Tag: remédio

  • Tomo antidepressivo. Posso tomar anestesia no dentista?

    Tomo antidepressivo. Posso tomar anestesia no dentista?

    Entre 10 e 25% das mulheres e 5 e 12% dos homens vão ter depressão um dia. Isso quer dizer que a quantidade de usuários de antidepressivos é crescente, e é certo que algum dia todo dentista vai atender um paciente que toma esse tipo de medicação. Portanto é essencial que o dentista conheça as interações medicamentosas entre antidepressivos e anestésicos locais, mais precisamente os vasoconstritores que os anestésicos possuem.

    Só pra você entender: vasoconstritor é uma substância que a maioria dos anestésicos têm e que serve para aumentar o tempo de ação da anestesia já que, pela diminuição do calibre dos vasos sanguíneos, o líquido anestésico fica mais tempo no local em que foi injetado. É mais ou menos isso. 🙂

    Antidepressivos e anestesia combinam?
    Antidepressivos e anestesia combinam?

    Quem toma antidepressivo pode ir ao dentista?

    Não só pode como deve! É bem comum as pessoas acharem que ter certos problemas de saúde e/ou tomar alguns tipos de remédio são motivos pra não ir ao dentista. Em parte isso é desculpa pra não ir (CONFESSEM 😉 ), e em parte é por medo de alguma “reação”, principalmente na hora da anestesia.

    O que eu quero deixar bem claro é: nenhum problema de saúde contraindica o atendimento do dentista, assim como nenhum remédio impede que você procure atendimento odontológico. Se você vai ou não se submeter a algum procedimento, já é outra história… cabe ao dentista, após examinar você e provavelmente fazer ou pedir outros exames (exame de sangue, radiografias, etc.), decidir. Se ele achar que é melhor não atender você ou aguardar um momento mais adequado, ok. Mas entenda: você não tem que fugir do dentista porque tem pressão alta, diabetes, toma antidepressivos ou tem unha encravada. O dentista sabe o que está fazendo e não vai colocar sua vida em risco por bobagem, ok?!

    Quais os principais grupos de antidepressivos?

    Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS):

    • Fluoxetina (ProzacTM)
    • