Uma coisa que eu sempre notei que os pacientes confundem muito é implante e pino (ou núcleo). E são duas coisas fundamentalmente diferentes, já que um implante substitui a raiz de um dente perdido, enquanto um pino se apoia na raiz de um dente ainda viável. Ou seja: num caso tem dente, no outro não. Mas vamos por partes…
Tudo o que você precisa saber sobre implantes está no post Implantes Dentários: Um Guia. Mas não custa nada relembrar: o implante dentário é uma prótese de raiz, ou seja, um “parafuso” de titânio que é colocado no osso e, sobre ele, é instalada a prótese sobre implante, que corresponde à coroa do dente perdido. Portanto, para se instalar um implante é necessário que você não tenha o dente em questão (ou porque você o perdeu, ou porque ele não existe).
Já os núcleos metálicos fundidos e os pinos pré-fabricados são encaixados na raiz do dente. Vamos considerar que, por algum motivo, a coroa de um dente foi destruída (por uma fratura, por cárie, etc.), mas a raiz desse dente está lá bonitinha, intacta. Nesse caso, é possível tratar o canal dessa raiz e instalar nela um núcleo ou pino, e sobre eles é que vai a coroa protética. Portanto, para se instalar um núcleo ou pino é necessária uma raiz dentária viável.
Percebe como são coisas bem diferentes? Pra tirar qualquer dúvida, veja a ilustração abaixo:
A diferença entre implante e pino
Os núcleos metálicos fundidos são “pinos personalizados”, pois o canal do dente do paciente é moldado pelo dentista e o núcleo é fabricado sob medida num laboratório de prótese. São feitos de ligas metálicas, geralmente níquel-cromo. Já os pinos pré-fabricados são ajustados aos canais do dente. Podem ser feitos de vários materiais como, por exemplo, fibra de carbono e fibra de vidro.
É isso.
Acho que agora ficou claro que pinos e implantes são coisas bem diferentes. Se não ficou, pergunte! 😉
A função principal do osso que existe na região de maxilas (dentes de cima) e mandíbula (dentes de baixo) é manter nossos dentes em pé. Portanto, quando não há osso suficiente para desempenhar essa função, os dentes ficam moles por falta de suporte e podem estar condenados à extração (quando não caem sozinhos).
Já expliquei aqui no blog que não é normal pessoas adultas terem dentes moles, e que quando isso acontece é resultado de uma doença chamada periodontite. Basicamente, ela é causada pelo tártaro que entra debaixo da gengiva e induz a perda de osso. Como prevenir? Força de vontade, orientação, escova de dentes e fio dental.
Considerando que o osso alveolar serve para segurar os dentes, é esperado que, não havendo dente para segurar, o osso na região diminua. Essa é uma das consequências da perda precoce de um dente sem qualquer reabilitação protética: perda óssea. Aí chega o dia em que você resolve finalmente fazer um implante e acabar com aquele espaço vago na sua boca. Então, o dentista avalia e avisa: vai precisar de enxerto ósseo.
Áreas doadoras mais comuns para enxerto autógeno na mandíbula
A situação mais comum em que se requer enxerto ósseo, ou seja, colocar osso numa região em que haja falta dele é, realmente, quando se pretende instalar um implante. Os implantes, que são próteses de raízes dentárias, precisam de um mínimo de altura e espessura óssea para serem instalados. Na falta dessas condições, é preciso fazer o tal enxerto.
O osso usado num enxerto pode ser do próprio paciente (enxerto autógeno, que é sempre melhor) ou de um doador. Quando é do próprio paciente, o osso costuma ser removido de áreas apropriadas: região do queixo (mento), ramo da mandíbula e, até, da crista ilíaca (osso da bacia). Claro que, nesse caso, a cirurgia de remoção é feita em ambiente hospitalar, por um médico (de preferência ortopedista). Mas ele pode vir também de um banco de ossos, que é a escolha no caso de haver algo que inviabilize a utilização do osso do próprio paciente, como quando a área a ser reparada é muito grande. Outra opção é o osso liofilizado (fragmentado e em matriz gelatinosa) de origem bovina.
Geralmente o osso utilizado nos enxertos autógenos é particulado, ou seja, ele é reduzido a pequenos fragmentos. Mas se usa também enxertos em bloco, que são mais usados em mandíbula (nos dentes de baixo) e quando se precisa de espessura óssea. O osso particulado usado em enxertos age como um indutor, ou seja, ele estimula o próprio organismo a fabricar o osso necessário, enquanto o bloco, por sua vez, é parafusado na região e osteointegra por si só.
Existe um tipo específico de enxerto ósseo que se chama levantamento de seio maxilar. Não é intenção deste post (nem interessa para o paciente) como ele é feito, mas o vídeo abaixo é tão didático que serve para ilustrar muito bem como ocorre qualquer enxerto ósseo. Veja:
Não preciso nem dizer (mas vou): se você acabou de fazer um enxerto ósseo (principalmente um levantamento de seio maxilar) está totalmente proibido de fumar! A chance do enxerto dar certo, se você fumar durante o período de osteointegração (“cicatrização”), diminui drasticamente. Ainda, é importante lembrar que em caso de necessidade de enxerto ósseo, ele deve ser feito pelo menos de 6 meses antes da instalação do implante.
Se tem uma coisa que a maioria das pessoas não sabe bem definir o que seja é o implante dentário. Muita gente confunde a prótese sobre implante com o implante, acha que implante é um tipo de pivô, e por aí vai. Pra acabar com essa confusão, um guia definitivo:
O que é um implante?
Todo dente tem coroa (a parte que se vê na boca) e raiz (ou raízes). O implante nada mais é que uma prótese de raiz. Ele é uma espécie de parafuso que fica dentro do osso e serve para apoiar uma prótese. O que se vê na boca, portanto, é a prótese sobre implante e não o implante.
Isso é um implante (a parte metálica)!
Quais as partes de um implante?
O corpo do implante pode ser cônico ou cilíndrico. O ápice do implante pode ser cortante (como num parafuso mesmo) ou não-cortante. E a plataforma, que equivale à “cabeça” do implante, pode apresentar 3 formatos básicos: hexágono externo, hexágono interno e cone morse. O hexágono externo (original: sistema Brannënmark) ainda é o mais utilizado, mas o cone morse é mais estético e tem ganhado mercado.
Quem pode usar implantes?
Implantes podem ser instalados em qualquer paciente que tenha suporte ósseo suficiente, tanto em altura quanto em espessura. E se o paciente não tem o osso necessário, é possível fazer um enxerto ósseo (colocar osso onde falta). Em caso de necessidade de enxerto, ele deve ser feito 6 meses antes da instalação do implante, para que dê tempo do osso se formar na região. E quem tem implantes pode sim usar aparelho, ok?
E o corpo não rejeita os implantes?
Dificilmente. Eles são confeccionados em titânio, um metal 98% biocompatível. E quando essa rejeição (a falha da integração entre o implante e o osso) acontece, geralmente se dá em fumantes e em pacientes diabéticos não-compensados. O motivo da rejeição costuma ser a menor vascularização (disponibilidade de sangue) na região do implante, o que é comum nesses pacientes. E que fique claro: rejeição é uma coisa e perimplantite é outra! A perimplantite é parecida com a periodontite ou doença periodontal, que causa perda óssea e faz os dentes ficarem moles. A causa de ambas geralmente é a má higiene, por isso não adianta vir cheio de razão pra cima do dentista quando o implante fica mole se você não cuida dele, ok?!
Dá pra extrair o dente e já instalar o implante?
Quando o dente está condenado, o implante que irá substituí-lo até pode ser colocado no mesmo dia da extração (quando não há nenhum tipo de lesão na raiz desse dente), porém o ideal é aguardar de 2 a 3 meses para que o alvéolo (o buraco onde estava o dente) cicatrize, se forme osso novo e, só então, instalar o implante.
E a prótese sobre implante?
Enfim, chegou a hora da confecção da prótese sobre implante, que pode ser parafusada (em dentes posteriores e quando são vários) ou cimentada (em dentes anteriores, que necessitam de uma melhor estética). A prótese geralmente é colocada 6 meses depois da instalação do implante. A gengiva é reaberta e o tapa-implante (uma pecinha que fica na cabeça do implante) é substituído por um cicatrizador, que serve para dar forma à gengiva, deixando ela prontinha para receber a prótese.
Outro dentista tem como saber qual a marca do meu implante para fazer a prótese?
Radiograficamente não é possível saber nem a plataforma nem a marca do implante, apenas é possível verificar se o corpo dele é cônico ou cilíndrico. E a marca e a plataforma são as informações mais importantes para a confecção da prótese. Sabendo disso, o próprio fabricante dos implantes costuma fornecer um conjunto de etiquetas que identificam o implante e fornecem todas as informações que o dentista (qualquer dentista) precisa para confeccionar a prótese sobre implante. Uma dessas etiquetas deve ficar colada no prontuário do paciente e a outra pode e DEVE ser fornecida ao paciente. Saber qual implante está sendo instalado em você é um direito seu.
O implante é melhor mesmo?
Os implantes devolvem cerca de 95% da função mastigatória do paciente. Pra você ter uma ideia do que isso significa, uma prótese total (dentadura) e uma prótese parcial removível restabelecem 30% e 45% da eficiência na mastigação, respectivamente. Implante é QUASE dente! 😉
Mas não dá pra colocar a prótese no mesmo dia que o implante?
Dá, mas somente uma prótese provisória e em algumas situações específicas. O nome dessa técnica é carga imediata. O torque (força com que o implante é travado no osso) precisa ser de no mínimo 45N, o que nem sempre é possível. Se não for respeitada essa regra e colocada a prótese provisória mesmo assim, o implante provavelmente será perdido. Mas não se preocupe, você não precisa ficar sem dente caso não seja possível a carga imediata. É possível usar uma prótese parcial removível apoiada nos outros dentes ou até um Snap-On Smile para essa função.
Então, quando será instalada a prótese sobre implante definitiva?
A prótese sobre implante definitiva (embora nada seja definitivo em se tratando de Odontologia) poderá ser instalada depois de pelos menos 4 meses.
E dá pra usar implantes para fixar a dentadura?
Sim. A prótese total sobre implantes pode ser fixa, chamada de protocolo ou removível, que leva o nome de overdenture. A removível é mais fácil de limpar.
* * *
Essas são as principais dúvidas sobre os implantes. Se a sua dúvida (e principalmente a resposta para ela) não estiver aí em cima, utilize os comentários para perguntar!
Se tem um tipo de busca que as pessoas fazem na Internet é: qualquer coisa que venha com a palavra grátis junto. Produtos grátis, amostras grátis, serviços grátis. E dentista… onde tem dentista de graça?
Dentistas grátis
Se formos analisar seriamente, em lugar nenhum tem dentista totalmente de graça. Isso porque a atividade do dentista quase nunca é apenas intelectual (no sentido de “restrita ao intelecto”, que fique claro). A gente rala. Quando você vai ao médico, muitas vezes ele apenas conversa com você e, baseado nas suas informações, prescreve uma medicação. Ou faz um exame rápido, pergunta onde dói… (nada contra, cada um com seu método e dentro da sua área de atuação). Mas dentista não… dentista via de regra “mete a mão na massa”, ou melhor, a mão na luva. Pouca coisa dentro de um consultório odontológico pode ser feita sem que o dentista realmente intervenha no paciente: abra um dente, cimente uma prótese, faça uma restauração. E isso gera custo.
Tá, divaguei :). Pois bem… o que eu quero dizer é: sempre custa alguma coisa. A diferença é que, em algumas situações, o custo não é pago por você.
Bom, se você chegou aqui é porque precisa de atendimento odontológico e não pode (ou não quer) pagar por ele. Portanto, vou dar algumas dicas de onde você pode achar esse tipo de serviço:
Faculdades de Odontologia: alunos de Odontologia precisam de pacientes para aprender e pessoas precisam de dentistas. Pra você que acha que corre perigo ao ser atendido por um aluno de Odontologia saiba que, pelo menos em ambiente acadêmico, a fiscalização é séria. Os alunos têm supervisão constante dos professores e os trabalhos executados valem nota, portanto há certo esforço pra se fazer bem feito. Informe-se sobre as faculdades e Univerdidades que oferecem o curso de Odontologia na sua cidade ou região. Você vai passar por uma triagem e, dependendo da sua necessidade, será encaminhado para as clínicas das disciplinas. Em caso de tratamentos mais complexos como implantes ou aparelhos ortodônticos, o atendimento costuma ser feito por dentistas formados, alunos dos cursos de especialização.
Instituições de ensino continuado: são as escolas de pós-graduação em Odontologia, onde os dentistas fazem cursos de pós-graduação, como atualizações, aperfeiçoamentos e especializações.
Órgãos de classe: são os sindicatos e as associações de Odontologia. Procure as regionais do Sindicato dos Odontologistas e da Associação Brasileira de Odontologia do seu estado. Essas instituições também oferecem cursos de pós-graduação para dentistas que, por sua vez, precisam de pacientes.
Unidades de saúde: o famoso postinho. Nesse caso o que ocorre é, na verdade, uma espécie de ato falho. O atendimento nas unidades de saúde não é de graça. Ele é pago com o dinheiro do contribuinte, de você que recolhe impostos. Portanto, além de não ser de graça é pago por você. Mas muita gente não se dá conta disso e vê o atendimento pelo SUS como uma cortesia do governo. Não é. E no dia que as pessoas entenderem esse conceito e começarem a votar com isso em mente, muita coisa deve mudar.
Entidades beneficentes, ONGs e OSCIPs: são instituições que atendem pessoas carentes e promovem acesso ao atendimento odontológico. O exemplo mais famoso é a Turma do Bem, uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) onde cirurgiões-dentistas atuam de forma voluntária, em seus próprios consultórios, atendendo crianças e jovens de baixa renda, entre 11 e 17 anos, proporcionando tratamento gratuito até que cheguem à maioridade.
Em quase todas as opções de atendimento acima pode haver algum custo envolvido sim, principalmente quando houver a necessidade de confecção de próteses. Mas, mesmo que exista esse custo, será bem menor do que o de um atendimento particular. Também, a espera pelo atendimento pode ser grande, já que a procura também é. Porém, a qualidade no atendimento não tem porque ser diferente daquela de um consultório odontológico particular.
Portanto, informe-se! Falta de dinheiro dificulta, mas não impede você de manter a saúde em dia! 🙂
Reportagem da Gazeta do Povo (PR) que ilustra bem o atendimento realizado nas faculdades de Odontologia –> Dentista gratuito na Universidade
Pode. Mas o implante não vai sair do lugar. Explico.
Digamos que você tenha sofrido um acidente e perdido os dois dentes da frente ou que aquele seu primeiro molar que você achava que era de leitee não escovou direito já era. Hoje em dia, principalmente em adultos-jovens, essas são situações em que os implantes são indicados. Porém, anos depois de ter feito a cirurgia e instalado os implantes, você começa a se incomodar com a aparência dos seus dentes, achando que eles estão meio tortos.
Implante não é dente.
Dente torto é caso pra aparelho. Se você tem implantes vai poder usar aparelho como qualquer outra pessoa, porém implantes (que nada mais são que próteses de raízes) não podem ser movimentados: um vez instalados num lugar, lá ficam pra sempre (se Deus quiser ;)). Isso porque dentes de verdade possuem um “sistema de amortecimento” formado por pequenas fibras, chamado de ligamento periodontal. Sem ligamento periodontal, não há movimentação ortodôntica… e como implante não tem ligamento periodontal, porque é fixado diretamente no osso da maxila ou da mandíbula do paciente, não é possível tirá-lo do lugar.
O problema de usar aparelho depois de se fazer um ou mais implantes é que a movimentação fica limitada por eles. Todos os dentes podem ser movimentados, menos os implantados. Se os implantes estiverem na posição correta, não há problema algum. Mas se eles estiverem um pouco fora do lugar, mais para o lado / frente / trás do que deveriam, a estética pode ficar comprometida, e o dentista vai ter que se virar pra fazer a prótese sobre implante (a coroa) compensar o mau posicionamento do implante. O que nem sempre funciona.
Por isso, a palavra é: planejamento. O ideal, antes de pensar em colocar um implante, é considerar a possibilidade de usar aparelho previamente. Assim é possível posicionar todos os dentes no lugar certo e deixar o espaço correto para os implantes. Mas não se preocupe: enquanto você espera o término do tratamento ortodôntico pode usar algum tipo de prótese próvisória sim… banguela você não fica. 🙂