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  • Eu tenho medo de dentista… recém-formado!

    Eu tenho medo de dentista… recém-formado!

    Quando li a entrevista do Dr. Victor no Sofá do Dentista me senti obrigada a duas coisas: primeiramente, morrer de rir :). Aí, quando consegui me recompor, tive que escrever sobre o tema. Sr. Paciente, você tem medo de ser atendido por um dentista recém-formado? E não precisa SER recém-formado, basta TER CARA. No caso do Victor, uma coisa reforçava a outra.

    É esse “doutorzinho” aí que vai me atender???

    Não preciso nem dizer isso, mas… dentista dá medo. É fato. Tanto é verdade que eu fiz um blog só pra falar disso. A gente costuma ter “o pé atrás” com qualquer profissional recém-formado. Mas do dentista… a gente já desconfia sem nem saber de quem se trata, está implícito. Portanto, como já é do meu costume, deixe-me explicar algumas coisinhas pra ver seu dá pra dissipar um pouco desse medo.

    O curso de Odontologia dura em torno de 5 anos. No primeiro e no segundo ano de faculdade o futuro dentista estuda o básico que qualquer profissional da área da saúde (dentistas, médicos, enfermeiros…) precisa saber: bioquímica, farmacologia, fisiologia, anatomia e uma série de outras disciplinas que têm como objetivo fazer o aluno entender e dominar o funcionamento do corpo humano. E, embora a área de atuação dos cirurgiões-dentistas seja a cabeça e o pescoço (os dentes são só uma parte do que nos cabe), lembro-me de ter que decorar os nomes dos músculos e ossos pertencentes ao meu pé (não só ao meu, claro, a todos os pés humanos :)). Por que isso? Porque o nosso corpo é uma coisa só, e suas partes se inter-relacionam. O medicamento que o dentista prescreve para a uma dor de dente, por exemplo, repercute no organismo todo do paciente.

    Depois começam as disciplinas mais específicas, coisa de dentista mesmo. Num primeiro momento, em âmbito laboratorial, ou seja, em modelos e manequins. Nós restauramos e tratamos os canais de dentes artificiais e, principalmente, de dentes naturais (que conseguimos fazendo romaria nos consultórios odontológicos). Depois que nos embasamos teoricamente e aprendemos as técnicas operatórias no laboratório, vem a parte que mais aguardamos: atender pacientes de verdade.

    Ah… o primeiro paciente. Não sei quem treme mais! 😀

    O que eu quero deixar claro aqui é que nós já saímos da faculdade tendo atendido muitos pacientes. Cada disciplina nos exige um número mínimo de atendimentos. Ou seja, antes de chegarmos a atender em nossos consultórios, com a plaquinha de “doutor” na porta, passamos pelo menos uns 2 anos e meio atendendo as várias especialidades odontológicas nas clínicas da Universidade.

    É interessante como funciona a cabeça do ser humano, né?! E não estou falando da sua anatomia, fisiologia, etc.. As pessoas pensam assim: “Eu não vou naquele dentista porque ele não tem experiência. Depois que ele tiver atendido um monte de gente, aí eu vou”. Ou seja: treinar nos outros tudo bem… TREINAR EM MIM, NEM PENSAR!

    Quero aproveitar a ocasião e agradecer imensamente a cada um dos pacientes que eu atendi na faculdade. Os super legais e os super chatos. Porque foi, graças a “coragem” deles, que eu pude aprender a ser dentista. Vocês sabiam que na ocasião das nossas formaturas, entre os homenageados da solenidade, estão os pacientes que atendemos durante o curso e até os cadáveres que foram nossos objetos de estudo nas aulas de anatomia? Sim. E nosso respeito e gratidão por eles é real, não faz só parte do protocolo…

    Meu recado é o seguinte: medo de dentista recém-formado é compreensível. Ao profissional novato falta, sim, experiência. Mas vivência clínica só se adquire… clinicando. Atendendo, acertando e, às vezes, errando. E é fato que não é só a experiência que faz um profissional ser bom ou ruim. Tem gente que está há anos na estrada e que não nasceu pra coisa… tem gente que não saiu da faculdade ainda e que manda muito bem! Dê um voto de confiança ao “doutorzinho”… você pode se surpreender. 🙂

    Dicas e relatos de experiências bacanas (ou não!) pra você que se formou em Odontologia há pouco:

    Recém-Formados: Montar Consultório ou Não? no Vida de Dentista

    A Dura Vida do Recém-Formado no PodCuspir

    Me Formei! E Agora? Socorro! no OdontoDivas

    Minha Nada Mole Vida… de Dentista no Camilagem

    Aconteceu Comigo: Isabelita Leal no Sofá do Dentista

    Trabalho, Valor e Confiança no OrtoBlog

    Como Montar Seu Consultório Odontológico no OdontoBLOGia

    Fazer ou Não Odontologia? no Ricardo Dentista

    Diário de um Ex-Acadêmico de Odontologia no Dicasodonto

    Formatura… e Agora? no Sorriso CASOall

    Dr. Sakana 4 – Futura Dentista no Pérolas da Odontologia

    10 Dicas Para Recém-Formados no Ortodontia Para Todos

    Depois de quase 12 anos de formada… no Te Vejo Por Dentro

     


  • Anestesia Geral no Dentista

    Anestesia Geral no Dentista

    Alexandre vai fazer cirurgia bariátrica… é, aquela que diminui o tamanho (ou pelo menos o volume) do seu estômago. Cirurgia nunca é brincadeira, ainda mais nessa modalidade… requer preparo físico e mental. Não é fácil dormir gordo e acordar… ainda gordo :). Mas sabendo que, em poucos meses, lá se vão os quilos… e o cérebro que se habitue com isso!

    Dá pra deixar pra outro dia?

    Lendo o testemunho em seu blog, um parágrafo me chamou a atenção, o qual transcrevo:

    “Agora, uma coisa é certa: se fosse algo relacionado ao dente,
    eu já estaria
    tomando calmantes e calmantes. Tenho pavor de
    dentista, meu batimento
    cardíaco aumenta só de escrever
    essa palavra e imaginar o motorzinho, que tortura!”

    Até tu, Alexandre? 🙂

    Achei interessante isso… o cara vai fazer uma cirurgia importante, com implicações sérias. Mas não tá nem aí. O que importa mesmo é que não tem nada a ver com dente… ainda bem! Por isso digo: medo é uma coisa muito pessoal mesmo, e não tem nada a ver com a razão. É mais profundo que isso, é como a cárie: é multifatorial.

    Então… por que as pessoas têm medo de dentista? Posso pensar em “n” motivos… mas motivo é como [insira seu termo engraçadinho aqui], cada um tem o seu! No caso do Alexandre, ele não explica o porquê de temer o dentista, mas esclarece a razão de estar tranquilo em relação à cirurgia que vai fazer:

    “Sou bem grandinho (e é real rsrs), mas tenho medo de dentista,
    fico tenso e com mau humor
    uma semana antes. Já para a cirurgia bariátrica
    não vejo a hora de tomar anestesia geral e apagar,
    entrar no mais profundo
    relaxamento, esquecer de tudo e deixar o Dr. Marcelo exterminar meu estômago”.

    Entendeu? No dentista, é preciso enfrentar o medo acordado. Pra fazer a cirurgia bariátrica é só “apagar” e deixar o Dr. Marcelo agir :). Isso me lembra uma pergunta que vivem me fazendo no consultório (e fora dele): “Doutora, dá pra fazer anestesia geral no dentista?”.

    Dá pra fazer anestesia geral no dentista?

    E não é que dá? Mas não é bem assim… não vamos banalizar. Primeiramente, não dá pra fazer anestesia geral em ambiente ambulatorial (consultório), tem que ser no hospital. Ainda, o cirurgião-dentista não está habilitado a aplicar anestesia geral, isso tem que ser feito por um médico anestesiologista, que deve ficar presente durante todo o atendimento, monitorando o paciente.

    Em que casos é possível usar a anestesia geral no dentista?

