Categoria: Dentística

  • Pasta de dente faz clareamento?

    Pasta de dente faz clareamento?

    Pasta de dente “clareadora”

    Não. Mas vamos por partes.

    Nos últimos tempos as empresas que vendem produtos de higiene bucal lançaram uma infinidade de cremes dentais com sobrenome whitening e enxaguantes bucais que prometem clarear os dentes. Slogans do tipo seus dentes mais brancos em 1 semana inundam os intervalos dos nossos programas favoritos na TV e as prateleiras de farmácias e supermercados. E sem necessidade alguma de comprovação de que isso realmente aconteça…

    Como eu já adiantei na primeira palavra deste texto, pastas de dente não fazem clareamento. E isso por um motivo simples: elas não contém os peróxidos (de hidrogênio ou de carbamida), que são as substâncias que promovem um clareamento dental real. Alguns produtos ainda tentaram, certa época, trazer esses compostos na fórmula… mas a concentração era tão baixa que não fazia nem tchum.

    Bom, então o que é que esses cremes dentais fazem se eles não clareiam realmente os dentes? Nada? Não… eles servem pra alguma coisa sim. Além da função clássica de limpar os dentes, eles removem manchas. E aí é que está a jogada de marketing: essas pastas de dentes não clareiam nada, mas ajudam os dentes a parecerem mais claros ao removerem manchas superficiais de esmalte. É como dar um banho no Cascão e descobrir que ele não era tão ~~bronzeado~~ quanto se achava… 😀

    O problema desses produtos é que, via de regra, eles são bastante abrasivos. Sabe aquele aspecto “arenoso” que algumas pastas de dente têm, às vezes até com pequenas partículas presentes? Então… abrasividade, a grosso modo, é isso. O creme dental ideal é o que apresenta uma relação adequada entre abrasividade e poder de limpeza, ou seja, quanto menos abrasivo e com maior poder de limpeza, melhor. O papel principal dessas pastas é o de “lixar” o esmalte dos dentes, e é assim que manchas extrínsecas (*) superficiais (principalmente se você fuma ou toma muito café) são removidas do esmalte. A questão é que esse “lixamento” promove remoção de tecido dentário, por menos que seja, e em longo prazo pode levar a problemas de sensibilidade dentinária. Existe uma escala que demonstra o grau de abrasividade dos cremes dentais chamada RDA, mas ela não vem explícita nas embalagens. Portanto, pra saber, só entrando em contato com o fabricante mesmo.

    Enfim, o recado é o seguinte: se você quer fazer um clareamento dental, procure um dentista… não há outra forma. Se aventurar por ~~dicas caseiras~~ ou escovar os dentes com ~~pastas clareadoras~~ não vai clarear os seus dentes. No primeiro caso você arrisca a sua saúde, e no segundo caso, no máximo, você vai remover manchas superficiais ou manter o resultado de um clareamento prévio por mais tempo. É isso.

    Quer saber sobre clareamento dental de verdade? Aqui tem um guia pra você tirar todas as suas dúvidas.

    Veja o que o DicasOdonto fala sobre a promessa de clareamento com pasta de dente

    (*) Manchas extrínsecas são aquelas que não fazem parte da estrutura do dente, mas que foram causadas por algum agente externo: corantes presentes nos alimentos e bebidas, a nicotina do cigarro, bactérias cromatogênicas, etc..


  • Dentes Manchados por Tetraciclina

    Dentes Manchados por Tetraciclina

    Dentes manchados por tetraciclina

    Os dentes podem sofrer alterações de cor tanto por causa de distúrbios na sua formação, os agentes intrínsecos, quanto pela ação dos corantes presentes na nossa alimentação e certos hábitos que cultivamos: café, refrigerantes, cigarro, etc.. Esses últimos são chamados fatores extrínsecos.

    Na década de 1960 havia um medicamento largamente utilizado chamado tetraciclina. Esse antibiótico de amplo espectro era usado no tratamento de infecções como pneumonia, faringite, cólera, diarreia, e por aí vai. Só que a tetraciclina tem uma reação adversa que interessa muito na Odontologia: ela deixa os dentes escuros (os ossos também, mas quem é que tá olhando? ;)).

