Categoria: Higiene Bucal

  • Escovar os Dentes Antes de Ir ao Dentista

    Escovar os Dentes Antes de Ir ao Dentista

    Vivo procurando tweets que tenham como assunto medo de dentista, material essencial pra formular os Top Tweets que eu posto de vez em quando aqui no blog. Já são 7 edições, as 2 mais recentes em vídeo. Nas minhas buscas sempre me deparo com o seguinte tweet, repetido por diversos usuários do Twitter incessantemente:

    “Quem nunca ficou escovando os dentes por 1 hora antes
    de ir ao dentista, não sabe o que é ter medo de levar uma bronca!”

    Interessante isso… por algum motivo as pessoas acham que escovando os dentes direito apenas 1 vez, antes da consulta no dentista, é possível disfarçar meses (ou até anos) de higiene bucal negligente. Posso contar um segredo? O dentista tem como detectar se você costuma escovar os dentes direitinho ou não… não importa o quanto você tenha se esforçado na hora anterior e nem o que você diga pra ele.

    Dentista vidente

    Por mais que você apareça no consultório com os dentes lisinhos, certos sintomas são recorrentes em pessoas que não têm uma higiene bucal satisfatória. E é aí que o dentista te pega ;)! O sinal mais comum de todos é o sangramento gengival. A gente encosta na sua gengiva e ela desanda a sangrar. Isso é gengivite, e gengivite é resultado direto da presença constante de placa bacteriana na cavidade bucal, levando a uma inflamação generalizada da gengiva.

    Aí o dentista pergunta quantas vezes você escova os dentes por dia e você diz: “Após cada refeição e sempre uso o fio dental”. Porém, o exame clínico mostra outra coisa. Das duas, uma: ou você está tentando enganar o dentista ou, por mais que esteja se esforçando em fazer uma higiene bucal adequada, está fazendo errado!

    Sei…

    Por isso, caso o próprio dentista não tome essa iniciativa, peça a ele para ensiná-lo a escovar os dentes e a usar o fio dental. Acredite… não é bobagem, não é fácil e a maioria das pessoas não sabe fazer.

    De qualquer forma, é bom que você continue escovando os dentes que nem um doido antes de ir ao dentista. Isso porque, pra nós, é importante (e facilita muito) que esteja tudo limpinho na hora de fazermos o exame clínico e o diagnóstico. E, também, é uma questão de respeito com o profissional, né?! Imagina só se eu fosse ao ginecologista sem fazer pelo menos um banho tcheco ou à pedicure com o maior chulé? 😀


  • Eu prefiro o fio dental!

    Eu prefiro o fio dental!

    Uma das desculpas mais usadas por pacientes que negligenciam a higiene bucal é a falta de tempo. As pessoas trabalham demais, estão sempre correndo e (dizem) não têm cabeça pra lembrar de escovar os dentes (ou pra fazê-lo direito). Para ir no dentista como forma de prevenir problemas bucais, então, sobra menos tempo ainda… “…deixa pra quando doer!”

    O ideal é, após cada refeição, usar o fio dental e, em seguida, escovar os dentes… todo mundo sabe disso. Mas pouca gente faz ou, se faz, deixa o fio dental de lado. Pois bem, a quem interessar possa: eu prefiro o fio dental!

    Eu prefiro o fio dental!

    Como assim? Quero dizer que, se eu estivesse com pressa, sem tempo, e tivesse que escolher entre escovar os dentes OU passar o fio dental, eu escolheria o fio dental. Explico: o fio dental é o único capaz de limpar entre os dentes. Da limpeza das outras faces dos dentes, a própria língua e certos tipos de alimentos chamados detergentes se ocupam. Mas no meio dos dentes, não tem jeito!

    Só fazendo um parêntese: alimentos detergentes são aqueles que têm consistência firme, baixa quantidade de açúcar e muitas fibras, além de incentivar a produção de saliva e elevar o pH bucal (deixar a boca “menos ácida”). Ou seja, comida “de verdade” ;), não-industrializada. Entre os alimentos detergentes podemos citar: maçã, mamão, cenoura, pepino, acelga, aipo, nozes, castanhas e até chiclete sem açúcar (porque toda regra tem que ter uma exceção).