    Existem indicações para o uso de anestesia geral, não é pra qualquer caso nem pra qualquer paciente. Essas indicações são associadas às características dos pacientes e aos procedimentos que serão realizados. A anestesia geral em Odontologia está indicada para:

    • Pacientes com fobia de dentista (FOBIA, não medo);
    • Pacientes que não conseguem abrir a boca (trismo);
    • Pacientes que têm reações adversas aos anestésicos locais;
    • Pacientes incapacitados física e/ou mentalmente;
    • Crianças não-cooperativas;
    • Procedimentos muito invasivos ou traumatizantes (cirurgia ortognática, por exemplo) ou demorados.

    Há opções mais simples que a anestesia geral?

    Sim, as sedações. As mais usadas em Odontologia são a analgesia inalatória com óxido nitroso (que é administrada por cirurgião-dentista com habilitação para isso) e a sedação via endovenosa (que, como a anestesia geral, é aplicada por médico). Pra saber se dá pra usar e se há necessidade de qualquer um desses meios, consulte seu dentista.

    * * *

    E lembre-se: conversar não tira pedaço. Agende uma avaliação com o seu dentista e converse com ele, sem a obrigação de realizar qualquer procedimento nessa sessão. Pergunte sobre TUDO, até se sentir seguro. Garanto que você vai até esquecer da anestesia geral… 🙂

    Ao Alexandre, boa sorte! 🙂

    Com base no blog Pensando Leve


  • CQDM #06: O Dentista!

    CQDM #06: O Dentista!

    Vamos encarar: ir ao dentista assusta a maioria das pessoas. E motivos pra isso costumam não faltar, tanto que o Blog Medo de Dentista criou uma coluna só pra desmistificar as coisas que mais dão medo quando se pensa num consultório odontológico. Já falei do motorzinho, da anestesia e até da sala de espera do dentista. Mas ainda não havia tocado em um ponto crítico: o próprio dentista.

    Não quero falar da competência profissional de nenhum colega, isso é o mínimo que se espera. Acho mais oportuno ressaltar outros aspectos do atendimento de um profissional da área, aqueles detalhes que às vezes passam despercebidos mas que fazem toda a diferença.

    Das reclamações relacionadas ao profissional que mais ouvi dos pacientes que declaram ter medo de dentista a mais comum, com certeza, é a dor que “ele me fez passar”. Já falei aqui de alguns motivos que levam à experiência de dor na cadeira do dentista. E já expliquei também que o paciente tem sua parcela de culpa quando deixa as coisas chegarem a um ponto sem volta, quando a dor é inevitável. A gente não faz milagre!

    Outra queixa recorrente é a “mão pesada” de alguns dentistas. As pessoas associam a pressão e o toque firme com a dor ou a possibilidade dela. E aí, a cada movimento mais brusco, o paciente se agarra à cadeira e reza. Porém, infelizmente, alguns procedimentos odontológicos exigem realmente algum vigor, especialmente em se tratando de extrações dentárias. Acredito que o mais importante para evitar sobressaltos é avisar o paciente sobre movimentações mais enérgicas e possíveis “apertões” que ele está sujeito a levar. Eu costumo avisar até quando vou baixar o encosto da cadeira para um exame clínico, para que a vítima o paciente não se assuste.

    Há quem venha ao dentista só pra falar mal do dentista anterior. Já ouvi centenas de reclamações desdenhando do trabalho de colegas e atribuindo a esse “trabalho mal feito” todo os males da humanidade. Depois que adquirimos um pouco de experiência já sabemos discernir o que é real e o que é fantasioso. Independente da categoria em que o relato do paciente se enquadre, o importante é ouví-lo e esclarecer suas dúvidas. Em tempo: simplesmente concordar com o paciente quanto à incompetência do seu colega não o faz um dentista melhor “por comparação”. Pelo contrário. Não dá pra falar de um tratamento de outro profissional sem conhecer o caso!

    Essa eu ouço bem menos (ainda bem): “Eu fui no dentista e ele saiu falando por aí das condições precárias da minha boca”. Não posso acreditar numa coisa dessas. Muitas pessoas não vão ao dentista regularmente mais por vergonha que por medo. Sr. paciente, não precisa ter vergonha. Acredite, nosso treinamento e experiência costumam não permitir que fiquemos surpresos com o que vemos. Conversamos sim sobre casos clínicos com outros colegas, mas não me recordo de nenhum caso do qual eu tenha ficado sabendo no meio da rua. Sigilo é direito seu e dever do seu dentista.

    Empatia com o profissional. Não adianta… quando “o santo não bate”, não tem jeito. O dentista pode ser o cara mais competente do mundo, mas você não foi com a cara dele! Acontece. Quer uma dica? Troque de dentista. Para que um tratamento odontológico seja bem sucedido é preciso que dentista e paciente estejam na mesma “vibe”, encarem as coisas de forma parecida. Como em qualquer relacionamento, seja pessoal ou profissional ou no Big Brother, afinidade é essencial.

    Enfim… se eu puder dar um conselho aos colegas, é esse: humanizem a relação com seus clientes. Não vejam seus pacientes apenas como bocas cheias de dentes. Falem com eles. São pessoas com histórias de vida, problemas pessoais, medos e desconfianças. E para os pacientes: escolham um profissional em quem confiem. Exponham seus temores. O dentista não conhece você e não tem como saber suas necessidades “menos óbvias” sem uma ajudinha sua.

    Como dizia o Velho Guerreiro: “Quem não se comunica, se trumbica!”. Mas ao contrário dele, eu vim pra explicar… não pra confundir. 😀


  • CQDM #05: A Sala de Espera do Dentista

    Feche os olhos e imagine comigo: você entra no recinto. Todos os presentes fixam o olhar em você. Você procura um lugar pra se sentar. Sobre a mesa de centro, várias revistas. Você pega uma pra tentar se distrair. Em vão. Suas mãos suam. No velho relógio da parede o tempo não passa… e você até agradece por isso. Tensão. De repente um ruído agudo invade sua mente, seguido de um gemido abafado. Os sons se misturam e se repetem. Minutos depois, o silêncio. Abre-se a porta à sua frente. De lá sai alguém que você não conhece, mas, por um instante, vocês parecem ligados por uma certa empatia. Seus olhares se cruzam rapidamente. O estranho vai embora. Uma voz feminina diz o seu nome em tom de convocação. É a sua vez. E agora?

     

    A sala de espera do dentista costuma ser a antessala do inferno um lugar “pouco confortável”,  independentemente de quantos sofás fofinhos possua. É ali que você fica aguardando para ser atendido, coisa que você odeia. E a espera por algo que não gostamos costuma ser tão desprazerosa quanto o “algo”.

    Já falei aqui na coluna Coisas Que Dão Medo de vários tratamentos e instrumentos odontológicos que costumam assustar os pacientes. O motorzinho ganha fácil, seguido incansavelmente pela anestesia. Mas comecei a perceber, observando os tweets alheios, que a sala de espera do dentista é uma espécie de “materialização do medo coletivo”. O lugar onde os medos se encontram. E com direito a trilha sonora…

    É na sala de espera que os pacientes trocam informações assustadoras entre si. Aquele tratamento de canal da tia que doeu horrores, o dia em que o vizinho precisou arrancar um dente… e pode notar: a maioria das histórias aconteceram com outras pessoas. E sabe por que as histórias mais cabulosas sempre acontecem com os outros? Porque essas são as mais legais de se contar! É a “Síndrome da Lenda Urbana”. E dá pra colocar algumas “impressões pessoais” nas narrativas… fica show. 😀

    Claro que muitas pessoas já tiveram experiências ruins na cadeira do dentista. Seria hipocrisia não admitir isso. Os motivos que levam à essa incômoda verdade, não são, necessariamente, culpa exclusiva do doutor, aquele tirano. Tem gente que sente vergonha de mostrar os dentes para o dentista… e adia a consulta “pra sempre”. Tem gente que, por medo ou por algum outro motivo ($$$), foge do dentista até a coisa ficar feia… aí a chance de uma experiência ruim aumenta bastante.

    Enquanto os pacientes esperam para serem atendidos, normalmente são “agraciados” com os sons que vêm de dentro do consultório. A alta-rotação, um gemido, uma criança chorando. Isso colabora fortemente para o medo coletivo, pois a imaginação tem asas…. Nessas horas, o que nos vêm à mente são as imagens que a mídia nos oferece o tempo todo: torturas no melhor estilo Jogos Mortais. E elas estão na TV, na Internet, nas séries, nos filmes…

    O vídeo abaixo cai como uma luva para ilustrar a tensão transmitida pela sala de espera do dentista. Minha secretária (tão boazinha ela!) cedeu gentilmente seus direitos de imagem pra que você sinta na pele a emoção de esperar pela sua vez… 🙂


    Ideia roubada do Ortoblog (valeu, Leo e Neto!) 🙂
     
    Se o medo de dentista for uma realidade pra você, um conselho: quando for ao consultório odontológico leve consigo apenas o seu próprio medo, não o dos outros. Já é mais do que suficiente :). E procure desprender-se de imagens assustadoras e experiências ruins alheias. Procure um profissional no qual você confie e construa a sua própria experiência a respeito. A chance de sucesso é grande. 🙂

  • Uma História de Natal

    Uma História de Natal

    – Filho… já está na hora de pensar em escrever a sua cartinha para o Papai Noel, não?!
    – Já escrevi, mamãe!
    – Já? E o que você pediu?
    – Segredo! Isso é entre mim e Papai Noel.

    A mãe resignou-se. Aguardaria um momento oportuno para espiar.

    Carta para o Papai Noel

    – Ok! Mas veja lá, hein?! Papai Noel não é rico!
    – Se ele não é rico, como é que compra presentes para as crianças do mundo todo?
    – Ele não compra, ele faz. Quer dizer, seus ajudantes fazem.
    – E como é que ele paga seus ajudantes?
    – Querido… hora de dormir! – disse a mãe, encurralada pela simplicidade da lógica infantil.

    Naquela mesma noite, a mãe esgueirou-se pelo quarto do pequeno, certificando-se de seu sono profundo, para bisbilhotar suas gavetas. Encontrou a cartinha. Abriu com cuidado, para não deixar pistas de sua violação. Leu:

    “Querido Papai Noel… não quero muita coisa neste ano. Apenas uma bicicleta, uma bola de futebol nova e nunca mais ter que ir ao dentista”.

    A mãe se surpreendeu. “… nunca mais ter que ir ao dentista?” Pensou, então, em aguardar o dia seguinte para tentar entender os motivos do filho. Quase não dormiu naquela noite, tentando desvendar aquele mistério. Amanheceu. Na mesa do café:

    – Bom dia, querido! Dormiu bem?
    – Dormi, mamãe!
    – Que bom… sabe filho, faz tempo que você não vai ao dentista, não é mesmo?

    Tentava ela entrar no assunto sem revelar sua indiscrição noturna.

    – É mamãe… desde aquela única cárie que eu tive. Mas o doutor cuidou tão bem de mim naquela vez… nem doeu! Limpou o meu dentinho e fechou o buraquinho! E ainda me ensinou que se eu mantiver tudo limpinho e for sempre lá pra ele olhar, nunca mais vou ter uma cárie.

    A mãe entendia menos ainda.

    – Filho… mas você não tem medo de dentista?
    – Eu??? Claro que não mamãe… de onde você tirou essa ideia?
    – Desculpe, querido… fui pegar a sua cartinha para enviar para o Papai Noel e, SEM QUERER acabei lendo. (aham)
    – Que feio, mamãe!
    – Eu sei… eu sei… mas o Papai Noel ia acabar me contando mesmo…
    – Tudo bem… não é segredo. Mas por que você acha que eu tenho medo de dentista?
    – Ué… você diz lá: “quero NUNCA MAIS ter que ir ao dentista”.

    O menino riu por dentro.

    – Não, mamãe… eu disse que “nunca mais eu quero TER QUE IR ao dentista”. Eu quero ir sem precisar mesmo. Assim, se algum dentinho estiver querendo cariar, o doutor limpa ele antes e eu não tenho que enfrentar o motorzinho!

    A mãe se calou. E ali aprendeu, de onde menos esperava, que a prevenção evita o medo, o trauma e a dor. Uma lição tão simples e verdadeira que só podia ter vindo de uma criança… 🙂

    (Ana Tokus)

    Outros blogs com espírito natalino: Netdentista | Ortoblog | OdontoBLOGia | Bruxismo | Marketing em Odontologia | Odontosites | ImplanteDentário | SorrisoCASOall | Tio Dentista | Saudálito | Te Vejo Por Dentro | Cupcakedesign


  • Vergonha do Dentista

    Vergonha do Dentista

    Medo

    Medo de dentista é, infelizmente, algo esperado. É até meio folclórico. A mídia retrata insistentemente esse medo coletivo. É como ter medo de fantasma ou de assalto, “todo mundo tem”. Mas tenho notado, observando os relatos das pessoas que procuram o blog em busca de ajuda, que existe outro sentimento muito presente na dinâmica dentista / paciente: a vergonha.

    Todos querem dentes bonitos, hálito gostoso, muitos e muitos dentes saudáveis na boca. Mas, para uma parte das pessoas, por algum motivo, em dado momento de suas vidas, alguma coisa aconteceu e impediu que esse “sonho” se realizasse. Você colega, que já tem um pouco mais de experiência, com certeza já ouviu mil explicações na hora do exame clínico:

    “Meus dentes ficaram fracos porque eu tomei muito antibiótico quando era criança”.

    “Meus pais não me levavam ao dentista. E quando levavam, era pra arrancar“.

    “Era só um buraquinho, mas o dentista desgastou quase o meu dente inteiro”.

    “Meu hálito é ruim porque eu tenho problema no estômago”.

    “Meus dentes estragaram todos porque eu não tenho dinheiro pra tratar”.

    “Eu não escovo os dentes direito porque eu trabalho demais, não tenho tempo”.

    “A limpeza que o dentista me fez não foi boa! Não durou nem 3 meses! Tá tudo sujo de novo”.

    Dá pra passar o dia reunindo as justificativas clássicas. Algumas são legítimas, outras nem tanto. Mas o que fica clara é a intenção do paciente de convencer você de que ele é uma vítima das circunstâncias. Se hoje as coisas estão como estão, é por causa do remédio… do tempo… da falta de dinheiro… da falta de orientação… do dentista.

    Embora alguns paciente tenha essa tendência de procurar por um bode expiatório, eles sabem que têm sua parcela (importante) de responsabilidade. Tanto sabem, que ficam se explicando. Ficam tentando convencer a si próprios de que, por vários motivos, as coisas iam acabar assim mesmo, afinal não tiveram uma oportunidade melhor.

    O que é que eu quero dizer com tudo isso? Que o paciente não escova os dentes e quer se isentar da culpa da sua péssima condição bucal? É uma possibilidade. Mas não é minha interpretação. Ele, na verdade, tem VERGONHA.

    Sempre falo aqui no blog de quem foge do dentista porque tem medo. Mas muitas pessoas não vão ao dentista porque têm vergonha de mostrar seus dentes. E muitos já me confessaram isso na cadeira… “Doutora, eu tava precisando vir faz tempo, mas os meus dentes estão tão feios… o que que você ia pensar de mim?”

    Eu acho que os pacientes imaginam que, quando eles saem do consultório, a gente abre uma passagem secreta na parede e desce até as catacumbas da Odontologia, lugar com cheiro de eugenol onde os dentistas se reúnem para comentar o estado lastimável das bocas dos seus pacientes. “Noooossa! A Dona Maria deve ter mastigado uma banana de dinamite achando que era chiclete… uma destruição só! E a sujeira? Juro que vi um dente no tártaro dela… aquilo nunca viu escova! Que noooooojo!”

    Senhores pacientes, tranquilizem-se. Esse lugar não existe. Sério mesmo.

    Cuidar da sua saúde bucal é a nossa profissão. Não nos cabe achar bonito ou feio, sujo ou limpo e MUITO MENOS sair por aí comentando sobre o que vimos. Podemos até dar a nossa opinião, se você perguntar. Mas nossa tarefa é trabalhar para que a sua saúde se restabeleça, seja restaurando, seja tratando um canal, seja extraindo um dente, seja fazendo uma limpeza, seja orientando você a realizar uma higiene bucal adequada. Por isso, não tenha vergonha de abrir a boca para o seu dentista. Divida com ele essa responsabilidade. Porque, quando você se nega a isso, não há explicação que cole: a culpa é SÓ sua.


  • CQDM #03: O Tratamento de Canal

    CQDM #03: O Tratamento de Canal

    Hoje no Coisas Que Dão Medo gostaria de falar sobre o temido tratamento de canal. Primeiramente, vamos esclarecer, de uma vez por todas e de forma simples, o que é “tratar um canal”. O seu dente não é maciço. Dentro dele fica a polpa, conhecida popularmente como o nervo do dente. Às vezes esse nervo fica inviável, ou seja, não pode mais ser mantido onde está porque, se ainda não morreu, vai morrer. Isso acontece por uma série de motivos, mas o mais comum é a cárie. Quando a cárie atinge a polpa (ou chega muito perto dela)… já era.

    Um dente agonizando.

    Pois bem. Aí é que chega a hora de tratar o canal. Tratar o canal de um dente (especialidade odontológica chamada endodontia) nada mais é do que:

    1. Abrir o dente (trabalho que a própria cárie provavelmente já começou);
    2. Retirar a polpa (o “nervo do dente”, ou o que sobrou dele), morta ou moribunda;
    3. Limpar o interior do dente;
    4. Preencher os canais do dente com um material que impeça a entrada e proliferação de bactérias.

    De forma BEM simples, é isso. 🙂

    Radiografia de dentes com tratamento de canal

    “Ah, mas o meu dente não está doendo! Pra que gastar uma fortuna e tratar o canal?” Às vezes o dente não dói mesmo. Bom pra você, né?! 🙂 Mas independente disso, existe uma infecção. Então, tem que tratar para preservar a saúde dos tecidos periapicais e para manter o dente na boca. Sim, se você deixá-lo lá sem tratamento poderá perdê-lo. Neste caso, aconselho, como dizia um professor meu, mandar rezar uma novena. 🙂

    “Tá, mas a amiga da prima da minha mãe fez um tratamento de canal e quase morreu de tanta dor!“ Já falei disso por aqui. Tratar o canal do dente não é o que causa a dor… é o que faz o dente parar de doer! Quando a região está muito infeccionada / inflamada o pH (“acidez”) tecidual fica alterado… aí a anestesia não “pega” direito. Então porque esperar a coisa ficar preta? Corra no seu dentista ao primeiro sinal de dor e resolva logo isso. Neste estágio, dá pra evitar que a cárie acabe em canal. Ou, se preferir, demore bastante e saia por aí difamando dizendo que ir no dentista dói.

    Provavelmente você já ouviu por aí notícias como “dentista esquece agulha dentro do dente do paciente“. A tal “agulha” é, na verdade, uma lima endodôntica, instrumento usado para limpar o interior do dente. E não, ela não foi esquecida lá. Isso não acontece. Deixe-me explicar…

    Durante o processo de limpeza (saneamento), alargamento e modelagem de um canal, o endodontista utiliza limas endodônticas, realizando com elas movimentos de limagem, rotação, etc.. Algumas vezes a lima pode “enroscar” nas paredes do canal e quebrar. Isso é MUITO comum, e não tem a ver necessariamente com imprudência ou imperícia do dentista. Arrisco dizer que TODO dentista que faz endodontia já quebrou uma lima dentro de um dente. Eu já quebrei. Quando isso acontece, o primeiro passo é tentar tirar o pedaço lá de dentro. Às vezes é IMPOSSÍVEL, devido à posição em que está o fragmento. Aí a gente deixa lá dentro. Mesmo. Termina o canal, avisa e orienta o paciente e acompanha o caso radiograficamente.

    Em resumo: prevenção é a palavra. Se sua higiene bucal é adequada, você provavelmente não desenvolverá cáries. Se tiver uma cárie e sentir dor, vá logo ao dentista pra que você não chegue ao ponto de ter que tratar um canal. E, mesmo que não sinta dor, vá ao dentista periodicamente pra que, se houver uma cárie, ela não tenha nem chance de doer. Simples assim. 🙂

    Ah! Dente de leite também tem canal, viu?! Mesmo que você não acredite!


  • Os Dentistas Contra a Placa!

    Os Dentistas Contra a Placa!

