Categoria: Cirurgia

  • Bichectomia: a cirurgia que reduz as bochechas

    Bichectomia: a cirurgia que reduz as bochechas

    Já ouviu falar em bichectomia? É a “cirurgia da moda” pra quem quer o rosto mais fino e as maçãs do rosto bem marcadas.

    O que é bichectomia?

    Bichectomia é o nome popular de uma cirurgia plástica chamada lipoplastia facial. Consiste na remoção do corpo ou coxim adiposo da bochecha, as bolas de Bichat. Esses acúmulos de gordura nas bochechas inicialmente receberam o nome do anatomista francês que os descreveu pela primeira vez, em 1802, Marie François Xavier Bichat.

    Pra que servem as bolas de Bichat?

    Essa gordura nas bochechas tem várias funções. Quando ainda somos bebês, ela auxilia na sucção durante a amamentação. Já em adultos, serve como proteção de estruturas nobres da face (nervos, vasos sanguíneos, etc.). Como a bola de Bichat fica entre os músculos da bochecha, outra função importante é evitar o atrito entre esses músculos (músculo masseter e músculo bucinador).

    Qual o objetivo de remover as bolas de Bichat?

    Em princípio, estético. Algumas pessoas têm mais gordura na face e outras menos. Nas pessoas que têm mais, o formato do rosto pode ficar arredondado, e essa é uma gordura difícil de perder quando se emagrece, pois é uma das últimas a serem consumidas pelo organismo. A pessoa emagrece e continua com o rosto redondo…

    Mas nem todo mundo tem o rosto “largo” por causa das bolas de Bichat… pessoas com rostos mais retangulares, por exemplo, podem ter o músculo masseter mais desenvolvido. Nesse caso, o tratamento pode envolver a aplicação de toxina botulínica (botox), e não a bichectomia. Já a “papada” (aquela gordurinha embaixo do queixo) também pode dar um aspecto arredondado ao rosto, e aí o tratamento costuma ser a lipoaspiração. No caso de flacidez, o lifting facial pode ser considerado em conjunto com a bichectomia.

    Outra indicação dessa cirurgia é quando a bochecha invade a área dos dentes e, recorrentemente, a pessoa acaba se mordendo e se machucando. A remoção desse corpo adiposo diminui as bochechas por dentro também, e aí a pessoa não se morde mais.

    Então, não se faz bichectomia só porque o paciente quer… são necessários o diagnóstico correto e a indicação adequada.

    Angelina Jolie antes e depois da bichectomia
    Angelina Jolie antes e depois da bichectomia

    Quais as consequências dessa cirurgia na velhice?

    Você já notou que, quanto mais velhos, menos bochechudos ficamos (a não ser em pessoas que engordaram muito com a idade, claro)? Pois é. Nas crianças as bolas de Bichat são maiores, sendo que elas diminuem de tamanho conforme a idade. Há uma tendência de ficarmos com o rosto flácido com o envelhecimento, o que é normal e esperado, mas é essencial ter em mente que a remoção da gordura da face na juventude pode colaborar com esse processo no futuro. Portanto, o cirurgião deve estar atento à quantidade de gordura a ser removida e o(a) paciente tem que pensar direitinho se quer mesmo fazer uma bichectomia, pra não ter que acabar fazendo preenchimento facial quando for mais velho(a).

    Dói? Como é a recuperação?

    A cirurgia não dói, pois é feita sob anestesia local. O pós-operatório é parecido com o de uma cirurgia de extração dos sisos. Algumas pessoas sentem mais dor, outras menos, mas todo mundo sobrevive. 😉

    A bichectomia é uma cirurgia relativamente simples, feita sob anestesia local. Mas mesmo assim, ainda é uma cirurgia, e tem que ser feita com indicação e por um cirurgião que realmente domine a anatomia da região. Como em toda cirurgia, pode haver complicações, sendo as mais comuns sangramentos persistentes e infecção.

    É essencial que o cirurgião observe a íntima relação das fibras terminais do nervo facial com a região da cirurgia, pois essas terminações são responsáveis pela movimentação dos músculos bucinador e orbicular dos lábios… qualquer descuido pode ter consequências sérias, como a assimetria da face e do sorriso, além da dificuldade no selamento labial do paciente.

    Quero fazer bichectomia. Que profissional eu procuro?

    Um cirurgião-dentista ou cirurgião plástico.

    Há controvérsias sobre se dentistas podem ou não realizar cirurgias de bichectomia por causa do seguinte artigo da resolução 003/1999 do CFO e 1536/1998 do CFM, que diz:

    Art. 2°. É da competência exclusiva do médico o tratamento de neoplasias malignas, neoplasias das glândulas salivares maiores (parótida, submandibular e sublingual), o acesso pela via cervical infra-hioídea, bem como a prática de cirurgia estética, ressalvadas as estéticas funcionais do aparelho mastigatório que é de competência do cirurgião-dentista.

    Note que ao dentista é vedado fazer cirurgia puramente estética. A questão é que a lipoplastia facial é apenas mais uma cirurgia estética dentre tantas outras que o cirurgião-dentista já faz… e quanto às outras ninguém discute (exemplo: plástica gengival). A área de atuação do dentista é: limite frontal = do osso hióide até a inserção do cabelo / limite lateral = de tragus a tragus, inclusive estruturas do sistema estomatognático). A incisão da bichectomia, além de respeitar esses limites, é feita por dentro da boca, portanto faz parte da área de atuação do cirurgião-dentista.

    Isso esclarecido, o artigo garante “ressalvadas as estéticas funcionais do aparelho mastigatório”. Uma das indicações da cirurgia de bichectomia, como esclareci anteriormente, é naqueles casos em que o paciente morde a bochecha por dentro recorrentemente. Essa é uma questão estética e funcional do aparelho mastigatório, concordam?

    Outra situação que ocorre: o uso do corpo adiposo da bochecha para o fechamento de comunicações buco-sinusais (comunicação não desejada entre a boca e o seio maxilar, um “canal” que passa a ligar essas duas regiões anatômicas e que não deve existir. Isso às vezes acontece na extração de dentes superiores). Há alguma razão pra que um cirurgião-dentista não use as bolas de Bichat pra fechar uma fístula buco-antral? Não vejo nenhuma.

    Portanto, considerando as resoluções a respeito e o profundo conhecimento anatômico facial inerente à formação do cirurgião-dentista, não vejo qualquer impedimento para que dentistas realizem cirurgias de bichectomia. Claro, há quem discorde, mas enquanto isso inúmeros cirurgiões-dentistas vêm fazendo esse tipo de procedimento no Brasil todo, sem qualquer impedimento legal.

    Leia também: 

    Bichectomia: a bola da vez no Vida de Dentista

    Bichectomia – Cirurgia para reduzir as bochechas no DicasOdonto

    O Que é Bichectomia – Saiba Agora! no Ortoblog

    Antes e depois: 15 famosas que fizeram bichectomia e você nem percebeu no Blog do Dentista

    Bichectomia: O que é? Quanto custa? no Ortodontia para Todos

    Bichectomia – cirurgia plástica da bochecha no Profissão Dentista


  • Entendendo o Hemograma

    Entendendo o Hemograma

    Seu médico com certeza já pediu pra você fazer um hemograma. E seu dentista? Pois é, é bem provável que não, principalmente se você nunca precisou fazer nenhuma cirurgia odontológica mais complicada. Mas para os dentistas especialistas em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, por exemplo, é rotina.

    Não é uma dúvida assim tão comum aqui no blog, mas de vez em quando alguém me pergunta sobre as implicações dos resultados de exames de sangue nos procedimentos odontológicos. Então eu acho que vale a pena falar sobre isso.

    Entenda o hemograma
    Entenda o hemograma

    Exame de sangue e hemograma são a mesma coisa?

    Não. Exame de sangue é uma expressão genérica, que pode representar uma série de exames. No sangue existem inúmeras substâncias, e é possível pesquisar a “quantidade” de quaisquer delas em circulação: proteínas, anticorpos, potássio, cálcio, sódio, colesterol, glicose, hormônios, drogas, bactérias… e por aí vai.

    Já o hemograma avalia especificamente certas células sanguíneas, a saber: hemácias, leucócitos e plaquetas.

    É preciso estar em jejum pra fazer um hemograma?

    Não é preciso estar em jejum pra fazer um hemograma, nem deixar de comer algum tipo de alimento previamente.

    O que o hemograma avalia?

    O hemograma estuda os 3 tipos básicos de células presentes no sangue que são produzidas na medula óssea.

    • Hemácias (eritrócitos ou glóbulos vermelhos): sua função é transportar o oxigênio (principalmente) e gás carbônico aos tecidos. A contagem baixa de hemácias (eritrócitos, hemoglobina e hematócrito, analisados em conjunto) pode representar anemia, enquanto uma grande quantidade caracteriza uma policitemia (eritrocitose), o que causa o aumento da viscosidade do sangue e da chance de formação de coágulos (trombos), além de uma série de sintomas.
      .
    • Leucócitos (glóbulos brancos): são os responsáveis por defender o organismo de infecções e substâncias estranhas que possam prejudicar a nossa saúde. Então, quando a contagem de leucócitos está baixa, o organismo está desprotegido… e quando está alta, pode haver uma infecção bacteriana em curso. A leucemia, por exemplo, é o câncer nos leucócitos. Quando a contagem dessas células é muito alta (mais que 50.000 cel/mm3), pode ser por causa da doença. Já a grande diminuição de leucócitos costuma ocorrer por problemas na medula óssea.
      .
    • Plaquetas (trombócitos): são fragmentos celulares citoplasmáticos oriundos de células chamadas megacariócitos, cuja função é a formação de coágulos, participando, portanto, do processo de coagulação sanguínea. Sua diminuição ou disfunção pode levar a sangramentos por demora na coagulação, assim como seu aumento pode aumentar o risco de trombose.

    Quais os valores de referência de um hemograma?

    Primeiro é preciso deixar claro: os valores de referência são uma… referência. 🙂 Eles precisam ser interpretados pelo médico ou dentista e considerados junto a muitas outras informações pra se fechar um diagnóstico. Então não fique “neurótico” se os valores do seu hemograma estão um pouco abaixo ou um pouco acima do valor de referência, pois pode ser normal. Ainda, dependendo do laboratório que fez o exame, os valores de referência podem ser um pouco diferentes.

    Eritrograma

    É o estudo dos glóbulos vermelhos, que são as hemácias ou eritrócitos.

    CRIANÇAS

    Valores de referência no recém-nascido Valores de referência no bebê até 1 ano Valores de referência na criança
    Eritrócitos (1012/L) 4 a 5,6 4 a 4,7 4,5 a 4,7
    Hemoglobina (g/dL) 13,5 a 19,6 11 a 13 11,5 a 14,8
    Hematócrito (%) 44 a 62 36 a 44 37 a 44
    Volume corpuscular médio (fL) 77 a 101 77 a 95
    Hemoglobina corpuscular média (pg) 28 a 33

    HOMENS

    Valores de Referência
    Eritrócitos (1012/L) 4,32 a 5,52
    Hemoglobina (g/dL) 13,5 a 18
    Hematócrito (%) 40 a 50
    Volume corpuscular médio (fL) 87 a 103
    Concentração de hemoglobina corpuscular média (g/dL) 32 a 37

    MULHERES

    Valores de Referência na mulher Valores de Referência na mulher grávida
    Eritrócitos (1012/L) 3,9 a 5,03 3,9 a 5,6
    Hemoglobina (g/dL) 12 a 16 11,5 a 16
    Hematócrito (%) 35 a 45 34 a 47
    Volume corpuscular médio (fL) 87 a 103
    Concentração de hemoglobina corpuscular média (g/dL)

    Eritrócitos se refere à contagem do número de hemácias.

    Hemoglobina é uma molécula que fica dentro da hemácia e faz o transporte de oxigênio. A dosagem de hemoglobina é mais precisa na avaliação de uma anemia.

    Hematócrito é o percentual de sangue que é ocupado pelas hemácias. Um hematócrito de 40 significa que 40% do sangue é compostos por hemácias. Portanto, praticamente metade do sangue é composto por células vermelhas.

    Volume corpuscular médio mede o tamanho das hemácias. Quanto maior o valor, maiores as hemácias. Pelo tamanho das hemácias, diferenciam-se os tipos de anemia (embora existam anemias com hemácias de tamanho normal). Quando há anemia por carência de ácido fólico, por exemplo, as hemácias são grandes, e quando há anemia por falta de ferro (ferropriva) as hemácias são pequenas.

    Concentração de hemoglobina corpuscular média avalia a concentração de hemoglobina dentro da hemácia.

    Lembrando: tenha em mente que é preciso INTERPRETAR esses valores pra se fazer um diagnóstico, ok?!

    Leucograma

    É a parte do hemograma que avalia os leucócitos, conhecidos como glóbulos brancos, que são células de defesa do organismo. Existem vários tipos de leucócitos, com funções diferentes.

    HOMENS E MULHERES

    Valores de Referência
    Leucócitos (109/L) 4,5 a 11
    Neutrófilos (%) 40 a 80
    Eosinófilos (%) 0 a 5
    Basófilos (%) 0 a 2
    Linfócitos (%) 20 a 50
    Monócitos (%) 0 a 12

    Leucócitos se refere à contagem geral dessas células.

    Até 75% dos leucócitos circulantes são neutrólifos. Eles combatem bactérias. Quando há uma infecção bacteriana, o número deles se eleva, aumentando o número de leucócitos totais. Os bastões são os neutrófilos jovens. A maior presença de células jovens é um sinal de que pode haver um processo infeccioso em curso, o que se chama comumente de “desvio à esquerda”. Quando há mais neutrófilos segmentados (maduros) do que bastões, é sinal de que não há doença ou que ela já passou.

    Eosinófilos são os leucócitos responsáveis pelo combate aos parasitas e pelo mecanismo da alergia. Portanto, pessoas alérgicas, asmáticas ou com infecção intestinal por parasitas têm o número de eosinófilos aumentado.

    Basófilos são só 0 a 2% dos glóbulos brancos. Sua elevação normalmente ocorre em processos alérgicos e estados de inflamação crônica.

    Linfócitos são o segundo tipo mais comum de glóbulos brancos. São a primeira linha de defesa nas infecções por vírus e contra o surgimento de tumores. São eles que produzem os anticorpos (proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar agentes invasores), também. Quando há uma infecção viral, o número de linfócitos aumenta.

    Monócitos são ativados tanto nas infecções por bactérias quanto por vírus. O sistema imune os envia para o local da infecção, onde eles viram macrófagos, que literalmente comem micro-organismos invasores. Os número de monócitos costuma estar aumentado no caso de infecções crônicas.

    Lembrando: tenha em mente que é preciso INTERPRETAR esses valores pra se fazer um diagnóstico, ok?!

    Plaquetas

    As plaquetas são fragmentos de células responsáveis pelo início do processo de coagulação, são elas que formam a “casquinha” da ferida que estanca o sangramento. Mas mesmo com o valor das plaquetas baixo, em cerca de 50, o organismo ainda dá conta de fazer a coagulação. Abaixo de 10, há risco de morte.

    HOMENS E MULHERES

    Valor de Referência
    Plaquetas (1019/L) 150 a 450

    O número de plaquetas precisa estar dentro de valores aceitáveis pra se fazer qualquer cirurgia (odontológica ou não), se não pode haver hemorragia.

    * * *

    Espero que esse resumo ajude a desmistificar o hemograma. Caso você tenha dúvida quanto às unidades, pode usar esse conversor, basta escolher as unidades adequadas pra conversão (talvez as usadas aqui não sejam as mesmas do seu hemograma).

    Deixo claro que perguntas do tipo “Dra., o que eu tenho?” baseadas em valores encontrados em hemogramas não serão respondidas aqui, ok?! Se você fez um hemograma, é porque seu médico ou dentista pediu… então converse com ele(s) sobre os resultados. 


  • Piercing na boca: será uma boa ideia?

    Piercing na boca: será uma boa ideia?

    Piercing é uma palavra em inglês que significa “perfuração”. Ela é usada, também, pra dar nome à moda de se colocar uma joia ou uma peça decorativa em metal, por perfuração, em certas partes do corpo como língua, nariz ou umbigo. Taí um assunto sobre o qual perguntam muito e do qual eu nunca tinha falado aqui no blog.

    Será uma boa ideia?

    Do ponto de vista estético, até acho legal! Mas do ponto de vista da saúde… tenho lá minhas dúvidas.

    Por quê? Vou dar um exemplo. Tem um artigo (*) em que os autores avaliaram, através de questionários, 63 pessoas que usavam piercings (quaisquer) na cidade de São Francisco (EUA). A ideia era determinar quais os tipos mais comuns e os problemas associados. Dos 63 indivíduos, 51 tinham piercing lingual, sendo a linha média anterior da língua o local mais comum.

    Em 13 indivíduos houve o relato de fraturas dentárias e em 4 houve presença de trauma gengival associado ao uso do piecing lingual. Oito pessoas apresentaram aumento do fluxo salivar e, em 2 casos, houve o desenvolvimento de infecção. A presença de piercing labial foi relatada em 24 casos, sendo que em 10 ele estava localizado no centro do lábio e em 14 em pelo menos um dos lados da boca. Dos piercings labiais, nenhum apresentou dano aos dentes, mas em 3 casos houve trauma gengival. Também em relação ao piercing labial, em nenhum caso houve presença de infecção, mas em 3 casos ocorreu aumento de fluxo salivar. Em alguns casos, foram relatadas perdas de dentes e ocorrência de hiperplasia inflamatória (crescimento de tecido) na língua.

    Como vocês podem ver, o uso de piercing tem suas consequências.

    Possíveis consequências do uso de piercing bucal

    Isso de forma geral, considerando lábios, língua, freios, etc., desde a colocação do piercing até em longo prazo:

    • Dor / inflamação;
    • Sangramento persistente / prolongado;
    • Perda de sensibilidade na região perfurada;
    • Obstrução das vias aéreas pela aspiração do piercing ou pelo inchaço pós-colocação;  (acontece!)
    • Trincas ou fraturas  dentárias;
    • Machucados e lesões na gengiva;
    • Movimentações dentárias indesejadas, aparecimento de espaços entre os dentes, etc.;
    • Recessões gengivais;
    • Interferência na mastigação ou deglutição;
    • Formação de cicatrizes;
    • Ocorrência de alergia ao metal;
    • Interferência na fala / dicção;
    • Aumento da salivação;
    • Perda de paladar;
    • Infecção local.
    Piercing na boca
    Piercing na boca causando recessões gengivais

    Algumas dicas úteis

    • Não faça piercing do pescoço pra cima. 😀
    • Mas se for fazer, procure um profissional qualificado, um body piercer que tenha conhecimento de anatomia e de técnicas de enfermagem. É o mínimo.
    • Faça uma excelente higienização! Remova o piercing de vez em quando pra limpar bem, pois há o acúmulo de resíduos.
    • Durante o período de cicatrização, que leva de 4 a 6 semanas, evite contato com fluídos corporais (beijar, fazer sexo oral, etc.).

    * * *

    Em resumo, o recado é o seguinte: se você for maior de idade e quiser ter um piercing, ninguém pode impedir você. Apenas esteja ciente de que sua decisão terá consequências, e eu espero que as mais brandas. Mas em se tratando de piercing de lábio, de língua e em outras partes da boca, não dá pra garantir isso.

    Pesquisas recentes indicam que a grande maioria dos portadores de piercing relata algum tipo de complicação, em menor ou maior grau. Porém, apenas 7% deles procura atendimento. Não faça parte das estatísticas… quando se acontecer, procure um dentista ou um médico. 😉

    Assista:

    Leia também: OdontoDiva Explica #2: Piercing na Língua (dicas de uma dentista que já teve piercing na língua… e passa bem). 😀

    (*) SCULLY, C.; CHEN, M. Tongue piercing (oral body art). Br J Oral Maxillofac Surg, London, v.32, n.1, p.37-38, Jan. 1994.

  • Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um denteUma pergunta que sempre me fazem e que eu vivo respondendo. Acho que vale escrever um post só sobre isso. 🙂

    Não custa nada relembrar as principais orientações pós-operatórias:

    1. Não fazer esforço físico.
    2. Não ingerir alimentos consistentes ou duros.
    3. Não ingerir alimentos e bebidas quentes. Prefira os mornos e frios.
    4. Não fumar.
    5. Não ingerir bebidas alcoólicas.
    6. Não fazer bochechos (a não ser quando indicado por seu dentista) ou cuspir.
    7. Higienizar o local.
    8. Tomar a medicação que seu dentista prescreveu, pelo tempo indicado por ele.
    9. Comparecer para remover os pontos.

    O local da extração consiste basicamente num “buraco” (uma loja óssea chamada alvéolo) protegido pelos pontos que o dentista deu na gengiva. Sim, é normal que fique esse ‘buraco”, porque a gengiva, nesse caso, cicatriza de uma forma diferente da nossa pele, um processo que se chama cicatrização por segunda intenção, ou seja, as bordas da ferida não se juntam, a cicatrização se dá “de dentro pra fora”. Então os pontos que o dentista dá (quando não há cortes, claro) servem mais pra formar uma rede de proteção, e não pra fechar o “buraco”, ok?!

    Dito isso, vamos falar da higienização.

    Pode escovar diretamente o local?

    Não. Considere que no local da extração há uma ferida, e feridas não devem ser escovadas. Quando há uma ferida na sua pele, você não mete uma escova nela, certo?! O mesmo princípio vale para a gengiva em cicatrização após uma extração dentária. Escove todos os dentes normalmente, mas o local da cirurgia, não. Até porque provavelmente você não vai conseguir, já que vai doer. Escovar a ferida, além de machucar, fazer doer e provocar sagramentos, pode soltar os pontos. Cuidado.

    Pode fazer bochechos?

    Sim, mas nunca nos primeiros 3 dias após a extração. Isso porque logo que o dente é removido se forma uma tecido inicial de cicatrização dentro do “buraco” onde o dente estava, chamado coágulo. Ele geralmente parece uma gengiva mole e mais escura. Fazer bochechos nessa fase pode remover o coágulo, o que causará sangramento e até pode levar a uma alveolite. Mesmo passados os 3 dias iniciais, evite bochechos muito vigorosos. Vá com calma.

    Então, como limpar o local da extração de um dente?

    Essa não costuma ser uma tarefa muito fácil, principalmente porque não é incomum que a pessoa não consiga abrir a boca direito nos primeiros dias após a extração, uma condição chamada trismo, que é um sintoma comum após a extração dos sisos, por exemplo. Nesse caso, um enxaguante bucal pode ser muito útil, desde que – como já mencionado – não se façam bochechos vigorosos pra não remover o coágulo.

    Algo que pode ajudar bastante é usar uma seringa (sem agulha) cheia de água limpa, enxaguante bucal ou soro fisiológico pra lavar o local da extração. Da mesma forma que ocorre com o enxaguante, evite fazer isso nos 3 primeiros dias do pós-operatório. Essa estratégia ajuda a remover resíduos alimentares maiores como grãos de arroz, etc..

    Outra dica é usar um cotonete umedecido pra limpar os pontos superficialmente, já que sobre eles às vezes se forma uma camada esbranquiçada de resíduos. Essa camada pode e deve ser removida, mas não introduza o cotonete no “buraco” ou em qualquer reentrância, ok?! A limpeza é apenas superficial. É muito comum que a pessoa queira enfiar o cotonete dentro do alvéolo, mas isso não ajuda em nada e ainda atrapalha.

    Por último: é praticamente impossível que você consiga manter totalmente limpo o local da extração o tempo todo. Abrir a boca dói, mexer no local dói, higienizar dói. Então não fique muito neurótico, apenas procure fazer uma boa limpeza superficial após cada refeição e seguir as recomendações pós-operatórias do seu dentista. Mesmo que a cor da gengiva pareça estranha, haja inchaço, o seu hálito esteja péssimo e um líquido transparente e com gosto ruim saia do local, não significa que você tem uma infecção. Esses sintomas são comuns e inerentes ao processo inflamatório, que está presente em qualquer cicatrização.

    Mas caso realmente você ache que tem alguma coisa errada (muita dor, sangramento, pus, febre, etc..), não hesite em entrar em contato com o seu dentista. É atribuição dele orientar você depois da extração, também.

    Fico aqui torcendo pra que você tenha uma boa recuperação. 🙂


  • É possível extrair os 4 sisos de uma vez?

    É possível extrair os 4 sisos de uma vez?

    Sim. Mas vamos por partes.

    A extração de terceiros molares (os sisos) não difere muito da extração de qualquer outro dente, a não ser pelo fato de que, muitas vezes, eles estão inclusos (dentro da gengiva) e/ou impactados (tem outro dente no caminho impedindo que eles nasçam ou eles estão mal posicionados dentro da gengiva). Embora muita gente ache que a remoção desses dentes é obrigatória, ela não é. Mas quando é, começam as dúvidas: dói extrair os sisos? Se eu não extrair eles vão entortar meus outros dentes? O pós-operatório é muito dolorido? Essas perguntas eu já respondi aqui no blog, basta clicar nos links.

    Aí você foi ao dentista, fez uma avaliação e ele confirmou: é preciso extrair os 4. Sim, como já esclarecido, é possível remover os 4 numa mesma sessão… em tese. Digo “em tese” porque cada caso é um caso, se for possível no seu caso, seu dentista irá confirmar.

    4 sisos
    Melhor 4 terceiros molares na mão do que 2 com pericoronarite! (*)

    Ok, seu dentista disse que, no seu caso, é possível tirar os 4 sisos de uma só vez. Só que você não quer isso, seja porque está com medo, porque não tem dinheiro ou porque não vê necessidade de ter pressa. É obrigatório? Não. Dá pra extrair só 1, 2 de cada lado ou todos de uma vez só. E qual a melhor estratégia? Depende.

    São vários os fatores que o seu dentista / cirurgião buco-maxilo-facial leva em conta pra decidir se dá ou não pra fazer várias extrações numa mesma sessão. É preciso considerar, principalmente, a complexidade do procedimento. Se os seus 4 dentes do siso já nasceram, provavelmente a remoção de todos de uma só vez será relativamente simples. Se você tem dentes inclusos, a tendência é que seja um pouco mais complicado, então talvez seja melhor extrair 2 de cada vez. Se esses dentes inclusos estiverem muito próximos a regiões nobres, como vasos sanguíneos e nervos importantes, talvez seja mais prudente fazer uma extração de cada vez.

    Mas essas são decisões técnicas, que só o seu dentista é capaz de tomar. Eu acho que o fator mais importante do ponto de vista do paciente é como será o pós-operatório. Os sintomas mais comuns após a extração dos sisos são: edema (rosto inchado), dor local e nas estruturas próximas (ouvido, garganta e articulação da mandíbula) e trismo (dificuldade de abrir a boca), além da possibilidade de complicações pós-cirúrgicas como parestesia (ausência de sensibilidade em lábio inferior, bochecha e língua, geralmente temporária) e alveolite (infecção). Cada extração contempla esses sintomas e complicações… imagine assumir esses riscos “vezes 4” e de uma vez só?

    Eu, particularmente, sempre sugiro aos meus pacientes que sejam feitas 2 extrações por vez, e por uma razão bem simples: removendo 2 dentes do mesmo lado, sobra o outro lado pra mastigar! Depois de mais ou menos 1 semana, quando os pontos dessas extrações forem removidos (e não havendo nenhuma complicação, claro), já é possível fazer as outras 2 cirurgias.

    O vídeo abaixo  (que legendei em português pra vocês… obrigado, de nada 😀 ) é muito didático e explica 1. como se dá a decisão pela extração dos sisos (que costuma partir do clínico-geral ou do ortodontista), 2. o procedimento em si (que em princípio pode ser executado por qualquer dentista, embora dê-se preferência ao dentista especialista em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial) e 3. o pós-operatório. Ainda, enfatiza o benefício e a facilidade de higienização que a ausência desses dentes proporciona. Assistam!

    Notem que o vídeo explica que o dente talvez precise ser cortado em 2 ou mais pedaços. Uma das maiores bobagens que eu escutei nos últimos tempos sobre remoções cirúrgicas de terceiros molares é que “dentista bom é aquele que tira o dente inteiro”. Essa afirmação, vinda de uma reportagem que vi na TV e que foi feita por um leigo, não procede. Em muitos casos simplesmente é impossível remover o dente sem seccioná-lo, e essa manobra visa justamente facilitar a extração e manter o máximo de osso no local da cirurgia (o que é altamente desejável).

    Quer saber se você precisa extrair nenhum, 1, 2, 3 ou os 4 sisos? Procure um dentista e faça uma avaliação!

    (*) Ah, os sisos que você vê na foto, lá em cima, são os meus. 😉


  • Lábio Fissurado e Fenda Palatina: Causas e Tratamento

    Lábio Fissurado e Fenda Palatina: Causas e Tratamento

    Você já deve ter ouvido os termos lábio físsurado e fenda palatina.  Esses são termos que se referem a um problema conhecido popularmente como lábio leporino, e todo mundo conhece ou tem na família alguém que tenha nascido com essa condição (eu tenho uma prima). O lábio fissurado e a fenda palatina podem ocorrer em um ou nos dois lados da boca. O bebê pode ter só o lábio fissurado, só a fenda palatina ou ambos.

    Tipos de fissuras labiopalatais
    Tipos de fissuras labiopalatais

    O que causa o lábio fissurado / a fenda palatina?

    Entre a quarta e décima semanas de gestação é que se dá, no embrião, o fechamento do lábio e do céu da boca. Às vezes ocorre um defeito nesse processo, que parece ter origem numa combinação de fatores genéticos e ambientais (doenças maternas, uso de remédios, desnutrição), e a criança nasce com a região aberta, comunicando as cavidades bucal e nasal. Ou seja: os ossos e a gengiva não se fecham como deveriam.

    Quando há um caso de lábio fissurado e/ou fenda palatina na família, o risco de que outros bebês nasçam com o mesmo problema aumenta até 4%.

    Dá pra evitar?

    Pesquisas têm sido feitas no sentido de descobrir uma forma de evitar e/ou diminuir a possibilidade de ocorrência do lábio fissurado e da fenda palatina. O que se sabe até o momento é que mulheres que tomam ácido fólico 3 meses antes da concepção e durante os dois primeiros meses de gestação têm menor chance de terem um filho com esta anomalia.

    Com que frequência ocorrem esses problemas?

    No Brasil estima-se que 1 em cada 650 crianças nasça com fissura labiopalatal, o que dá quase 6000 casos por ano. No país todo, seriam cerca de 280.000 fissurados, entretanto não se sabe quantos já receberam tratamento.

    Que tipo de problemas o lábio fissurado e a fenda palatina causam na criança?

    Problemas estéticos, dentários, no desenvolvimento da fala, auditivos, nutricionais e infecções crônicas. Mas além dos problemas físicos, os emocionais / psicológicos e de autoestima precisam ser altamente considerados (e tratados).

    Qual é o tratamento?

    Fissura labial e fenda palatina
    Fissura labial e fenda palatina

    Essencialmente cirúrgico. A cirurgia de lábio fissurado já pode ser feita aos 3 meses de vida, enquanto a de fenda palatina entre os 12 e os 18 meses. Mas as consequências para o fissurado não são só físicas. É preciso o trabalho conjunto de uma série de profissionais: pediatra, cirurgião bucomaxilofacial (que é dentista, viu?! ;)), cirurgião plástico, cirurgião-dentista, otorrinolaringologista, fonoaudiólogo e psicólogo.

    Operação SorrisoMas o atendimento público em saúde no Brasil não dá conta da demanda e o tratamento particular fica caro, não fica? Pois é. Mas felizmente existe a Operação Sorriso, uma ONG que atua desde 1982, através de profissionais voluntários, oferecendo cirurgias gratuitas para crianças em mais de 60 países, devolvendo a elas o sorriso e a esperança de um futuro melhor.

    Visite o site deles, siga no Twitter e curta no Facebook! Mesmo que você não precise deles, ajude como puder… nem que seja divulgando.


  • O que é cirurgia ortognática?

    O que é cirurgia ortognática?

    Cirurgia ortognática

    Uma situação comum e que talvez até tenha acontecido com você: numa avaliação no ortodontista, ele revela que seu problema não se resolve apenas com aparelho ortodôntico. É preciso cirurgia.

    Como assim cirurgia?

    Pois é. Nem sempre ter os dentes tortos é apenas uma questão dentária… muitas vezes o problema envolve também as bases ósseas, ou seja, a posição em que se encontram os ossos onde estão inseridos os dentes: maxilas (a parte de cima) e mandíbula (a parte de baixo).

    Dá-se o nome de cirurgia ortognática à correção cirúrgica do posicionamento dos ossos da face. A ideia é restabelecer um padrão facial normal, ou seja, fazer com que o rosto, como um todo, apresente um perfil mais harmônico.

    Quando está indicada a cirurgia ortognática?

    Um exemplo: muita gente acha que tem os dentes “muito pra frente”. A conclusão lógica é que seria preciso usar aparelho para “puxar” os dentes para trás. Porém, pode ser que os dentes não estejam projetados, mas toda a base óssea esteja posicionada mais pra frente. Nesse caso, apenas “puxar” os dentes para trás não vai resolver o problema. Outra possibilidade dentro do mesmo exemplo: os dentes não estão projetados e a base óssea não está pra frente, mas mesmo assim os dentes de cima estão muito à frente dos de baixo. Aí, o problema pode ser outro: a mandíbula (queixo) é que pode estar muito para trás!

    Dessa forma, a cirurgia ortognática está indicada para pacientes adultos que tenham deficiência ou excesso de crescimento ósseo de maxilas e/ou mandíbula.

    Crianças e adolescentes podem / precisam fazer cirurgia ortognática?

    Quando se detecta precocemente que o crescimento dos ossos da face está fora do padrão, geralmente é possível corrigir sem a necessidade de cirurgia até mais ou menos os 16 anos de idade, ou seja, a parte final da fase de crescimento. Quanto mais cedo o ortodontista intervir, melhor. Na fase do crescimento é possível, com o uso de aparelhos ortopédicos (máscara facial, aparelho de protração mandibular, etc.), direcionar melhor o crescimento dos ossos da face, de forma a adequar as bases ósseas. Não que isso garanta que a criança / adolescente não tenha que usar aparelho no futuro, mas provavelmente vai evitar a cirurgia ortognática e diminuir o tempo de tratamento com o aparelho fixo. Portanto, leve seu filho ao ortodontista / odontopediatra ainda na infância pra avaliar!

    Como saber se você precisa de cirurgia ortognática?

    É necessário fazer uma avaliação com um ortodontista e/ou cirurgião bucomaxilofacial. O dentista irá encaminhar você pra uma série de exames, que incluem radiografias e análise cefalométrica, que consiste em se fazer medições dos ossos da face e do crânio de forma a determinar a relação entre eles. O profissional mais experiente é capaz de detectar a necessidade de cirurgia mesmo sem esses exames, pela análise do perfil do paciente, mas mesmo assim é necessário realizá-los pra poder planejar o tratamento de forma adequada. Quando a pessoa tem a parte de cima pra frente chamamos de protrusão maxilar. Quando a parte de cima está mais para trás do que deveria, diz-se retrusão maxilar. Já na parte de baixo (mandíbula), usam-se os termos prognatismo e retrognatismo, respectivamente.

    Radiografia panorâmica após cirurgia ortognática
    Radiografia panorâmica após cirurgia ortognática

    Se eu fizer a cirurgia ortognática, vou precisar usar aparelho?

    É importante ressaltar: a cirurgia ortognática não substitui o tratamento ortodôntico, pelo contrário: ocorre uma ação conjunta entre duas especialidades odontológicas, a cirurgia bucomaxilofacial e a ortodontia. Geralmente a cirurgia é realizada após um tratamento prévio com aparelho, que deve continuar por algum tempo depois da intervenção do cirurgião.

    A cirurgia ortognática é obrigatória?

    Muitos pacientes que têm indicação para cirurgia ortognática não têm coragem vontade de se submeter a esse tipo de procedimento, o que é compreensível. Dependendo do caso, quando a desarmonia dos ossos da face é leve, é possível realizar um tratamento ortodôntico compensatório, ou seja, o melhor possível sem cirurgia, movimentando apenas os dentes. Vai ficar perfeito? Não. Mas pode ficar muito bom e o paciente muito satisfeito com o resultado. Nos casos mais severos, o tratamento ortodôntico pode até piorar o problema… então se você tem uma desarmonia grande entre os ossos da face e não quer fazer cirurgia, talvez seja melhor nem usar aparelho, também.

    Como é feita a cirurgia ortognática?

    Assista vídeo abaixo pra entender como é feita a cirurgia ortognática:

    O vídeo mostra um caso em que a mandíbula foi colocada para frente e as maxilas foram trazidas para trás, mas nem sempre se faz as duas coisas, e pode ser ao contrário também: pode ser preciso levar a parte de cima para frente e a parte de baixo para trás. Depende do caso. Ou, ainda, talvez nem seja necessário fazer a correção em cima e embaixo, apenas em uma das bases ósseas. Quem determina isso é o ortodontista em conjunto com o cirurgião bucomaxilofacial, tendo como base os exames e a avaliação clínica do paciente.

    Outros tipos de cirurgia ortognática você vê no infográfico abaixo (clique na imagem para ampliá-la):

    Cirurgia ortognatica - infografico

    Está “desconfiado” de que precisa de uma cirurgia ortognática? Procure um dentista e faça uma avaliação!


  • É preciso MESMO extrair os dentes do siso?

    É preciso MESMO extrair os dentes do siso?

    Siso incluso / retido / impactado

    Um dos primeiros posts deste blog teve como personagem principal ele, o siso. Ou seja, já faz mais de 2 anos que eu venho falando sobre os terceiros molares e, diariamente, recebo muitas e muitas perguntas sobre o dito-cujo. A maioria dessas perguntas contempla a cirurgia em si, ou seja, se dói extrair os sisos e quais são os sintomas comuns após a extração dos sisos. Mas não é raro que alguém me pergunte se precisa extrair os próprios terceiros molares.

    Minha resposta, é claro: não sei. Não tenho como saber, e nem posso me basear em descrições do tipo “meu siso está nascendo e dói” para sentenciar um dente à extração. Não adianta: você vai ter que procurar um dentista e fazer uma avaliação.

    Aí a pessoa vai ao dentista. O siso nunca incomodou. Talvez tenha nascido, talvez nunca tenha dado o ar da graça, mas o dentista decreta: tem que extrair. O cidadão sai do consultório, entra na Internet e cai aqui no blog: “Dra., meus sisos nunca me incomodaram, fui numa consulta de rotina num dentista e ele me disse que eu TENHO que extrair os sisos porque senão terei problemas em breve. É verdade?”

    Mesmo que o siso não incomode, ele pode ter, sim, indicação de extração. Mas uma coisa é fato: tá cheio de dentista por aí sugerindo a extração dos sisos de forma rotineira e sem considerar a relação custo-benefício para o paciente. Tanto é que as pessoas, de forma geral, costumam achar de que todo dente do siso precisa ser extraído mais dia, menos dia… que é algo inevitável. E isso não é verdade. Terceiros molares totalmente irrompidos e bem posicionados, por exemplo, não precisam ser extraídos.

    Ok. Mas então, quais são os principais motivos (oficiais) que justificam a extração de um dente do siso?

