Tag: medo

  • Medo de dentista pode ser genético!

    Medo de dentista pode ser genético!

    Em princípio, não de forma direta, mas se considerarmos variáveis relacionadas ao medo da dor. Explico.

    Dois pesquisadores de Psicologia da West Virginia University descobriram que o medo e ansiedade durante – ou antes – da consulta no dentista podem ter origem genética, herdada dos pais. O estudo é um dos primeiros que sugere que a genética, unida a fatores ambientais, pode determinar se uma pessoa irá ter medo de dentista ou não.

    Dor de dente
    O artigo de Cameron Randall e Daniel Mcneil demonstra que o medo da dor pode ser hereditário. E é sabido que um dos grandes fatores que gera medo com relação ao atendimento odontológico é justamente a expectativa de sentir dor. O estudo proporciona, portanto, novas informações que esclarecem como o medo da dor pode influenciar no desenvolvimento do medo de dentista.

    “O achado mais importante deste estudo é que os nossos genes podem predispor algumas pessoas a serem mais susceptíveis a desenvolver medo de dentista, devido a variáveis relacionadas a dor em geral”, destaca Randall.

    O medo da dor durante o atendimento odontológico é algo relativamente comum. Nos EUA cerca de 20% dos pacientes adultos relata sofrer com o problema, o que os leva a evitar ao máximo a procura de ajuda profissional quando necessário. Considerando que o ideal é a atenção preventiva, e não a curativa, as consequências para a saúde dessas pessoas podem ser bem ruins.

    A ideia, agora, é entender a razão pela qual tantas pessoas têm medo de dentista, pra que se possa adotar medidas que ajudem a diminuir o problema.

    O artigo conclui: “As informações obtidas no estudo, junto com dados que já foram documentados, são importantes para que se detectem as causas do medo, o que irá ajudar a desenvolver novos tratamentos dentais, evitando ou diminuindo esta fobia”.

     

    O artigo ainda não foi publicado, mas será em breve no Journal Community Dentistry and Oral Epidemiology.

    Via Science Daily


  • Florais de Bach contra o medo de dentista

    Florais de Bach contra o medo de dentista

    O que são Florais de Bach?

    Os Florais de Bach foram descobertos nos anos 1930 por Edward Bach, um médico de Harley Street, Londres, homeopata, bacteriologista e pesquisador. A ideia do Dr. Bach era a de que quando estamos bem, é porque estamos em equilíbrio físico e psicológico. E para os momentos em que as coisas não vão bem, essências de plantas e florais podem ajudar a recuperar esse equilíbrio. Esses são os Florais de Bach. Cada floral é indicado para uma emoção específica. Eles podem ser tomados individualmente ou misturados de acordo com a necessidade.

    Cada vez mais se chega a conclusão de que uma mente saudável está intimamente ligada a um corpo saudável. Os Florais de Bach ajudam a controlar os sentimentos e, portanto, manter um bom estado mental e físico.

    Como funcionam os Florais de Bach?

    Dr. Bach identificou 38 estados negativos da mente e associou uma essência floral ou de planta para cada um. Reconhecer nossos sentimentos, portanto, é a chave para escolher o Floral de Bach mais apropriado. A essência escolhida costuam ser diluída em água e tomada e em pequenos goles a intervalos regulares. Também é possível tomar várias essências ao mesmo tempo, seguindo um protocolo específico.

    Quais são os Florais de Bach?

    Segundo o médico inglês, existem 7 grupos emocionais gerais, nos quais se baseou para classificar 38 essências individuais, cada uma relacionada com um estado emocional específico.

    Florais de Bach

    1. Medo: mimulus, rock rose, cherry plum, aspen e red chestnut.
    2. Incerteza e insegurança: cerato, scleranthus, gentian, gorse, hornbeam, wild oat.
    3. Falta de interesse no presente: clematis, honeysuckle, wild rose, olive, white chestnut, chestnut bud, mustard.
    4. Solidão: water violet, impatiens, heather.
    5. Hipersensibilidade às influências e ideias externas: agrimony, centaury, walnut, holly.
    6. Desespero: larch, pine, elm, sweet chestnut, star of bethlehem, willow, oak, crab apple.
    7. Cuidado Excessivo com os Outros: chicory, vervain, vine, beech, rock water.