    Quem hoje tem em torno de 50 anos de idade e tomou esse medicamento na infância tem uma grande chance de ter os dentes manchados, e foi nessa época que surgiu a lenda de que tomar muito antibiótico “estraga” os dentes (a desculpa mais usada pelos pacientes para explicar seus problemas bucais). É importante ressaltar que antibióticos, de forma geral, não deixam os dentes mais fracos ou causam cáries, ok?!

    Qual a causa?

    Esse antibiótico tem uma grande afinidade pelo cálcio (íons Ca2+, na verdade). Como o cálcio é um dos componentes principais de nossos ossos e dentes, a tetraciclina acaba se ligando quimicamente a eles e causando alterações importantes, inclusive estruturais, podendo levar a deformidades. Por isso, a tetraciclina é contra-indicada para gestantes, mães que ainda amamentam e para crianças abaixo de 8 anos de idade, isso porque ela só causa problemas se for usada no período de desenvolvimento dentário. Portanto, se a ingestão for durante a gravidez, os dentes de leite serão atingidos… se for durante a infância, no período em que os dentes permanentes estão em formação e calcificação intra-óssea, as manchas aparecerão nos dentes permanentes. Essas manchas podem ser cinzas, amarelas, marrons ou acastanhadas e podem até ser confundidas, por olhos menos treinados, com manchas de fluorose.

    Como tratar?

    Um tratamento que cure ou reverta o manchamento por tetraciclina não existe. Porém, é possível melhorar a estética dos dentes através de clareamentos dentários e facetas (restaurações que cobrem toda a parte da frente dos dentes anteriores).

    Se você acha que tem os dentes manchados por tetraciclina ou quer tirar a dúvida, procure um dentista! Ele orientará você sobre como agir nesse caso.


  • Dentes Sensíveis: O Que Fazer?

    Dentes Sensíveis: O Que Fazer?

    Sabe quando bate aquele vento “na diagonal” ou quando você toma alguma coisa gelada e seus dentes doem? Se você não sabe, sorte sua. Dentes sensíveis podem incomodar bastante.

    Hipersensibilidade Dentinária

    Esse é o nome do problema, e ele pode ser causado por vários fatores, como: recessão gengival, desgaste dos dentes, consumo de alimentos e bebidas ácidos, escovação dentária incorreta (com pastas de dente abrasivas e escovas de cerdas duras), uso de próteses, clareamento dental recente e doença periodontal. Mas, no fim das contas, o motivo é praticamente o mesmo: um maior estímulo do meio externo ao nervo do dente, seja por haver menos tecido que o proteja, seja por esse tecido estar mais permeável. Mas deixe-me explicar melhor.

    Os dentes possuem 3 tecidos principais: esmalte, dentina e cemento (que cobre a raiz). Na coroa do dente, que é a parte que nós vemos na boca, há o esmalte (a parte mais externa e brilhante) e a dentina, nosso assunto de hoje. A dentina protege a polpa (o nervo do dente) porém ela não é maciça… ela é cheia de buraquinhos chamados túbulos dentinários, e através desses buraquinhos é que os estímulos externos de frio, calor e alimentos doces chegam ao nervo do dente e o fazem doer. Veja:

    Hipersensibilidade dentinária

    Qual o tratamento?

    Quem sofre de hipersensibilidade dentinária não está condenado a sofrer eternamente… tem como tratar. Mas, primeiramente, é importante que o dentista examine você para diagnosticar o problema adequadamente. Uma forma de tratar o problema é através da aplicação, pelo dentista, de um dessensibilizante nos locais em que há maior sensibilidade, geralmente nas regiões em que há recessões gengivais, que expõem parte da raízes dos dentes. Isso pode ser feito, também, com a ajuda da laserterapia. Além disso, já existem vários cremes dentais no mercado que prometem solucionar (ou diminuir) o problema, entre os quais destaco:

    • Sensodyne Repair & Protect: usa a tecnologia NovaMin®, que cria uma camada reparadora com os minerais do próprio dente e protege contra a dor da sensibilidade.
    • Oral-B Pró-Saúde Clinical Protection Sensitive: à base de fluoreto estanoso, que bloqueia os túbulos dentinários a fim de prevenir a sensibilidade.
    • Colgate Sensitive Pró-Alívio: usa a fórmula Pro-ArginTM, que veda os canais que levam ao nervo do dente e bloqueia a sensibilidade.

