pra mim é um sofrimento desnecessário e improdutivo, já que a ideia é diminuir a dor e não piorá-la até que ela suma. Certas plantas, como malva, chá preto, hamamelis, ruibarbo, sálvia e alcaçuz, além do própolis,  parecem ajudar na processo de cicatrização das aftas vulgares.

    Já para lesões extensas, as aftas maiores, o tratamento costuma ser também sistêmico, geralmente na forma de bochechos. Não preciso nem dizer, mas vou ;): principalmente no caso de aftas grandes, que durem mais de 1 mês para melhorar e que deixem cicatrizes, consulte um dentista.

    Lesões aftosas podem ser associadas, também, a certas condições, como a Doença de Crohn (doença inflamatória intestinal) e a Síndrome de Behçet (caracterizada por aftas bucais pequenas, úlceras genitais, lesões oculares e cutâneas).

    Outros textos de interesse:

    Aftas! Pra Que Te Quero! – Ortodontia para Todos

    Como Curar Aftas – Vida de Dentista

    Aftas em Crianças – Tio Dentista

    Aftas: O Que São e Como Tratar – OdontoBLOGia


  • Meu paciente tem medo de dentista: e agora?

    Meu paciente tem medo de dentista: e agora?

    “Eu odeio dentista”. Duvido, colega, que você nunca tenha ouvido essa declaração no consultório. O paciente simplesmente olha pra você e diz “eu odeio dentista”, como se fosse a coisa mais normal do mundo e você já soubesse disso (portanto, nem faria sentido se ofender). Eu particularmente acho engraçado quando a pessoa diz isso bem na nossa cara e depois se dá conta da indelicadeza. Aí vem um “nada pessoal, doutor!”. Mas convenhamos: é difícil não levar pelo menos um pouquinho pro lado pessoal…

    O fato é: o dentista-estereótipo todo mundo odeia, até eu: o ser malévolo que faz extrações sem anestesia e cutuca um dente só pra ele doer. Por isso afirmo: ninguém odeia (mesmo) o dentista. As pessoas têm é medo, sofrem de ansiedade, têm aflição por causa do barulho da alta-rotação e vergonha de mostrar os dentes e admitir que a atenção que a higiene bucal merece não está sendo dada. Mas o fator principal eu creio que ainda é a falta de informação: não saber o que vai acontecer do outro lado da porta da sala de espera. E eu acredito tando nisso que até criei um blog só sobre o assunto! 🙂 

    Medo?

    Nesses mais de 4 anos de blog tenho tido contato diário com pessoas que têm medo, ansiedade e fobia, conceitos que as pessoas confundem bastante. Felizmente a maioria das pessoas fica entre o medo e a ansiedade, e os casos de odontofobia são mais pontuais. Um paciente com fobia provavelmente nem chegará às nossas cadeiras sem um auxílio psicológico prévio ou paralelo à atenção odontológica, mas os medrosos e ansiosos entram e saem dos nossos consultórios diariamente. E, se me permitem, gostaria de compartilhar com vocês algumas verdades que aprendi interagindo com esse tipo de paciente:

    •  A boca é uma parte muito íntima do nosso corpo, o que deixa o paciente odontológico numa posição vulnerável e desconfortável. É essencial que compreendamos isso pra que o atendimento e, principalmente, a relação de confiança entre dentista e paciente não se quebre.
    • Em se tratando de pacientes adultos, evite “dar bronca”… é totalmente possível orientar sem constranger. Nem todo mundo não escova os dentes direito por preguiça ou descaso, pode ser só falta de orientação, mesmo. Na dúvida, não julgue. Um “tô vendo que a senhora tem tido dificuldade na higienização, posso dar uma dicas?” é bem mais profícuo do que “tá relaxada com a escovação, hein Dona Maria?”. Não é O QUE se diz, mas COMO se diz.
    • Medo não é frescura. Não é porque o cara tem 2 metros de altura por 1,5 de largura que ele não pode ter medo de dentista. Então, não subestime a ansiedade do seu paciente, não faça pouco caso. Isso só aumenta a sensação de insegurança e é quase certo que o paciente não volta mais.
    • Em caso de movimentos bruscos, avise seu paciente. Tem gente que quase tem um infarto se o dentista abaixa o encosto da cadeira sem avisar. Quando se está com medo, qualquer detalhe é motivo pra mais medo. Sempre que for “apertar, puxar, empurrar”, avise!
    • Por outro lado, não fique explicando muito o que você está fazendo. Embora seja interessante que o paciente saiba o que está acontecendo, não entre em detalhes técnicos sobre osteotomias, odontosecções, sangramentos e retalhos.
    • Deixe claro para o paciente que quem dita o ritmo é ele.
    • Se você não se sente preparado (ou não tem paciência mesmo) pra atender um paciente ansioso, não atenda. Encaminhe. Vai ser melhor pra vocês dois.