    Qual a importância dos Florais de Bach na Odontologia?

    Os Florais de Bach podem ser úteis no controle do medo e da ansiedade, além de contribuir para o equilíbrio físico e psicológico geral. Veja o depoimento da Dra. Vera Lúcis Sheeren, cirurgiã-dentista habilitada e Florais de Bach e Homeopatia, sobre a utilidade dessas essências no atendimento odontológico:

    “Florais em Odontologia, sim, nunca foram tão necessários como hoje. Nosso sistema de vida, as pressões do dia a dia e os medos decorrentes de várias situações, levam muitos pacientes a gerarem descargas em várias partes do corpo físico, principalmente na área bucal, gerando tensões que acabam por ocasionar fraturas.

    Os medos, decorrentes da própria cadeira do profissional da área odontológica, causam um impacto muito grande, pois o indivíduo deixa de procurar o dentista e muitas vezes sofre por anos com dificuldades na mastigação, seja por problemas gengivais, cáries ou até falta de dentes. Os florais podem auxiliar principalmente nos sintomas de medo e ansiedade, assim como agir diminuindo as tensões. Por exemplo, em casos de herpes, os florais podem diminuir o tempo da lesão ou até mesmo impedir que eclodam as vesículas, quando usados no tempo certo.

    Quando harmonizamos as emoções conseguimos viver de forma mais tranquila. O dentista pode perceber o medo e a ansiedade no paciente desde a primeira consulta, desde que, é claro, tenha ou queira ter empatia por ele. Assim, as práticas integrativas na Odontologia podem ser sim de grande importância para fazer uma Odontologia mais humana e prestativa”. 

    Pra entrar em contato com a Dra. Vera Lúcia e saber mais sobre Florais de Bach na Odontologia, use o e-mail –> verascheeren@yahoo.com.br


  • Acupuntura contra o medo de dentista

    Acupuntura contra o medo de dentista

    Acupuntura no dentistaSegundo a Sociedade Americana de Odontologia, 3 em cada 10 adultos têm medo de ir ao dentista. Confesso que achei “pouco”, visto que interajo com esse tipo de paciente já há alguns anos. Claro, é preciso considerar que  a severidade do medo varia da ansiedade à fobia e, felizmente, a fobia é exceção. O que poucas pessoas sabem é que técnicas alternativas, como a acupuntura e a hipnose, ajudam a diminuir a ansiedade e controlar o estresse, tornado a consulta no dentista mais tranquila.

    A acupuntura é uma técnica milenar da Medicina Tradicional Chinesa e tem sido usada como aliada no tratamento dentário de quem tem medo de dentista. Parece um contrassenso que uma técnica que utilize agulhas seja capaz de ajudar a combater o medo, mas pacientes afirmam que as agulhas não causam nenhum tipo de dor e/ou incômodo.

    Para o presidente da Câmara Técnica da área de acupuntura do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), o cirurgião-dentista Helio Sampaio Filho, a acupuntura visa o equilíbrio geral do organismo do indivíduo. “As agulhas são colocadas em alguns pontos espalhados pelo corpo todo, dentro dos meridianos, que consistem em vias por onde circula a energia. Dentro desses meridianos, existem alguns pontos que quando estimulados por agulhas, são mais apropriados para relaxar, melhorar a questão da ansiedade e do medo também”, afirma.

    A técnica pode ser feita na própria cadeira do dentista – ainda que alguns destinem uma sala apenas para isso – e a duração da sessão varia entre 30 e 60 minutos de acordo com o caso de cada paciente. Alguns especialistas também procuram fazer algumas sessões antes mesmo de começar o tratamento odontológico. “Quando essa questão do medo e ansiedade é muito forte, o paciente pode fazer de três até cinco sessões de acupuntura antes de iniciar o tratamento até que ele se sinta mais tranquilo e confiante”, afirma o dentista.