    Com tecnologias diferentes, eles fazem praticamente a mesma coisa: fecham os túbulos dentinários para não deixar o estímulo doloroso passar. Qual deles é o melhor? Depende. Até porque 9 entre 10 dentistas (dizem) recomendam os 3 ;). Sugiro que você converse com o seu dentista e peça que ele dê um parecer mais específico, porque a pasta de dentes que funciona para uma pessoa, pode não ser boa para outra. Então, a palavra de ordem é experimentar!


  • Fluorose: Como Tratar?

    Fluorose: Como Tratar?

    Fluorose é uma alteração que ocorre devido ao excesso de ingestão de flúor durante a formação dos dentes. Geralmente ela causa pequenas manchas e/ou linhas brancas no esmalte dentário e, em casos mais severos, os dentes mostram cor acastanhada ou marrom, podendo haver perda de tecido dentário também. As manchas da fluorose são generalizadas, ou seja: não existe fluorose “num dente só”.

    Fluorose: manchas brancas (acima) e acastanhadas (abaixo)

    Os dentes acometidos pela fluorose podem ser mais frágeis que o normal; porém, ao mesmo tempo, costumam ser um pouco mais resistentes à cárie. O flúor é uma substância que ajuda a prevenir a cárie dentária. No Brasil ele é adicionado na água de abastecimento das cidades, ação que diminuiu consideravelmente a incidência de cárie entre crianças até 12 anos de idade.

    Nossos dentes perdem e ganham substâncias minerais para/da saliva de forma contínua. Quando o flúor está presente no meio bucal, ele acaba se incorporando ao esmalte dentário e interferindo diretamente na estrutura dele, tornando-o mais resistente às cáries. A pergunta que fica é: se o flúor é assim tão bom, por que ocorre a fluorose? Porque tudo em excesso faz mal.

    Como eu disse anteriormente, a fluorose ocorre devido a uma oferta muito grande de flúor ao nosso organismo durante o período de formação dos dentes permanentes, o que ocorre até os 4 anos de idade. As fontes de flúor são muitas e, quando elas se sobrepõem, é flúor demais. O flúor está na água, em alguns alimentos e nas pastas de dente, e é exatamente o flúor que se ingere que causa a fluorose. Por isso é tão importante monitorar a escovação da criançada, pra que elas não engulam o creme dental ao escovar os dentes… e nem “comam” de forma proposital porque acham gostoso (e é mesmo).

    Existe uma grande controvérsia no meio odontológico sobre a partir de que idade as crianças devem usar pasta de dente com flúor. Alguns dentistas acham que só a partir dos 6 anos, outros que desde o momento em que a criança começa a escovar os dentes e outros, ainda, que cada caso é um caso (que é minha opinião). Meu filho, por exemplo, tem quase 3 anos e eu uso um gel sem flúor para escovar os dentes dele, por 2 motivos principais: ele engole tudo (e eu confesso ser totalmente incompetente na tarefa de fazê-lo cuspir) e ele não come doces, o que diminui consideravelmente o risco dele ter cáries. Ou seja: se você não tem certeza se seu filho deve usar um creme dental com ou sem flúor, consulte um odontopediatra.

    Enfim, como tratar a fluorose?

    Os casos mais severos de fluorose podem deixar os dentes com um aspecto bastante feio. Eu mesma tenho uma leve fluorose, que só aparece quando os meus dentes estão desidratados e, nesse caso, não há necessidade de tratamento algum. Mas quando a estética é comprometida, os tratamentos sugeridos são:

    1. Microabrasão do esmalte: é a remoção de manchas superficiais do esmalte dental. O dentista, usando uma pasta especial, remove uma camada muito fina do esmalte dos dentes afetados, o que pode diminuir bastante a intensidade das manchas.
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    2. Clareamento dental: é o branqueamento dos dentes, o que dá uma cor mais uniforme aos dentes com fluorose, disfarçando a visualização de linhas e manchas brancas.
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    3. Facetas: são pequenas peças protéticas que cobrem a parte da frente dos dentes anteriores. Em casos mais severos de fluorose, quando os dentes ganham uma coloração acastanhada, é a solução mais efetiva.

    Se você ou seu filho tem fluorose, é essencial que um dentista avalie para determinar a severidade do caso e o melhor tratamento, que pode ser, inclusive, uma combinação dos tratamentos sugeridos acima. Mas como quase tudo na Odontologia, o melhor mesmo é prevenir.