    1. Dentes inclusos e/ou impactados: dentes que não nasceram e, considerando seus posicionamentos intra-ósseos, nunca vão nascer.
    2. “Pressão” do dente do siso contra o dente à sua frente, ameaçando a permanência do segundo molar na boca.
    3. Pericoronarite recorrente: a gengiva que cobre o siso vive inflamando.
    4. Dificuldade de higienização: predispõe à pericoronarite e leva, muitas vezes, esses dentes a desenvolverem cáries também.
    5. Motivos ortodônticos (outra controvérsia, que eu discuto em outro texto) ou protéticos

    E por aí vai.

    A grande controvérsia é, sem dúvida, o motivo número 1: os sisos inclusos. Diz a literatura que há uma certa chance de um siso retido (que não nasceu) estar associado a um cisto ou um tumor. Güven et al (2000), analisando 9994 terceiros molares inferiores retidos, encontrou 231 cistos (2,31%) e 79 tumores (sendo 0,02% deles malignos). Já para Yildirim et al (2008), a ausência de sintomas dolorosos não assegura a ausência de quadros patológicos (em resumo: não é porque não dói que está tudo bem). Seu estudo verificou que dentre 120 folículos pericoronários de sisos inferiores retidos (um “saquinho” que aloja o dente em desenvolvimento dentro da gengiva), 23% apresentaram alterações, portanto esses dentes deveriam ser removidos de forma preventiva.

    Caro paciente, decifrando os dados acima pra você: um estudo disse que nem 3% dos sisos inclusos “viram” cistos e, o outro, que 23% dos dentes analisados apresentavam alterações, o que daria base para a ideia de extraí-los preventivamente. Percebem como os números são bem diferentes? Ou seja, existem vários estudos e muitas opiniões a respeito, mas nem os próprios dentistas concordam que sisos inclusos devem ser extraídos “antes de dar problema”.

    A questão que quero levantar é a seguinte: será que nós, dentistas, não deveríamos ser mais prudentes ao indicar remoções cirúrgicas de terceiros molares inclusos assintomáticos? Eu gosto sempre de me colocar no lugar do paciente… se o dente fosse meu, eu  aconselharia a extração? Diariamente recebo comentários de pessoas contando das complicações pós-operatórias que tiveram por causa de dentes inclusos que elas nem sabiam existir, inclusive parestesias permanentes. Nos EUA, por exemplo, apesar dos riscos envolvidos em qualquer procedimento cirúrgico, anualmente milhões (!) de dentes do siso saudáveis e assintomáticos são extraídos pouco antes dos jovens entrarem na faculdade, por uma questão “preventiva”. Pois é.

    Enfim, minha intenção com este texto é chamar a atenção para uma certa banalização das cirurgias odontológicas. Toda cirurgia envolve riscos, não só as neurológicas ou de peito aberto! Cada caso é um caso e deve ser analisado de forma individual, levando em conta a relação custo-benefício para o paciente. Se o siso não dói, não está infeccionado nem cariado e não ameaça outro dente, talvez um acompanhamento periódico seja suficiente. Dessa forma, evita-se o temor da cirurgia, alveolites e rostos inchados, além de certas complicações pós-cirúrgicas que podem marcar para sempre a vida do paciente.

    Vale ler também essa matéria traduzida do New York Times sobre o tema, dica do leitor Danilo Cruz.


  • Comunicação Buco-Sinusal: Sintomas e Tratamento

    Comunicação Buco-Sinusal: Sintomas e Tratamento

    A comunicação buco-sinusal é uma complicação pós-cirúrgica que pode acontecer quando a pessoa se submete à extração de um dente de cima (geralmente o segundo pré-molar, os molares ou o siso). Primeiramente, é importante entender o que esse nome metido à besta isso significa.

    Como o próprio termo sugere, a comunicação buco-sinusal é uma ligação não desejada entre a boca e o seio maxilar, um “buraco” que passa a ligar essas duas regiões anatômicas. A boca, é claro, vocês sabem onde fica ;). Já o seio maxilar é uma região “oca” que fica acima dos dentes superiores. É essa mesma região que inflama quando a gente tem sinusite. Localizou?

    Olha só como tá perto!

    Pois bem. Percebeu como as raízes dos dentes superiores estão pertinho da parte de baixo do seio maxilar? Nem todas as pessoas apresentam essa proximidade mas, quando apresentam, há uma chance de, ao dente ser extraído, uma comunicação buco-sinusal acontecer.

    Comunicação Buco-Sinusal

    Como saber se aconteceu uma comunicação buco-sinusal?

    Através de uma radiografia costuma ser possível visualizar esse tipo de problema. Outra forma bem comum, e que pode ser utilizada no momento da extração, é fazer o teste da “expiração forçada” ou manobra de Valsava. Essa manobra consiste em tampar o nariz do paciente e pedir pra ele fazer força, como se fosse assoar o nariz. Se sair ar do alvéolo (o “buraco” onde estava o dente), fica confirmada a comunicação buco-sinusal. Faça o teste aí! 🙂

    Quais os sintomais mais comuns?

    • Sinusites recorrentes
    • Ao ingerir líquidos, a bebida sair pelo nariz
    • Voz nasalisada
    • Transtornos ao engolir de líquidos e alimentos
    • Mau hálito
    • Coriza (nariz escorrendo)
    • Paladar alterado (gosto ruim na boca)
    • Nariz trancado de um lado só
    • Dor na face e dor de cabeça
    • Tosse noturna devido à drenagem do exsudato (um líquido proveniente da inflamação/infecção) para a faringe.

    Qual o tratamento?

    • Imediato: se a comunicação for notada ainda durante a extração, primeiramente o cirurgião-dentista precisa verificar se o seio maxilar está normal (se não há nenhum corpo estranho dentro dele). Sendo assim, ele fará na hora a aproximação dos bordos da mucosa para fechar o alvéolo e eliminar a comunicação, suturando como se não houvesse amanhã. 😉
    • Tardio: se a comunicação não foi percebida na hora da cirurgia, o cirurgião-dentista primeiro vai tratar qualquer possível infecção. Isso feito, será realizada uma nova cirurgia em que um retalho (pedaço) de mucosa, geralmente retirado do céu da boca, será colocado sobre a comunicação, com o objetivo de “tampá-la”.

    Uma comunicação buco-sinusal pode “se fechar” sozinha?

    Existe a possibilidade disso acontecer em até 48 horas após a cirurgia, caso a comunicação seja MUITO pequena. Mas geralmente a resolução desse tipo de problema necessita de nova intervenção cirúrgica. Um tempo atrás alguém me fez essa pergunta aqui no blog e, pela descrição que a pessoa fez do caso, eu disse que ela precisaria conversar com o seu dentista porque certamente seria preciso fazer uma nova cirurgia para fechar o “buraco”. Porém, o dentista responsável pelo caso disse ao paciente que “era preciso aguardar, porque a comunicação ia acabar se fechando sozinha”.