    Sem contraindicações, a acupuntura também é indicada para outros casos além do medo de ir ao dentista, dentre eles: alergia a anestesia, disfunções temporomandibulares, bruxismo, paralisia facial, nevralgia do trigêmeo, aftas, reflexo de regurgitação, náusea e no tratamento de pacientes com doenças mentais.

    “Pacientes com paralisia cerebral, por exemplo, têm muitos movimentos involuntários, o que torna o tratamento odontológico mais difícil. Com a acupuntura, eles ficam tão calmos que às vezes não é preciso colocar faixas de contenção durante o tratamento”, aponta Maria Cristina Borsatto, professora-titular de Odontopediatria e de Acupuntura da Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto.

    Via UOL


  • Aftas: Causas e Tratamento

    Aftas: Causas e Tratamento

    Quem nunca se incomodou com aquelas feridinhas que aparecem de vez em quando na boca da gente? Elas acometem adultos e crianças e são chamadas de aftas, caracterizando-se como ulcerações branco-amareladas de contorno avermelhado, várias ou uma só, grandes ou pequenas. São mais comuns em mulheres.

    Quais os tipos de aftas?

    Existem 2 grupos principais de aftas, as menores e as maiores, sendo a mais comum dentre as menores a afta vulgar, geralmente pequena e única. A afta vulgar faz parte do grupo das UARs, as ulcerações aftosas recorrentes, que são aquelas que aparecem de vez em quando, duram de 7 a 10 dias e não deixam cicatrizes.

    Quais as causas?

    O que causa uma afta ainda não é consenso, e o número de agentes causadores sugeridos é grande. Entre eles:

    • Alimentos ácidos (frutas cítricas como abacaxi, laranja, etc.)
    • Baixa imunidade
    • Predisposição genética
    • Anormalidades hematológicas (sanguíneas)
    • Influências hormonais (menstruação, menopausa)
    • Agentes infecciosos (vírus, fungos, bactérias)
    • Alterações nutricionais
    • Traumas (pequenos ferimentos causados pela própria escova de dentes ou pelo uso de aparelho ortodôntico, por exemplo)
    • Estresse
    Aftas ardem.

    Qual o tratamento?

    O combate às aftas vulgares costuma não ser específico, já que as causas podem ser muitas. Portanto, o tratamento dessas ulcerações é sintomático, ou seja, visa a diminuição dos sintomas. Eu costumo indicar para os meus pacientes um corticóide tópico em orabase. É uma espécie de gel grudento e com consistência arenosa que, em contato com a afta, cria uma película que protege a lesão enquanto trata e acelera a cicatrizacão. Não acho legal o uso de certos medicamentos à base de bicarbonato de sódio (ou o próprio), pois eles ardem demais, o que pra mim é um sofrimento desnecessário e improdutivo, já que a ideia é diminuir a dor e não piorá-la até que ela suma. Certas plantas, como malva, chá preto, hamamelis, ruibarbo, sálvia e alcaçuz, além do própolis,  parecem ajudar na processo de cicatrização das aftas vulgares.

    Já para lesões extensas, as aftas maiores, o tratamento costuma ser também sistêmico, geralmente na forma de bochechos. Não preciso nem dizer, mas vou ;): principalmente no caso de aftas grandes, que durem mais de 1 mês para melhorar e que deixem cicatrizes, consulte um dentista.

    Lesões aftosas podem ser associadas, também, a certas condições, como a Doença de Crohn (doença inflamatória intestinal) e a Síndrome de Behçet (caracterizada por aftas bucais pequenas, úlceras genitais, lesões oculares e cutâneas).

    Outros textos de interesse:

    Aftas! Pra Que Te Quero! – Ortodontia para Todos

    Como Curar Aftas – Vida de Dentista

    Aftas em Crianças – Tio Dentista

    Aftas: O Que São e Como Tratar – OdontoBLOGia


  • Meu paciente tem medo de dentista: e agora?

    Meu paciente tem medo de dentista: e agora?

