Tag: dor de dente

  • Renata Banhara quase morreu por causa de um tratamento de canal?

    Renata Banhara quase morreu por causa de um tratamento de canal?

    Como amplamente divulgado pelos meios de comunicação, a modelo Renata Banhara esteve internada em estado grave no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O suposto motivo? Um tratamento de canal.

    Renata Banhara com infecção no dente
    Mesmo?

    Sim, suposto.

    Segundo a assessoria de imprensa da modelo, ainda na época de internação, ela teve “uma infecção grave no cérebro causada por uma bactéria que ficou alojada no osso e causou uma sinusite”. Essa bactéria teria “entrado no osso” através de um tratamento de canal.  O irmão de Renata, Túlio Alano, contou que a moça tinha tratado o canal de um dente havia 6 anos, e que estava tudo ok. De repente a infecção dentária voltou, porém silenciosamente, sem os sintomas clássicos (dor, febre, edema) e começou a se espalhar pelos ossos da face de Renata.

    Note que até o momento temos a versão da Renata, do seu irmão e da sua assessora de imprensa. Nenhuma palavra oficial da equipe médica responsável pelo caso e nenhuma declaração do dentista que fez o tratamento de canal (ou do dentista que a atendeu na ocasião da internação). Claro que os 3 estão falando baseados no que devem ter ouvido … mas é preciso ter cautela: são pessoas leigas falando. Não dá pra simplesmente acolher essas informações como verdade.

    A origem da infecção foi mesmo um tratamento de canal?

    Não. E isso eu posso afirmar sem medo de errar! Sabe por quê? Porque tratamento de canal não causa infecção nenhuma, pelo contrário… ele CURA a infecção. Remove a bactéria. Mantém o dente, e sadio. É preciso ter cuidado em escolher as palavras pra falar sobre um caso como esse… porque quem não entende do assunto é facilmente envolvido por explicações superficiais e baseadas em achismo.

    Melhorando a pergunta: a origem da infecção pode ter sido um tratamento de canal mal sucedido? Sim. Explico em seguida. Mas antes…

    Todo tratamento de canal mal sucedido foi mal feito?

    Não. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O dentista pode fazer tudo direitinho, dentro da técnica, seguindo todos os protocolos de biossegurança… e mesmo assim o tratamento de canal não resolver o problema. Quem dera nós tivéssemos o total controle de como um organismo se comporta frente a uma infecção!

    O que pode ter acontecido?

    É plausível que uma bactéria proveniente de um canal infeccionado (e não de um tratamento de canal, como já esclareci) tenha causado uma sinusite e que essa sinusite tenha evoluído pra uma situação bem mais grave (até com celulite infecciosa, que é uma infecção da pele)? Sim. Foi isso que aconteceu? Não sabemos.

    As sinusites podem surgir em decorrência de diversas doenças infecciosas sistêmicas como gripes, resfriados, pneumonias, asma, bronquite, etc.. A inflamação da membrana sinusal pode ter origem odontogênica, também. O desenvolvimento de lesões periapicais em dentes próximos ou invaginados no seio maxilar pode provocar alterações inflamatórias na mucosa sinusal e levar ao desenvolvimento de sinusites. A sinusite odontogênica abrange de 10 a 12% dos casos de sinusite maxilar com histórico de infecção odontogênica ou periodontal.

    Em resumo: é bem possível que Renata Banhara tenha chegado ao abscesso cerebral (se é que chegou) por causa de uma sinusite bacteriana. Se ela começou como sinusite odontogênica, são outros quinhentos. Não dá pra simplesmente afirmar isso, não.

    Uma infecção dentária pode virar câncer?

    Não, não pode. É importante ressaltar, pra não haver mal-entendidos. Muito foi dito na TV e na Internet, e nem toda informação procede. Então é bom esclarecer.

    Granuloma periapical
    Granuloma periapical

    Quando o “nervo” (polpa) de um dente morre, o tecido que está dentro do dente sofre necrose. Pra que esse tecido infectado fique limitado ao canal do dente, o organismo costuma criar uma barreira… como se fosse uma “cerca” na pontinha da raiz do dente. Aí se forma um tecido inflamatório chamado granuloma periapical, que nada tem a ver com câncer. Com o tempo, se não for tratado, o granuloma tende a virar um cisto periapical, bem delimitado. O tratamento indicado costuma ser o tratamento de canal, assim o granuloma regride (afinal, removendo-se a infecção, o organismo entende que não precisa mais da “cerca”). Se não regredir, pode haver indicação de apicectomia, que é uma cirurgia paraendodôntica que consiste na remoção da pontinha da raiz, com granuloma / cisto e tudo!

    É importante dizer, também, que o granuloma pode ficar bem grande. O organismo envia, então, células de defesa pra tentar acabar com ele. Mas nem sempre a lesão desaparece por completo depois do tratamento de canal, o que não significa que a infecção não foi controlada. Nesse caso, fica um fibroma, que é como se fosse uma “cicatriz” que aparece na radiografia. Mas isso é só resto celular e não causa transtorno.

    * * *

    Mesmo que um infecção dentária não vire câncer, o caso da Renata, tendo ou não essa origem, serviu pra dar o alerta: é preciso tratar. Não adie a ida ao dentista… quanto antes você resolver um problema de canal, menor a chance de complicações mais sérias. 😉

    Leia também: 

    Granuloma Periapical, no OdontoBLOGia

    Modelo Renata Banhara, Canal, Sinusite e Infecção Cerebral, no DicasOdonto

    Do canal (será?) ao abscesso cerebral: o caso Renata Banhara, no OdontoDivas


  • Compressa fria ou quente para dor de dente?

    Compressa fria ou quente para dor de dente?

    Depende do tipo de dor.

    Já falei aqui no blog que dor de dente é trabalho pra dentista, que qualquer remédio que se tome não garante que a dor vá embora (e se for, ela volta, pois a causa da dor permanece). Mas é compreensível que, na hora do desespero, se procure por um alívio, pelo menos. E o alívio caseiro mais famoso é o uso de compressas quentes e/ou frias.

    Qual tipo de compressa devo usar?

    Pra saber o tipo de compressa adequado é preciso entender a dor. A dor pode ser acompanhada de edema (inchaço) ou não. Quando há inchaço, é preciso considerar a causa dele. A situação mais comum de dor associada com inchaço é no pós-operatório de extrações dentárias (sisos, principalmente). Nesse caso, nas primeiras 48 horas, indica-se a compressa fria, por 2 motivos:

    1. O frio tem efeito analgésico (diminui a dor), pois os receptores da dor são “desligados” quando a pele é esfriada a uma temperatura de cerca de 12ºC.
    2. A aplicação de frio no início do pós-operatório faz os vasos sanguíneos e linfáticos se contraírem, o que diminui tanto o inchaço quanto o hematoma (o “roxo”).

    Se o inchaço for causado por um trauma (uma “pancada”), vale a mesma estratégia.

    Passadas as 48 horas iniciais da extração, com o edema controlado, pode-se iniciar compressas quentes. O objetivo do uso do calor é aumentar o fluxo sanguíneo,  fazendo os vasos dilatarem. Isso é bom porque deixa os sintomas do processo inflamatório (e toda cicatrização envolve inflamação) mais amenos. Nessa fase, a compressa quente ajuda com o edema também, pois favorece a eliminação dos líquidos extravasados e acumulados na região afetada. Outro benefício da compressa quente nessa fase é ajudar a diminuir o trismo (dificuldade de abrir a boca), pois o calor provoca um relaxamento muscular.

    Compressa fria ou quente pra dor de dente?
    Compressa fria ou quente?

    Uma outra situação é a dor de dente relacionada a um abscesso. O abscesso é um acúmulo de pus, e esse pus é resultado de uma infecção. A infecção pode tanto ter origem no canal de um dente quanto na própria gengiva (ou nos dois ao mesmo tempo). Nesse caso, a compressa quente ajuda a drenar o pus. Porém, cuidado: drenar o pus significa “puxá-lo” para fora, o que é desejável, mas pra que isso ocorra seu organismo terá que providenciar um “caminho intra-ósseo” para o pus. Esse caminho se chama fístula, que geralmente se apresenta como uma bolinha na gengiva, e nada mais é que uma comunicação entre o local onde está o pus e o meio externo. E as fístulas podem doer MUITO. Não bastasse isso, existe a possibilidade do seu organismo drenar o pus através da sua pele, e não pela gengiva, o que pode causar uma ferida muito feia na sua mandíbula, pelo lado de fora. Sério, caso pra cirurgia plástica.

    Como fazer as compressas?

    Claudia Leitte fazendo compressa depois de extrair um siso
    Claudia Leitte fazendo compressa depois de extrair um siso

    Atualmente existem bolsas térmicas com gel que podem tanto ser usadas frias quanto quentes. Facilita bastante ter uma dessas mas, se você não tiver, não há problema… dá-se um jeito ;).

    A compressa fria pode ser feita com gelo, mas lembre-se: o gelo não deve ficar em contato direto com a pele. Você pode colocá-lo num saquinho plástico e enrolar o saquinho numa toalha. Não mantenha a compressa fria sobre o rosto por mais de 10 minutos seguidos e aguarde pelo menos 10 minutos antes de fazer uma nova compressa.

    A compressa quente pode ser feita com uma toalha aquecida com um ferro de passar roupa, por exemplo. Não vá colocar o ferro direto no rosto, hein?! 😉

    E o mais importante:

    Analgésicos, compressas e qualquer outra “receita caseira” que a sua vizinha tenha proposto servirão, no máximo, pra dar uma enganada na dor como medida paliativa. Se o dente doeu, corra no dentista. Isso sim é solução.


  • Dente com tratamento de canal pode doer?

    Dente com tratamento de canal pode doer?

    Dente cujo canal já foi tratado não dói mais, não é? É, quando tudo dá certo não dói mais mesmo.

    Antes de qualquer coisa, vamos entender como e porquê é feito um tratamento de canal. Toda vez que bactérias (de cárie, de saliva ou de qualquer outro tipo) entram em contato com o nervo do dente, este não suporta a presença delas e morre. O mais comum são bactérias de cárie, mas pode acontecer de ter contaminação em um acidente (uma queda, uma batida), ou o nervo não suportar a pressão em casos de bruxismo severo. O canal também pode ser tratado, em alguns casos, sem que o nervo do dente tenha morrido, para a colocação de próteses. Depende do plano de tratamento escolhido pelo paciente e pelo dentista.

    O dente e o seu nervo (polpa)

    E como é feito o tratamento de canal? Todo o nervo do dente é removido, vivo ou morto. O nervo fica alojado dentro da raiz do dente, e o número de raízes e canais pode variar dependendo da localização do dente na boca. Os dentes posteriores podem ter mais de 4 raízes, por exemplo. Daí é feito o alargamento dos canais (que é o tubinho por onde o nervo passava), as paredes são limadas para remoção de qualquer bactéria ou célula contaminada, e toda a extensão do canal é preenchida por um material obturador, que veda os condutos e deixa o dente em condições de receber o tratamento reabilitador, que pode ser uma restauração, peça ou coroa, dependendo do caso. A partir daí, o dente não deve doer mais.

    Agora, tratado o canal, o dente ainda dói. O que pode causar essa dor?

    1. Sobre-instrumentação: é quando o instrumento pra limpeza dos canais (a lima) ultrapassa o final do canal e atinge as estruturas em volta da raiz (ligamento, gengiva ou osso). Se o canal foi corretamente limpo, essa situação causa desconforto durante alguns dias, mas é controlável com analgésicos e passa entre 3 a 7 dias após o fim do tratamento.
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    2. Sobre-obturação: é quando o material pra obturação ultrapassa o final do canal. Caso aconteça, é bom que o dentista acompanhe. Alguns pacientes não sentem nenhum tipo de desconforto, mas pode causar sensação de “cutucão”. Em situações bem específicas pode ser necessária uma cirurgia para remoção desse excesso.
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    3. Extravasamento do cimento obturador: dependendo do tipo de cimento pode incomodar bastante. Se é à base de óxido de zinco e eugenol pode ser irritante aos tecidos em volta do dente. Alguns pacientes podem desenvolver dor crônica por alergia a esse tipo de cimento. Nesses casos o canal deverá ser retratado e o cimento trocado por um, de preferência, à base de hidróxido de cálcio.
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    4. Problemas na restauração: às vezes, depois do tratamento pronto, a restauração fica alta (ou a peça, ou a coroa), ou com algum problema de adaptação. Nesses casos, um ajuste oclusal ou alguma melhoria na restauração já diminui o desconforto.
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    5. Deficiência na instrumentação ou na obturação: nesses casos, todo o canal deve ser retratado. O desconforto não passa com analgésicos nem anti-inflamatórios, e em muitos casos aparecem bolhas parecidas com espinhas na gengiva do lado do dente que foi tratado. Essas bolhas são chamados de fístulas, e mostram que ainda existe algum tipo de infecção dentro do dente. Se a fístula existia antes do tratamento e não desapareceu após, procure seu dentista para que ele lhe oriente a respeito.

    Guest Post

    Texto da Dra. Elaine Batista, cirurgiã-dentista especialista em endodontia (tratamento de canal).


  • O que fazer enquanto eu não vou no dentista?

    O que fazer enquanto eu não vou no dentista?

    Ah se eu pudesse dar uma resposta que fizesse você feliz…

    Geralmente quem faz essa pergunta está com dor de dente num sábado à noite. E é feriado, daqueles emendados. E está no meio do mato. Sem dinheiro. Pelo menos são essas as justificativas que eu mais escuto para adiar a ida ao dentista, mesmo com o rosto inchado e latejando.

    E agora, quem poderá me defender?

    Acho interessante como as pessoas buscam em amigos e conhecidos, e mais recentemente na Internet, soluções caseiras que evitem a ida ao dentista. O “enquanto eu não vou” pode significar tanto “até que eu possa ir” quanto “até que eu ache um”. Ou, ainda, “para que eu não precise ir”.  Cada caso é um caso.

    • Até que eu possa ir: as 2 explicações clássicas de quem não vai ao dentista quando precisa: tempo e dinheiro. As mesmas pessoas que dizem não ter tempo de ir ao dentista geralmente “não têm tempo” nem de escovar os dentes, ou seja, são as que mais precisam ir ao dentista. Eu entendo que a vida não tá fácil, a gente tem que trabalhar se quiser comer. Mas, na boa? Se você tiver uma dor de barriga tenho CERTEZA que vai arranjar tempo NA HORA pra ir ao banheiro, sob pena de sujar as calças. Portanto, a desculpa da falta de tempo não cola. Se você não tem tempo de ir ao dentista é porque não vê isso como prioridade, pois para as prioridades a gente sempre arranja tempo. Dinheiro já é outra história, mas até pra isso tem opção.
    • Até que eu ache um: uma grande dificuldade, principalmente em cidades pequenas, é achar um dentista na hora do aperto. Muitos leitores que acessam o blog procuram uma medida paliativa até que consigam achar um profissional que os atenda. Isso é totalmente compreensível, não sou alienada ao ponto de achar que é só estalar os dedos e automaticamente um dentista cairá na sua cabeça. Mas tem certas situações em que não adianta, você vai precisar MESMO de um. Por isso, se informe de antemão sobre os serviços de urgência em Odontologia na sua região (Unidades de Saúde 24h e Pronto Socorros Odontológicos) ou descole o número do celular daquele único dentista que tem na cidade. Você vai precisar.
    • Para que eu não precise ir: esse é o famoso “eu nunca irei”. Ou seja, a pessoa quer dar um jeito de resolver o problema com alguma solução mágica caseira e não tem intenção nenhuma de procurar um dentista. São essas pessoas que entram no Google pra perguntar que remédio tomar para dor de dente, aí quando você não diz elas xingam você. Clássico. Bom, deixe-me dar pelo menos 3 motivos para um dentista não indicar um remédio pela Internet, pelo telefone ou whatever:
    1. O dentista nunca viu você, sabe apenas que você está com dor… mas nunca o examinou pra saber o motivo dessa dor. Por que raios ele deveria saber que remédio você tem que tomar?
    2. Quando o seu vizinho indica pra você um remédio que funcionou com ele, é amizade. Quando um dentista indica pra você um remédio sem examiná-lo e sem fazer UM MONTE de perguntas sobre a sua saúde geral é irresponsabilidade e negligência. Se der algum problema ou se você morrer por causa do tal remédio, o vizinho vai ao seu enterro e chora abraçado com a viúva(o). E o dentista? O dentista é processado por sua família que viverá às suas custas pelo resto da vida.
    3. O Código de Ética Odontológica condena a realização de “consulta” via Internet ou outros meios não presenciais, sob pena do dentista ser suspenso ou perder a licença para trabalhar. Muito diferente é orientar o paciente, coisa que eu faço direto aqui no blog.

    Enfim… sabe o que você deve fazer enquanto não vai no dentista? Procurar um.


  • Vem cá… te conheço?

    Vem cá… te conheço?

    Não tem um dia sequer em que eu não receba no e-mail do blog ou no Pergunte ao Dentista a seguinte pergunta: Que remédio eu tenho que tomar? Ou o dente está doendo, ou a gengiva está sangrando, ou o rosto está inchado. Via de regra a minha resposta é: procure um dentista para que ele o examine, diagnostique a causa da dor e prescreva de acordo (se houver necessidade). Muitos tentam argumentar que “…a consulta tá marcada mas demora” e, outros, se ressentem, dizem que eu não tenho coração e desejam a dor de dente pra mim ;).

    Então, de uma vez por todas, deixe-me explicar o porquê dessa minha relutância em “abrir o jogo”: EU NÃO FAÇO IDEIA do remédio que você tem que tomar. Mesmo. Vem cá… te conheço?

    Pois é. Nunca vi a pessoa. Nunca examinei a pessoa. Por que raios eu deveria saber o remédio que ela tem que tomar?  Muita gente acha que uma simples descrição do problema dá dados suficientes ao dentista para determinar a medicação. Desculpe pessoal, mas não dá. Em primeiro lugar, porque se trata de uma descrição feita por um leigo, e eu não devo me basear nela. Em segundo lugar porque, embora eu até possa ter uma noção do que se passa pelo relato do internauta, eu não tenho certeza. “Prescrever”, nessas condições, seria irresponsabilidade. Sim, a palavra é RESPONSABILIDADE. Quando eu prescrevo uma medicação estou me responsabilizando pelos efeitos provocados por ela no organismo do paciente. Pessoalmente, via Internet, via telefone, via sinal de fumaça… não importa o meio.

    Milagrex: Dispensa Dentista

    Há quem diga que “Procure um dentista” não é resposta que se dê. Pois eu acho que “que remédio eu tomo?” não é pergunta que se faça! Não pela Internet, pelo menos, e por duas razões relevantes: um profissional sério não a responderá (se responder, desconfie) e um leigo sabichão COM CERTEZA vai responder. Afinal de contas, ele tinha “bem isso” que você tem, tomou cloridrato de pirlimpimpina e ficou bom na hora! Quer apostar nisso? Fique à vontade, por sua conta e risco.

    Entra aí, também, a questão do respeito pelo trabalho do dentista. Já falei disso aqui no blog várias vezes. Muita gente acha que dentista é um cara que arranca o seu dente, à sua ordem, quando ele dói. Escutei isso ontem ainda: “… quero saber que remédio eu tomo pra desinflamar o meu dente e eu poder MANDAR ARRANCAR”. Caro paciente, se você acha que é assim que funciona, precisamos conversar. Extrações dentárias têm indicação, e dentes são órgãos humanos! Que banalização é essa? Outra coisa que escutei dia desses e que me deu vontade de arrancar os tímpanos foi que “… os dentistas não falam qual o remédio que tem que ser tomado pra obrigar o paciente a procurá-lo e pagar uma consulta”. Ah, vá ver se eu tô na esquina!

    Mas não deixarei você, caro leitor, desamparado. Se o seu dente doer, siga os seguintes passos (não pule nenhum, isso é muito importante):

    1. Procure um dentista.

    😀

    Somente um dentista (sim, um médico, nessa hora, não sabe o que fazer – e não tem obrigação nenhuma disso), através de um exame clínico e possivelmente radiográfico, poderá dizer o que faz o seu dente doer. O remédio que você precisa tomar, se é que precisa, só pode ser determinado depois do exame. Mas o detalhe importante é que o dentista está apto a remover a causa da dor, seja tratando um canal, fazendo uma restauração ou uma extração. Remédio nenhum faz isso.

    Enfim, o recado é:

    • Consulte seu dentista regularmente, para o dente nem chegar a doer.
    • Se o dente doer, não se auto-medique: procure seu dentista.
    • Se o seu dentista não puder atendê-lo imediatamente, procure um pronto-socorro odontológico ou um pronto-atendimento de urgência. O importante é fazer a dor parar.
    • Não se satisfaça com a ausência temporária da dor. Termine o tratamento para que a dor não volte. Se fez curativo, trate o canal. Se fez restauração provisória, procure o dentista no tempo recomendado e faça a restauração final.

    Você pode tentar tomar um coquetel de medicamentos até “acertar”, mas isso apenas trataria os sintomas e não a causa dor. Por que não procurar quem entende do assunto, PESSOALMENTE, e resolver o problema de uma vez?


  • Correndo Dá Dor de Dente

    Correndo Dá Dor de Dente

    Não. Você não leu errado, nem eu coloquei acento onde não devia…

    Certa vez atendi uma paciente que chegou no consultório reclamando de dor de dente. Quando isso acontece, nós dentistas costumamos fazer um monte de perguntas pra tentar entender como é essa dor. Ela é constante ou vai e volta? É em um dente específico ou numa região maior que não dá pra definir? Dói com alimentos quentes? Dói com água gelada? Fiz todas essas perguntas.

    Dói.

    A paciente me respondeu de acordo com o que sentia. Não me pareceu haver nada de errado com o dente que ela me apontava, um molar superior. Fiz mais um teste, o de vitalidade pulpar, que consiste em encostar um algodãozinho gelado no dente e pedir para o paciente dizer o que sente enquanto xinga sua mãe mentalmente. Nesse caso, se o paciente diz “não sinto nada”, ironicamente, é pior: canal. O dente “morreu”.

    Mas o dente dela respondia da forma esperada. Radiografei. A radiografia também demonstrava estar tudo dentro dos padrões de normalidade. Aí, quando eu já havia jogado a tolha, ela me diz: “Doutora, se eu não corresse a chuva me pegava… e eu chegava aqui toda ensopada! E quanto mais rápido eu corria, mais o meu dente doía!’.

    A-há! Dente não dói quando a gente corre. E foi aí que eu me toquei: sinusite. 🙂

    Sinusite, etimologicamente, quer dizer sinus (espaço ou cavidade) +  ite (inflamação): a inflamação de uma cavidade. E as cavidades em questão são espaços que existem dentro dos ossos da face (que são ocos), também chamados de “seios”, os seios paranasais. O normal é que o líquido (muco) que está dentro dessas cavidades escoe para as fossas nasais. Quando isso não acontece a contento, eis a sinusite.

    Seios da face

    Quem já teve sinusite sabe que quando a gente se movimenta bruscamente (como numa corrida) ou abaixa muito a cabeça, parece que tem um gongo retumbando dentro do nosso cérebro. É um peso, uma pressão, uma sensação horrorosa. E as raízes dos nossos dentes superiores ficam bem embaixo dessas cavidades que eu citei. Portanto, não é nada incomum o paciente achar que os sintomas de uma sinusite têm origem dentária.

    Bem resumidamente, são 4 os tipos de sinusite:

    • Sinusite infecciosa: obstrução nasal, secreção purulenta (pus) e febre.
    • Sinusite alérgica: obstrução nasal, coriza clara e abundante e espirros constantes.
    • Sinusite traumática: causada por diferença de pressão. Não há, necessariamente, obstrução nasal. É aquela dor que aparece num mergulho mais profundo ou numa viagem de avião.
    • Sinusite crônica: a drenagem do muco é comprometida de forma permanente, e a mucosa fica espessa e fibrosa.

    O tratamento consiste em drenar (tirar) o ranho muco que fica retido nos espaços ósseos. A administração de medicamentos depende da origem da sinusite, passando por antibióticos, anti-alérgicos e anti-inflamatórios. Tudo isso, é claro, com prescrição do seu médico ou dentista. Nunca se auto-medique! Até porque é enorme a chance de você tomar o remédio errado…

    Agora você já sabe que correr não DÁ dor de dente. E que também não adianta ficar correndo DA dor de dente… e muito menos do dentista, seja por medo, falta de tempo ou falta de dinheiro (as explicações mais comuns). Porque, fazendo isso, um dia a dor te alcança. E aí não adianta reclamar que a anestesia “não pega”…


  • CQDM #04: Arrancar um Dente

    Arrancar um dente. Infelizmente, esse é o procedimento mais associado à imagem do dentista através dos tempos. A Odontologia, até não muito tempo atrás, se resumia a isso: remover os dentes que doíam até que não sobrasse nenhum mais para incomodar. Um costume muito comum, mais frequente nas áreas rurais, era o pai da moça mandar extrair TODOS os dentes da filha em idade de casar, independente da necessidade, para que seu futuro marido não tivesse mais despesas com isso. o.o Tipo um “dote“. Já ouvi essa história algumas vezes no consultório… 🙁


    Tem gente que acha que extrair um dente, necessariamente, dói. É um negócio meio “truculento”, é verdade, não dá pra ser totalmente delicado. Porém, todo procedimento de extração dentária é feito sob anestesia. O que você sente durante o procedimento é pressão, não dor. Às vezes o paciente confunde uma coisa com a outra. SENTIR O TOQUE, você vai; SENTIR DOR é que não vai. O dentista te aperta, estica e puxa e viva a festa da Xuxa, é assim mesmo. E sobre a anestesia, já falei aqui e repito: ela é a solução para a dor, e não o motivo dela. Quando ela não se instala (não “pega”), das duas uma: ou a técnica anestésica está inadequada ou  a região está tão inflamada que, por uma questão de pH (“acidez”) tecidual, o anestésico não funciona direito. Então, não espere o último segundo pra procurar seu dentista. Fica pior pra você. o.o

    Exodontia. Esse é o nome técnico da extração dentária. Exo significa “fora” e dontia, “dente”. Portanto, exodontia é remover o dente do álveolo, que é o buraco em que ele está. Explicar como se faz isso, neste espaço, acho que mais assusta do que ajuda. O fato é: às vezes, é preciso tirar o dente.

    Algumas situações em que a exodontia é requerida:

    Dente fraturado: não qualquer uma, as fraturas de coroa normalmente têm conserto. Mas aquela fratura que parte o dente em dois, de cima até embaixo, quando ele fica até mole. Por vezes, esse tipo de fratura nem é percebido no exame clínico, sendo necessária a realização de uma radiografia.

    Dente extranumerário: nossa dentição completa, na idade adulta, atinge o número de 32 elementos. Mas há quem tenha 33, 34, 35… quando isso acontece, normalmente não há espaço nos arcos dentários pra acomodar todo mundo. Os “intrusos”, via de regra, caem fora.

    Dente incluso: é aquele dente que não conseguiu “nascer” (irromper) porque um obstáculo o impedia, por falta de espaço no arco ou por causa de seu posicionamento desfavorável. Ainda dá pra tirar ele de lá através de uma técnica chamada “tracionamento”, muito utilizada com caninos inclusos. A decisão pela extração depende do planejamento do caso e da relação custo-benefício para o paciente.

    Exodontia por razões ortodônticas: algumas vezes não há espaço suficiente nos arcos dentários para que todos os dentes sejam alinhados com o uso de aparelhos ortodônticos. Nesses casos, faz-se necessária a remoção de um ou mais dentes para se atingir o resultado desejado. Geralmente, opta-se pela extração dos primeiros prés-molares ou de um incisivo inferior.

    Dificuldade de higienização: certos dentes, devido às suas posições, são praticamente impossíveis de serem higienizados adequadamente. Higiene deficiente, cárie iminente. 🙂 O melhor exemplo desse caso é o siso, que vive cariado ou provocando pericoronarite.

    Ausência do antagonista: quando você morde, os dentes de cima tocam os dentes de baixo. Quando falta um deles, o outro fica sem anteparo e sem função mastigatória.

    Irrupção ectópica: hã?! Seguinte: sabe aquele dente que deveria estar lá no rebordo da sua gengiva e resolve aparecer no céu-da-boca? Então, isso é irrupção ectópica. Quando o dente nasce onde não deveria.

    Em tempo: cárie não é motivo (em si) pra extrair um dente! Pode ser um motivo se, e apenas se, o dente estiver tão cariado que não sobra muita coisa. Se o nervo do dente estiver comprometido mas houver tecido dentário viável, a escolha é o tratamento de canal, seguido de restauração ou prótese. Se você insistir em tirá-lo, o barato pode sair caro. Os implantodontistas agradecem. 🙂

    Ainda bem, os tempos são outros. A ideia de que o cirurgião-dentista é um mero arrancador de dentes vem perdendo força. Hoje, mais do que nunca, o conceito de prevenção (cuidar) vem tomando o espaço do tratamento curativo. O saldo dessa modificação na forma de encarar o papel do profissional de saúde bucal é uma geração que não conhecerá o medo de dentista, a não ser nos filmes e séries de TV. Estamos caminhando nessa direção. 🙂


  • Doutor, arranca o meu dente?

    Doutor, arranca o meu dente?

    Já ouviu essa frase no consultório? Sr. Paciente, já disse isso para o seu dentista? Já me fizeram esse pedido várias vezes. A frase acima exemplifica um comportamento muito comum dos pacientes na Odontologia: dizer ao dentista o que é que tem que ser feito.

    Esse já era!

    Funciona assim: o paciente entra no consultório, com dor ou não, e já vai dando as diretrizes: “Doutor, esse dente aí tá podre. Não adianta mais. Eu vim arrancar ele”. Aí o dentista, calmamente, diz: “Posso, primeiro, ver o seu dente?” E então, no exame clínico e, quase sempre, radiográfico, confirma-se ou não a necessidade da exodontia (extração) do elemento. Quando é constatada a real indicação de exodontia, ok. Mãos à obra. E quando o dente tem salvação?

    Já volto para essa questão. Vamos, antes, analisar esse comportamento tão corriqueiro dos pacientes odontológicos. Ninguém chega no médico e diz: “Doutor, esse coração aí tá podre. Não adianta mais. Eu vim transplantar ele”. Ah, alguém diria, não dá pra comparar dente com coração…. Não? Ambos são órgãos humanos, úteis e, se não estiverem presentes, fazem falta. O problema está na banalização da Odontologia. O paciente vê você, meu colega, como um arrancador de dentes. Um fazedor de dentaduras. Um limpador de tártaro. Ele não enxerga os anos de estudo que o prepararam e muito menos a sua verdadeira profissão: promotor de saúde. E não só bucal.

    Os maiores culpados da banalização da Odontologia somos nós, cirurgiões-dentistas. Nós não nos valorizamos como profissionais de saúde. Nós fazemos qualquer negócio! As clínicas “pop” estão aí pra quem quiser ver. Eu já trabalhei em clínica popular (como 95% dos recém-formados que nao abrem consultório), e sei como funciona: você pergunta para o paciente o que ele quer e… faz. Veja, não há problema nenhum em perguntar ao paciente o que ele deseja, e acredito que essa pergunta seja parte fundamental da elaboração do plano de tratamento. Mas simplesmente comportar-se como um macaquinho adestrado, não dá!

    Aí tem o outro lado da moeda… o paciente carente. Você planeja um tratamento incrível, uma reabilitação bucal completa, próteses fixas, enxertos ósseos, implantes… mas o paciente não pode pagar. Sem problema, existem outras opções mais baratas e igualmente saudáveis a serem propostas. Agora, voltando à questão daquele dente que “tem salvação”, imagine: seu paciente chega urrando de dor, implorando para que você faça aquilo parar. “Doutor, arranca PELAMORDEDEUS!”. Você avalia que o dente não está condenado, e uma endodontia bem feita resolveria o problema (seguida, é claro, de restauração ou coroa). Você informa isso ao paciente. Ele diz: “Não, Doutor, eu não tenho dinheiro pra fazer canal e essas coisas, eu prefiro arrancar”. E aí? QUERO SABER SUA OPINIÃO E CONDUTA NOS COMENTÁRIOS, LÁ EMBAIXO.

    Enfim…

    Sr. Paciente: respeite a opinião do seu cirurgião-dentista como profissional de saúde. Não diga a ele o que ele deve fazer. Ele estudou bastante e, após o exame clínico / radiográfico, saberá dizer para você do que você precisa. E não se preocupe, ele não fará nenhum procedimento na sua boca que você não queira ou pelo qual não possa pagar.

    Caro colega: ouça o que o seu paciente tem a dizer, mas não siga ordens. Você é um profissional habilitado a decidir e realizar o melhor tratamento para o seu paciente. A opinião dele é fundamental, mas não é a regra. Se o que ele lhe pede não combina com o embasamento científico que você tem, reserve para si o direito de não atendê-lo. O paciente que pede pra você extrair aquele dente porque “prefere assim” é o mesmo que processa você por lesão corporal. E ganha.


  • Os Dentistas Contra a Placa!

    Os Dentistas Contra a Placa!

    Bacteriana? Também… 🙂 Mas hoje eu queria falar da placa aí da foto. Tirei essa foto há uns 2 anos. A primeira coisa que pensei foi… putz. Mesmo. Foi minha primeira reação. Um misto de surpresa e de vergonha.

    Putz.

     

    Então passei por 4 dos “5 estágios da dor” 🙂 :

    1. Negação. (“Fobia? Que exagero…”)
    2. Raiva. (“Isso é frescura. Até parece… não escova os dentes e depois fica com ‘medinho’”)
    3. Negociação. (“Tá. Medo até que vai. É meio assustador mesmo.”)
    4. Depressão. (“Que tipo de dentista eu sou? As pessoas têm FOBIA de mim! Buáááá!”)
    5. Aceitação. Não. De jeito nenhum.

    Não dá pra simplesmente aceitar o medo de dentista. Eu não aceito. Por que tem tanta gente com medo de dentista? Vamos tentar entender:

