Categoria: Profissão: Cirurgião-Dentista

  • Acidentes com material biológico (perfurocortante) em Odontologia

    Acidentes com material biológico (perfurocortante) em Odontologia

    A exposição do cirurgião-dentista a material biológico (sangue ou outros líquidos orgânicos) pode resultar em infecção por HIV, pelos vírus das hepatites B e C e outros vírus / bactérias. Esse tipo de exposição pode ocorrer através de ferimentos com agulhas, material ou instrumentos cortantes, assim como pelo contato direto de sangue ou fluidos com mucosas e pele não-íntegra. O fato é: dá prevenir, porque a melhor profilaxia para a exposição ocupacional com material biológico é o respeito às normas de biossegurança.

    Quanto aos fatores de risco para a ocorrência de infecção, tudo depende de:

    • Patogenicidade do agente infeccioso
    • O volume e o material biológico envolvido
    • A carga viral/bacteriana da fonte de infecção
    • A forma de exposição
    • A susceptibilidade do profissional de saúde

    No caso da Hepatite B e C, o sangue é o veículo de transmissão mais importante, mas o vírus também pode ser transmitido, com menor chance, via sêmen, secreção vaginal, leite materno, líquido cefalorraquidiano, líquido sinovial, lavados nasofaríngeos e saliva. Já no caso do HIV, sangue e fluidos são veículos de transmissão importantes.

    Considerando tudo isso, é essencial ter cuidado com o manuseio de material perfurocortante no exercício da Odontologia. A saber:

    • Ter máxima atenção durante a realização de procedimentos invasivos
    • Jamais utilizar os dedos como anteparo durante a realização de procedimentos que envolvam material perfurocortante
    • Nunca reencapar, entortar, quebrar ou desconectar a agulha da seringa
    • Descartar agulhas, scalps, lâminas de bisturi e vidrarias, mesmo que estéreis, em recipientes rígidos
    • Utilizar os EPIs próprios para o procedimento a ser realizado
    • Usar sapatos fechados de couro ou material sintético

    Não reencape agulhas

    Ok. Você fez tudo direitinho mas, mesmo assim, acabou se cortando ou furando. Nesse caso, são procedimentos recomendados pós-exposição a material biológico:

    • Após exposição em pele íntegra, lavar o local com água e sabão ou solução antisséptica com detergente (PVPI, clorexidina) abundantemente. O contato com pele íntegra minimiza a situação de risco
    • Nas exposições de mucosas, deve-se lavar exaustivamente com água ou solução salina fisiológica
    • Se o acidente for percutâneo, lavar imediatamente o local com água e sabão ou solução antisséptica com detergente (PVPI, clorexidina). Não fazer espremedura do local ferido, pois favorece um aumento da área exposta
    • Não devem ser realizados procedimentos que aumentem a área exposta, tais como cortes e injeções locais. A utilização de soluções irritantes (éter, hipoclorito de sódio) também está contra-indicada.

    Em seguida, é preciso avaliar o tipo de acidente, com base na anamnese do paciente, sua caracterização, análise do risco, notificação do acidente e orientação de manejo e medidas de cuidado com o local exposto. A exposição ocupacional a material biológico deve ser avaliada quanto ao potencial de transmissão de HIV, HBV e HCV com base nos seguintes critérios:

    • Tipo de exposição
    • Tipo e quantidade de fluido e tecido
    • Situação sorológica da fonte (paciente)
    • Situação sorológica do acidentado (você)
    • Susceptibilidade do profissional exposto

    O paciente deverá ser avaliado quanto à infecção pelo HIV, Hepatite B e C, no momento da ocorrência do acidente. Será necessário realização de exames diagnósticos. Caso haja recusa ou impossibilidade de realizar os testes, deve-se considerar o diagnóstico médico, sintomas e história de situação de risco para aquisição de HIV, HBC e HCV. Quando a fonte é desconhecida, é necessário levar em conta a probabilidade clínica e epidemiológica de infecção pelo HIV, HCV, HBV (prevalência de infecção naquela população, local onde o material perfurante foi encontrado (emergência, bloco cirúrgico, diálise), procedimento ao qual ele esteve associado, presença ou não de sangue, etc..

    Quando não houver informações sobre a fonte, o setor médico do hospital procurado orientará sobre a realização de quimioprofilaxia. A exposição ocupacional ao vírus HIV deve ser tratada como emergência médica, uma vez que a quimioprofilaxia deve ser iniciada o mais precocemente possível, quando indicada, idealmente até duas horas após o acidente e, no máximo, até 72 horas.

    Situação sorológica do acidentado (dentista):

    • Verificar realização de vacinação para hepatite B
    • Comprovar a imunidade através do Anti-HBs
    • Realizar sorologia do acidentado para HIV, HBV e HCV

    Manejo frente ao acidente com material biológico:

    • Paciente-fonte HIV positivo: um paciente-fonte é considerado infectado pelo HIV quando há documentação de exames Anti-HIV positivo. Conduta: análise do acidente e indicação de quimioprofilaxia anti-retroviral
      (ARV).
    • Paciente-fonte HIV negativo: envolve a existência de documentação laboratorial disponível e recente (até 60 dias para o HIV) ou no momento do acidente, através do teste convencional ou do teste rápido. Não está indicada a quimioprofilaxia antiretroviral.
    • Paciente-fonte com situação sorológica desconhecida: um paciente-fonte com situação sorológica desconhecida deve, sempre que possível, ser testado para o vírus HIV, depois de obtido o seu consentimento, deve-se colher também sorologia para HBV e HCV.
    • Paciente-fonte desconhecido: na impossibilidade de se colher a sorologia do paciente-fonte ou de não se conhecer o mesmo (por exemplo, acidente com agulha encontrada no lixo), recomenda-se a avaliação do risco de infecção pelo HIV, levando-se em conta o tipo de exposição, dados clínicos e epidemiológicos.

    Indicação de Profilaxia Pós-Exposição (PPE)

    Quando indicada, a PPE deverá ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente, nas primeiras duas horas após o acidente. A duração da quimioprofilaxia é de 28 dias. Atualmente, existem diferentes medicamentos anti-retrovirais potencialmente úteis, embora nem todos indicados para PPE, com atuações em diferentes fases do ciclo de replicação viral do HIV.

    Para mulheres em idade fértil deve-se oferecer o teste de gravidez para aquelas que não sabem informar sobre a possibilidade de gestação em curso. Na dúvida sobre o tipo de acidente, é melhor começar a profilaxia e posteriormente reavaliar a manutenção ou mudança do tratamento.

    É impossível afirmar que o profissional ou aluno se infectou em serviço se o acidente ocupacional não for devidamente notificado, portanto, medidas que viabilizem esse procedimento devem ser implementadas em todos os serviços de saúde.

    Via Manual de Biossegurança CESMAC


  • Atestados, prescrições e pedidos de exames de dentistas não podem ser recusados

    Atestados, prescrições e pedidos de exames de dentistas não podem ser recusados

    E empregadores, farmácias, convênios, laboratórios, etc. sabem disso… só fazem de conta que não sabem! Esses documentos têm validade garantida juridicamente e valem tanto quanto os assinados por qualquer médico.

    Atestados

    Atestados de dentistas não podem ser recusados. Tá na Lei 5081 de 1966. Mas mesmo assim, tem RH querendo treta. Seu chefe não aceitou o atestado do seu dentista e descontou de você? Denuncie na Delegacia Regional do Trabalho.

    Prescrições e receitas

    Segundo a mesma lei, dentistas têm o direito de prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas. Medicações de urgência, antibióticos… ansiolíticos se houver necessidade no atendimento. O cirurgião-dentista pode prescrever qualquer classe de medicamentos que tenha indicação comprovada em Odontologia, inclusive os de uso controlado, como antidepressivos. Se o balconista da farmácia não quiser vender, mostra a lei pra ele. 🙂

    Pedidos de exames

    Operadoras de Planos Odontológicos ou MÉDICOS (sim) não podem recusar pedidos de exame feitos por dentistas. Segundo a Súmula Normativa número 11 da Agência Nacional de Saúde Suplementar é ilegal que planos de saúde só aceitem documentos com carimbo do CRM (Conselho Regional de Medicina).

    Fiquem de olho e não deixem que interfiram nos direitos de vocês! 😉


  • Meu paciente tem medo de dentista: e agora?

    Meu paciente tem medo de dentista: e agora?

    “Eu odeio dentista”. Duvido, colega, que você nunca tenha ouvido essa declaração no consultório. O paciente simplesmente olha pra você e diz “eu odeio dentista”, como se fosse a coisa mais normal do mundo e você já soubesse disso (portanto, nem faria sentido se ofender). Eu particularmente acho engraçado quando a pessoa diz isso bem na nossa cara e depois se dá conta da indelicadeza. Aí vem um “nada pessoal, doutor!”. Mas convenhamos: é difícil não levar pelo menos um pouquinho pro lado pessoal…

    O fato é: o dentista-estereótipo todo mundo odeia, até eu: o ser malévolo que faz extrações sem anestesia e cutuca um dente só pra ele doer. Por isso afirmo: ninguém odeia (mesmo) o dentista. As pessoas têm é medo, sofrem de ansiedade, têm aflição por causa do barulho da alta-rotação e vergonha de mostrar os dentes e admitir que a atenção que a higiene bucal merece não está sendo dada. Mas o fator principal eu creio que ainda é a falta de informação: não saber o que vai acontecer do outro lado da porta da sala de espera. E eu acredito tando nisso que até criei um blog só sobre o assunto! 🙂 

    Medo?

    Nesses mais de 4 anos de blog tenho tido contato diário com pessoas que têm medo, ansiedade e fobia, conceitos que as pessoas confundem bastante. Felizmente a maioria das pessoas fica entre o medo e a ansiedade, e os casos de odontofobia são mais pontuais. Um paciente com fobia provavelmente nem chegará às nossas cadeiras sem um auxílio psicológico prévio ou paralelo à atenção odontológica, mas os medrosos e ansiosos entram e saem dos nossos consultórios diariamente. E, se me permitem, gostaria de compartilhar com vocês algumas verdades que aprendi interagindo com esse tipo de paciente:

    •  A boca é uma parte muito íntima do nosso corpo, o que deixa o paciente odontológico numa posição vulnerável e desconfortável. É essencial que compreendamos isso pra que o atendimento e, principalmente, a relação de confiança entre dentista e paciente não se quebre.
    • Em se tratando de pacientes adultos, evite “dar bronca”… é totalmente possível orientar sem constranger. Nem todo mundo não escova os dentes direito por preguiça ou descaso, pode ser só falta de orientação, mesmo. Na dúvida, não julgue. Um “tô vendo que a senhora tem tido dificuldade na higienização, posso dar uma dicas?” é bem mais profícuo do que “tá relaxada com a escovação, hein Dona Maria?”. Não é O QUE se diz, mas COMO se diz.
    • Medo não é frescura. Não é porque o cara tem 2 metros de altura por 1,5 de largura que ele não pode ter medo de dentista. Então, não subestime a ansiedade do seu paciente, não faça pouco caso. Isso só aumenta a sensação de insegurança e é quase certo que o paciente não volta mais.
    • Em caso de movimentos bruscos, avise seu paciente. Tem gente que quase tem um infarto se o dentista abaixa o encosto da cadeira sem avisar. Quando se está com medo, qualquer detalhe é motivo pra mais medo. Sempre que for “apertar, puxar, empurrar”, avise!
    • Por outro lado, não fique explicando muito o que você está fazendo. Embora seja interessante que o paciente saiba o que está acontecendo, não entre em detalhes técnicos sobre osteotomias, odontosecções, sangramentos e retalhos.
    • Deixe claro para o paciente que quem dita o ritmo é ele.
    • Se você não se sente preparado (ou não tem paciência mesmo) pra atender um paciente ansioso, não atenda. Encaminhe. Vai ser melhor pra vocês dois.

    Essas são dicas práticas, muitas delas você certamente já usou / usa na sua prática diária. Mas nunca é demais relembrá-las afinal, em se tratando de medo de dentista, os detalhes fazem a diferença!

    Por fim, para aqueles que têm medo, um conselho: vá regularmente ao dentista, não só quando o dente dói. Quando o problema já está instalado nem sempre é possível garantir um atendimento sem desconforto. Quando as pessoas vão ao dentista pelo menos uma vez por ano, qualquer problema em curso pode ser detectado precocemente e interceptado, o que resulta em tratamentos muito menos invasivos e potencialmente desagradáveis. Fica a dica. 🙂

    Publicado originalmente no Blog Eu Amo Odonto


  • Dentista, seja paciente!

    Dentista, seja paciente!

    Luz na cara!

    Não… eu não tô querendo que você, colega, tenha mais paciência (embora em certas situações isso fosse muito útil). A minha proposta é outra: que você se coloque no lugar do seu paciente.

    Já fiz isso de forma prática quando eu ganhei uma avaliação odontológica, lembram? Naquela ocasião pude refletir um pouco a respeito, mas hoje eu gostaria de ir além. Até porque dentista também vai ao dentista, não é mesmo?

    Ontem eu atendi a minha cunhada, que também é dentista. Ela me ligou contando que estava com um pouco de sensibilidade num molar que tinha uma restauração grande e antiga. Radiografamos. Na radiografia, nada que indicasse problema… mas sabe como é, restauração de resina que não é trocada há anos, com sinais de infiltração… tava na hora de mexer. E então ela me procurou.

    Você, paciente, deve estar achando que a gente tira de letra esse tipo de coisa, né?! É abrir a boca e deixar o colega trabalhar! Só que não. Tem um MONTE de dentista que não gosta de ir ao dentista… que prefere esperar mexer pra ver se precisa MESMO tomar anestesia… que adia um procedimento mais invasivo enquanto dá. Com a minha cunhada foi mais ou menos assim. E sabe por quê? Porque a gente também sente dor. Porque a gente também acha um saco ficar de boca aberta, a articulação da mandíbula dói e o queixo treme por causa da luta pra não fechar a boca, enquanto nossas línguas se debatem freneticamente. Porque a luz do refletor na cara é sim de cegar!

    Dentista sendo paciente

    Eu estive no dentista recentemente. Quem fez o papel de minha dentista, no caso, foi uma colega minha de faculdade (é ela ali disfarçada ;), na foto). Eu precisava remover uma contenção ortodôntica que estava solta, e ela me fez esse favor. Fazia uns 5 anos que eu não encarava o motorzinho, e tenho que admitir: a sensação não é legal. Não tenho e nunca tive medo de dentista, e o procedimento ao qual eu me submeti é algo muito simples… mas é chata a sensação de alguém mexendo dentro da sua boca… do spray que deixa sua cara molhada… da cabeça inteira vibrando quando a broca encosta no dente.

    Eu acho que colocar-se no lugar de quem deita nas nossas cadeiras é um exercício de humildade. Porque só assim o dentista consegue compreender o que é ser paciente e, dessa forma, pode ajudar as pessoas a passarem sem traumas por essa experiência. Além disso, nos ensina e nos lembra de tratar nossos clientes com respeito.

    Quanto à minha cunhada, em breve ela terá a oportunidade de “se vingar” de mim. Uma restauração que tenho num molar vem dando sinais de cansaço e, daqui a pouco, é a minha vez. Tomara que ela, ao me atender, seja tão boazinha comigo como eu fui com ela. 😉


  • Pobre tem que ficar banguela?

    Pobre tem que ficar banguela?

    Durante a época de faculdade me lembro que eu tinha um sonho: o dia que eu tivesse o meu consultório eu queria atender de graça, 1 vez na semana, pessoas que não pudessem pagar por um tratamento odontológico. Eu já comprei e já vendi meu consultório próprio… adivinha se isso aconteceu?

    Quando a gente está começando na profissão costuma tentar abraçar o mundo. Não há nada de errado em querer ajudar o próximo, pelo contrário. Mas não dá pra resolver as coisas sozinho… por mais que a intenção seja boa, esbarra na realidade: recursos e método. Como selecionar essas pessoas e impedir que o cidadão deixe o carro zero na quadra de baixo, calce suas Havaianas e entre na fila? (gente, e eu não estou exagerando…. já vi coisa parecida acontecer). E quem financiaria esse 1 dia de caridade? Os ganhos dos outros dias da semana? Não dá, as contas não se pagam sozinhas.

    Participei de algumas ações voluntárias desde que me formei, mas a ideia de atender de graça periodicamente ficou pra trás, bem guardada no fundo do baú do idealismo. Existem outras formas de se fazer isso.

    A pergunta que dá título a este post foi feita por uma pessoa no Pergunte ao Dentista. A questão completa era: “Por que é tão difícil encontrar um dentista na rede pública? Pobre tem que ficar banguela?“. Achei a pergunta interessante porque tá cheio de dentista por aí doido pra passar em concurso público. Se tem gente que precisa de atendimento e, do outro lado, profissionais com vontade de trabalhar… o que é que falta? Falta vontade política que sirva de ponte.

    Falta investir em infraestrutura… falta contratar mais dentistas (e não apenas realizar concursos para “legalizar” quem já está lá dentro)… falta melhorar o salário de todos os profissionais de saúde… falta alguém com poder político que realmente se importe se tem pobre ficando banguela! Enquanto isso, a gente vai fazendo o que pode… e o dentista do postinho, que chegou lá por mérito próprio, leva a (má) fama que caberia a quem vê com descaso essa situação.

    Sabe por que a gente paga seguro de carro? Porque, se acontecer um acidente, a gente não tem dinheiro pra comprar um carro novo. Afinal de contas, quem tem grana MESMO não precisa pagar seguro… bateu, ou paga o conserto ou compra outro. E o seguro, em se tratando de saúde bucal, se chama higiene. Atenção, agora eu vou dar uma dica sensacional pra você que não tem dinheiro pra gastar com dentista:

    Peça pra um dentista ensinar você a usar escova e fio dental. Depois, use sempre. 

    Se você não tem dinheiro pra consertar os dentes, não deixe que eles estraguem! É BEM MAIS BARATO. Claro, existem situações inesperadas, acidentes, e talvez hoje os seus dentes já estejam estragados. Mas, de forma geral, nada neste mundo obriga você a ter cárie, gengivite e doença periodontal. E antes que alguém ache que eu estou sendo irônica, já aviso: não estou. É sério.

    Não: pobre não tem que ficar banguela… ninguém tem. Perder os dentes não faz parte da vida e nem é inevitável. As armas dessa luta já estão nas suas mãos, é uma questão de usá-las. E o nome do seu comandante é cirurgião-dentista, reporte-se a ele a cada 6 meses, não interessa onde: na Unidade de Saúde, em alguma faculdade de Odontologia, na ABO, num sindicato, num consultório particular. Essa regra vale pra todos, ricos e pobres. A diferença é que, se você for rico e tiver um imprevisto, vai ter como pagar por ele.

    Enfim, saúde não é gasto, é investimento em você mesmo. E, em se tratando de algumas pessoas (não estou generalizando, que fique claro) o problema não é falta de dinheiro, é inversão de prioridades… não há dinheiro pra investir no dentista a cada 6 meses, mas sempre dá-se um jeito de arranjar o necessário pra comprar a carteira de cigarro do dia. Continha rápida: 1 carteira por dia (R$ 3,00) durante 1 ano = R$ 1.095,00. Que dentista cobra R$ 547,50 por consulta? Fica a dica.


  • Dentista Não Cuida Só de Dente

    Dentista Não Cuida Só de Dente

    Você aí me responda a primeira coisa que vem à sua cabeça: o que faz um dentista? Tenho certeza que a maioria dos leitores respondeu mentalmente: cuida dos dentes. E cuida mesmo, vocês têm toda razão. Só que dentista não cuida SÓ de dente, como a massa acredita.

    Na terça-feira o assunto do Programa Bem Estar, atração das manhãs da Rede Globo, era mastigação. Os profissionais convidados para falar sobre o tema: uma fonoaudióloga e uma médica endocrinologista. O fato de não haver um dentista presente, embora piss me off, não me surpreende. Há alguns meses o assunto era saliva e os debatedores eram 2 médicos, uma pediatra e um infectologista. Não vejo problema nenhum em ter quaisquer profissionais de saúde presentes, a interdisciplinaridade só torna a discussão mais rica. Mas é INADMISSÍVEL a ausência de um cirurgião-dentista. Na minha opinião, um desprestígio sem tamanho por parte da emissora platinada.

    E por que não havia um dentista presente em ambos os programas? Porque as pessoas realmente acham que dentista cuida só de dente, oras! O que é que um dentista poderia saber A MAIS do que um médico sobre os músculos da mastigação, a função dos dentes ou a composição da saliva? Aí é que tá: um MONTE de coisas.

    Em determinado ponto do programa, surgiu a seguinte pergunta: “O paciente tem que procurar que ‘médico’ pra tratar de problemas mastigatórios?”. A endocrinologista respondeu, olhando nos olhos da fono <3: “Tem que procurar um fonoaudiólogo que pode ensinar o paciente a mastigar adequadamente. Isso é um processo de aprendizagem”. Ok, concordo.

    Aí a apresentadora perguntou: “Dentistas também podem ensinar isso, ou não?” As convidadas se entreolharam e a fonoaudióloga respondeu: “Ééééé… normalmente o dentista vai fazer uma avaliação da arcada dentária, da relação dos dentes, falta de elementos dentários, cáries…”. Dente. Dentista cuida de dente e ponto final. Se o dente tiver um buraco, a gente tapa. Se estiver sujo, a gente limpa.

    O paciente odontológico segundo a crença popular: um punhado de dentes.

    Aí eu fico me perguntando pra que é que eu tive que estudar todo o sistema estomatognático na faculdade? “Perda de tempo”, né?! Portanto, independente da sua profissão, credo ou classe social, deixe-me esclarecer o que um dentista faz:

    Cirurgião-dentista (denominação oficial) é o nome do profissional de Odontologia. A Odontologia estuda o sistema estomatognático, que compreende a cavidade bucal, os dentes, a face (seus músculos, ossos, vasos e nervos), o pescoço, articulações e tecidos. A formação do cirurgião-dentista inclui disciplinas básicas da área da saúde, como anatomia, patologia, farmacologia e fisiologia (do organismo todo), além de disciplinas profissionalizantes (aquelas específicas do curso), como dentística, endodontia, oclusão, cirurgia, prótese, materiais dentários, diagnóstico bucal, etc.. Enfim: face e pescoço é com a gente. Dentro das especialidades odontológicas podemos realizar cirurgias complexas de face em caso de traumas, por exemplo, tratamos disfunções temporomandibulares (da articulação da mandíbula – ATM) e até distúrbios do sono como ronco/apneia e bruxismo! Ah, a gente cuida de dentes também. 😉

    Recentemente recebi um comentário no post Eu Nunca Quis Ser Médica (um dos mais acessados e comentados deste humilde bloguinho) em que o leitor discordava da minha afirmação de que “dentistas, ainda que não sejam médicos, precisam saber o mesmo que um médico generalista sabe”. E eu imagino o porquê da discordância dele: por que um profissional que vive de consertar dentes precisa ter o conhecimento de um médico, que salva vidas? Não, não se assuste caro leitor, eu não penso assim. Mas muita gente pensa. O senso comum não sabe o que um dentista faz DE VERDADE e nem como ele se preparou pra estar apto a atender um paciente… UM PACIENTE INTEIRO, não só o buraco no dente dele.

    O dentista que eles acham que conhecem ainda é aquele da pré-história, que arrancava dentes à ordem do freguês. Ao mesmo tempo, as pessoas têm uma visão totalmente romântica da medicina. Reitero minha admiração pelos colegas médicos, eles ralaram pra chegar onde estão, mas nós também, cada um na sua praia. O benefício fica para o paciente, que mesmo não sabendo o trabalho que deu ou entendendo a importância de considerá-lo por inteiro, colhe os frutos da nossa formação. Dentes não têm diabetes, pressão alta ou insuficiência renal… dentes não ficam “grávidos”. Quem apresenta essas condições são as pessoas, e pessoas têm organismos completos. Se nós dentistas simplesmente desconsideremos esse fato, a vida do paciente é colocada em risco.

    Portanto, se você ainda acha engraçada aquela ~~piadinha~~ “se não existisse cárie, dentista não tinha o que fazer”, pode parar de rir. Meu emprego, graças a Deus, não depende da sua falta de higiene. Trabalho é o que não falta.


  • O que eu digo para o dentista fazer?

    O que eu digo para o dentista fazer?

    Depois que a Internet virou realidade o que mais se vê é gente procurando orientação na área da saúde. Acho isso um sinal dos tempos, pois vivemos na era da informação, e a rede mundial proporciona exatamente isso: a oportunidade de compartilhar conhecimento (e um monte de bobagens também). Isso significa que não tem mais bobo não… as pessoas se informam antes de irem ao dentista. Até o mais leigo dos pacientes já chega no consultório com uma noção do problema que tem e da solução que precisa.

    Conhecendo e reconhecendo essa nova realidade, é comum que médicos e dentistas respondam as dúvidas das pessoas pela Internet. O Pergunte ao Dentista e a área de comentários deste blog servem justamente para isso: para que os pacientes possam tirar suas dúvidas sobre os procedimentos odontológicos. Que fique claro: não se trata de “consulta” o que, via Internet, é impossível… embora muitas pessoas não entendam isso e se zanguem com o “dentista sem coração que não me disse o nome do remédio pra dor de dente“.

    E aí… vai o quê hoje?

    Mas dia desses alguém fez uma pergunta que me fez refletir sobre a forma como muitos pacientes enxergam o profissional de Odontologia, vulgo dentista ;). A pessoa fez uma pequena descrição do problema, que envolvia implantes, próteses, etc., e arrematou: “O que eu digo para o dentista fazer?”

    (…)

    Amigo: nada. Você não diz nada. Ele não precisa que você peça, mande, indique, sugira ou requisite qualquer tratamento. A informação que o seu dentista precisa para trabalhar está dentro da sua boca. E qualquer outra informação que lá não esteja e da qual ele precise, ele vai obter através de uma parte da consulta clínica chamada anamnese, que busca levantar dados sobre as condições da sua saúde, remédios que você toma, etc. ou através de exames complementares, como radiografias.

    De onde vem esse tipo de comportamento… essa ideia de que o dentista está lá para realizar o tratamento que o paciente solicita? Acredito que, há algumas décadas (não muitas), a coisa funcionava assim mesmo. Aliás, a Odontologia da época dos nossos pais e avós consistia em extrair o dente que estava doendo. Acabados os dentes, era a hora da dentadura… e pronto.

    Imagino o cidadão chegando no dentista e mandando arrancar o dito-cujo… e era assim que funcionava! Sem referencial nenhum de prevenção, de conforto para o paciente, de tratamento que mantivesse o dente na boca, da falta que um dente faz. E isso não acontecia porque os dentistas eram piores… mas porque a Odontologia que se conhecia era aquela. Enfim…

    … hoje não é mais assim. Seu dentista não precisa de instruções para agir. Ressalto que é, sim, importantíssimo que você exponha a sua vontade, mas entenda: sua vontade nem sempre é soberana. Frases como “eu prefiro arrancar“ não servem mais hoje em dia. Por isso, na próxima vez que você entrar no consultório do seu dentista enxergue-o como ele é: um promotor de saúde. Ele é um profissional preparado para, antes de qualquer coisa, orientar você,  visando a prevenção de problemas bucais. E quando os problemas já estão lá, ele é competente para avaliar e propor soluções que atendam seus desejos, caibam no seu bolso e, acima de tudo, priorizem sua saúde. Deixe que ele lhe diga o melhor a ser feito.

    https://medodedentista.com.br/2012/01/o-que-e-melhor-tratar-o-canal-ou-arrancar-o-dente.html

  • Tô pagaaaaaaano!

    Tô pagaaaaaaano!

    Cheguei em casa e abri o Twitter. Na minha TL, dentistas reclamando. #Mimimis à parte e, embora as situações sejam variadas, percebo que a mágoa é sempre a mesma: falta de respeito, ausência de valorização, excesso de “tô pagaaaaaaano”!

    Pra quem atende convênios, a desvalorização costuma ser dobrada. A [maioria das] operadoras de planos odontológicos veem o dentista como operário, algo muito aquém do conceito de “parceiro” que pregam. Os pacientes, por sua vez, sofrem da Síndrome de Lady Kate: basta tirar a carteira do bolso e está eliminada a necessidade de tratar o dentista com cortesia. Tem gente que pensa assim.

    O problema são as pessoas!

    Só nesta semana ouvi várias historinhas que ilustram o que eu estou dizendo:

    1. O paciente precisa ser atendido e só pode naquele horário que, via de regra, o consultório está fechado. Você mobiliza a equipe, paga horas extras e fica lá à disposição. A pessoa não aparece porque teve “um compromisso” de última hora.
      .
    2. Faz 10 anos que o cidadão não pisa num consultório odontológico. O convênio demora a liberar o tratamento dele, coisa de 15 ou 20 dias. Você se solidariza com ele e comenta que na época que não tinha Internet costumava demorar até mais. Ele te manda “baixar o topete” e diz, aos gritos, que nunca mais nessa vida põe os pés no seu consultório.
      .
    3. Você trabalha numa Unidade de Saúde. Após o exame clínico, o paciente é informado da necessidade de tratar o canal do 36. Ele olha pra você e diz que “prefere arrancar”. Você diz que não é bem assim, que precisa haver indicação para extração. Ele propõe: “E se eu te der R$ 10,00?” (enquanto balança a cédula pra você ver).
      .
    4. É dia da consulta mensal ortodôntica do Joãozinho. Neste dia, ele com pressa, chega e já vai se acomodando, pois não pode perder a hora do treino de futebol (pelo qual ele paga caro). Você o atende normalmente e, na hora que você sugere receber pelo seu trabalho, ele diz: “A minha mãe mandou você ligar pra ela!”. Aí a mãe do menino avisa que hoje não vai dar pra pagar, só na segunda. Se der.

    Sério, gente… não inventei nenhuma das situações acima. Elas realmente aconteceram… e acontecem todo dia. Fico imaginando a ideia que alguns pacientes (e longe de mim generalizar) fazem do dentista que os atende. Na imaginação deles, creio, somos assim:

    • Disponíveis em qualquer horário, já que não temos nenhuma outra atividade além de sermos dentistas.
    • Quando o paciente falta, é folga. Bora pra praia!
    • Não temos despesas. Todo dinheiro que entra é 100% de lucro.
    • Não temos pressa em receber. Primeiro atendemos, depois recebemos. Quando (e se) der.
    • Nossas decisões clínicas dependem exclusivamente da vontade do paciente. Se ele manda arrancar, considere feito!
    • Quando discordamos da vontade do paciente, nosso parecer pode ser modificado mediante suborno.
    • Como somos empregados dos nossos pacientes, já que eles nos sustentam, dispensamos sermos tratados com educação.

    Educação. Não aquela que a gente aprende na escola (que é mais ensino que educação) e nos prepara para sermos profissionais competentes, mas aquela que recebemos em casa e nos torna pessoas de bem, capazes de enxergar além dos nossos próprios umbigos, sensíveis às necessidades do próximo. Infelizmente, essa instrução caseira sobre respeito ao semelhante parece estar em falta. E o resultado taí: gente abanando dinheiro na sua cara com a intenção de pagar baratinho por sua alma ou distribuindo perdigotos enquanto proclama, aos berros, a sua incompetência em mimar marmanjo.

    Guarde o seu dinheiro.


  • Vem cá… te conheço?

    Vem cá… te conheço?

    Não tem um dia sequer em que eu não receba no e-mail do blog ou no Pergunte ao Dentista a seguinte pergunta: Que remédio eu tenho que tomar? Ou o dente está doendo, ou a gengiva está sangrando, ou o rosto está inchado. Via de regra a minha resposta é: procure um dentista para que ele o examine, diagnostique a causa da dor e prescreva de acordo (se houver necessidade). Muitos tentam argumentar que “…a consulta tá marcada mas demora” e, outros, se ressentem, dizem que eu não tenho coração e desejam a dor de dente pra mim ;).

    Então, de uma vez por todas, deixe-me explicar o porquê dessa minha relutância em “abrir o jogo”: EU NÃO FAÇO IDEIA do remédio que você tem que tomar. Mesmo. Vem cá… te conheço?

    Pois é. Nunca vi a pessoa. Nunca examinei a pessoa. Por que raios eu deveria saber o remédio que ela tem que tomar?  Muita gente acha que uma simples descrição do problema dá dados suficientes ao dentista para determinar a medicação. Desculpe pessoal, mas não dá. Em primeiro lugar, porque se trata de uma descrição feita por um leigo, e eu não devo me basear nela. Em segundo lugar porque, embora eu até possa ter uma noção do que se passa pelo relato do internauta, eu não tenho certeza. “Prescrever”, nessas condições, seria irresponsabilidade. Sim, a palavra é RESPONSABILIDADE. Quando eu prescrevo uma medicação estou me responsabilizando pelos efeitos provocados por ela no organismo do paciente. Pessoalmente, via Internet, via telefone, via sinal de fumaça… não importa o meio.

    Milagrex: Dispensa Dentista

    Há quem diga que “Procure um dentista” não é resposta que se dê. Pois eu acho que “que remédio eu tomo?” não é pergunta que se faça! Não pela Internet, pelo menos, e por duas razões relevantes: um profissional sério não a responderá (se responder, desconfie) e um leigo sabichão COM CERTEZA vai responder. Afinal de contas, ele tinha “bem isso” que você tem, tomou cloridrato de pirlimpimpina e ficou bom na hora! Quer apostar nisso? Fique à vontade, por sua conta e risco.

    Entra aí, também, a questão do respeito pelo trabalho do dentista. Já falei disso aqui no blog várias vezes. Muita gente acha que dentista é um cara que arranca o seu dente, à sua ordem, quando ele dói. Escutei isso ontem ainda: “… quero saber que remédio eu tomo pra desinflamar o meu dente e eu poder MANDAR ARRANCAR”. Caro paciente, se você acha que é assim que funciona, precisamos conversar. Extrações dentárias têm indicação, e dentes são órgãos humanos! Que banalização é essa? Outra coisa que escutei dia desses e que me deu vontade de arrancar os tímpanos foi que “… os dentistas não falam qual o remédio que tem que ser tomado pra obrigar o paciente a procurá-lo e pagar uma consulta”. Ah, vá ver se eu tô na esquina!

    Mas não deixarei você, caro leitor, desamparado. Se o seu dente doer, siga os seguintes passos (não pule nenhum, isso é muito importante):

    1. Procure um dentista.

    😀

    Somente um dentista (sim, um médico, nessa hora, não sabe o que fazer – e não tem obrigação nenhuma disso), através de um exame clínico e possivelmente radiográfico, poderá dizer o que faz o seu dente doer. O remédio que você precisa tomar, se é que precisa, só pode ser determinado depois do exame. Mas o detalhe importante é que o dentista está apto a remover a causa da dor, seja tratando um canal, fazendo uma restauração ou uma extração. Remédio nenhum faz isso.

    Enfim, o recado é:

    • Consulte seu dentista regularmente, para o dente nem chegar a doer.
    • Se o dente doer, não se auto-medique: procure seu dentista.
    • Se o seu dentista não puder atendê-lo imediatamente, procure um pronto-socorro odontológico ou um pronto-atendimento de urgência. O importante é fazer a dor parar.
    • Não se satisfaça com a ausência temporária da dor. Termine o tratamento para que a dor não volte. Se fez curativo, trate o canal. Se fez restauração provisória, procure o dentista no tempo recomendado e faça a restauração final.

    Você pode tentar tomar um coquetel de medicamentos até “acertar”, mas isso apenas trataria os sintomas e não a causa dor. Por que não procurar quem entende do assunto, PESSOALMENTE, e resolver o problema de uma vez?


  • Fui no dentista e quase morri!

    Fui no dentista e quase morri!

    Tenho CERTEZA que você já ouviu alguma história escabrosa de consultório que continha essa frase no meio. Do tipo: “Eu estava com uma dor horrível no dente aí fui no dentista e quase morri! A anestesia não pegava, mas mesmo assim ele abriu o meu dente… não volto lá nem amarrado!” ou “Marquei pra extrair o meu siso, mas fui no dentista e quase morri! Ele ficou uma 3 horas lá cavocando e puxando, e eu lá de boca aberta…”.

    Já repararam que todas as histórias que ouvimos sobre coisas que aconteceram dentro de um consultório odontológico descrevem dor e sofrimento? Dia desses um leitor do blog me perguntou, aflito, se a cirurgia de remoção do siso é realmente tão horrível quanto dizem… ele precisava extrair os 4 e, baseado nas histórias que ouviu por aí, estava bastante assustado.

    Senão…

    Você pode interpretar essa “estatística” de 2 formas: ou todo procedimento odontológico é doloroso a ponto de levar o paciente a encarar a morte, ou (e é essa a minha teoria) as pessoas só saem contando por aí suas experiências no dentista quando a coisa não sai exatamente como planejado! Deixem-me exemplificar…

    Primeira situação: Dona Maria vai ao dentista pois, infelizmente, tem um dente que precisa ser extraído. O dentista faz a anestesia e começa a cirurgia. Após alguns minutos, ele proclama: “Pronto, já terminamos!”. Faz-se a sutura. Dona Maria vai pra casa feliz e segue todas as recomendações pós-operatórias do seu dentista.

    Segunda situação: imaginem a mesma história, só que…

    • A Dona Maria já chegou no consultório com dor de dente;
    • Como estava tudo inflamado, a anestesia “não pegou”;
    • Quando o dentista segurou o dente com o boticão, ele se partiu em 12 pedaços, o que transformou 1 extração em 12;
    • Na hora de suturar (dar os pontos), foram 30 minutos só pra fazer parar de sangrar;
    • Quando chegou em casa, a primeira coisa que a Dona Maria fez foi cuspir na pia e fumar um cigarro (afinal de contas, ela tava nervosa)!

    A Dona Maria contou assim pra vizinha:

    “Meniiina, nem te conto o que me aconteceu no dentista! QUASE MORRI! Cheguei lá com um dente doendo, e nem tava doendo tanto… antes não tivesse ido! O homem me deitou naquela cadeira lá deles e me enfiou aquela luz horrorosa na cara, fiquei cega! Aí me manda abrir a boca e vem com aquela agulha do tamanho de uma chave de fenda… e nem me avisa! Foi enfiando aquilo na minha gengiba! Entrou rasgando, parecia que queimava! Nem pra passar uma pomadinha…. Aí a anestesia que ele usa acho que é meio fajuta, porque não funcionava! E ele foi me agulhando, me agulhando… e só doia mais. Aí, quando ele pegou aquele alicate lá, meu dente quebrou inteiro! Acho que era a primeira vez que ele tirava um dente, só pode! Fiquei 2 horas de boca aberta, sangrando… acho que perdi uns 1o litros de sangue… tô até pálida, não tô? Cheguei em casa cuspindo sangue… tive que fumar um cigarrinho, né?! Afinal de contas, eu merecia depois de tanto sofrimento… o dentista até disse que não podia, mas ele nem vai ficar sabendo…”

    A primeira situação é a ideal e, pasmem, acontece muito mais do que a segunda. E qual delas a gente ouve sendo contada mais vezes e de forma mais entusiasmada? A explicação é simples: a segunda situação dá uma história muito mais interessante que a primeira, que certamente será recontada e lembrada por muito tempo. E não bastasse a versão “cheia de realidade” da Dona Maria, a sua vizinha, quando passar a história pra frente, também vai deixar um “toque pessoal”. “Meniiiiina, você não sabe o que aconteceu com a Dona Maria no dentista…”

    Situações chatas, desconfortáveis e momentos de dor podem acontecer, de fato, dentro de um consultório odontológico. Mas não se assuste com o que você ouve por aí… não viva o medo dos outros! Cada caso é um caso, e cada pessoa dá as cores que quer às experiências que vive. Se você quiser diminuir as chances de algo dar errado no dentista, o melhor conselho que posso dar é: visite-o regularmente. Suas histórias vão ficar chatas pra caramba, mas disso você não morre mais. 🙂