    “Eu odeio dentista”. Duvido, colega, que você nunca tenha ouvido essa declaração no consultório. O paciente simplesmente olha pra você e diz “eu odeio dentista”, como se fosse a coisa mais normal do mundo e você já soubesse disso (portanto, nem faria sentido se ofender). Eu particularmente acho engraçado quando a pessoa diz isso bem na nossa cara e depois se dá conta da indelicadeza. Aí vem um “nada pessoal, doutor!”. Mas convenhamos: é difícil não levar pelo menos um pouquinho pro lado pessoal…

    O fato é: o dentista-estereótipo todo mundo odeia, até eu: o ser malévolo que faz extrações sem anestesia e cutuca um dente só pra ele doer. Por isso afirmo: ninguém odeia (mesmo) o dentista. As pessoas têm é medo, sofrem de ansiedade, têm aflição por causa do barulho da alta-rotação e vergonha de mostrar os dentes e admitir que a atenção que a higiene bucal merece não está sendo dada. Mas o fator principal eu creio que ainda é a falta de informação: não saber o que vai acontecer do outro lado da porta da sala de espera. E eu acredito tando nisso que até criei um blog só sobre o assunto! 🙂 

    Medo?

    Nesses mais de 4 anos de blog tenho tido contato diário com pessoas que têm medo, ansiedade e fobia, conceitos que as pessoas confundem bastante. Felizmente a maioria das pessoas fica entre o medo e a ansiedade, e os casos de odontofobia são mais pontuais. Um paciente com fobia provavelmente nem chegará às nossas cadeiras sem um auxílio psicológico prévio ou paralelo à atenção odontológica, mas os medrosos e ansiosos entram e saem dos nossos consultórios diariamente. E, se me permitem, gostaria de compartilhar com vocês algumas verdades que aprendi interagindo com esse tipo de paciente:

    •  A boca é uma parte muito íntima do nosso corpo, o que deixa o paciente odontológico numa posição vulnerável e desconfortável. É essencial que compreendamos isso pra que o atendimento e, principalmente, a relação de confiança entre dentista e paciente não se quebre.
    • Em se tratando de pacientes adultos, evite “dar bronca”… é totalmente possível orientar sem constranger. Nem todo mundo não escova os dentes direito por preguiça ou descaso, pode ser só falta de orientação, mesmo. Na dúvida, não julgue. Um “tô vendo que a senhora tem tido dificuldade na higienização, posso dar uma dicas?” é bem mais profícuo do que “tá relaxada com a escovação, hein Dona Maria?”. Não é O QUE se diz, mas COMO se diz.
    • Medo não é frescura. Não é porque o cara tem 2 metros de altura por 1,5 de largura que ele não pode ter medo de dentista. Então, não subestime a ansiedade do seu paciente, não faça pouco caso. Isso só aumenta a sensação de insegurança e é quase certo que o paciente não volta mais.
    • Em caso de movimentos bruscos, avise seu paciente. Tem gente que quase tem um infarto se o dentista abaixa o encosto da cadeira sem avisar. Quando se está com medo, qualquer detalhe é motivo pra mais medo. Sempre que for “apertar, puxar, empurrar”, avise!
    • Por outro lado, não fique explicando muito o que você está fazendo. Embora seja interessante que o paciente saiba o que está acontecendo, não entre em detalhes técnicos sobre osteotomias, odontosecções, sangramentos e retalhos.
    • Deixe claro para o paciente que quem dita o ritmo é ele.
    • Se você não se sente preparado (ou não tem paciência mesmo) pra atender um paciente ansioso, não atenda. Encaminhe. Vai ser melhor pra vocês dois.

    Essas são dicas práticas, muitas delas você certamente já usou / usa na sua prática diária. Mas nunca é demais relembrá-las afinal, em se tratando de medo de dentista, os detalhes fazem a diferença!

    Por fim, para aqueles que têm medo, um conselho: vá regularmente ao dentista, não só quando o dente dói. Quando o problema já está instalado nem sempre é possível garantir um atendimento sem desconforto. Quando as pessoas vão ao dentista pelo menos uma vez por ano, qualquer problema em curso pode ser detectado precocemente e interceptado, o que resulta em tratamentos muito menos invasivos e potencialmente desagradáveis. Fica a dica. 🙂

    Publicado originalmente no Blog Eu Amo Odonto


  • Bolinha na Gengiva: O Que É?

    Bolinha na Gengiva: O Que É?

    Abscesso / fístulaSe tem uma pergunta que eu ouço sempre é essa: “Doutora, tem uma bolinha na minha gengiva! Ela aparece, fica um tempo e depois some. O que é isso?” Pra saber com certeza, só indo no dentista. Mas eu imagino o que possa ser…

    Essa bolinha ou bolha nada mais é do que um jeito que o seu organismo arrumou para expulsar o pus proveniente de uma infecção, seja do seu dente, seja da sua gengiva. Não tendo por onde sair, o pus cria um “caminho” por dentro do osso chamado fístula, e a saída da fístula na gengiva é a tal bolha recorrente.

    Fístula em dente com necessidade de tratamento de canal

    Como essa infecção começou, depende. Talvez através de uma cárie que tenha atingido o canal do dente, talvez pelo acúmulo de tártaro que levou a um problema gengival. O fato é: se a causa da infecção não for removida, essa bolinha pode aparecer e sumir várias vezes, por muito tempo, sem nenhum outro sintoma. Ou você pode morrer de dor, ter febre e o seu rosto inchar, obrigando até o dentista a fazer uma drenagem do abscesso (fazer um corte para ajudar a liberar o pus).

    Se o problema tiver origem no canal do dente, o tratamento consiste em tratar o canal. Assim, as bactérias que causaram a infecção são removidas e a tal bolinha vai desaparecer de uma vez. Já se a infecção for proveniente da gengiva, será preciso eliminar as bactérias através de uma raspagem, limpando a região em volta dos dentes do tártaro que houver. Em ambos os casos, sendo necessário uso de antibióticos, eles serão prescritos pelo seu dentista. Nunca se auto-medique, pois há uma grande chance de você tomar o remédio errado e agravar o problema.

    “Ah… mas eu não sinto dor e essa bolinha não incomoda! Não dá pra deixar assim mesmo?” Não. Toda infecção no seu organismo deve ser tratada, sob pena de perder o seu dente ou de acontecer coisa pior. Nunca subestime uma infecção, mesmo que você ache que “é só um dente”. Porque tem gente que já morreu disso…


  • Medo de dentista é normal!

    Medo de dentista é normal!

    Não. Não é. Medo de dentista é COMUM.

    Nesta semana ouvi a frase-título deste post umas 3 vezes. Quero acreditar que se trata de uma inadequação na forma de expressar a ideia, que o que se queria dizer era que medo de dentista é comum. Comum é mesmo.

    Medo de dentista não é normal. É comum.

    O sentimento medo, de forma geral, é algo inerente ao ser humano. Todo mundo tem medo de alguma coisa, e certas situações que nos despertam medo são recorrentes. Por isso afirmo: medo de dentista é comum, muita gente tem. Mas, ao contrário do que se pensa, a maioria das pessoas não tem. O que se confunde por aí com medo de dentista nada mais é que uma ansiedade provocada pela situação de estar sendo examinado por um profissional de saúde, a famosa Síndrome do Jaleco Branco. Isso acontece no consultório do médico também, e é caracterizada, principalmente, pela elevação da pressão arterial.

    Por mais que a diferença entre normal e comum pareça nenhuma aos desavisados e os termos sejam usados muitas vezes como sinônimos, não são. E essa confusão linguística revela uma outra face do problema: o conformismo dos pacientes e, pasmem, dos dentistas com relação ao problema. Se é normal, combater pra quê?

    Se ter cárie é normal, pra quê evitá-la?
    Se gengivite é normal, pra quê escovar os dentes?
    Se o dente de leite vai cair, pra quê cuidar?
    Se o meu dente não está doendo, pra quê ir ao dentista?
    Se é normal velho usar dentadura, que a vida siga o seu curso!

    E essa acomodação em frente ao que se pensa ser inevitável nos transforma em espectadores pesarosos da nossa má sorte. Não fazemos nada pra mudar as coisas… afinal de contas, medo de dentista é normal. É NORMAL UMA OVA!

    Que fique claro: medo e fobia são coisas muito diferentes. Fobia de dentista, a odontofobia, é uma condição patológica (é doença) que não é comum e muito menos normal. Deve ser tratada numa ação conjunta entre dentistas, psicólogos e quaisquer outros profissionais que se façam necessários. É o seu caso? Procure ajuda.

    Não confunda conhaque de alcatrão com catraca de canhão :D. E se precisar conversar, [email protected].


  • Como Vencer o Medo de Dentista?

    Como Vencer o Medo de Dentista?

    Eu já respondi essa pergunta um montão de vezes, no Pergunte ao Dentista, no consultório…. Mas, por incrível que pareça, nunca tinha falado sobre isso de forma prática aqui no blog. Vamos lá?

    Normalmente quem faz essa pergunta sofre não só com o medo de dentista em si, mas com as consequências dele. Quem foge do dentista, seja pelo motivo que for, costuma ter problemas bucais em maior ou menor grau. E isso acontece não só porque o doutor não está por perto pra fechar os buracos, mas porque o paciente se priva do principal: orientação.

    E os transtornos não se restringem apenas ao paciente, acabam atingindo quem estiver por perto: a família, o marido, a esposa. Frequentemente recebo e-mails pedindo ajuda para enfrentar o medo de dentista, e vez ou outra a iniciativa parte de um familiar, geralmente o cônjuge. Acredite, casamentos acabam por causa disso… quem é que quer beijar uma boca em condições visivelmente precárias e que exala um odor fétido?

    A vida imita a arte?

    Por isso, acho que está mais do que na hora de dar algumas dicas práticas sobre como vencer o medo. Eu não sou especialista, aliás, que eu saiba, essa especialidade não existe. O que eu digo aqui é fruto da minha vivência clínica e do contato constante com pessoas que têm medo de dentista, experiência que o próprio blog me proporciona.

    Bom, se não existem oficialmente dentistas especialistas em odontofobia, quem você deve procurar para ajudá-lo? Em qualquer relacionamento, seja pessoal ou profissional, confiança é essencial. Se você não confia no dentista que lhe indicaram, não gostou da cara dele, da cara da secretária dele, da aparência do consultório, achou ele parecido com o Freddy Krueger… não importa o motivo: escolha outro. Lembre-se que você já tem problemas demais tendo medo, imagine só ter que se encontrar periodicamente com alguém por quem você não nutre a mínima simpatia? Não dá.

    Mas aquele amigo seu, sabendo do problema, indicou um dentista excelente, gente boa. Você tem medo de ser atendido por um dentista, mas… e de conversar com um? É exatamente isso que se faz na primeira consulta: você e o dentista irão conversar. E essa é a hora de deixar claro, sem vergonha alguma: “morro de medo de dentista”. É importante que você ressalte isso… até porque, por mais bacana que o cara seja, talvez ele não esteja preparado para atendê-lo. Nesse primeiro encontro poderá ou não ser feito um exame clínico, isso quem decide é você. Se você ainda não se sente seguro, deixe para a próxima consulta. Mas chega dessa história de ficar empurrando o problema com a barriga, hein?!

    E examinar, dói? Não dói. Deixe o dentista olhar! Não se preocupe com o que o dentista vai ver, se seus dentes estão “feios”. E não sofra pelo que você ACHA que tem. Deixe que quem entende do assunto o examine e diga do que você precisa.

    Aí vem a parte que você temia: o tratamento. O problema, nesta fase, é a expectativa da dor. Esse sentimento é muito comum nos pacientes que são de uma época em que dentes que doíam eram simplesmente arrancados, do jeito que fosse. Para quem se enquadra nessa categoria, afirmo: essa “Odontologia” não existe mais. Porém, se você nunca sofreu no dentista e mesmo assim tem medo, o recado é: pare de viver o medo dos outros. Não se deixe convencer pelo estereótipo do “dentista malvado” que a mídia insiste em reforçar, nem pelas historinhas que você ouve por aí (contadas geralmente por quem não tem o que fazer).

    O dentista examinou você, informou que procedimentos serão necessários e formulou um plano de tratamento? Agora é deixar ele trabalhar. Lembre-se: lá no começo você escolheu um profissional no qual confia. E, se houver necessidade, saiba que existem métodos específicos para o atendimento de pessoas que têm fobia de dentista: calmantes, sedação, analgesia inalatória e até anestesia geral. Pergunte para o seu dentista sobre esses métodos.