    Quando você come uma carne fibrosa ou chupa aquela manga amarelinha, onde é que a comida pára? Entre os dentes. O dente inteiro se suja, mas a sujeira se acumula mesmo é ali. E, se você não fizer alguma coisa pra tirá-la de lá, lá ela fica. Como o fio dental é menos usado, ainda, do que a escova de dentes, aquele resíduo fica ali por horas… às vezes DIAS. Sem exagero. Resultado? Cáries, gengivite e mau hálito! Sim… porque comida, em ambiente quente e úmido, apodrece, não é mesmo?!

    Que fique claro: eu não estou dizendo que basta escovar os dentes OU usar o fio dental. Uma higiene bucal completa, precisa dos 2. Mas se o tempo for tão curto assim mesmo, passe pelo menos aquele fio dental básico. E à noite, antes de dormir, sem pressa e cheio de tempo, capriche na escova… assim não há bactéria cariogênica que aguente! 😉

    Veja aqui como usar o fio dental!


  • Pontos pretos nos dentes… isso é cárie?

    Pontos pretos nos dentes… isso é cárie?

    Não necessariamente. Há um “consenso” popular de que qualquer ponto ou região escura de um dente é cárie, mas nem sempre isso é verdade.

    Nossos dentes têm anatomias próprias, e existem regiões deles que são mais profundas. Dependendo do dente, os sisos por exemplo, essas regiões são bem abundantes e transformam a superfície dentária num verdadeiro labirinto. E lá a comida se perde…. 😉

    E aí… é cárie?

    Os alimentos e bebidas que ingerimos possuem corantes, em sua maioria. Principalmente aqueles industrializados, a citar: doces, refrigerantes, biscoitos. Esses corantes podem pigmentar (“pintar”) os sulcos dentários, deixando-os mais escuros. E essas regiões são as mais afetadas justamente porque os resíduos alimentares permanecem ali por mais tempo, presos no “labirinto”. Ah, o cigarro também favorece bastante o aparecimento dessas regiões escurecidas!

    Esse tipo de pigmentação é mais comum nos dentes de trás (pré-molares e molares). Mas pode acontecer também na parte de trás dos dentes da frente. Porém, se os “pontos pretos” que você vê estiverem perto da gengiva, certamente não se tratam dos sulcos que eu citei. Possivelmente é tártaro, ou você tem mesmo uma cárie. Pra ter certeza, consulte o seu dentista.

    Já aconteceu de você ir em um dentista e ele dizer que você tem 3 cáries e um outro afirmar que são 5? Isso acontece porque os sulcos, fóssulas e fissuras, além de se pigmentarem mais facilmente, são os locais mais propensos a desenvolverem cáries. E algumas cáries se encontram em um estágio “sub-clínico”, ou seja, difíceis de serem detectadas num exame clínico convencional. Certos dentistas preferem acompanhar o caso, outros detectam a cárie e indicam formas de favorecer sua regressão e outros, ainda, preferem fazer uma restauração “preventiva”, em que a quantidade de tecido removido é mínima.

    Enfim, se você tem pontos pretos nos dentes, não se desespere achando que todos eles estão cariados. É possível que se trate apenas de sulcos pigmentados. E o contrário também vale: se você tem pontos pretos nos dentes, não dê de ombros e ache que tudo são “manchinhas”: procure seu dentista e deixe que ele verifique pra você.  Agora, se os tais pontos começaram a crescer de uma hora pra outra, corra. Antes que dê canal…


  • Qual é a melhor escova de dentes?

    Qual é a melhor escova de dentes?

    Pergunta recorrente. Todo mundo quer saber qual é a melhor escova de dentes. Há algum tempo recomendei aqui no blog que você não se casasse com a sua, porque escova de dentes é feita pra ser trocada com frequência mesmo, não adianta querer prolongar a vida dela… seja por afeto ;), seja por economia.

    Sendo dentista, sempre que vou ao mercado ou à farmácia acabo fazendo uma parada obrigatória na seção de artigos de higiene bucal. É mais forte do que eu. Há alguns anos a gama de opções de escovas de dente era bem menor, quase que apenas um modelo por marca (e poucas marcas). Hoje é até difícil escolher diante de tantas opções.

    As empresas do ramo vivem lançando novidades: escovas com design diferenciado, cerdas especiais, limpadores de língua, cores incríveis… banhadas a marketing. Não tenho nada contra a parte comercial da coisa… claro, minha opinião muda quando se ganha dinheiro em detrimento da saúde bucal do paciente. Felizmente, não vejo isso acontecer com frequência.