    Essa pessoa, é claro, retornou aqui para me dar uma mijada confrontar, dizendo que eu o “tinha assustado” e que eu “não devia generalizar dessa forma”. Minha opinião com relação ao caso dele continua a mesma, e gostaria de recomendar aqui o que recomendei a ele: se você tem uma comunicação buco-sinusal, não é a mim (ou à qualquer outra ~~pessoa da Internet~~) que você deve perguntar se vai “fechar sozinha”… pergunte ao seu dentista. Eu nunca examinei você, portanto não tenho os dados necessários para lhe dar essa informação de forma precisa.

    Quais as recomendações pós-operatórias?

    Se você fez uma cirurgia para reparar uma comunicação buco-sinusal, você não deve assoar o nariz nem realizar bochechos. A alimentação dele ser líquida e/ou pastosa.  Os pontos serão removidos depois de 1 semana, e seu dentista pedirá que você retorne periodicamente para acompanhar o caso.


  • Sintomas Comuns Após a Extração dos Sisos

    Sintomas Comuns Após a Extração dos Sisos

    Muita gente (mas MUITA mesmo) procura orientação aqui no blog por causa dos dentes do siso. Ou porque precisa extrair e quer saber se dói, ou porque já extraiu e quer saber se os sintomas apresentados durante o período pós-operatório são normais. Portanto, acho que seria bastante útil falar um pouco sobre o que acontece depois que os sisos já se foram…

    Eu acho meio inapropriado dizer que sentir dor ou ficar com a cara inchada é “normal” depois de uma cirurgia de siso (assim como dizer que medo de dentista é normal)… mas sim, certos sintomas são esperados e comuns. Mas, por uma questão didática, usarei o termo. Vamos lá então!

    Pós-operatório: Sisos

    É normal ficar com o rosto inchado após extrair os sisos?

    É, principalmente quando são os de baixo. Claro, cada organismo se comporta de forma diferente, mas a regra é mais ou menos essa: quanto mais o dentista “mexe”, maior a possibilidade de inchar. Então, se a sua cirurgia foi demorada e o dentista teve que cortar o dente e/ou remover osso para o dito cujo sair, provavelmente seu rosto está inchado agora.

    É normal ficar com o segundo molar sensível?

    Você extraiu o terceiro molar (siso) e agora o seu segundo molar está sensível… como é que pode? Pois é, pode. Isso acontece porque o segundo molar fica numa região de apoio para a extração do siso, então ele acaba tendo que suportar bastante força durante a extração e pode ficar dolorido. Mas fique tranquilo, essa sensibilidade é passageira.

    É normal o buraco onde estava o dente ficar “aberto”?

    Sim, e isso é muito mais visível nas extrações de sisos inferiores. A nossa gengiva cicatriza de forma diferente da nossa pele. Quando a gente corta o dedo, por exemplo, as bordas da ferida se unem para fechar a ferida. Já quando se extrai um dente, ocorre uma cicatrização por segunda intenção, ou seja, o alvéolo (o buraco onde o dente estava) não é fechado pelos pontos, mas se forma dentro dele um tecido de cicatrização (granulação). Por isso é tão importante não fazer bochechos nas primeiras 48 horas após a cirurgia, para não correr o risco de remover o coágulo e acabar tendo um alveolite.

    É normal eu não sentir a língua ou a bochecha dias depois da extração?

    Definitivamente, não. Essa sensação de “prolongamento” da anestesia se chama parestesia, que é uma complicação pós-operatória relativamente comum. Tem tratamento e, na maioria das vezes, é reversível. Tudo o que você precisa saber sobre parestesia está neste texto.

    É normal ter mau hálito após extrair os sisos?

    Sim, acontece. A higienização no pós-operatório é mais difícil, e muitas vezes se acumulam resíduos alimentares e placa bacteriana na região da extração e sobre os pontos. Ainda, como a tendência é da pessoa ficar mais tempo sem abrir a boca e falar, por exemplo, o ambiente fica mais “confortável” para as bactérias, principalmente as anaeróbias. E aí, o hálito fica ruim.

    É normal não conseguir abrir a boca direito após extrair os sisos?

    É, e o nome disso é trismo. O trismo ocorre por causa do inchaço e, também, por uma rigidez muscular causada pelo fato do paciente ter ficado muito tempo de boca aberta. Tende a melhorar de forma espontânea, mas muitas vezes o dentista precisa prescrever relaxantes musculares, além de recomendar fisioterapia. Alguns pacientes relatam, também, dor na articulação da mandíbula (ATM) e a ocorrência de estalidos.

    É normal sair um líquido amarelo-transparente e de gosto ruim do local da extração?

    Sim, é normal. Esse líquido é o exsudato inflamatório, ou seja, uma “aguinha” cheia de proteínas que sai dos vasos e se deposita na superfície dos tecidos. É uma consequência esperada do processo inflamatório. E só para esclarecer: a inflamação (dor, calor, vermelhidão e inchaço) da região da extração também é normal, pois é uma forma que o nosso organismo tem de se defender de uma possível infecção (essa sim, um problema). Portanto, inflamação = defesa do organismo e infecção = ataque de bactérias, ok?! E claro, não confunda o tal líquido amarelado com pus… pus é sinal de infecção.

    É normal ter dor de garganta depois de extrair um siso?

    Muitos pacientes relatam dor de garganta e dificuldade de engolir, assim como dor de cabeça e dor de ouvido (as duas últimas, geralmente, antes da extração). A garganta, os ouvidos e os meios bucal e nasal são regiões muito próximas, não é à toa que existe uma especialidade médica chamada otorrinolaringologia, o médico que cuida do ouvido/nariz/garganta. Portanto, uma inflamação ou infecção na região dos sisos pode sim causar dor de garganta.

    É normal ficar com o canto da boca machucado depois de extrair um siso, ou o meu dentista é um troglodita?

    Acontece. Considere a localização dos sisos… eles ficam lá no fundo da boca. Quando seu dentista faz uma extração, ele precisa enxergar o que está fazendo. Pra ajudar, ele usa um instrumento para afastar a bochecha, e esse afastador estica tudo! Por isso, é tão comum ficar com a comissura labial machucada… acredite, não é por falta de cuidado.

    Lembrando que as recomendações pós-operatórias que valem para qualquer extração dentária também valem para os sisos, ok?! Boa recuperação pra você e, se você achar que tem alguma coisa errada, não hesite em entrar em contato com o seu dentista! 🙂

    Resumo em vídeo: