Categoria: Dentística

  • Clareamento dental enfraquece os dentes?

    Clareamento dental enfraquece os dentes?

    Uma das grandes dúvidas que as pessoas têm em relação ao clareamento dental é se ele, de alguma forma, interfere na estrutura dos dentes… se os deixa “fracos”.

    Como funciona o clareamento dental?

    Todo clareamento dentário segue o mesmo princípio: um gel – peróxido de hidrogênio ou peróxido de carbamida – penetra na estrutura dos dentes e reage quimicamente com os pigmentos, que até então eram estruturas quimicamente estáveis. Ocorre, então, um processo de oxidação que quebra esses pigmentos, que são moléculas orgânicas contendo carbono, em moléculas bem menores de dióxido de carbono e água, que refletem a luz de forma diferenciada, levando a um efeito branqueador. Muitas vezes essas moléculas são realmente removidas, alterando a cor dos dentes.

    Clareamento dental

    O clareamento deixa os dentes fracos?

    Inúmeros estudos demonstram que o princípio ativo dos géis branqueadores não modifica a estrutura mineral dos dentes, agindo somente na parte orgânica, ou seja, nos pigmentos que vêm principalmente da alimentação… as manchas extrínsecas (aquelas que não fazem parte da estrutura do dente).

    Não existem evidências que comprovem o efeito permanente do clareamento sobre o equilíbrio mineral das estruturas dentais. Um gel clareador mais ácido pode causar desmineralização dentária? Pode. Porém há fortes evidências de que fatores protetores presentes na saliva previnem uma perda mineral significativa ao mesmo tempo que restabelecem o conteúdo mineral durante e após o tratamento. Portanto, é altamente desejável que o gel clareador tenha pH neutro, contenha flúor (que age ativamente no processo de desmineralização / remineralização dental) e que a concentração do peróxido seja adequada (aí entra a avaliação e julgamento do(a) seu(sua) dentista, pois cada caso é um caso).

    Géis clareadores dentais não são abrasivos, ou seja, não desgastam os dentes, diferentemente de algumas pastas de dentes que prometem branqueamento, mas só removem manchas superficiais por abrasão.

    Depois de quanto tempo dá pra fazer um novo clareamento?

    Algumas pessoas gostariam de viver num eterno clareamento dentário… mas não dá, e nem precisa. O efeito do tratamento clareador costuma durar 2 ou 3 anos, dependendo dos hábitos de higiene, alimentação e outros (fumo, por exemplo) do paciente. Na literatura, pouco mais de 40% dos casos ficam estáveis por pelo menos 5 anos… então, vá com calma.

    Por mais que um clareamento dental bem conduzido não prejudique a estrutura dentária, é preciso lembrar que os dentes são inervados, e todo clareamento pode causar sensibilidade em maior ou menor grau. Ou seja: fazer um clareamento atrás do outro, além de desnecessário, pode causar dano à polpa (o “nervo” do dente), o que leva à necessidade de tratamento de canal. Portanto, é preciso aguardar.

    E o clareamento dental mal conduzido? Se você foi ao dentista e ele(a) prescreveu o clareamento, indicou a modalidade e o tipo de gel, fique tranquilo! Já se você preferiu tentar um “atalho”, cuidado: saiba que existe algo chamado ponto de saturação. Esse é o momento em que ocorre o máximo do clareamento, em que os pigmentos não são mais clareados e o peróxido começa a atuar em outros compostos que apresentam cadeias de carbono, como as proteínas da matriz do esmalte. A partir desse ponto pode ocorrer a perda de estrutura dental sim, por isso é necessário saber quando parar. E só um(a) dentista sabe identificar esse momento com segurança.

    Todo clareamento é feito sob supervisão do dentista!

    Até os “caseiros”. Não existe clareamento – responsável – solo. Então se você quer fazer um clareamento, consulte um(a) dentista. É ele(a) quem vai indicar o tipo de clareamento, o tipo de gel, o tempo de tratamento e a concentração mais indicada para o seu caso.


  • Lesões dentais não-cariosas: abfração, abrasão, atrição e erosão

    Lesões dentais não-cariosas: abfração, abrasão, atrição e erosão

    A cárie é caracterizada pela desmineralização do dente, o que leva à perda de tecido dentário. Mas nem sempre a perda de tecido dentário se dá por causa de uma cárie. Além das fraturas, existem outras formas disso acontecer.

    Apenas pra ilustrar, pois você, leitor, não tem obrigação nenhuma de saber que dente tem tecido: não só tem como são três (fora a polpa, que é o “nervo” do dente): esmalte (a camada mais externa, brilhante e translúcida), dentina (que fica por baixo do esmalte e do cemento, é sensível e é ela que é “branqueada” quando se faz clareamento dental) e cemento (que reveste a dentina da raiz).

    Tecidos dentários
    Tecidos dentários

    Isso entendido, vamos falar das outras causas de perda tecidual dentária:

    Abfração

    É a perda de estrutura dental associada ao estresse oclusal. A força da mastigação pode levar ao rompimento de certas ligações químicas dos cristais de esmalte, levando à perda de tecido na parte da frente (vestibular) e na cervical (pertinho da gengiva) dos dentes. Pode acontecer de haver alguma perda de tecido sob a gengiva, também.

    Abfração
    Abfração

    Abrasão

    É o desgaste da estrutura dental devido a um processo mecânico anormal, uma parafunção. Escovação com muita força e com pastas de dente abrasivas, uso de palitos pra limpar entre os dentes (em tempo: “palito de dente” não existe!), morder lápis, tampa de caneta, etc.. Ou seja, há um agente físico externo causando o desgaste.

    A aparência da abrasão é de um desgaste na superfície exposta da raiz de um dente com recessão gengival. Assim como a abfração, a abrasão acomete a região cervical dos dentes.

    Abrasão
    Abrasão

    Atrição

    O desgaste dos dentes é um processo fisiológico, ou seja, pode ser considerando normal com o passar da idade. O problema é quando o grau de perda tecidual cria problemas funcionais, estéticos ou sensibilidade dentinária. A atrição é o processo de desgaste das superfícies incisais / oclusais dos dentes, comum em quem tem o hábito de rangê-los. É o tipo de perda de tecido dentário mais fácil de identificar.

    Atrição
    Atrição

    Erosão

    É o desgaste químico dos dentes, sem envolvimento bacteriano. É comum em quem tem o hábito de beber muito refrigerante e/ou sucos cítricos, assim como em quem sofre de bulimia, por exemplo, por causa dos vômitos recorrentes. Há algum tempo começaram a surgir pastas de dente para prevenir a erosão dental, mas como esse não é um problema assim tão comum, a “moda” acabou passando e muitos desses produtos deixaram de ser comercializados.

    Erosao ácida
    Erosão

    * * *

    O tratamento de todos esses tipos de perda de tecido dentário é restaurador e, quando há sensibilidade dentinária, no sentido de diminuir essa sensibilidade (com a aplicação de dessensibilizantes, bochechos com flúor e, até, com tratamento de canal).

    Está em dúvida sobre que tipo de desgaste dentário você tem? Procure um dentista pra avaliar e tratar de acordo. 🙂


  • Amálgama dentário faz mal à saúde?

    Amálgama dentário faz mal à saúde?

    Se você não é dentista talvez nem tenha ouvido falar no PL 654/2015, que pedia a proibição do uso do amálgama dentário no Brasil. Ele foi quase proibido, em seguida o projeto de lei foi retirado e ficou por isso mesmo (por enquanto).

    O que é amálgama?

    Amálgama é um termo que se refere à mistura de metais, estando um deles em estado líquido. Via de regra, esse metal líquido é o mercúrio. Em Odontologia, chamamos de amálgama de prata aquelas restaurações escuras, metálicas, que hoje em dia andam meio em desuso.

    Por que proibir as restaurações de amálgama?

    O argumento recorrente dos críticos é que as restaurações de amálgama contêm mercúrio, um metal pesado e sabidamente tóxico para o organismo. E esse argumento, sem dúvida, merece atenção. Se alguma coisa é tóxica e pode fazer mal à saúde, é bom pensar 2 vezes antes de utilizá-la. Porém, é só analisar a questão com um pouco mais de profundidade pra se perceber que é frágil o embasamento dos contrários à utilização desse material com função restauradora.

    Restauração de amálgama
    Restauração de amálgama

    O amálgama é realmente tóxico?

    Ok, restaurações de amálgama contêm mercúrio. Mercúrio é tóxico. Então o amálgama das restaurações faz mal à saúde? Não é BEM assim.

    O Dr. José Mondelli, Professor Sênior do Departamento de Dentística, Endodontia e Materiais Odontológicos da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de S.Paulo é um dos defensores da continuação do uso das restaurações de amálgama. Suas justificativas, as mesmas que usarei aqui (tentando ao máximo simplificá-las pra você que não é dentista e não tem obrigação nenhuma de saber de nada disso) 🙂 , podem ser lidas na íntegra nesse artigo. Como você pode conferir no seu extenso Curriculum Lattes, ele é uma autoridade no assunto e não apenas “acha”, mas SABE do que está falando, baseado em ciência.

    Segundo o Dr. Mondelli, os argumentos dos críticos do amálgama são “pouco louváveis”. Discute-se, por exemplo, quantos miligramas de mercúrio que podem evaporar de uma restauração de amálgama durante a mastigação. Outro ponto é a suposta elevação dos níveis de mercúrio no sangue e na urina quando a pessoa tem restaurações de amálgama, e a diminuição desses níveis quando essas restaurações são removidas. Porém não se acha publicada nenhuma pesquisa séria, científica, que demonstre que restaurações de amálgama causem doenças sistêmicas.

    O mercúrio das restaurações de amálgama entra em contato com o organismo?

    Aí é que está. É preciso lembrar que existem três formas de mercúrio: o inorgânico, o orgânico e o elementar. O mercúrio que está no amálgama é o inorgânico (ou metálico), que é mal absorvido pelo intestino e, quando EVENTUALMENTE absorvido, tende a permanecer neste estado até ser eliminado no xixi.

    O mercúrio orgânico – esse sim, altamente tóxico e rapidamente absorvido pelo intestino – é completamente diferente do inorgânico, e é esse tipo de mercúrio que está presente em peixes e mariscos de água contaminada e em alguns pesticidas.

    Já o mercúrio elementar vem da inalação de vapores, sendo que o vapor de mercúrio é absorvido e oxidado completamente à sua forma inorgânica (aquela que está no amálgama e acaba sendo eliminada na urina SE absorvida).

    Diferenciadas as apresentações do mercúrio, é importante salientar que o organismo não é capaz de transformar o mercúrio inorgânico do amálgama em mercúrio orgânico, o tipo tóxico. A quantidade de mercúrio que o organismo absorve proveniente do amálgama é muito pequena se comparada à absorvida dos alimentos, por exemplo. (*)

    Mas por que continuar a usar amálgama se hoje em dia já existe a “resina da cor do dente”?

    Porque há casos e casos. As pessoas costumam achar feias as restaurações de amálgama, afinal elas são escuras e se destacam no dente, ao contrário das restaurações de resina, que nem aparecem. A questão é que, dependendo da situação, não dá pra usar resina… ou usar amálgama é BEM melhor.

    Por exemplo: pacientes com necessidades especiais, que representam 10% da população do Brasil. Nesse tipo de paciente, o amálgama pode ser  o único material restaurador viável, porque ele pode ser inserido e condensado mesmo na presença de saliva, algo impossível no caso da resina. O amálgama tem embricamento mecânico, já a resina é adesiva (e todo mundo sabe que algo molhado não “gruda”). Em pacientes especiais, pode não ser possível fazer isolamento absoluto pra garantir “tudo seco” pra adesão da resina. Além disso, as condições de higiene desses pacientes costumam ser piores, porque eles mesmos não conseguem escovar os dentes (imagine usar fio dental…), e nem sempre os cuidadores dão conta do recado. Uma restauração de resina em um paciente de higiene duvidosa é garantia de problemas, que vão desde à “queda” da restauração (porque ela não “grudou”) até dor, abscessos e necessidade de tratamento de canal.

    E a poluição do meio ambiente?

    Essa é uma questão que tem que ser levada muito a sério! Mas dizer que a remoção de restaurações de amálgama polui o meio ambiente é “meia verdade”… afinal de contas existem protocolos rígidos de descarte desse material, não é só jogar no ralo! O dentista que não faz o descarte respeitando esses protocolos, vai ter que se explicar com os órgãos competentes…

    * * *

    Concluindo, diz o Dr. Mondelli: “Não se pode deixar, em nome da modernidade, que palavras e até estudos longe das evidências científicas, mas perto dos interesses mercadológicos, ONGS ou entidades políticas, deem o veredito final acerca de um material sem que entidades internacionais como a ADA, FDA, FDI e órgãos oficiais de nosso país como o CFO (Conselho Federal de Odontologia) e CROs (Conselhos Regionais de Odontologia), além de associações responsáveis como a ABO e ABCD e entidades científicas e acadêmicas como a ABENO, GBMD, GBPD, responsáveis pela qualificação e ensino dos produtos odontológicos, demostrem de fato o que deve ser usado e ensinado e o que deve ser descartado. Até então, com a necessária prudência e dentro dos conhecimentos e estudos pertinentes, podemos prosseguir na utilização do amálgama dentário, sem o receio que tem se tentado disseminar sobre um possível efeito danoso de um de seus componentes”. 

    Enfim… ficou claro, né?! Critiquem, mas tenham base científica pra isso. 😉

    Só a título de curiosidade: o uso mais antigo da palavra amálgama atribui-lhe o gênero masculino, o que significa que, de um ponto de vista normativo mais conservador, pode-se considerar que o correto é o amálgama. No entanto, atualmente, aceita-se o emprego da palavra no feminino e pode até se dizer que essa tendência se expandiu, de tal modo, que hoje amálgama é substantivo que ocorre corretamente quer no gênero masculino, quer no gênero feminino.

    Leia também:

    Amálgama faz mal?, no Blog Odontostalgia

    Restaurações de amálgama, resina, mercúrio no sangue e bisfenol A, no Blog DicasOdonto

    (*) AMERICAN DENTAL ASSOCIATION. Council on Scientific Affairs. Dental amalgam: update on safety concerns. J Am Dent Assoc, Chicago, v. 129, n. 4, p. 494-503, Apr. 1998.

  • Quanto tempo dura uma restauração?

    Quanto tempo dura uma restauração?

    Uma pergunta que sempre me fazem.

    Que tipo de restauração?

    Pra responder essa pergunta é preciso considerar uma série de variáveis, e a primeira delas é o tipo de restauração: resina, amálgama ou outro material? Em se tratando de restaurações diretas (sobre as indiretas eu falo em outro post), a resina (a restauração branca) e o amálgama (a restauração cinza / metálica) são considerados materiais “definitivos” (entre aspas porque, em Odontologia, nada costuma ser definitivo 🙂 ), enquanto outros materiais são ditos provisórios: restauração à base de óxido de zinco e eugenol, ionômero de vidro, etc.. Em dentes de leite, esses materiais provisórios às vezes viram definitivos, permanecendo até que o dentinho caia.

    Quanto tempo dura uma restauração provisória?

    De 6 meses a 2 anos, dependendo do material. Mas o quanto antes você restaurar a dente adequadamente, melhor! Restaurações provisórias não têm grande resistência mecânica, então o conjunto dente + restauração fica frágil enquanto a restauração é provisória: a restauração pode cair, seu dente pode quebrar. É um risco que se corre.

    As restaurações próvisórias são usadas pra vários fins, entre eles: intervalo entre as sessões de tratamento de canal, intervalo entre as sessões de clareamento interno, quando é preciso remover a restauração “definitiva” de um dente que está doendo pra ver se ele para de doer, enquanto se aguarda que um bloco fique pronto, etc..

    Restauração provisória
    Restauração provisória

    Quanto tempo dura uma restauração de resina?

    Depende de uma série de fatores: a forma (técnica) como a restauração foi confeccionada, a qualidade da resina, o tamanho e o local da restauração, os hábitos de higiene e de alimentação da pessoa, etc.. Qualquer restauração se deteriora com o tempo e, dependendo da combinação dos fatores que eu citei, isso acontece mais lentamente ou mais rapidamente.

    Por exemplo: se você fuma e a qualidade da resina usada na restauração for não mais que razoável, ela provavelmente vai amarelar logo… em 6 meses, talvez. Ou ainda: se você tem uma higiene ruim, independentemente da qualidade da resina, suas restaurações vão durar menos, porque vai haver infiltrações (defeito nas bordas da restauração, onde ela encontra o dente) antes. Eu, que não fumo e escovo os dentes direitinho, tenho restaurações de resina nos meus dentes que já têm quase 15 anos! Mas vamos fazer uma média? Uma restauração de resina dura mais ou menos 5 anos.

    Restauração em resina
    Restauração em resina

    Quanto tempo dura uma restauração de amálgama?

    Restaurações de amálgama não são lá muito bonitas, e até por isso estão caindo em desuso: os pacientes não querem mais a “massinha cinza”. Sem contar a questão do descarte de resíduos… enfim.

    Restauração em amálgama
    Restauração em amálgama

    Mas não dá pra negar: elas duram. Se tem uma restauração que realmente pode durar para o resto da sua vida – recebendo um polimento de vez em quando – é a de amálgama! Claro que não é assim tão simples, essa longevidade depende daquelas variáveis que eu citei. Mas se ela não desgastar, fraturar, infiltrar pela margem ou se a pessoa não quiser trocá-la por razões estéticas… ela permanece. Em se tratando de duração, essa é a diferença entre amálgama e resina: a resina terá que ser trocada um dia; o amálgama, talvez não.

    Assista ao vídeo, onde eu explico tudo isso direitinho:

    Espero que a pergunta tenha sido respondida. 🙂


  • Dentes brancos: cuidado com o exagero!

    Dentes brancos: cuidado com o exagero!

    O MáscaraDentes naturais são bonitos. Por isso, quando se faz uma prótese dentária o maior objetivo é fazer com que a prótese não pareça prótese, mas os dentes “originais” da pessoa. Geralmente quem não é dentista não consegue diferenciar uma prótese de um dente natural, e isso é ótimo. Para tanto, podem ser usadas várias estratégias de caracterização e até a inclusão de alguns “defeitinhos”… porque “sorriso perfeito” não existe na natureza.

    O que faz um dente parecer natural?

    Dentes naturais não são totalmente brancos. O que confere naturalidade aos dentes, ou seja, não os deixa parecendo dentadura, é justamente a combinação de cores que eles têm: mais perto da gengiva são mais amarelados, no meio menos e, quanto mais perto da ponta, mais claro e transparente é o dente. Isso, é claro, generalizando, mas é mais ou menos por aí.

    Outro fator essencial: a anatomia (forma) do dente. Cada grupo de dentes tem anatomia própria, intimamente ligada à função que ocupam: dentes anteriores cortam e perfuram os alimentos, dentes posteriores os trituram. Então, pra um dente parecer natural, ele precisa ter a forma de um dente natural… e dentes naturais não costumam ser “perfeitinhos”.

    Mas eu quero ter dentes brancos!

    Ótimo! Nenhum problema nisso. A primeira coisa que você tem que fazer é procurar um dentista e fazer uma avaliação. Feito o exame, seu dentista vai sugerir formas de você ter os dentes mais brancos. Entre essas formas estão: “limpeza”, clareamento e facetas. Lembrando que antes de pensar em ter dentes brancos, é preciso garantir dentes e gengiva saudáveis… sem cáries, sem gengivite. É muito comum que as pessoas procurem um dentista querendo fazer clareamento, mas tenham, lá no fundo, aquele dente com um buraco enorme precisando tratar canal. Não, ok?! Prioridades.

    Talvez o sorriso que você quer não combine com você

    A última moda são as facetas dentais, em especial aquelas chamadas de lentes de contato. Facetas são restaurações que cobrem toda a parte da frente dos dentes, o que dá ao dentista a possibilidade de mudar a cor e a forma deles. Por sua vez, as lentes de contato dentais são facetas bem finas, que muitas vezes nem exigem qualquer desgaste nos dentes. Eu falo só sobre esse assunto aqui.

    Mas nem tudo que fica bonito no ator e na atriz da novela fica bonito em você. Aliás, muitas vezes não fica bonito nem neles! Tem muito artista por aí com sorriso de estética duvidosa, se levarmos em conta critérios como: cor, forma e tamanho dos dentes; oclusão (a forma correta de se morder); e a cor da pele da pessoa. Sim, a cor da pele é uma característica pessoal que tem tudo a ver com a cor dos dentes. Pessoas brancas têm dentes mais brancos, pessoas negras têm dentes menos brancos. Se alguém que é pardo / negro coloca facetas ou faz um clareamento que deixa os dentes muito brancos, fica esquisito… não-natural. É uma questão de contraste. O mesmo ocorre com pessoas brancas mas que estão bronzeadas, vide o exemplo recente da assistente de palco do Faustão, Carol Nakamura.

    Outros famosos atualmente em destaque por causa dos seus novos sorrisos – não necessariamente de forma positiva – são o ator Alexandre Frota e a apresentadora Adriane Galisteu. Na minha opinião, tudo muito branco, grande e igual. E você, o que achou?

    Sorriso: Adriane Galisteu

    Sorriso: Alexandre Frota

    Sorriso: Carol Nakamura

    Confie na avaliação do seu dentista

    Não há nenhum problema em você querer ter dentes parecidos com os de alguém famoso… sinal de que você achou o sorriso bonito e admira essa pessoa. Leve essa vontade até o seu dentista. Mas por favor, se o seu dentista orientar você no sentido de desistir da ideia, ouça-o. Ele está levando uma série de fatores em conta, não é só a opinião ou o gosto pessoal dele. Um sorriso, pra ser bonito, não precisa ter  dentes todos quadradinhos e ser branquíssimo… pelo contrário: isso, de natural, não tem nada.

    Já se o seu dentista achar que é uma boa ideia… essa é uma decisão de vocês.

    (desculpe o áudio, problemas técnicos) 🙁

    Leia sobre o assunto em outros blogs: 

    Sobre Carol Nakamura, sorrisos excessivamente brancos e paletas mexicanas, no Vida de Dentista.

    A estética do sorriso, Fibonacci e Leonardo da Vinci – Mito ou Realidade?, no DicasOdonto.

    O estranho sorriso de Adriane Galisteu, no Blog do Dentista.

    Vídeo da OdontoDiva da Deprê sobre o assunto.


  • Sobre água oxigenada e clareamento dental

    Sobre água oxigenada e clareamento dental

    Água oxigenada 10 volumesNão há um dia sequer em que eu não veja no Facebook ou leia em outra página na Internet alguma ~receita milagrosa~ pra clarear os dentes. É casca de banana, esfoliação com morangos, bicarbonato de sódio, chá de deus-me-livre e até… sêmen humano! De vez em quando aparece alguém que descobriu “aquilo que os dentistas não queriam que você soubesse”: como clarear os dentes sem precisar deles (dos dentistas, não dos dentes) 😉 . Mas os “cientistas” (sempre anônimos), esses sim, não têm medo de dizer a verdade…

    Há alguns meses tem circulado na web uma lista dos (supostos) benefícios do peróxido de hidrogênio (H2O2) em um monte de situações: a água oxigenada serviria como cicatrizante, desinfetante, anti-fúngico, antisséptico, descongestionante nasal e, é claro, para clarear os dentes (e outras partes do corpo, à sua escolha). São muitos (supostos) benefícios pra eu falar de todos aqui, então vamos ao que interessa:

    Água oxigenada clareia os dentes?

    SIM. Como diria o Zagallo, aí sim fomos surpreendidos novamente! Ué… mas os dentistas não queriam esconder isso de você a todo custo? Gente, por favor: o peróxido de hidrogênio é exatamente o que os dentistas usam pra clarear os dentes dos seus pacientes! E isso não é segredo pra ninguém, não há nenhum complô ardilosamente armado pra enganar você. Tá escrito na embalagem do gel clareador, pra quem quiser (e souber) ler. A questão MESMO é:

    Água oxigenada “de farmácia” clareia os dentes?

    NÃO. Mas água oxigenada não é tudo igual? Não. A água oxigenada que se compra na farmácia não se encontra na forma adequada (é líquida) e não tem a concentração necessária pra clarear dentes. Simples assim. A concentração da água oxigenada comum de 10 volumes é de 3%, e a usada em clareamentos dentários costuma ser de 35% (equivalente a 130 volumes). Faz nem cosquinha.

    Tá… mas se eu experimentar, mal não faz!

    Aí é que está… faz. Seus dentes provavelmente não vão sofrer efeitos nocivos (desmineralização, talvez, pelo caráter ácido da substância), mas a sua gengiva, vai. A água oxigenada causa descamação da mucosa e tem efeito erosivo sobre a gengiva, o que pode levar a ulcerações e até favorecer o surgimento de recessões gengivais. Por isso mesmo é que o dentista faz uma proteção que isola a gengiva antes de aplicar o gel clareador.

    Aí você deve estar se perguntando: mas se a água oxigenada é um (suposto) “poderoso cicatrizante”, como é que ela pode fazer mal à gengiva? Pois é, o H2O2 não é cicatrizante coisa nenhuma! Pelo contrário, a água oxigenada prejudica o processo de cicatrização e até favorece a formação de marcas / cicatrizes. Ela pode até limpar o local de uma ferida, mas mesmo como antisséptico ela não é tão eficiente e já foi deixada de lado faz tempo. O que a água oxigenada faz é agredir quimicamente o ferimento,   além de ser um agente carcinógeno promotor (co-carcinógeno), ou seja, ela potencializa o efeito de indutores de câncer de boca, como o tabaco e o álcool. Imagina fazer bochecho com isso?

    Quer fazer clareamento dental responsável? Procure um dentista.

    Leia também:

    Água Oxigenada: O Mito do Facebook, no DicasOdonto

    Água oxigenada Clareia os dentes???, no Vida de Dentista


  • Tenho incisivos laterais conóides. O que fazer?

    Tenho incisivos laterais conóides. O que fazer?

    Os incisivos laterais são dentes que costumam dar trabalho no que se refere à estética do sorriso. Às vezes eles simplesmente não existem, outras vezes eles nascem com um formato estranho, menores do que o normal. No segundo caso, chamamos esses dentes de conóides, uma referência ao aspecto “pontudo” que eles assumem.

    Por que os incisivos laterais nascem conóides?

    Não são só os incisivos laterais que podem nascer conóides, embora, geralmente, o problema ocorra com eles. Não se sabe ao certo o que causa essa má formação, mas o fator hereditário parece estar envolvido, ou seja, se seu pai ou sua mãe tem dentes conóides, há uma boa chance de que você também tenha (ou venha a ter). Cerca de 1% da população tem dentes conóides, com maior ocorrência no sexo feminino.

    Cheryl Cole
    Os laterais (ex) conóides da cantora inglesa Cheryl Cole.

    Como se faz o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico, ou seja, é preciso procurar um dentista e fazer uma avaliação. Mas claro, dependendo do caso, a própria pessoa já “desconfia” que tem alguma coisa errada… afinal, dentes conóides costumam ser bem menores dos que os dentes com anatomia normal. Ainda, é possível que os 2 ou apenas 1 dos incisivos laterais seja conóide.

    Qual é o tratamento?

    Não existe uma forma “natural” de reverter a anatomia de um dente conóide. Ele é conóide e pronto. Portanto, a solução é restauradora (restauração direta / indireta) ou protética (coroas). Então é só procurar o dentista e ele resolve rapidinho? Não é bem assim… o planejamento de um caso de dentes conóides pode ser bem mais complexo.

    A primeira coisa a se analisar é o espaço disponível. Como já falei antes, dentes conóides são menores, portanto, ocupam menos espaço que dentes normais. Então, é bastante provável que não haja espaço suficiente para fazer uma restauração esteticamente satisfatória. Porque não é só uma questão de deixar o dente “menos pontudo”, mas de adequar tanto a largura quanto o comprimento dele. E como obter espaço? Com aparelho ortodôntico.

    Mas vamos supor que o espaço seja suficiente e adequado… aí as coisas ficam um pouco mais fáceis.

    A solução mais rápida é a restauração direta, aquela que o dentista mesmo faz em consultório. É preciso que o profissional faça uma análise da proporção dos dentes anteriores (caninos, incisivos laterais e incisivos centrais), de ambos os lados, para determinar se é preciso “mexer” apenas nos laterais ou se pode ser esteticamente interessante restaurar outros dentes também. Geralmente o paciente é moldado e um estudo é feito sobre um modelo de gesso dos dentes do paciente, o que se chama enceramento diagnóstico.

    Outras formas de se resolver o problema dos incisivos laterais conóides são: facetas (restaurações e cobrem toda a parte da frente de um dente) e coroas protéticas. No caso das coroas, os dentes precisam ser preparados (desgastados) pra receber as próteses. Algumas vezes, e aí vale a avaliação da necessidade segundo o dentista, esses dentes têm seus canais tratados e recebem pinos ou núcleos, onde serão fixadas as coroas. As coroas podem ser feitas de resina ou de porcelana (toda em porcelana ou metal por dentro e porcelana por fora, o que chamamos de coroa metalocerâmica).

    Thiago Lacerda e seus laterais conóidesLá em cima eu citei a cantora inglesa Cheryl Cole como exemplo de famoso que nasceu com dentes conóides. Mas nem é preciso ir tão longe… vocês já reparam no sorriso do ator Thiago Lacerda? Ele tem dentes conóides e nunca se preocupou em corrigir a anatomia dos seus incisivos laterais. Pois é.

    Enfim… é essencial procurar um dentista e fazer uma avaliação, de preferência um especialista em estética (dentística). Porque constatar a presença de um dente conóide é fácil, mas para propor a melhor forma de se resolver o problema é preciso conhecimento técnico e planejamento. Se você tem incisivos laterais conóides, procure um dentista!


  • Erosão Ácida: Causas e Prevenção

    Erosão Ácida: Causas e Prevenção

    Os nossos dentes são formados por 3 tecidos: esmalte, dentina e cemento. Na coroa do dente, que é a parte que nós vemos na boca, há o esmalte, que é a parte mais externa e brilhante, e a dentina, que está por baixo do esmalte. Existem várias formas de se “perder tecido” de um dente: uma cárie, uma fratura, o bruxismo (hábito de ranger os dentes que leva ao desgaste dentário) e, também, a erosão ácida.

    O que é erosão ácida?

    É um desgaste nos dentes causado pela ação química dos ácidos presentes em diversos alimentos e bebidas, assim como por condições como refluxo gástrico e bulimia (por causa dos ácidos do estômago). 

    Erosao ácida

    Por que ela ocorre?

    Pode ser causada por refluxo gastroesofágico. Ainda, quando ingerimos de forma exagerada bebidas ácidas (como sucos de limão ou de laranja e refrigerantes) e alimentos ácidos (frutas cítricas e saladas com muito vinagre, por exemplo), os ácidos presentes nesses alimentos podem provocar desgastes nos nossos dentes, “dissolvendo” principalmente o esmalte dentário.

    Erosão ácida: infográfico
    Erosão ácida: infográfico

    Quais problemas a erosão ácida pode causar?

    O desgaste químico dos dentes pode ser leve ou mais severo. Em casos mais sérios, leva ao “arredondamento dental” (como se vê na imagem acima). Pessoas que apresentam erosão ácida geralmente também têm sensibilidade dentinária, já que o desgaste dos tecidos do dente deixam a polpa (seu “nervo”) menos protegida dos estímulos externos, principalmente da temperatura. Como os dentes ficam mais frágeis ao perder tecido há, também, o risco de trincas e fraturas.

    Como evitar a erosão ácida?

    • Procure diminuir a quantidade de alimentos e bebidas ácidas. Não precisa ficar com medo de beber refrigerantes e sucos, lembre-se: o problema é a exagero. E procure não manter esses líquidos na boca por muito tempo, engula logo.
    • Evite escovar os dentes imediatamente após consumir alimentos e bebidas ácidas.  Quando o ácido atinge os dentes, a escovação pode causar mais desgaste dentário. Por isso, aguarde pelo menos meia hora para isso.
    • Use sempre uma escova de dentes macia e uma pasta de dentes pouco abrasiva.
    • Ao ingerir bebidas ácidas, use um canudinho. Isso diminui a área de contato do líquido com os dentes.

    Qual o tratamento?

    Os danos causados ao esmalte dos dentes são irreversíveis. Portanto, caso a perda de tecido dentário seja muito grande, o tratamento será através de restaurações e até coroas protéticas.

    Existem pastas de dente que prometem prevenir a erosão ácida, mas se o principal (que é a ingestão frequente de alimentos e bebidas ácidas) não for controlado, pouco adiantam. O principal creme dental que está à venda para esse fim  é o Sensodyne Pró-Esmalte. A Colgate e a Oral-B chegaram a lançar produtos similares mas, considerando que a erosão ácida não é um problema bucal tão comum assim (embora nos comerciais a intenção tenha sido convencer o consumidor do contrário), as vendas, pelo jeito, não corresponderam à expectativa… e suas pastas de dente saíram de circulação.

    Você acha que está com erosão ácida? Procure um dentista e faça uma avaliação. Como tudo na Odontologia, o melhor é prevenir.


  • Fitas Clareadoras para os Dentes. Funcionam?

    Fitas Clareadoras para os Dentes. Funcionam?

    Se você é dentista, leia esse texto também.

    Já falei aqui no blog sobre as pastas de dente que prometem clareamento e deixei claro: não funciona. Mas a novidade da vez são as tiras de clareamento dentário que a Oral-B está lançando no Brasil, o sistema 3D White/Whitestrips, que promete clarear “em 3 dimensões”. Não faço ideia do que isso significa, mas na próxima vez que eu encontrar a Gisele Bündchen eu prometo que pergunto. 🙂

    Embalagem

    Vários leitores já me questionaram sobre o produto e, por isso, resolvi tocar no assunto. A P&G (fabricante) não me pagou pra isso e nem pediu a minha opinião. Aliás, eles andam escondendo o “milagre” dos dentistas. Tubinhos de pasta de dente para distribuir aos pacientes e fazer propaganda de graça tem de monte, mas do tal sistema de clareamento não tem amostra grátis pra dentista algum. Estranho.

    A minha intenção era fazer o clareamento em mim, fotografar e tal. Mas achei um desaforo pagar pra isso, e apenas lendo a embalagem dá pra saber do que se trata. No YouTube tem um monte de gente mostrando os “antes e depois” e suas impressões sobre o produto, então achei que ia perder tempo (e dinheiro).

    Vamos ao que interessa: o sistema clareador funciona? A resposta é sim. Partindo do princípio de que o produto utiliza o peróxido de hidrogênio, a mesma substância usada pelos dentistas em clareamentos em consultório, estou certa de que funciona.

    Por respeito a você, leitor, não vou ficar aqui de choradeira, dizendo que você vai perder seus dentes se usar as tais fitinhas. Não vai. Mas acho importante lembrá-lo de algumas questões e tentar montar uma tabela de prós e contras da utilização desse método. Vamos lá:

    Prós:

    • É mais barato que um clareamento dental profissional.

    Contras:

    • O resultado é imprevisível (dentes QUANTO mais brancos?);
    • Pode trazer sensibilidade dentária transitória;
    • Não clareia restaurações e próteses;
    • Só clareia de canino a canino (o clareamento profissional geralmente engloba até os segundos pré-molares);
    • Não é indicado pra quem usa aparelho;
    • Não é indicado pra quem tem gengivite ou problemas periodontais.

    Nooooooossa, quantos contras! Pois é. Mas a maioria dos fatores desfavoráveis que eu citei constam na embalagem do produto e são comuns ao clareamento feito pelo dentista. E a questão é exatamente essa: qual a diferença crucial entre usar o método das fitinhas e fazer um clareamento supervisionado pelo dentista? O DENTISTA, ora! O dentista não vem dentro da caixinha azul. Você está sob seus próprios cuidados e, no máximo, sob os cuidados do SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) da P&G. Acredite, eu já procurei o SAC da P&G, e não foi legal. Boa sorte.

    Eu tenho o pé atrás com essas soluções que servem pra todo mundo. Pra mim, Odontologia é personalização. Por exemplo, se a pessoa tem os dentes alinhados, as tirinhas provavelmente vão aderir bem à superfície do esmalte vestibular. Mas se houver 1 ou mais dentes BEM desalinhados, a chance deles ficarem de fora do “tratamento” aumenta. Uma moldeira feita sob medida (que é o método que o dentista usa) resolveria o problema.

    O que me preocupa mas com um certo sentimento de “bem feito” é que vai ter um monte de gente com os dentes manchados porque não foi capaz de escová-los antes de aplicar a tirinha. Pessoas sem entender o motivo daquela coroa do incisivo central ter ficado mais escura que os outros dentes. Gente que nem lembrava que tinha uma restauração entre dois dentes da frente, mas agora consegue enxergar a mardita direitinho. Pessoas com recessões gengivais enormes que vão aplicar o produto diretamente na raiz do dente e vão entrar em desespero pela sensibilidade dentária que vai aparecer. Ah, vai ter gente satisfeita também, claro.

    As contraindicações do método, como eu citei, estão na embalagem. Mas todo mundo sabe: a maioria das pessoas não lê as letras míudas. Se você lê, você faz parte da resistência :D.

    Minha opinião é: o clareamento profissional é melhor, pelos motivos que externei. Há um maior controle do resultado, o dentista tem meios de amenizar e prevenir uma provável sensibilidade dentária e, acima de tudo, só o dentista pode garantir que você está apto a fazer um clareamento, sem prejuízos para a sua saúde e para o seu bolso. É, para o bolso! Para aqueles que argumentam que os dentistas estão todos ~~desesperados~~ porque de agora em diante ninguém mais vai procurar por um clareamento profissional, fiquem sabendo que isso não nos preocupa. Vai ter tanta restauração e prótese tendo que ser trocada depois do clareamento 3D, e tanta gengiva parecendo couve-flor, que paciente  não vai faltar. Não que eu esteja comemorando :(.

    Para refletir: em algum momento você viu a Gisele Bündchen USANDO o 3D White/Whitestrips em qualquer comercial? Pense nisso.

    O DicasOdonto falou sobre isso também!


  • Como a cárie invade o dente?

    Como a cárie invade o dente?

    De vez em quando recebo algum paciente no consultório me contando sobre o buraco ENORME que outro dentista fez no dente dele quando foi remover uma cárie “bem pequenininha”. Certeza que você, colega que me lê, já ouviu isso também. E eu aproveito a oportunidade pra explicar o seguinte…

    Quando o dentista detecta uma cárie, seja num exame e/ou numa radiografia, o procedimento padrão é remover a cárie e preencher a cavidade que ficou com uma material restaurador (resina, amálgama, etc.). Só que o “buraquinho” que aparece por fora geralmente não corresponde ao “buracão” que existe por dentro… é o que muitos chamam de cárie interna.

    Segundo Rodrigues et al. (2000) “…os sulcos e fissuras oclusais constituem as regiões de maior risco de desenvolvimento de lesões cariosas, por ser uma superfície de predileção para o acúmulo de biofilme. Cerca de 50% das cáries dentais ocorrem em superfícies oclusais, sendo de difícil diagnóstico devido à anatomia de cicatrículas e fissuras; aproximadamente 90% das lesões cariosas em dentes posteriores iniciam-se nestas regiões, seguindo as direções dos prismas de esmalte, e se apresentando internamente em forma de cone, com ápice voltado pra a região oclusal”.

    Em resumo: a região de cicatrículas e fissuras é onde se formam 9 entre 10 cáries em dentes de trás, pela facilidade de se acumular sujeira ali, e essas cáries costumam ser iguaizinhas à da imagem que você vê abaixo:

    O buraco (visível) é pequeno… mas a cárie é grande!

    Reparou como o buraquinho inicial, lá no esmalte, é pequeno, mas o resto da cárie, na dentina, é muito maior? Isso se chama cone de invasão, e o dentista não tem opção: precisa remover a cárie toda (incluindo o esmalte que está acima da dentina cariada). E é por isso que você sai por aí dizendo que “o dentista fez um buracão onde só tinha um buraquinho” ;). Só que quem fez o buracão foi a cárie. E a cárie só fica desse tamanho se você deixar…

    Aí você mordeu alguma coisa e o dente quebrou. E nem era nenhum alimento muito duro, um pedaço de pão, por exemplo. O dente estava inteirinho por fora, tinha só uma manchinha escura (que estava lá há 2 anos e pra qual você não deu a mínima, pois não doía), mas a coroa simplesmente partiu no meio! Sabe por que? Porque por baixo do esmalte a cárie era enorme! E quando você mordeu, o esmalte do seu dente não resistiu e cedeu. Fazendo uma comparação: lembra quando os aviões atingiram as torres gêmeas em Nova Iorque no 11 de setembro? As duas torres foram atingidas num só ponto, mas os andares que estavam acima desse ponto vieram abaixo por falta de suporte… e o resto da história vocês conhecem: a estrutura delas ficou tão abalada que ambas vieram ao chão.

    Meu recado depois de toda essa história é: se o dente doeu ou se você viu uma mancha ou um ponto preto no seu dente, mesmo que seja bem pequeno, procure um dentista para avaliar… não fique esperando o buraco ficar maior ou o dente quebrar pra tomar uma atitude. Dessa forma, se for mesmo uma cárie, o tratamento fica muito mais fácil e barato. Sua saúde e seu bolso agradecem. 😀