    Bacteriana? Também… 🙂 Mas hoje eu queria falar da placa aí da foto. Tirei essa foto há uns 2 anos. A primeira coisa que pensei foi… putz. Mesmo. Foi minha primeira reação. Um misto de surpresa e de vergonha.

    Putz.

     

    Então passei por 4 dos “5 estágios da dor” 🙂 :

    1. Negação. (“Fobia? Que exagero…”)
    2. Raiva. (“Isso é frescura. Até parece… não escova os dentes e depois fica com ‘medinho’”)
    3. Negociação. (“Tá. Medo até que vai. É meio assustador mesmo.”)
    4. Depressão. (“Que tipo de dentista eu sou? As pessoas têm FOBIA de mim! Buáááá!”)
    5. Aceitação. Não. De jeito nenhum.

    Não dá pra simplesmente aceitar o medo de dentista. Eu não aceito. Por que tem tanta gente com medo de dentista? Vamos tentar entender:

    • Síndrome do Jaleco Branco (White Coat Syndrome): esta condição não se refere exclusivamente a nós cirurgiões-dentistas. Pode ser definida como o “aumento da pressão arterial motivada pelo contato com o profissional de saúde”. Ansiedade. Você não sabe o que te espera e fica ansioso.
    • A Odontologia de antigamente: em outros tempos, doeu = arrancou. Era assim que se fazia. Não adianta ficar bravo com aquele dentista, hoje velhinho, que extraiu vários dentes seus na sua adolescência. Ele só estava fazendo o trabalho dele. Não existia o conceito de prevenção, de cuidar pra não ter que tratar. E toda uma geração ficou marcada pelo medo de dentista.
    • Experiências ruins de outras pessoas: “Ah doutor, uma amiga da prima da minha mãe fez um tratamento de canal e ela quase morreu de tanta dor!” Três coisas me ocorrem ao ouvir essa declaração: a) O que doeu? O dente ou o tratamento de canal? São coisas diferentes. b) A dor não é sua! Se o dente dela doeu, doeu nela. Por que o seu tem que doer também? c) Passa pra mim o número dela que a gente precisa conversar! 🙂
    • Suas experiências ruins: um dentista te fez sofrer. Sim, isso acontece. Às vezes você passou por maus bocados sob os refletores do seu ex dentista e ficou traumatizado. Existem dois fatores a serem analisados aqui. Pode ser que o seu dentista seja um mau profissional e pode ser que você seja um mau paciente. Como assim “mau paciente”? Explico: sabe a amiga da prima da sua mãe? Então… a amiga da prima da sua mãe não foi ao dentista ANTES do dente doer (ou no comecinho da dor); ela foi quando a dor de dente já era insuportável. Tratar o canal do dente não é o que causa a dor… é o que resolve o problema! Pode ter doído durante o tratamento porque, quando a região está muito infeccionada / inflamada o pH (“acidez”) tecidual fica alterado… aí a anestesia não se instala a contento. Viu?! Tivesse ido antes…
    • Como os seus pais se relacionam / relacionavam com o dentista: que exemplo você tem / teve dos seus pais com relação às visitas ao dentista? “Se você não ficar quieto aquele tio ali vai te dar uma injeção DESTE tamanho!” [ironia] Parabéns [/ironia]. Você traumatizou seu filho para o resto da vida. Sim VOCÊ, não o dentista. A partir de agora o que deveria ser rotina, e poderia ser até divertido, passa a ser punição. Talvez você tenha escutado isso dos seus pais. Por favor, não faça isso com os seus filhos. Em vez disso, introduza na vida deles o conceito da prevenção, da visita de rotina, da higiene como um hábito.

    É claro, eu estou falando de medo e ansiedade, que são coisas normais. Já a fobia é patológica, é doença, e como tal, precisa de tratamento. A clínica da placa da foto pode ajudar. Se for o seu caso, procure ajuda. Em casos extremos, a fobia pode levar até à morte. Deixo, para reflexão dos colegas, a história de Sophie Waller, uma menina que morreu de fome aos 8 anos, porque não abria a boca por fobia. De dentista.

    Veja também: Chega de Ter Medo, no Blog do Tio Dentista e Você Tem Medo de Dentista? no Vida de Dentista.