Categoria: Cirurgia

  • Estou com alveolite. E agora?

    Estou com alveolite. E agora?

    Muito prazer. Eu sou o alvéolo.

    Alveolite é nome que se dá à infecção / inflamação do alvéolo, o “buraco” onde estava um dente que foi extraído. É só fatiarmos o termo: alveol (de alvéolo) + ite (sufixo que significa “inflamação”). Outro nome ainda mais metido que esse é osteíte pós-operatória. Existem 2 tipos de alveolite, a seca e a purulenta (ou úmida). Mas antes de falar deles, deixe-me explicar rapidamente o que é um coágulo e pra que ele serve.

    Lembra quando você era criança e vivia de joelho ralado? Quando a gente corta ou esfola nossa pele forma-se uma crosta sobre ela, a famosa “casquinha”, que é um tecido de cicatrização que visa proteger o local do ferimento. Da mesma forma, quando se extrai um dente o nosso organismo procura fechar o alvéolo para protegê-lo de possíveis infecções e, também, da entrada de resíduos alimentares. E o que fecha o alvéolo é exatamente o coágulo, que é uma massa de sangue coagulado (faz sentido) que aos poucos vai dando lugar ao tecido normal da região. O coágulo só não é uma “casquinha” porque o ambiente bucal é úmido.

    Agora sim. Os tipos de alveolite são:

    Alveolite seca:

    • Aspecto: o alvéolo fica vazio, ou seja, as suas terminações nervosas ficam expostas, o que causa muita dor.
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    • Causa: é causada pela perda do coágulo. Por isso, quando o dentista diz que não é para cuspir, bochechar ou beber de canudinho depois de uma extração dentária, não é frescura nem exagero. Qualquer movimento que exija sucção (é, qualquer, inclusive esse que você está imaginando ;)) pode remover o coágulo do alvéolo e causar uma alveolite seca. Por isso, também, é importante que o dentista sempre dê pontos depois de uma extração, mesmo nas mais simples. O ponto, na verdade, não serve para fechar o buraco onde o dente estava, mas para formar uma “rede” e proteger o coágulo.
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    • Tratamento: procure um dentista. Ele irá prescrever um medicamento analgésico e certamente terá que intervir, anestesiando, irrigando e aplicando no alvéolo uma substância cicatrizante e antinflamatória que sirva de barreira física e auxilie para a cicatrização.

    Alveolite purulenta:

    • Aspecto: o alvéolo se apresenta cheio de pus. O paciente apresenta mau hálito.
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    • Causa: a infecção do alvéolo. Geralmente a alveolite purulenta ocorre depois da alveolite seca.
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    • Tratamento: procure um dentista. Será preciso tomar um antibiótico além do analgésico, ambos específicos e prescritos pelo dentista. Será também preciso intervir, anestesiando, irrigando e fazendo uma curetagem.

    Ou seja: nos 2 casos é OBRIGATÓRIO procurar seu dentista para tratar, remédio não é suficiente. E, para prevenir (o que dói bem menos ;)), siga à risca as orientações do seu dentista, mesmo que elas pareçam bobas. Pessoas que fumam e mulheres que usam contraceptivos orais (pílula) têm mais chances de desenvolverem alveolite.


  • Enxerto Ósseo em Odontologia

    Enxerto Ósseo em Odontologia

    A função principal do osso que existe na região de maxilas (dentes de cima) e mandíbula (dentes de baixo) é manter nossos dentes em pé. Portanto, quando não há osso suficiente para desempenhar essa função, os dentes ficam moles por falta de suporte e podem estar condenados à extração (quando não caem sozinhos).

    Já expliquei aqui no blog que não é normal pessoas adultas terem dentes moles, e que quando isso acontece é resultado de uma doença chamada periodontite. Basicamente, ela é causada pelo tártaro que entra debaixo da gengiva e induz a perda de osso. Como prevenir? Força de vontade, orientação, escova de dentes e fio dental.

    Considerando que o osso alveolar serve para segurar os dentes, é esperado que, não havendo dente para segurar, o osso na região diminua. Essa é uma das consequências da perda precoce de um dente sem qualquer reabilitação protética: perda óssea. Aí chega o dia em que você resolve finalmente fazer um implante e acabar com aquele espaço vago na sua boca. Então, o dentista avalia e avisa: vai precisar de enxerto ósseo.

    Áreas doadoras mais comuns para enxerto autógeno na mandíbula

    A situação mais comum em que se requer enxerto ósseo, ou seja, colocar osso numa região em que haja falta dele é, realmente, quando se pretende instalar um implante. Os implantes, que são próteses de raízes dentárias, precisam de um mínimo de altura e espessura óssea para serem instalados. Na falta dessas condições, é preciso fazer o tal enxerto.

    O osso usado num enxerto pode ser do próprio paciente (enxerto autógeno, que é sempre melhor) ou de um doador. Quando é do próprio paciente, o osso costuma ser removido de áreas apropriadas: região do queixo (mento), ramo da mandíbula e, até, da crista ilíaca (osso da bacia). Claro que, nesse caso, a cirurgia de remoção é feita em ambiente hospitalar, por um médico (de preferência ortopedista). Mas ele pode vir também de um banco de ossos, que é a escolha no caso de haver algo que inviabilize a utilização do osso do próprio paciente, como quando a área a ser reparada é muito grande. Outra opção é o osso liofilizado (fragmentado e em matriz gelatinosa) de origem bovina.

    Geralmente o osso utilizado nos enxertos autógenos é particulado, ou seja, ele é reduzido a pequenos fragmentos. Mas se usa também enxertos em bloco, que são mais usados em mandíbula (nos dentes de baixo) e quando se precisa de espessura óssea. O osso particulado usado em enxertos age como um indutor, ou seja, ele estimula o próprio organismo a fabricar o osso necessário, enquanto o bloco, por sua vez, é parafusado na região e osteointegra por si só.

    Existe um tipo específico de enxerto ósseo que se chama levantamento de seio maxilar. Não é intenção deste post (nem interessa para o paciente) como ele é feito, mas o vídeo abaixo é tão didático que serve para ilustrar muito bem como ocorre qualquer enxerto ósseo. Veja:


    Ou assista aqui

    Não preciso nem dizer (mas vou): se você acabou de fazer um enxerto ósseo (principalmente um levantamento de seio maxilar) está totalmente proibido de fumar! A chance do enxerto dar certo, se você fumar durante o período de osteointegração (“cicatrização”), diminui drasticamente. Ainda, é importante lembrar que em caso de necessidade de enxerto ósseo, ele deve ser feito pelo menos de 6 meses antes da instalação do implante.

    Agradecimento

    Muito obrigada à Dra. Renata Tassi pela consultoria sobre as informações que você leu neste post. 🙂


  • Dente quebrado tem conserto?

    Dente quebrado tem conserto?

    Geralmente tem. Mas depende de onde e como ele quebrou. As situações mais comuns que levam um dente a quebrar são:

    • Uma batida: um acidente de carro, uma bolada no jogo de futebol, uma cabeçada do irmão mais velho, uma briga no bar, uma portada na cara.
    • Uma mordida: morder com toda vontade aquela azeitona verdinha e lembrar, da pior forma, que ela tem caroço.

    Pois é, acontece. E quando acontece, corra pro dentista… por 2 motivos: primeiro, porque o dente está quebrado, oras! Segundo, porque pode ter havido algum dano interno ao dente. Muitos dentes que estão moles por causa de uma pancada não estão apenas moles, mas com suas raízes fraturadas.

    O que determina se um dente fraturado tem conserto ou não tem, basicamente, é o quanto de tecido dentário foi comprometido. Veja:

    Fraturas dentárias
    • Pequenas e médias fraturas de coroa: quando só um pedaço da coroa do dente quebra, geralmente dá para consertar com uma restauração. Se o dente quebrado for da frente, é possível até colar novamente o pedaço que quebrou. Isso, é claro, se você levá-lo consigo ao dentista. Se dá ou se não dá, o dentista vai avaliar. Se o canal do dente tiver sido atingido, há necessidade de tratamento de canal.
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    • Grande fratura de coroa: nesse caso, quando o pedaço quebrado é muito grande, apenas uma restauração direta não vai conseguir devolver ao dente a função que ele tinha. Em se tratando de dentes da frente (anteriores), a solução costuma ser o tratamento de canal, pino (núcleo) e uma coroa completa (o que se chama popularmente de “pivô”). Em dentes de trás (posteriores), dependendo do caso, é possível fazer uma restauração indireta, que é uma pecinha feita no laboratório de prótese e cimentada no consultório pelo dentista.
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    • Fraturas de raiz: aí começa a ficar mais complicado. Quando a fratura é bem no meio da raiz, geralmente é caso para extração (*). Eu digo geralmente porque o dentista ainda pode tentar juntar os fragmentos e fazer uma esplintagem no dente atingido. Esplintar significa unir os dentes através de um fio, para mantê-los naquela posição. Há uma grande chance de ter que tratar o canal também. Como o organismo da pessoa vai reagir, depende. Pode ser que se forme um tecido duro na fratura e junte os fragmentos, pode ser que a raiz do dente comece a reabsorver (sumir)… aí é hora de pensar num implante. Mas quando a fratura é lá na pontinha da raiz, quase sempre o tratamento de canal resolve o problema.

    Enfim, um dente fraturado não está necessariamente condenado à extração, e uma pancada na boca é motivo de sobra para procurar um dentista. Isso porque você não tem como saber se aconteceu uma fratura de raiz ou algum outro dano interno, coisa que só um dentista é capaz de diagnosticar. Por isso, se o dente está quebrado ou ficou mole, procure ajuda profissional. Essa atitude pode ser a diferença entre salvar ou perder seu dente. E perder um dente custa BEM mais caro que mantê-lo.

    UPDATE em 26/10/2016: veja o protocolo atualizado de tratamento de traumatismos dentários segundo a International Association of Dental Traumatology


  • O que é melhor: tratar o canal ou arrancar o dente?

    O que é melhor: tratar o canal ou arrancar o dente?

    Pergunta de um leitor:

    “O que é melhor para um menino de 16 anos… tenho um dente em estado ruim, o que eu faço? Extraio o dente ou faço o canal… o que é melhor? Minha mãe falou que canal é ruim, pode quebrar… ela acha que o melhor é arrancar porque é o penúltimo dente de cima”.

    Essa é uma pergunta que eu ouço bastaste e, assim como a do leitor, muitas vezes ela vem associada com a opinião do pai / da mãe / do vizinho sobre o que deve ser feito.

    Geralmente, o leigo acha que o dentista sempre vai querer manter o dente porque é mais dinheiro no bolso dele… só que isso não é verdade. De forma imediata, salvar um dente parece mais caro, já que um tratamento de canal costuma custar mais do que uma extração dentária. Mas sabe o que é mais caro ainda? Um implante e uma prótese.

    Se tivessem tentado tratar o canal…

    Você até pode achar que extrair um dente significa “menos um pra dar trabalho”, mas eu acho que só se troca um problema pelo outro. Se cada dente cariado ou com necessidade de tratamento de canal for simplesmente extraído, um dia o estoque acaba, não é mesmo?! E, enquanto não acaba, o buraco só vai aumentando… faz-se o que com ele? Gente, dente serve pra mastigar! Se não há dente (ou uma prótese que o substitua), seu cardápio vai ser só sopa! Não sei você, mas eu não dispenso um bom churrasco…

    Segundo a mãe do nosso leitor, “canal é ruim porque pode quebrar”. Não é bem assim. Dentes com tratamento de canal precisaram ser abertos, perderam tecido dentário (além daquele que já tinha sido perdido para a cárie) e ficam mais frágeis A NÃO SER QUE sejam restaurados logo em seguida do tratamento de canal ser concluído. Ou seja, muitas vezes os dentes que tiveram seus canais tratados se quebram porque não foram restaurados, ficando só na massinha por longos períodos… até quebrarem.

    Enfim, não sou a dona da verdade e sei que a vida não tá fácil pra ninguém. Reconheço que muitas pessoas não têm condições de pagar por um tratamento de canal particular. Mas o serviço público e as faculdades de Odontologia estão aí pra isso. Nesses lugares é possível conseguir atendimento gratuito. Informe-se da disponibilidade desses serviços na sua cidade. Sim, provavelmente você vai demorar mais para ser atendido mas, ao contrário da fama, o tratamento não deve nada ao particular.

    Vale a pena ficar com os seus dentes, e a decisão por manter ou extrair não é apenas uma questão do que você prefere fazer, mas da indicação do seu dentista e do plano de tratamento. É mais barato ter todos os dentes DESDE QUE você aprenda a cuidar deles. Peça orientação ao seu dentista. Gastar com saúde, de forma planejada, é investimento, não prejuízo.


  • Arranquei um dente, posso…?

    Arranquei um dente, posso…?

    Depois de uma extração dentária, alguns cuidados são necessários. O básico é o seguinte:

    1. Não fazer esforço físico.
    2. Não ingerir alimentos consistentes ou duros.
    3. Não ingerir alimentos e bebidas quentes. Prefira os mornos e frios.
    4. Não fumar.
    5. Não ingerir bebidas alcoólicas.
    6. Não fazer bochechos (a não ser quando indicado por seu dentista) ou cuspir.
    7. Higienizar o local.
    8. Tomar a medicação que seu dentista prescreveu, pelo tempo indicado por ele.
    9. Comparecer para remover os pontos.

    Cumprindo à risca a listinha acima, dificilmente haverá algo com o que se preocupar. Porém, não é todo paciente que leva à sério todas essas recomendações. Alguns quesitos da lista (e suas variações) são recorrentemente ignorados. Perguntas que mais escuto por aí:

    Arranquei um dente, posso fazer sexo?

    Hoje, não. Sexo demanda esforço físico, e esforço físico deve ser evitado (item 1). Por mais que você prometa que não vai se exceder e que a “atividade” será leve, não há como garantir isso no meio da empolgação. E sexo oral? Fazer, não pode… receber, não é da minha conta 😉 . Qualquer movimento que exija o ato de sucção por sua parte é contra-indicado depois de uma extração dentária. Isso porque se forma um pequeno coágulo dentro do buraco onde o dente estava (alvéolo), com função de proteger o local e favorecer a cicatrização. Fazer bochechos, cuspir ou chupar QUALQUER COISA pode remover esse coágulo e causar sangramento.

    Proibido fazer sexo

    Sossegue o facho por uns dias, ok?!

    Arranquei um dente, posso beber?

    Não. Bebidas alcoólicas interferem e interagem com a medicação que o seu dentista prescreveu. Se você quer que os analgésicos e/ou antibióticos que você está tomando façam efeito, melhor deixar a cervejinha pra outra hora.

    Proibido beber

    Arranquei um dente, posso tomar café ou chimarrão?

    Não aconselho. Nada contra esse tipo de bebida… o problema não está na ingestão em si, mas na temperatura em que esses líquidos são consumidos, geralmente muito quentes. Prefira bebidas (não-alcoólicas) frias ou geladas.

    Arranquei um dente, posso fumar?

    Não. Nem unzinho? Não. O movimento de puxar a fumaça (assim como o de bochechar, chupar e cuspir) cria uma pressão negativa dentro da boca que prejudica a manutenção do coágulo (a “rolha” que protege o alvéolo). Também, o calor da fumaça pode potencializar o processo inflamatório. Por fim, quem fuma corre muito mais risco de desenvolver uma alveolite, que é a inflamação / infecção do alvéolo. A alveolite pode começar uns 2 dias depois da cirurgia, dói muito e dura de 1 semana a 10 dias. Vai arriscar?

    Proibido fumar

    Arranquei um dente, posso tirar os pontos sozinho?

    Não, procure o seu dentista. A consulta para remoção de sutura serve também para que o dentista avalie a cicatrização e verifique se está tudo bem com você. Também, pra ver se é preciso alguma intervenção da parte dele. E convenhamos: aquela tesoura que você usa pra cortar os pêlos do nariz não é lá um instrumento muito adequado pra isso, né?!

    Essas são as dúvidas mais comuns, mas existem muitas outras. Se a sua dúvida ainda não foi esclarecida, use os comentários pra perguntar! E lembre-se: a maioria das complicações após extrações dentárias têm a ver com excessos por parte do paciente. Portanto, siga sempre as orientações do seu cirurgião-dentista!

    Veja:


  • Dói extrair os sisos?

    Dói extrair os sisos?

    Todo mundo que tem entre 17 e 21 anos e está com a cara inchada quer saber: dói pra tirar os sisos (terceiros molares)? Resposta: não dói. “Mas como não? Fiquei sabendo que a cunhada da prima da minha avó quase morreu quando foi tirar os dela!”. Pois é… e desde quando você liga pra o quê a cunhada da prima da sua avó diz? 😉

    Melhor 4 sisos na mão do que 2 com pericoronarite!

    Primeiramente, nem todo siso precisa ser extraído. A decisão pela remoção de 1 ou mais dentes do siso depende de vários fatores. Geralmente são extraídos aqueles terceiros molares que mais atrapalham do que ajudam: os que já estão cariados e precisam de tratamento de canal para continuarem em função, aqueles que recorrentemente infeccionam a gengiva e causam uma dor danada, os que não participam da mordida e estão na boca “só de enfeite” (e pra juntar restos de comida) e os que ainda nem nasceram e, por estarem impactados, nem vão nascer.

    E como é que acontece a temida extração dos terceiros molares? Primeiramente, o dentista vai pedir que você faça uma radiografia panorâmica. Esse exame é necessário para saber qual a posição dos seus dentes, principalmente dos sisos que ainda não nasceram. Também serve pra conhecer o formato das raízes deles, já que os sisos podem apresentar anatomias diversas.

    Feitos os exames (a radiografia ou quaisquer outros que seu dentista tenha requisitado) é hora de marcar o dia do abate da cirurgia. Dá pra tirar 4 de uma vez só? Dá, mas geralmente faz-se 2 de cada vez pra judiar menos da vítima do paciente. Isso porque o parte  mais chata para o paciente costuma ser o pós-operatório, e não as extrações em si. A regra é a seguinte: quanto mais for mexido, mais chata e demorada será a recuperação. Se for preciso desgastar osso, cortar o dente em pedaços para removê-lo e etc., mais dias “de molho”.

    Durante a cirurgia o paciente está anestesiado, portanto não tem motivo nenhum pra sentir dor. E, depois das extrações, serão prescritos analgésicos e/ou anti-inflamatórios, para diminuir ao máximo o desconforto pós-operatório. Seu rosto pode inchar, ficar roxo, amarelo, verde. Mas aí já era, né?! Nessa fase o importante é seguir à risca as orientações do seu dentista, como:

    • Não faça esforço físico.
    • Coma alimentos mais pastosos e que não estejam muito quentes. Se empanturre de sorvete! 😉
    • Procure não cuspir nem fazer bochechos. Se estiver com um gosto ruim na boca, beba água. A pressão negativa que se faz dentro da boca ao cuspir pode soltar pontos e desprender o coágulo, que é uma massa vermelho-escura que fica no alvéolo, o buraco onde o dente estava. Isso pode provocar sangramento.
    • NÃO FUME. A chance de você conseguir uma bela de uma alveolite (a inflamação do alvéolo) é enorme se você teimar em fumar durante o período de recuperação. Não diga que eu não avisei…
    • Mantenha limpo o local da extração, livre de resíduos alimentares. Se não der pra usar a escova de dentes, tente com um cotonete, com cuidado.
    • Tome a medicação prescrita pelo seu dentista da forma que ele receitou e pelo tempo certo, mesmo que não esteja doendo mais. Às vezes não dói mais justamente porque você está tomando remédio.
    • No dia marcado, compareça ao consultório do seu dentista para remover os pontos. Não tente remover os pontos sozinho.

    Claro que, se você aparecer no consultório do dentista quando o siso estiver todo inflamado e doendo, uma extração de urgência provavelmente será dolorida. Isso porque a anestesia não “pega” bem em tecido inflamado. Portanto: não espere o dente inflamar… vá ao dentista antes do dente doer e eu GARANTO: vai dar tudo certo!

    “Ah, mas pra você é fácil falar que não dói… você é dentista!”. É… mas sabe de quem são os 4 sisos da foto deste post? Tá falando com a dona! Tirei os 4, 2 de cada vez, e não tenho nenhuma história assustadora pra contar… sorry! 😉


  • Terceiros Molares Inclusos

    Terceiros Molares Inclusos

    “Meus sisos não nasceram. E agora, o que fazer?”

    Talvez nada. Talvez você não tenha sisos (sortudo!) :). Isso se chama, em termos técnicos, “agenesia”, e significa que Papai do Céu foi legal com você. Não há problema nenhum em não ter 1, 2, 3 ou os 4 terceiros molares. Se eles não irromperam (nasceram) e não incomodam, só com uma radiografia é possível saber se eles existem.

    Terceiro molar semi-incluso

    Às vezes os terceiros molares não aparecem porque, por mais que haja espaço pra eles nascerem, tem um outro dente no caminho deles. Ou eles estão em posição desfavorável (deitados, por exemplo). Aí eles além de “inclusos” (dentro da base óssea e da gengiva) estão “impactados”, ou seja, existe um obstáculo que os impede de sair por conta própria.


    “Mas se meus sisos não nasceram e não me incomodam, porque tirá-los?”

    Boa pergunta. Primeiro porque há uma possibilidade de, no local em que está o dente, surgir um cisto ou um tumor, que nesse caso precisará ser removido. Talvez esse cisto até já exista, e por isso o dente não nasceu. Segundo porque o terceiro molar pode reabsorver (“fazer sumir”) a raiz e até a coroa do dente mais próximo a ele, o segundo molar. Aí você poderá ter que tirar dois dentes: o segundo e o terceiro molar. Alguns profissionais acreditam, ainda, que os terceiros molares podem empurrar os outros dentes da mandíbula para frente, o que causa apinhamentos dentários (aquela falta de espaço que deixa os dentes tortos, um meio em cima do outro). Mas isso não é consenso, nem minha opinião.

    Então, não ache que o seu dentista só está querendo ficar rico às custas dos seus sisos (ou da remoção deles).  Há motivos sim pra tirar seus terceiros molares inclusos de lá, mesmo que você não sinta dor. 🙂


  • Os Terceiros Molares e a Pericoronarite

    Os Terceiros Molares e a Pericoronarite

    Olá. Post inaugural do blog! Então vamos começar falando dele, do dente do cis… oops! Dente do siso. Mas vamos chamá-lo pelo nome “técnico”: terceiro molar.

    Os terceiros molares são os últimos dentes a irromperem (nascerem) nos arcos dentários, lá pelos 18 anos de idade. São 4 no total: 2 superiores, 2 inferiores, 2 esquerdos, 2 direitos… oh, wait… 🙂 Eles se posicionam lá no fundo, são os últimos da fila. Por serem os últimos a aparecerem e, como a boca não é coração de mãe, às vezes falta espaço pra eles. E aí é que começa o problema…

    O terceiro molar. Mas pode chamar de siso.

    Quando não há espaço pra eles irromperem, eles permanecem dentro da base óssea. Nesse caso, o paciente acaba achando que não possui os terceiros molares, mas uma simples radiografia panorâmica confirma ou não a existência deles.

    “Ok, mas meus sisos não nasceram. E agora, o que fazer?” Veja aqui.

    E quando há espaço e nenhum outro dente impede a passagem, eles irrompem. Durante o processo de irrupção, o problema mais comum que se verifica é a pericoronarite. A pericoronarite é caracterizada pela inflamação da gengiva que recobre o terceiro molar, o que leva a dor local e/ou na região de mandíbula e pescoço, além de dificuldade de abrir a boca (trismo), mastigar e engolir. Algumas vezes causa até dor na ATM (articulação temporomandibular).

    O tratamento da pericoronarite consiste na higiene adequada do local, bochecho com anti-sépticos bucais (à base de clorexidina), aplicação de água oxigenada na região (pelo cirurgião-dentista) e, para a dor, analgésicos e antiinflamatórios. Se houver infecção instalada, há ainda a necessidade de antibióticos. Lembre-se: nunca se auto-medique. Procure o seu dentista e ele sim fará o diagnóstico e prescreverá a medicação necessária. Não brinque com remédios, principalmente com antibióticos!

    Por fim, quando a infecção estiver controlada, pode-se realizar a retirada da gengiva excedente, através de uma pequena cirurgia.