    Achei um infográfico bem bacana da Revista Época que faz um review dos modelos e marcas de escovas de dente disponíveis no mercado, falando sobre suas qualidades e benefícios. Clique na imagem para ampliar e ver o infográfico completo:

    Infográfico Revista Época

    O que eu acho disso tudo? Que a melhor escova de dentes é a que está na mão de quem sabe como usá-la. Algumas recomendações são básicas, como: cabeça não muito grande (pra chegar em todos os lugares) e cerdas macias (cerdas duras não limpam mais e ainda podem machucar a sua gengiva). Outras caracteríscas podem ajudar, é claro, como um cabo confortável e anti-derrapante. Mas, de forma geral, tendo-se uma escova básica e escovando os dentes dentro da técnica correta, não tem erro.

    Em resumo: se você não conhece a técnica correta para escovar aos dentes, pergunte ao seu dentista, ele vai lhe explicar. Aí compre uma escova de cabeça pequena e cerdas macias, da cor que você achar mais bonita. Pode ser barata, pode ser cara, tanto faz. O que interessa é que você saiba o que fazer com ela. 🙂

    Leia sobre o assunto também no Blog Profissão Dentista.

    UPDATE em 10/06/2013:

    O Inmetro testou as principais marcas de escovas de dente vendidas no Brasil. Veja a reportagem do Fantástico:


  • Como Escovar os Dentes Usando Aparelho

    Como Escovar os Dentes Usando Aparelho

    Quem usa ou já usou aparelho ortodôntico sabe: escovar os dentes com aquele monte de “ferros” na boca deveria ser considerado o 13o trabalho de Hércules 😀. É chato, é difícil e faz você perceber que era feliz e não sabia. E ainda tem gente que quer usar aparelho só de enfeite…

    A higienização adequada durante o tempo de tratamento ortodôntico é essencial. Isso porque o aparelho dentário funciona como uma espécie de “rede”, ou seja, tudo o que você come pára ali. Se a sua dieta não for criteriosa, evitando alimentos duros, fibrosos e pegajosos, piora: além de sujo, você pode acabar com o aparelho quebrado.

    Tudo o que você precisa para escovar o dentes usando aparelho

    O aparelho ortodôntico consiste em uma série de “pecinhas” chamadas bráquetes que são coladas em cada dente. Os bráquetes, por si só, já são o ambiente perfeito para o acúmulo de placa bacteriana, aquela sujeira branca que deixa os dentes com a textura áspera quando passamos a nossa língua sobre eles. Quando a placa se acumula e não é removida com frequência, cresce a chance do desenvolvimento de cáries e gengivite.

    Não bastassem os bráquetes, ainda tem o arco… aquele fio que vai encaixado neles. A grande dificuldade que o arco proporciona na higienização dos dentes é na hora de passar o fio dental: não passa! Para conseguir usar o fio dental, faz-se necessário o uso de um “passa fio”, que é uma agulhinha plástica onde você prende o fio para passá-lo por baixo do arco e conseguir limpar o espaço entre os dentes.

    Para escovar os dentes, você pode continuar usando a sua escova de dentes “normal” mesmo, mas você vai perceber que ela se estragará (as cerdas entortarão) mais rapidamente. Ou seja, você terá que trocar de escova com mais frequência. Uma boa ajuda pra quem usa aparelho é a escova interdental, pois ela consegue entrar por baixo do arco e limpar onde a escova de dentes regular não alcança. Escovas “de tufo” ou intertufo podem ser bastante úteis também.

    Como uma imagem vale mais do que mil palavras e eu falo pra caramba, assista o vídeos abaixo para entender como escovar os dentes usando aparelho. Não tem erro:

    Então, anote aí o kit essencial de higiene bucal pra quem usa aparelho ortodôntico:

    1. Escova de dentes “normal”;
    2. Escova “de tufo” ou intertufo (opcional);
    3. Escova interdental;
    4. Passa-fio.

    Somem-se a esse “arsenal” a orientação profissional do seu ortodontista (pergunte pra ele como se faz!), muita força de vontade e disciplina. Essas escovas e o passa-fio não custam caro não, existem opções bem acessíveis nos supermercados e nas farmácias que dão conta do recado. O que pode sair BEM caro, tanto para o seu bolso quanto para sua saúde, é não escovar os dentes direito durante o tratamento ortodôntico. Portanto, assuma a responsabilidade pela sua saúde bucal… porque botar a culpa no dentista já saiu de moda!

    Se você não usa aparelho também precisa manter tudo limpinho! Veja aqui como escovar os dentes.

    Veja também:

    Como Escovar Os Dentes com Aparelho Fixo, no OdontoBLOGia

    Como Limpar Aparelho Ortodôntico Fixo, no Blog do Dentista


  • Como Escovar os Dentes

    Como Escovar os Dentes

    Escovar os dentes é algo realmente simples. O que não quer dizer que você saiba fazê-lo 🙂 . Porque, por mais que a técnica seja simples, ainda é uma técnica… que precisa ser aprendida, exercitada, aprimorada. Vamos ver se a gente aprende, de uma vez por todas?

    Tô devendo este post há um tempão, vários leitores (e pacientes) já me pediram por orientação em higiene bucal. Mas se vocês não têm tempo de escovar os dentes, imagine eu de escrever post 😀 ! Vamos começar pelo básico: o material necessário. Você irá precisar de uma escova de dentes e pasta dental. (OH!)

    Escovar os dentes é uma arte!

    Qual é a melhor escova de dentes?

    A escova de dentes ideal deve ter cerdas macias. Acredite, as escovas médias e duras PARECEM que limpam mais, mas não limpam, além de aumentar as chances de você machucar sua gengiva. A cabeça da escova, onde estão as cerdas, não pode ser muito grande, pois ela precisa caber em todos os cantos da sua boca.

    Vale a pena comprar uma escova de última geração, do tipo ultra maxi mega cleaning effect? Se você tiver condições financeiras e a escova power preencher os requisitos que eu citei, compre. Uma bem bonita. Mas se o seu dinheiro não dá em árvore, compre uma escova mais barata , pra não ter pena de jogar ela fora quando estragar. E, ao primeiro sinal de cerdas tortas (viradas pra fora), troque-a imediatamente. Não interessa se você a possui há 15 dias, 1 mês ou 3 meses. Troque, ela não serve mais.

    Qual é a melhor pasta de dentes?

    As empresas de produtos de higiene bucal vivem se engalfinhando pra convencer você de que só a pasta de dentes que elas vendem é que é boa. E os cremes dentais famosos, são mesmo bons? São ótimos. Mas cumprem o mesmo papel que opções mais baratas. O importante é que a pasta não seja muito abrasiva e que contenha flúor, na proporção de 1100 ppm a 1400 ppm (partes por milhão) –> ATENÇÃO: isso para adultos (crianças até 6 anos devem usar dentifrício sem flúor caso ainda não dominem o reflexo de cuspir por completo. Vale a indicação do dentista / odontopediatra). Essas  informações estão na embalagem, é só procurar.

    E o fio dental?

    Sim, sim, não esqueçamos dele. A escova não consegue limpar entre os dentes, é fato. Portanto, se você ainda não tem o costume de usar o fio dental, já tá na hora. Você pode usar o fio ou a fita, tanto faz. O que interessa mesmo é usar, de preferência antes de escovar os dentes.

    Tá, e como escovar os dentes? Veja:


    Ou assista aqui: http://youtu.be/bSXbBJ1ZrlQ


    Ou assista aqui: http://youtu.be/CnbG0Sj919M


    Ou assista aqui: http://youtu.be/34CAqhXugEg

    Comentários sobre os vídeos:

    1. O quarto vídeo, que eu nem coloquei aqui, se refere ao uso do enxaguante bucal. Não recomendo que você use qualquer enxaguatório de forma contínua e sem orientação e/ou prescrição do seu dentista. Eu mesma não tenho costume de usar e vejo esses produtos apenas como coadjuvantes na higiene bucal, mas certamente não são essenciais como se prega por aí. Existem vários tipos de enxaguantes bucais, com propriedades bem distintas. Usá-los de forma indiscriminada pode causar dois problemas: alteração do seu paladar (a forma como você sente o gosto das coisas) e uma bela bagunça na sua flora bucal (as bactérias “boas” que vivem na sua boca). Já falei aqui no blog um monte de vezes: nem todas as bactérias são inimigas. Não há necessidade nenhuma de agir como um bactéria killer.

    2. A parte de trás da cabeça da escova de dentes não é o melhor instrumento para limpar a língua, funciona pouco ou nada. Use um raspador lingual específico pra esse fim ou, melhor ainda, escove a língua com as cerdas da escova de dentes.

    3. Não recomendo especificamente nenhuma marca de produtos de higiene bucal.

    E o mais importante: não entendeu alguma coisa? Pergunte ao seu dentista. É nossa função, a mais importante e nobre delas, orientar você com relação à sua higiene bucal. 🙂


  • Gengivite é gengiva + ite!

    Gengivite é gengiva + ite!

    “Ite” é um sufixo que tem origem no grego “itis” e designa doenças de origem inflamatória. Portanto, gengivite é a inflamação da gengiva. E a porção idiomática deste post terminou. 🙂

    Já falei em gengivite aqui no blog várias vezes, mas nunca de forma específica. A gengivite (inflamação de 1 dos tecidos de suporte dos dentes), quando não controlada, pode ser o primeiro estágio de uma periodontite (inflamação do periodonto, que representa todos os tecidos de suporte dos dentes). Por isso é tão importante não descuidar quando os primeiros sinais aparecem.

    Margem gengival avermelhada e um monte de placa!

    Os sintomas clássicos desse mal são gengiva avermelhada ou arroxeada (o normal é um tom mais rosado), inchada e sangrante, tanto de forma generalizada (toda a gengiva) quanto localizada. E, na maioria das vezes, não dói. Se toda vez que você escova os dentes a sua gengiva sangra, é bom ficar atento… e continuar escovando os dentes! Essa é uma questão interessante: muitas pessoas acham, e é uma pergunta recorrente no consultório, que se a gengiva sangra durante a escovação (ou de forma espontânea) o melhor é não escovar mais ou “diminuir o ritmo”. Porém, a solução é exatamente oposta. O sangramento faz parte da resposta inflamatória do nosso organismo, ou seja, é o nosso corpo respondendo a uma agressão externa. E o agente agressor, nesse caso, é a placa bacteriana. E como é que se remove a placa? Com escova de dentes, creme dental, fio dental, orientação e força de vontade!

    Dia desses um paciente me perguntou se era possível tratar a gengivite em casa. Achei a pergunta muito interessante, porque exemplifica um comportamento muito comum das pessoas: não se enxergarem como parte da solução. Ora, é exatamente em casa que se trata a gengivite! Por mais que o dentista faça aquela “limpeza” e oriente sobre a higiene bucal do paciente, o controle da gengivite é uma soma de esforços, onde o protagonista é o dono da gengiva!

    Pessoas imunodeprimidas ou que atravessam um período de baixa imunidade devem redobrar a atenção com a higiene bucal, pois estão mais suceptíveis à ocorrência de uma gengivite. Da mesma forma, mudanças hormonais podem favorecer um quadro inflamatório gengival, fato muito comum em mulheres grávidas. Mas não me venham com aquela história de “a cada filho vai-se um dente”, ok? Qualquer risco disso acontecer é sumariamente eliminado se houver uma escovação correta e assídua e acompanhamento por parte do dentista. Há quem tenha “dentes bambos” já antes de engravidar e use a gestação como justificativa para perdas dentárias… estamos de olho! 🙂

    Existem outros tipos de gengivite. Algumas até com ulcerações associadas, como a GUN ou GUNA (gengivite úlcerativa necrosante aguda), caracterizada por odor fétido, gosto ruim na boca, aumento da salivação, sangramento gengival espontâneo, às vezes febre e mal estar. Esse tipo de gengivite não é a regra, felizmente, mas é extremamente agressiva e provoca destruição gengival, principalmente da sua margem e da gengiva que fica entre os dentes. Mas como a GUNA é bem óbvia, o paciente acaba procurando por atendimento.

    Já a gengivite clássica, crônica, aquela em que o tecido gengival é agredido constantemente e de forma leve, ou seja, sempre tem uma “sujerinha” que fica por lá, é perigosa por ser discreta. O paciente não se assusta com ela e vai “empurrando com a barriga” enquanto foge do dentista. E algo que era pra ser de resolução simples, vira um problema extremo. Cuidado…


  • A Doença do Beijo

    A Doença do Beijo

    Dia 13 de Abril é o dia mundial do beijo. Aproveitando (e estragando) a data, quero falar um pouco do lado não-romântico do exercício do ósculo…

    É fato que um simples beijo pode transmitir uma série de doenças. Sim, caro leitor beijoqueiro, sair por aí beijando bocas alheias e, principalmente, desconhecidas, não é uma boa ideia (não do ponto de vista médico-odontológico).

    Você sabe quem anda beijando?

    O que ocorre, na verdade, é que a nossa boca está repleta de bactérias. Algumas fazem bem e algumas fazem mal.  Uma beijo nada mais é que uma grande troca de bactérias entre os envolvidos. Esses microrganismos estão presentes, principalmente, em nossa saliva. Existem bactérias específicas envolvidas no processo de formação da cárie (o Streptococcus mutans é a principal) e, caso estejam presentes na flora bucal, a chance de desenvolver essa doença aumenta. Ser portador dessas bactérias não é um decreto de que alguém terá cavidades, pois a cárie é uma doença multifatorial, ou seja, precisa de uma combinação de fatores para ocorrer. Mas quando esses fatores se encontram…

    Tenha em mente que qualquer doença que seja transmitida por bactérias e vírus presentes na cavidade bucal, em tese, pode ser adquirida através de um beijo. Gripe, mononucleose, tuberculose, hepatite B, herpes, sífilis…. Destas, quero chamar a sua atenção para a mononucleose.

    A mononucleose é uma doença transmitida pelo vírus Epstein-Barr e que é “carinhosamente” chamada de doença do beijo. É caracterizada por 4 sintomas principais: fadiga, dor de garganta, febre e aumento de linfonodos (“ínguas”). Uma complicação mais séria dessa enfermidade é a esplenomegalia, que é um aumento do baço, podendo chegar, em casos extremos, à sua ruptura. Pode ser fatal.

    Ora, para evitar a mononucleose é só não beijar alguém que tenha esses sintomas, certo? Errado. A pessoa que entra em contato com o vírus, caso manifeste a doença, leva de 4 a 8 semanas para apresentar os sintomas. Dá tempo de beijar bastante gente! 😀

    Enfim… beijar é muito bom, mas não é só alegria… tem suas consequências. Portanto, antes de sair por aí trocando bactérias, tente se certificar da procedência delas. Sua saúde agradece.


  • A Guerra das Pastas de Dente

    A Guerra das Pastas de Dente

    Comercial de produtos de higiene bucal é a coisa mais engraçada do mundo. Se você é dentista, deve rir a beça com tudo aquilo. Saem raios laser das cerdas da escova de dentes, as bactérias gritam em desespero e, para ratificar a eficácia que só aquela marca é capaz de proporcionar, tudo isso tem a chancela de 9 entre 10 dentistas. E eu devo ser a décima, porque não lembro de ter sido consultada a respeito. 😀

    E aí? Vai em qual?

    Não tenho nada contra qualquer marca de produtos de higiene bucal, pelo contrário, acho que estamos muito bem servidos com relação a isso. Mas é que, pra quem é dentista, é inevitável não refletir sobre as informações que as embalagens de cremes dentais, por exemplo, trazem estampadas. As duas marcas líderes em vendas no Brasil são essas aí da imagem: Colgate e Oral B. A Colgate sempre foi (e continua sendo) mestre em marketing. É capaz de vender escova de dentes pra banguela.  E a Oral B vem investindo pesado em publicidade, além de ter lançado uma linha de pastas de dente, segmento no qual nunca havia marcado presença antes. E eu não consigo imaginar o porquê.

    Pois bem. Em relação aos cremes dentais, essas marcas cumprem o que prometem? Vejamos:

    –> COLGATE TOTAL 12: (leia no Vida de Dentista também)

    Diz ser tiro e queda para 12 problemas bucais, os quais eu cito:

    1. Cárie
    2. Protege a gengiva
    3. Tártaro
    4. Previne a placa bacteriana
    5. Previne a desmineralização dos dentes
    6. Previne as bactérias da língua
    7. Combate as bactérias
    8. Cáries nas raízes
    9. Problemas na gengiva
    10. Mau hálito
    11. Fortalece o esmalte dos dentes
    12. Promove a remineralização dos dentes

    Ela muito provavelmente faz tudo isso mesmo. O que me chama a atenção é que, segundo as informações da embalagem, faz várias coisas mais de uma vez. Os itens 1 e 8 são a mesmíssima coisa. Entre 2 e 9 não achei diferença. Os problemas 3 e 4 são iguais, já que o tártaro é a placa bacteriana mineralizada. Controlou a placa, resolveu o tártaro.

    Os itens 5, 11 e 12 poderiam ser um só, e agradecerem de mãos dadas ao flúor, que está presente em qualquer creme dental para adultos. O flúor presente de forma constante na cavidade bucal previne a formação de cáries ao mesmo tempo que promove a regressão das cáries que estão começando a se formar.

    Gente! Deixem as bactérias em paz! Os problemas 6 e 7 (além de serem o mesmo) precisam sim da nossa atenção, porém todavia contudo AND entretanto, nem toda bactéria merece a morte!

    Por último e não menos importante, consideremos o item 10. Escovar os dentes resolve o mau hálito? Depende da origem da halitose. E se o problema for mais complexo do que falta de escovar os dentes? Aí você continua escovando os dentes direitinho e procura essa moça aqui. 😀

    –> ORAL B PRO-SAÚDE:

    Alega trazer 7 benefícios para a nossa cavidade bucal:

    1. Combate a cárie
    2. Combate a placa bacteriana
    3. Previne a gengivite
    4. Proteção contra a hipersensibilidade dentinária
    5. Combate o tártaro
    6. Branqueia os dentes inibindo o acúmulo de tártaro
    7. Refresca o hálito

    Vamos lá. Benefício 1, ok. Os itens 2, 3 e 5 pra mim poderiam ser um só, já que a gengivite é uma reação inflamatória gengival ao acúmulo de placa bacteriana e, o tártaro, como já expliquei, é a placa bacteriana que virou pedra (e que, depois de formado, não é removido apenas escovando os dentes, só com intervenção profissional). Portanto, esses benefícios são o mesmo. O número 4… tá, vai. O benefício 6 me deixou confusa: o que é que branquear os dentes tem a ver com a inibição do acúmulo de tártaro? Além de que, essa propriedade que alguns cremes dentais reinvindicam é extremamente discutível…

    Número 7: vale o mesmo que para o problema 10 da Colgate Total 12. Além disso, água gelada também é capaz de refrescar o hálito… 😛

    Ontem fui ao mercado e, com o post já pronto para ser publicado, fui dar uma olhadinha nas embalagens de creme dental. Imagine a minha surpresa ao perceber que os 12 problemas que a Colgate Total 12 combatia “de repente” viraram 12 benefícios (adivinha de onde saiu isso?) que ela proporciona… 5 a mais que a Oral B Pro-Saúde. Qualquer semelhança terá sido mera… estratégia de marketing. Em tempo: não existe creme dental que proteja seus dentes por 12 horas. Ponto final.

    12 prob… benefícios?

    Então, isto posto, concluímos que essas marcas enganam o consumidor? Não. Elas resolvem os problemas e oferecem os benefícios a que se propõem. Mas, sem dúvida, “enfeitam demais o pavão”. Tudo o que você que quer manter a saúde em dia precisa saber é o seguinte:

    1. Compre uma escova de dentes macia e de cabeça pequena, que atinja os lugares mais “ermos”. Pode ser a mais barata delas, daquelas “3 pelo preço de 2”. No dia em que a primeira cerda entortar, jogue a dita-cuja no lixo. Quanto mais barata é a escova, menos pena a gente tem de jogar fora.
    2. Aprenda a escovar os dentes e a usar fio dental. Peça orientação para o seu dentista, é o trabalho dele. Não precisa ter vergonha.
    3. A pasta de dentes que você usa precisa ter apenas 2 características básicas: possuir entre 1000 e 1500 ppm (partes por milhão) de flúor (leia a embalagem, o mais comum é 1100 e 1400 ppm) e ser gostosa :P. Acredite: as super partículas de limpeza profunda power fresh, os microcristais de polimento active clean  e o pó de pirlimpimpim que os cremes dentais prometem conter provavelmente não servem pra muita coisa na prática. Mas vendem pasta de dentes pra caramba. 😀

    Taí a única lista que você tem que saber decor: “As 3 verdades sobre higiene bucal do Blog Medo de Dentista“.  9 entre 10 dentistas recomendam. O décimo não estava prestando atenção. 😀


  • A Culpa é do Dentista!

    A Culpa é do Dentista!

    Higiene bucal. Estas duas palavrinhas são o mínimo que qualquer mortal precisa pra ter uma dentição da qual se orgulhe. E eu digo “mínimo” porque tem-se que considerar outros fatores, tais como: genética, condições sistêmicas, histórico de trauma, sorte… 🙂

    Gengivite e um montão de placa.

    Vamos considerar um paciente padrão. Ele é provido de uma genética favorável, não apresenta nenhuma condição sistêmica que prejudique diretamente sua higiene bucal (uma doença que afete sua coordenação motora, por exemplo, e que impeça ou dificulte o uso da escova de dentes e do fio dental), nunca sofreu um acidente grave em que teve perda de elementos dentários. Uma pessoa comum.

    A maioria dos pacientes são pessoas comuns, e chegam no consultório odontológico com queixas e justificativas recorrentes. Esses mesmos pacientes não costumam se orgulhar das condições bucais que exibem. Abordei essa questão no post Vergonha do Dentista. Hoje quero bater mais uma vez na tecla da co-responsabilidade do profissional e do paciente odontológico. Com especial atenção para a parte que cabe a esse último.

    Na faculdade somos compelidos a motivar a higiene bucal dos nossos pacientes, especialmente na disciplina de periodontia (parte da Odontologia que trata dos tecidos de suporte dos dentes). Acho sim que é um papel que nos cabe, e que muitas vezes negligenciamos. Mas uma coisa que eu nunca engoli é a posição de que se o paciente não faz uma boa higienização a culpa é do dentista, pois ele não orientou e/ou motivou o paciente como deveria. Discordo.

    Certa vez um paciente chegou, muito bravo, na clínica onde eu então trabalhava. Perguntei o porquê de sua irritação. Ele me contou que 6 meses antes havia feito uma “limpeza” com uma colega minha, da mesma clínica, e queria o seu dinheiro de volta. O que o contrariava era o fato de que havia se passado apenas 6 meses e os seus dentes já estavam todos sujos e cheios de tártaro de novo! O que estava claro, pra ele, é que a “limpeza” da minha colega era muito ruim, pois não durava nada.

    “Sr. Fulano, o senhor tem carro?” Ele respondeu que sim, imaginando em que contexto se encaixava aquela pergunta. Perguntei então se ele costumava lavar seu próprio carro. Ele disse que não, que levava o veículo a um lava car. “Com que frequência o senhor lava seu carro?” A essa altura, o homem já estava achando que eu queria comprar o carro dele… ou que o tratamento ia custar o valor do veículo! 😀 Ele me respondeu que a cada 2 semanas, mais ou menos.

    “Pois bem”, continuei. “E se o senhor deixar de levar o seu carro com frequência no lava car, o que acontece?” Ele respondeu: “O meu carro vai ficar sujo!” (aí ele já imaginava onde é que eu queria chegar…). Levantei a seguinte hipótese: “E se o senhor não levar o seu carro para lavar durante 6 meses e, durante esse tempo, pegar chuva, sol, pó, participar de um rally off-road, etc…. quando aparecer no lava car, vai reclamar com o dono do estabelecimento da sujeira do seu veículo e pedir o dinheiro da última lavagem de volta?” Pois é.

    Atendi o homem e fiz a “limpeza” caprichada que ele queria (e precisava). Expliquei como higienizar seus dentes. E deixei bem claras as possibilidades que ele tinha para manter sua condição bucal do jeito que eu deixei quando ele saiu:

    1. Não comer nada que sujasse seus dentes até a próxima consulta. (= deixar o carro na garagem) OU
    2. Vir me visitar a cada 2 semanas. (= levar o carro pra lavar de vez em quando) OU
    3. Escovar os dentes e usar o fio dental regularmente. (comprar uma mangueira e um esfregão e… mãos à obra!)

    Não transfira a responsabilidade pela sua saúde bucal pra nada e pra ninguém. Dentes sujos não aparecem simplesmente na sua boca, eles são produto de uma higiene bucal inadequada e/ou negligenciada. Tomar muito antibiótico na infância não faz os seus dentes se quebrarem sozinhos e gravidez não é motivo para os seus dentes caírem, por mais que você acredite nessas coisas. Tem alguma dificuldade e precisa de orientação? Procure um dentista. Mas lembre-se: estamos aqui pra fazer a nossa parte. A sua só cabe a você.