  • Por que os dentes escurecem?

    Por que os dentes escurecem?

    Certa vez uma paciente veio ao meu consultório se queixando que as suas restaurações estavam meio “amareladas”. Durante o exame clínico perguntei sobre os seus hábitos, e ela me revelou que fumava 2 carteiras de cigarro por dia. Uma restauração em especial, num canino, a incomodava bastante. Fiz uma nova pra ela, branquinha, mas com a recomendação de que ela parasse de fumar, pois isso traria um benefício imenso para a sua saúde e aumentaria, também, a vida útil das suas restaurações estéticas. Ela concordou, e foi embora feliz.

    Café, refrigerante, cigarro…

    Sim, os seus hábitos alimentares, de higiene e etc. interferem diretamente na cor das suas restaurações e dos seus dentes. Pessoas que têm o costume de beber muito café, vinho e refrigerantes que abusam dos corantes artificiais podem ter diminuída a longevidade estética das suas restaurações, e ter dentes mais escuros e/ou amarelados do que gostariam. Da mesma forma, o fumo interfere diretamente não só na cor das restaurações como na cor dos dentes. Todos os produtos citados favorecem o aparecimento de manchas chamadas extrínsecas na superfície dentária. Esse princípio também vale para os clareamentos dentais: quanto mais cuidado você tiver, evitando essas substâncias, mais tempo dura o resultado do clareamento. A receita é bem simples, na verdade… não é magia, é Odontologia! 😀

    Existe outro tipo de mancha, aquelas chamadas manchas intrínsecas. Essas são bem mais complicadas de serem eliminadas, se é que isso é possível. São aquelas manchas provenientes do uso de algumas variedades de antibióticos, o escurecimento relacionado à idade do paciente (nossos dentes tendem a escurecer com o tempo), aqueles dentes que escurecem depois de um trauma (uma batida, por exemplo) ou de um tratamento de canal, manchas de fluorose (quando somos expostos a uma quantidade exagerada de flúor durante o desenvolvimento dos nossos dentes), etc..

    Além disso, a qualidade da sua higiene é fundamental. Uma boa escovação depois de ingerir esses alimentos e bebidas faz com que seus resíduos permaneçam por menos tempo em contato com o esmalte dos seus dentes, diminuindo a chance de manchas e pigmentações.

    Ah, pra concluir a história da minha paciente… ela voltou mais de 1 ano depois, com a restauração que eu fiz escurecida, reclamando: “Doutora, olha só! Parei de fumar e a restauração, mesmo assim, amarelou! Como pode isso?”. Perguntei: “Há quanto tempo você parou de fumar?” Ela: “Há 2 semanas, mas não aguentei e fumei uns cigarrinhos durante esse período”. 😀


  • Resina ou Amálgama: O Que é Melhor?

    Resina ou Amálgama: O Que é Melhor?

    Muitos pacientes que entram pela porta não, pela janela do consultório do dentista querem saber se dá pra trocar aquelas restaurações metálicas antigas pelas modernas, da cor do dente. Resposta: dá.

    Restaurações de amálgama x resina composta

    Esteticamente, a resina é fantástica. E o desempenho clínico de certas resinas também é incrível. Mas uma coisa é fato: um dia as restaurações de resina terão que ser trocadas, isso é inevitável. A resina, a tal “massinha da cor do dente”, tem vida útil. Com o tempo, toda restauração de resina começa a infiltrar, ou seja, a mostrar as suas bordas escurecidas, sinal de que pode estar entrando saliva, bactérias e resíduos alimentares por ali… e aí é hora de trocar. Quanto tempo isso leva? Difícil dizer, porque as variáveis são muitas: qualidade da resina usada, a forma como a restauração foi feita, os hábitos de higiene e alimentação do paciente, presença de outros hábitos como tabagismo, bruxismo… e por aí vai.

    Eu só tenho restaurações nos meus dentes posteriores, para ser mais específica: oclusais (a parte de cima) dos molares. Há mais ou menos 10 anos, quando eu ainda não era dentista, troquei todas as minhas restaurações de amálgama por resina. Ou seja: o que antes era “metálico” agora é branquinho. Ficou lindão! É… lindo ficou mesmo… o problema foi o motivo que me levou a trocar todas as minhas brilhantes, funcionais e muito bem feitas restaurações de amálgama: o dentista.

    Eu estava pra me casar, havia extraído os 4 sisos, tinha feito clareamento… serviço completo! Ou quase. Eis que o dentista me alertou: “E essas restaurações de amálgama? Melhor trocá-las agora, pois logo logo você terá problema com elas!”. Seguindo a orientação do Dr. Dentista, foi o que eu fiz. Restaurações excelentes, sem dúvida… estão aí até hoje, mostrando só agora sinais de cansaço.

    O porém dessa história toda é que o que ele me disse é mentira. Não havia nada que indicasse que aquelas restaurações me trariam problema, pelo contrário: bastaria um polimento e elas brilhariam novamente. Todas pequenas, rasas. Restaurações de amálgama, ao contrário das de resina, costumam ficar até melhores com o tempo, pois a própria corrosão marginal  proporciona um melhor vedamento da cavidade. E, em se tratando de restaurações nos dentes de trás, funcionalmente falando, amálgama dá show.

    Sim, eu me arrependo de ter trocado minhas restaurações de amálgama por resina, por mais que as novas tenham sido muito bem feitas.

    Portanto, caro paciente, o recado que quero dar é o seguinte: se quiser substituir suas restaurações escuras por outras branquinhas, é possível. Porém, pondere as razões, o custo-benefício e a necessidade. Se você quer muito, manda ver! Mas saiba que restaurações de amálgama não têm prazo de validade, diferentemente das de resina, e sempre há a possibilidade dessa troca trazer um pouco de sensibilidade. Já uma restauração de amálgama, se um dia precisar ser trocada, será por ter quebrado ou apresentar degraus, mas nunca por “estar velha”.

    Para os colegas dentistas, fica a reflexão: é bom se colocar no lugar do paciente de vez em quando… 😉


  • Pontos pretos nos dentes… isso é cárie?

    Pontos pretos nos dentes… isso é cárie?

    Não necessariamente. Há um “consenso” popular de que qualquer ponto ou região escura de um dente é cárie, mas nem sempre isso é verdade.

    Nossos dentes têm anatomias próprias, e existem regiões deles que são mais profundas. Dependendo do dente, os sisos por exemplo, essas regiões são bem abundantes e transformam a superfície dentária num verdadeiro labirinto. E lá a comida se perde…. 😉

    E aí… é cárie?

    Os alimentos e bebidas que ingerimos possuem corantes, em sua maioria. Principalmente aqueles industrializados, a citar: doces, refrigerantes, biscoitos. Esses corantes podem pigmentar (“pintar”) os sulcos dentários, deixando-os mais escuros. E essas regiões são as mais afetadas justamente porque os resíduos alimentares permanecem ali por mais tempo, presos no “labirinto”. Ah, o cigarro também favorece bastante o aparecimento dessas regiões escurecidas!

    Esse tipo de pigmentação é mais comum nos dentes de trás (pré-molares e molares). Mas pode acontecer também na parte de trás dos dentes da frente. Porém, se os “pontos pretos” que você vê estiverem perto da gengiva, certamente não se tratam dos sulcos que eu citei. Possivelmente é tártaro, ou você tem mesmo uma cárie. Pra ter certeza, consulte o seu dentista.

    Já aconteceu de você ir em um dentista e ele dizer que você tem 3 cáries e um outro afirmar que são 5? Isso acontece porque os sulcos, fóssulas e fissuras, além de se pigmentarem mais facilmente, são os locais mais propensos a desenvolverem cáries. E algumas cáries se encontram em um estágio “sub-clínico”, ou seja, difíceis de serem detectadas num exame clínico convencional. Certos dentistas preferem acompanhar o caso, outros detectam a cárie e indicam formas de favorecer sua regressão e outros, ainda, preferem fazer uma restauração “preventiva”, em que a quantidade de tecido removido é mínima.

    Enfim, se você tem pontos pretos nos dentes, não se desespere achando que todos eles estão cariados. É possível que se trate apenas de sulcos pigmentados. E o contrário também vale: se você tem pontos pretos nos dentes, não dê de ombros e ache que tudo são “manchinhas”: procure seu dentista e deixe que ele verifique pra você.  Agora, se os tais pontos começaram a crescer de uma hora pra outra, corra. Antes que dê canal…


  • A restauração ficou alta!