    • Síndrome do Jaleco Branco (White Coat Syndrome): esta condição não se refere exclusivamente a nós cirurgiões-dentistas. Pode ser definida como o “aumento da pressão arterial motivada pelo contato com o profissional de saúde”. Ansiedade. Você não sabe o que te espera e fica ansioso.
    • A Odontologia de antigamente: em outros tempos, doeu = arrancou. Era assim que se fazia. Não adianta ficar bravo com aquele dentista, hoje velhinho, que extraiu vários dentes seus na sua adolescência. Ele só estava fazendo o trabalho dele. Não existia o conceito de prevenção, de cuidar pra não ter que tratar. E toda uma geração ficou marcada pelo medo de dentista.
    • Experiências ruins de outras pessoas: “Ah doutor, uma amiga da prima da minha mãe fez um tratamento de canal e ela quase morreu de tanta dor!” Três coisas me ocorrem ao ouvir essa declaração: a) O que doeu? O dente ou o tratamento de canal? São coisas diferentes. b) A dor não é sua! Se o dente dela doeu, doeu nela. Por que o seu tem que doer também? c) Passa pra mim o número dela que a gente precisa conversar! 🙂
    • Suas experiências ruins: um dentista te fez sofrer. Sim, isso acontece. Às vezes você passou por maus bocados sob os refletores do seu ex dentista e ficou traumatizado. Existem dois fatores a serem analisados aqui. Pode ser que o seu dentista seja um mau profissional e pode ser que você seja um mau paciente. Como assim “mau paciente”? Explico: sabe a amiga da prima da sua mãe? Então… a amiga da prima da sua mãe não foi ao dentista ANTES do dente doer (ou no comecinho da dor); ela foi quando a dor de dente já era insuportável. Tratar o canal do dente não é o que causa a dor… é o que resolve o problema! Pode ter doído durante o tratamento porque, quando a região está muito infeccionada / inflamada o pH (“acidez”) tecidual fica alterado… aí a anestesia não se instala a contento. Viu?! Tivesse ido antes…
    • Como os seus pais se relacionam / relacionavam com o dentista: que exemplo você tem / teve dos seus pais com relação às visitas ao dentista? “Se você não ficar quieto aquele tio ali vai te dar uma injeção DESTE tamanho!” [ironia] Parabéns [/ironia]. Você traumatizou seu filho para o resto da vida. Sim VOCÊ, não o dentista. A partir de agora o que deveria ser rotina, e poderia ser até divertido, passa a ser punição. Talvez você tenha escutado isso dos seus pais. Por favor, não faça isso com os seus filhos. Em vez disso, introduza na vida deles o conceito da prevenção, da visita de rotina, da higiene como um hábito.

    É claro, eu estou falando de medo e ansiedade, que são coisas normais. Já a fobia é patológica, é doença, e como tal, precisa de tratamento. A clínica da placa da foto pode ajudar. Se for o seu caso, procure ajuda. Em casos extremos, a fobia pode levar até à morte. Deixo, para reflexão dos colegas, a história de Sophie Waller, uma menina que morreu de fome aos 8 anos, porque não abria a boca por fobia. De dentista.

    Veja também: Chega de Ter Medo, no Blog do Tio Dentista e Você Tem Medo de Dentista? no Vida de Dentista.


  • Antibióticos: O Perigo da Auto-Medicação

    Antibióticos: O Perigo da Auto-Medicação

    Tomar remédio por conta própria. Quem já não fez isso? Ok, ok… ninguém vai marcar consulta médica (e esperar 1 mês) pra o doutor prescrever um analgésico comum pra uma dor de cabeça igualmente comum. Mas, e quando não se trata de uma dor corriqueira? Às vezes a dor é um alerta do corpo pra algum perigo… fique atento! Nesse caso, tomar remédio sem saber o motivo da dor apenas “mascara” os sintomas e o problema real.

    Isso não é bala não! 🙂

    Tem gente que acha que antibiótico é bala de caramelo. Doeu a cabeça? Antibiótico. Doeu o estômago? Antibiótico. Doeu o dente? Antibiótico. E o pior: QUALQUER antibiótico…. Auto-medicação é ruim em qualquer categoria medicamentosa, mas quando se trata de antibióticos… ai ai ai. Já atendi pacientes com dor de dente que faziam uso crônico desses medicamentos, meses a fio! E a dor ia e voltava. Nesses casos, o antibiótico vira bala de caramelo mesmo: não ajuda em nada (e ainda prejudica muito).

    Antibióticos são medicamentos usados para combater infecções por bactérias, fungos e “otras cositas más”. INFECÇÕES, e não inflamações. Em tempo: “infecção” é o ataque das bactérias. “Inflamação” é a defesa (reação) do nosso organismo (a região fica quente, avermelhada, dolorida e inchada). Às vezes há inflamação, mas não há infecção (nem necessidade de antibiótico).

    Cada tipo de antibiótico age sobre espécies definidas de microrganismos. Alguns matam as bactérias, outros as “paralisam”. Mas todos eles “selecionam” bactérias, ou seja, agem sobre algumas e não agem sobre outras. Resumindo: quando você toma antibióticos indiscriminadamente, você elimina alguns microrganismos e deixa outros mais fortes, pois sobra mais espaço para esses últimos. E aí, com o tempo, você desenvolverá resistência, ou seja, aquele antibiótico não terá mais efeito sobre você. Aí já era.

    Trazendo tudo isso pra Odontologia, se você estiver com dor de dente não se auto-medique. Agende uma consulta com seu cirurgião-dentista para investigar o motivo dessa dor (tá, um analgésico de emergência tudo bem…). Se for uma infecção, ele prescreverá o antibiótico adequado e eficaz para o caso, a ser tomado da forma correta e durante o tempo exato. Se não houver infecção, nada de antibiótico. Além disso, se for necessário algum procedimento como exodontia (extração), restauração, endodontia (tratamento de canal) pra que a dor seja solucionada (e não “escondida” sob efeito de remédios), será feito.

    E chega de dor. Mesmo. 🙂

    Veja também: DicasOdonto – Medicamento é Coisa Séria!