    Essas são dicas práticas, muitas delas você certamente já usou / usa na sua prática diária. Mas nunca é demais relembrá-las afinal, em se tratando de medo de dentista, os detalhes fazem a diferença!

    Por fim, para aqueles que têm medo, um conselho: vá regularmente ao dentista, não só quando o dente dói. Quando o problema já está instalado nem sempre é possível garantir um atendimento sem desconforto. Quando as pessoas vão ao dentista pelo menos uma vez por ano, qualquer problema em curso pode ser detectado precocemente e interceptado, o que resulta em tratamentos muito menos invasivos e potencialmente desagradáveis. Fica a dica. 🙂

    Publicado originalmente no Blog Eu Amo Odonto


  • Sapinho é normal?

    Sapinho é normal?

    Sapinho é o nome popular de uma micose que ocorre na boca, a candidíase ou monilíase.

    Qual a causa?

    A  Candida albicans Cândida (este é o nome do fungo que causa o problema) ocorre naturalmente por todo o corpo, mas só causa doença se houver oportunidade para isso. Fora da boca, variações no pH, machucados, excesso de umidade ou contato íntimo favorecem o aparecimento. Na boca precisam ocorrer situações muito específicas para o aparecimento do sapinho:

    • Presença de próteses muito velhas que perderam sua adaptação.
    • Sistema imunológico abalado, como em bebês (com o sistema imunológico em desenvolvimento), idosos (com o sistema imunológico no declínio de suas funções) e pessoas com outras doenças.

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    Podemos dizer que a candidíase na boca é um tipo de termômetro para o sistema imunológico, indicando quando algo não vai bem.  Se você tem sapinho e não usa prótese, não tem seu sistema imunológico em formação ou naturalmente em declínio (como o caso de idosos ou bebês), podemos suspeitar que alguma doença ou condição esteja interferindo em sua imunidade…

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    Candidíase relacionada ao uso de próteses “mal-adaptadas”.

    Como saber se eu tenho sapinho?

    Não sabe identificar a candidíase? Ela pode se apresentar como manchas vermelhas embaixo de uma prótese ou como placas esbranquiçadas que descolam-se facilmente da mucosa da boca e revelam manchas vermelhas. Em ambos os casos o paciente relata de ardência, que pode, inclusive, dificultar a alimentação! Nem sempre as manchas ou placas acontecem por toda a boca, na maioria das vezes o problema fica restrito a uma determinada área.

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    Aspecto de Candidíase com placas brancas por toda a boca.

    Qual o tratamento?

    O tratamento da candidíase pode envolver o uso de remédios (antimicóticos), troca de próteses, ou mesmo a intervenção indireta (tratamento do problema que afeta o sistema imunológico do paciente). Em qualquer um dos casos, o diagnóstico começa pelo dentista, mas pode acabar envolvendo o médico, também.

    Se você acha que tem sapinho (ou que seu filho tem), procure um dentista e faça uma avaliação!


  • Bolinha na Gengiva: O Que É?

    Bolinha na Gengiva: O Que É?

    Abscesso / fístulaSe tem uma pergunta que eu ouço sempre é essa: “Doutora, tem uma bolinha na minha gengiva! Ela aparece, fica um tempo e depois some. O que é isso?” Pra saber com certeza, só indo no dentista. Mas eu imagino o que possa ser…

    Essa bolinha ou bolha nada mais é do que um jeito que o seu organismo arrumou para expulsar o pus proveniente de uma infecção, seja do seu dente, seja da sua gengiva. Não tendo por onde sair, o pus cria um “caminho” por dentro do osso chamado fístula, e a saída da fístula na gengiva é a tal bolha recorrente.

    Fístula em dente com necessidade de tratamento de canal

    Como essa infecção começou, depende. Talvez através de uma cárie que tenha atingido o canal do dente, talvez pelo acúmulo de tártaro que levou a um problema gengival. O fato é: se a causa da infecção não for removida, essa bolinha pode aparecer e sumir várias vezes, por muito tempo, sem nenhum outro sintoma. Ou você pode morrer de dor, ter febre e o seu rosto inchar, obrigando até o dentista a fazer uma drenagem do abscesso (fazer um corte para ajudar a liberar o pus).

    Se o problema tiver origem no canal do dente, o tratamento consiste em tratar o canal. Assim, as bactérias que causaram a infecção são removidas e a tal bolinha vai desaparecer de uma vez. Já se a infecção for proveniente da gengiva, será preciso eliminar as bactérias através de uma raspagem, limpando a região em volta dos dentes do tártaro que houver. Em ambos os casos, sendo necessário uso de antibióticos, eles serão prescritos pelo seu dentista. Nunca se auto-medique, pois há uma grande chance de você tomar o remédio errado e agravar o problema.

    “Ah… mas eu não sinto dor e essa bolinha não incomoda! Não dá pra deixar assim mesmo?” Não. Toda infecção no seu organismo deve ser tratada, sob pena de perder o seu dente ou de acontecer coisa pior. Nunca subestime uma infecção, mesmo que você ache que “é só um dente”. Porque tem gente que já morreu disso…


  • O Dentista Que Faz de Tudo

    O Dentista Que Faz de Tudo

    Todo dentista, ao se formar, é clínico geral. Isso significa que na faculdade ele fez de tudo um pouco: restaurações, tratamentos de canal, próteses, cirurgias. Mas ele ainda não é especialista em nada e, se quiser ser, terá que estudar mais ainda.

    É natural que durante a faculdade as aptidões se destaquem. Tem os que são melhores restaurando, aqueles que gostam mesmo é de “sangue” e outros que nasceram pra cuidar da gengiva. Provavelmente, essas serão suas especialidades no futuro: dentística, cirurgia e periodontia, respectivamente.

    Instrumental de dentista

    Antigamente não existia esse monte de especialidades odontológicas… o dentista era dentista e ponto. E “tratamento” era arrancar dentes. A pessoa chegava com dor de dente e, via de regra, era um dente a menos. A ideia de que manter o dente é melhor é coisa mais ou menos recente… por isso temos muitos velhinhos que, resignadamente, usam dentaduras. Ainda bem que as coisas mudaram.

    Mudaram tanto que, hoje em dia, dentista não é só dentista. É periodontista, cirurgião bucomaxilofacial, protesista, ortodontista. E tem gente que não gosta muito disso. Lembro de já ter recebido alguns comentários de leitores reclamando da “preguiça” dos dentistas que ficam encaminhando os pacientes para outros colegas para procedimentos “simples”, como uma “limpeza”. As aspas se justificam: nem é preguiça, nem é simples, nem é limpeza. Diga isso pra um periodontista pra ver do que ele te xinga o que ele diz… 😉

    É natural que as pessoas desejem ser atendidas por um dentista só. Além da comodidade, há a questão da confiança no profissional, que costuma demorar pra ser construída, principalmente em se tratando de quem tem medo de dentista. E eu vejo a boca como algo muito íntimo… imagina só ser encaminhado para vários ginecologistas? No thank’s.

    Mas é essa a tendência: cada vez mais as pessoas são atendidas por especialistas. Não pretendo discutir neste texto se isso é bom ou ruim (use os comentários, se quiser), confesso que nem eu tenho opinião formada sobre o tema. Acho que, como tudo na vida, tem seus prós e contras, e você pode refletir mais sobre o assunto nesse excelente texto no blog da minha amiga Celia. Só acho engraçada a relutância de algumas pessoas em aceitar que a Odontologia mudou!

    Ninguém reclama se o dermatologista não “conserta” pé quebrado, nem se o cardiologista não faz vasectomia (nos outros, não nele 😀 )… mas se o dentista que fez o canal não é o mesmo que restaurou o dente ou o que instalou o aparelho não extraiu os sisos (idem), fica todo mundo surpreso. Como assim? Não é tudo dente? E quem é que disse que dentista só cuida de dente?

    Então, não fique bravo com o seu dentista se ele encaminhar você pra outro dentista, não é porque ele não gosta de você. Pelo contrário, gosta tanto que quer que você receba o melhor atendimento. E não dá pra saber tudo sobre tudo, não é mesmo?


  • O que faz um ortodontista?

    O que faz um ortodontista?

    O que é um ortodontista?

    Ortodontista é o título que recebe o cirurgião-dentista especialista em ortodontia. Pra ser especialista em ortodontia, além de cursar 5 anos de graduação em Odontologia, é preciso fazer mais 3 anos de especialização na área.

    O que faz um ortodontista?

    Pratica a ortodontia. A ortodontia é a especialidade odontológica que estuda, previne e trata os problemas de crescimento e desenvolvimento da face (aí já englobando a ortopedia, também). O ortodontista tem o conhecimento teórico e o treinamento prático / clínico para intervir prevenindo, interceptando ou corrigindo problemas de posicionamento dentário, de oclusão (o “encaixe” da mordida) e demais disfunções dento-faciais. Ao planejar um tratamento ortodôntico, o ortodontista se baseia na avaliação física (clínica) do paciente e em exames complementares: fotos, radiografias, modelos em gesso e traçados cefalométricos (as “medidas” da face do paciente).

    Quais os benefícios de um tratamento ortodôntico?

    Algumas pessoas precisam usar aparelho e outras não. Quem determina isso é o ortodontista, após avaliação do paciente. Dentes tortos ou dentes que não se encaixam corretamente são difíceis de serem mantidos limpos, podendo ser perdidos precocemente devido à cárie e a problemas periodontais (nos tecidos de suporte dos dentes, a saber, osso e gengiva). Também causam um estresse adicional aos músculos de mastigação, o que pode levar a dores de cabeça, no pescoço, problemas de ATM, etc.. Dentes tortos ou mal posicionados também prejudicam a sua aparência.

    Como funciona o aparelho ortodôntico?

    Você pode conferir detalhadamente nesse texto. Mas, basicamente, os bráquetes ortodônticos são colados, um em cada dente, e o arco ou fio passa  por dentro de cada um dos bráquetes através de um espaço chamado slot. O que prende o arco aos bráquetes são as alastics (“borrachinhas”) ou amarrilhos (pequenos fios flexíveis) metálicos. O arco provoca uma força dentro do slot do bráquete que faz o dente inteiro (coroa e raiz) se movimentar. Quem controla esse processo todo é o ortodontista, responsável por planejar e executar o tratamento, determinando que outras mecânicas (movimentações dentárias) são necessárias. Às vezes é necessário extrair um ou mais dentes, usar elásticos, molas, ganchos, etc., tudo para que se obtenha o alinhamento e o nivelamento dos dentes, bem como o encaixe correto da mordida.

    Se eu não preciso usar aparelho, posso usar mesmo assim? É que eu acho bonito…

    Não. Aparelho ortodôntico não é enfeite nem acessório.

    E os “aparelhos personalizados” piratas que são vendidos por aí? São seguros?

    Não. Pra começar, eles não são aparelhos ortodônticos: são “coisas” que alguém colou nos dentes. Não interessa se o material usado é verdadeiro (bráquetes ortodônticos de verdade), o “dentista” é falso e não sabe o que está fazendo, o que fica óbvio pela total irresponsabilidade e desconsideração quanto às possíveis consequências dessa “moda”. Essas peças coladas nos dentes e unidas por arames ou palha de vassoura colorida aplicam forças nos dentes, o que significa que eles vão se movimentar. Como não há nenhum tipo de planejamento ou critério quanto à intensidade e a direção dessas forças, há um perigo real de quem usa esses “aparelhos piratas” perder os dentes! As raízes deles podem começar a “sumir”, o que os deixará moles e sem possibilidade de serem mantidos na boca.

    Aparelhos piratas

    Mas a boca é minha e se eu quiser eu uso!

    Concordo plenamente com você. Se você quiser mesmo um “acessório” desses nos seus dentes, assuma os riscos e as consequências. Apenas não compare nem confunda o que o ortodontista faz com o que o seu amiguinho que cola aparelhos faz, não tem NADA a ver… “trocar borrachinhas” e fazer um tratamento ortodôntico são coisas bem diferentes. E como fica muito claro na imagem acima e no antes e depois logo abaixo, o resultado também diverge muito. Veja:

    Antes x depois: aparelho "ostentação"

    É… a ordem não está errada não… o ANTES é o de cima e o DEPOIS é o de baixo. (via @paulocaan no Instagram –> http://instagram.com/p/lYNdzzw-ra)

    Meu papel, como dentista / blogueira / profissional de saúde é orientar. Acabei de fazer isso de forma bem clara. Juízo e boa sorte pra você!

    LEIA TAMBÉM:

    Aparelho nos dentes é coisa séria, no OdontoDivas 

    Aparelhos personalizados ou diferenciados (falsos) – Uma moda perigosa, no DicasOdonto

    Aparelhos personalizados: reportagem-denúncia no Bom Dia Brasil, no Vida de Dentista

    O perigo dos aparelhos diferenciados, no Tio Dentista

    Onde comprar aparelhos coloridos, chavosos e personalizados?, no Ortodontia Para Todos

    Denúncia: camelôs vendem aparelhos ortodônticos piratas na Rua 25 de março, no Profissão Dentista

    Polícia civil prende camelôs que vendiam materiais para aparelhos falsos, no Blog do Dentista

    Sobre aparelhos falsos, “personalizados”, châvosos ou da modinha e a burrice do ser humano, no Ortoblog

    Qual a graça do sorriso metálico?, no Blog do Tas 

    Moda entre jovens, aparelhos falsos trazem riscos à saúde, na Folha de São Paulo