    A restauração ficou alta!

    Ah, tudo bem: ela vai gastando e fica boa. Certo? Errado. Restaurações não podem ficar “altas ou baixas”, elas têm uma altura certa. E, principalmente quando ficam altas, podem causar um montão de problemas.

    Depois da restauração pronta é obrigação do dentista ajustar a sua altura, se necessário. E meus colegas vão concordar comigo: não tem nada mais frustrante do que fazer uma escultura linda e ter que destruí-la na broca porque o paciente mordeu e só deu ela ;)! Mas não tem jeito… se tá alta, tem que “baixar”!

    A restauração ficou alta!

    Às vezes, depois de alguns ajustes, o dentista pede pra você morder e você não tem bem certeza se está bom… ou acha que está bom mas, chegando em casa, percebe que a sua mordida está diferente. Isso acontece porque enquanto a restauração é feita você fica deitado e de boca aberta, e essa posição favorece que a sua mandíbula se posicione um pouquinho mais para trás. Na hora que você morde parece certo, mas depois, quando sua mandíbula volta pro lugar de sempre, a restauração fica alta. Acontece.

    E se acontecer, dá pra esperar a restauração desgastar com o tempo? Eu não recomendo, por uma série de motivos. Uma restauração alta configura um contato prematuro, ou seja, ela vai tocar nos dentes do arco oposto antes que qualquer outro dente, e talvez nenhum outro dente toque além desse. Isso significa um esforço desnecessário sobre apenas um elemento dentário. Por exemplo, imagine você e mais 15 amigos segurando uma caixa acima das suas cabeças. Só que você é o mais alto deles, tão alto que os demais não alcançam a caixa. Você, no exemplo, é um dente com contato prematuro, e faz sozinho a força que deveria ser dividida entre todos os dentes. No começo, a caixa é até leve… mas depois de um tempo, vai parecer que tem um lutador de sumô dentro nela…

    Os problemas mais comuns que podem acometer um dente com contato prematuro são: dor, recessão gengival (quando a gengiva “sobe”) e abfrações. A dor geralmente é decorrente de uma pericementite, que é a inflamação do ligamento periodontal (uma série de fibras que unem a raiz do dente ao osso). A recessão gengival é causada por trauma oclusal, ou seja, por causa da “mordida errada”, assim como também é a abfração, uma lesão não-cariosa em forma de cunha que pode aparecer bem perto de onde o dente emerge da gengiva.

    Todo esse meu falatório aí em cima se resume ao seguinte: se você perceber que a restauração ficou alta, avise o dentista, mesmo que você já tenha até chegado em casa. É importante que a restauração seja ajustada, mesmo que dê preguiça de voltar no consultório. Evita muita dor de cabeça – e de dente – depois. 😉


  • Clareamento em dente com tratamento de canal. Dá?

    Clareamento em dente com tratamento de canal. Dá?

    Dá. Mas é um tipo especial de clareamento chamado clareamento interno. A técnica tem esse nome porque é feita pelo lado de dentro do dente.

    Dentes com tratamento de canal costumam ter a cor alterada, ficando mais escuros. Isso pode acontecer por uma série de motivos. Primeiramente porque perdem a vitalidade, ou seja, o nervo desses dentes morre e é removido pelo dentista. Mas outros fatores podem colaborar com esse escurecimento: restos de tecido necrosado (morto) que ficaram dentro da coroa do dente, um sangramento interno, resíduos da medicação (guta-percha e cimento endodôntico) que o dentista usa para vedar o canal e até manchamentos causados por restaurações de amálgama (aquelas metálicas).

    Clareamento interno (esquema)

    O produto usado para clarear um dente num clareamento interno, o perborato de sódio, é diferente daquele usado para clareamentos externos (o peróxido de carbamida ou o peróxido de hidrogênio). O clareamento interno geralmente é feito através de um curativo de demora. Funciona assim:

    1. O dente é aberto através do mesmo local por onde foi feito o tratamento de canal;
    2. O dentista tira qualquer resíduo de obturação que esteja dentro da coroa do dente e faz uma “tampa” que separa a coroa, que está vazia, da raiz, que está obturada (se tem dúvidas, veja aqui o que é um tratamento de canal). Essa “tampa” é uma proteção necessária para evitar danos à raiz do dente;
    3. O dentista coloca o produto clareador dentro do dente e fecha provisoriamente.

    Normalmente, o clareador é trocado uma vez por semana, pelo tempo que o profissional achar conveniente… quase sempre 3 ou 4 vezes. Pode-se, ainda, associar o clareamento interno com o externo, de forma a potencializar os resultados. De qualquer forma, nem sempre o dente clareado atinge a mesma cor dos outros dentes. Nesse caso,  é possível recorrer a outras soluções, como por exemplo, as facetas. Facetas são restaurações que cobrem toda a parte da frente de um dente anterior.

    Se a cor daquele seu dente da frente do qual você precisou tratar o canal está mais escura que a dos outros, fique tranquilo: tem solução. Procure um dentista e faça uma avaliação. Mas saiba que, dependendo do escurecimento, talvez apenas o clareamento interno não dê conta do recado. Não adianta ficar bravo com o dentista no melhor estilo “eu quero meu dinheiro de volta”. Milagre é com Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. 😉


  • A Massinha do Dentista

    A Massinha do Dentista

    Um termo muito usado por quem é leigo em Odontologia é “massinha”, como na frase:  “O dentista tirou a cárie do meu dente e tampou o buraco com uma massinha!”. Embora seja um termo meio infantil, tem muito adulto que usa. “Por uma massinha” é uma forma muito simplista de descrever o procedimento odontológico em questão (e a gente não gosta muito ;)), mas sem dúvida dá o recado.

    Tem gente que fala assim até quando se trata de restauração definitiva (embora nada seja definitivo na Odontologia). Mas eu quero falar hoje das “massinhas” mesmo: as restaurações provisórias. E por que cargas d’água alguém faria uma restauração provisória? Por que não fazer logo a definitiva? Porque nem sempre dá. Explico.

    Isso sim é “massinha do dentista”!

    Existem alguns casos em que há necessidade de restaurações provisórias (enquanto não se termina um canal ou se está aguardando uma peça protética, por exemplo). Um que acontece sempre, e sobre o qual há uma dificuldade enorme em se fazer o paciente entender a necessidade de esperar, é em caso de dor. E essa resistência de alguns pacientes é até compreensível… não é só fechar o buraco que pára de doer? Não. Acontece mas ou menos assim: o paciente chega com uma cárie enorme, dizendo que dói um pouco, só que o tempo todo. Aí o dentista remove a cárie e constata que, felizmente, a dita-cuja não atingiu o canal do cidadão… mas chegou MUITO perto. Tão perto que há uma grande chance, pelos sintomas relatados, de acabar em tratamento de canal logo logo.

    O dentista fala: “Sugiro que a gente faça uma restauração provisória e que durante algum tempo o dente fique em observação para, só depois, fazer a restauração final”. O paciente escuta: “Vou fazer 2 restaurações no mesmo dente, aí posso cobrar 2 vezes!” 😀

    Só que não tem jeito… em um dente com pulpite (“inflamado”, digamos assim), é muito arriscado fazer uma restauração em resina (da cor do dente), por exemplo, porque para fazer esse tipo de restauração usa-se uma série de materiais que agridem o nervo do dente (veja aqui como é feita essa restauração)! Ou seja, enquanto o dente não se decide se pára de incomodar ou não, é bom não mexer. E se mexer, vai dar canal. E o barato sai caro.

    Como diria minha avozinha e Jorge Benjor: prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém! (a não ser pra galinha)

    E que “massinha” é essa? Tem de vários tipos… mas todas são feitas com materiais biocompatíveis, ou seja, que não agridem (ou pouco agridem) o nervo do dente. A citar: cimentos de hidróxido de cálcio, óxido de zinco e eugenol (que tem bem cheiro do dentista) e ionômero de vidro. Qual usar? Depende da avaliação do seu dentista e do material da restauração final que virá em seguida.

    Moral da história: se o seu dentista propôs aguardar, aguarde. Acredite, não é um “jeitinho” pra tirar dinheiro de você… é uma atitude baseada em ciência e que visa o restabelecimento da sua saúde. Dá pra arriscar e fazer a restauração? Dá.  Mas se der canal… não diga que eu não avisei!