    Depois do medo vencido e do tratamento concluído vem a parte mais importante: o desenvolvimento de novos hábitos de higiene e prevenção. Se você seguir as orientações do seu dentista sobre como escovar os dentes e visitá-lo no mínimo uma vez por ano (recomendo que isso seja feito a cada 6 meses), você NUNCA MAIS vai ter razão para temer o dentista. Agora, se você prefere esperar o dente doer para procurar atendimento… sinto muito.

    Em resumo:

    1. Determinação. Se você não estiver decidido a vencer o medo não adianta nem começar a tentar. Não é fácil, mas é possível.
    2. Confiança. Escolha um dentista no qual você confie. Peça indicação de um amigo. Se não gostar de qualquer coisa, escolha outro.
    3. Conversa. Na primeira consulta, só conversa. Deixe claro que você tem pavor de dentista. Conversar não dói.
    4. Exame. Na segunda consulta, exames. Examinar também não dói.
    5. Tratamento. Você já sabe quais problemas bucais tem. Agora é hora de tratar, um por um. No seu ritmo, sem pressa.
    6. Vitória. Você venceu o medo e completou o tratamento, parabéns!
    7. Prevenção. Pra nunca mais ter medo, é só seguir as orientações do seu dentista e visitá-lo de forma periódica, “precisando” ou não.

    E se quiser conversar, [email protected]. 🙂


  • Quem Tem Medo de Dentista?

    Quem Tem Medo de Dentista?

    Acho bacana qualquer iniciativa no sentido de desmistificar o atendimento odontológico e, dessa forma, ajudar a diminuir o medo de dentista. Aliás, criei um blog só pra isso :). Assim sendo, tenho o costume de ficar atenta a qualquer referência à odontofobia, seja na Internet ou em outras mídias.

    Já há algum tempo queria dar uma olhada no livro Quem Tem Medo de Dentista? (Editora Scipione), da autora francesa Fanny Joly, com ilustrações de Jean-Noël Rochut (tradução para o português de Monica Stahel e Irami B. Silva). Aí, na semana passada, comprei um exemplar, tá aqui na minha mão. E o que eu achei?

    Ilustração: Jean-Noël Rochut

    O livro faz parte de uma coleção que reúne títulos que têm como assunto a fobia. Além do medo de dentista, aborda-se o medo de bruxa, mar, lobo, tempestade, escuro, dragão, extraterrestres, monstros e fantasmas. Ou seja, nós dentistas estamos em ótima companhia :D! Se você tem medo de ficar no escuro com a sua dentista porque ela é uma bruxa (ou um dragão) e nunca voaria durante uma tempestade num disco voador assombrado, principalmente na companhia de um lobo marinho… compre todos! 😀

    Tá, agora sério.

    A coleção promete “…ajudar as crianças a enfrentar os temores infantis e aprender a rir deles”. Bela iniciativa. Porém, no que diz respeito ao medo de dentista, não vejo como. O livro conta a história de uma menina (seu nome não é citado) que, brincando de dentista com a sua boneca, acaba enfrentando, ela mesma, uma dor de dente. Ela tenta esconder a dor da mãe, que logo percebe e consegue um horário de emergência no dentista. Aí começa o suplício… e a menina narra toda a sua trajetória até chegar no consultório do Dr. Padilha, rezando para o elevador do prédio subir bem devagarinho…

    Chegando lá, ela acha o cheiro esquisito e tem vontade de gritar ao ouvir o motorzinho na sala de espera. Quando o Dr. Padilha a chama para o atendimento, ela acha que ele tem cara de mau e quer saber porque ele se esconde atrás daquela máscara…

    Ah… e a descrição do interior do consultório! Os instrumentais sobre a mesa clínica “prontos para atacar”, uma vitrine cheia de “bocas, caveiras, queixos e dentes”… ela define o recinto como “de aparência infernal”. Agora, preste atenção no trecho:

    “Aquele homem era um carrasco, não um dentista.
    Resolvi sair sem dar na vista.
    Mas ele me pegou, e como era forte!
    Não tive jeito de fugir.
    Só rezando pra ter sorte e sair
    pelo menos com um dente na boca”.

    A cereja do bolo fica por conta da opinião do Dr. Padilha sobre o quadro clínico da menina: “Dor de dente é coisa normal!”. Normal, nobre colega, é o escambau! Dor de dente é comum, sem dúvida. Mas normal não é mesmo… é (e sempre foi) sinal de problema.

    O livro tem 29 páginas. Na penúltima e na última, nossa heroína conclui que “foi só uma dorzinha de nada” e que, assim, foram embora a dor de dente e o medo de dentista. Ou seja, em apenas 7 % do livro acontece alguma coisa boa. Há quem possa argumentar que a história é contada por uma personagem que tem medo de dentista, portanto é natural que as descrições não sejam as mais favoráveis e que até tenham sido exageradas pela imaginação “turbinada” pela fobia. Mas aí entram as ilustrações. Todas elas são bem verossímeis, realmente descrevem o que a pequena paciente vê. A única imagem que é fruto da imaginação da menina é a que ilustra este post: uma mulher amarrada na cadeira do dentista enquanto é torturada pelo maníaco do boticão, no melhor estilo Dentista do TSE…

    Enfim, a intenção pode até ter sido boa, mas a estratégia é desastrosa. Minha opinião é a de que ao ler esse livro a criança é exposta na maior parte do tempo ao estereótipo do dentista-torturador. Então, se você procura um livro excelente sobre o tema pra dar para o seu filho, compre A Boca Mágica, com texto e ilustrações de Ailton Sobral. Como investimento, nem se compara.

     

    (*) Agradecimento especial ao Fabrício, que me enviou essa imagem há muito tempo. Mas só agora eu descobri que era ilustração desse livro…


  • CQDM #07: O Cheiro do Dentista

    CQDM #07: O Cheiro do Dentista

    O medo é uma experiência que se vive com o corpo todo. Quando nos vemos frente ao agente causador do medo, as mãos tremem, o corpo transpira, o coração dispara, a garganta se fecha, a bexiga afrouxa… as pernas querem sair correndo!

    Da mesma forma, os 5 sentidos se aguçam. Ficamos em estado de alerta e associamos tudo o que nos cerca com o medo que sentimos. Ficamos “seletivos pra pior”, digamos assim… tudo o que vemos, sentimos e cheiramos nos remete ao que nos assusta.

    Cravo da Índia
    Cheiro de dentista!

    Cheiramos?

    É. Sabe quando você passa na frente da padaria e aquele cheirinho de pão entra pela frestinha do vidro do carro e o seu estômago ronca? Então… seu nariz conversa com seu cérebro que envia uma mensagem para o seu estômago preparando-o pra bóia refeição. Sabe quando você está na sala de espera do dentista e sente aquele cheiro de “sabe-se-Deus-o-quê” que os dentistas usam e as suas pernas tremem? Então… seu nariz conversa com seu cérebro, que chega à conclusão: tô ferrado. 😀

    Dentista tem cheiro de eugenol!

    Os cheiros que sentimos no consultório do dentista são muitos, mas o mais característico deles é o de eugenol… aquele cheiro de cravo. O eugenol é usado em restaurações provisórias (a famosa “massinha” que vai no dente), no forramento de restaurações definitivas (uma camada fina que fica entre o dente e a restauração propriamente dita, para proteger o nervo do dente) e como cimento obturador em tratamentos de canal. O eugenol é altamente biocompatível (não agride o organismo) e tem propriedades analgésicas (tira a dor), antissépticas (inibe a proliferação bacteriana) e balsâmicas (cheiroso e calmante). O eugenol é tudo de bom!

    Agora, de posse dessas informações, reformule os comandos que o seu cérebro dá ao resto do organismo. Repita comigo: cheiro de dentista é bom… é eugenol… só me faz bem… não preciso ter medo…. Pronto. Da próxima vez que você for ao dentista, você vai lembrar que o eugenol é seu amigo. E o dentista também. 🙂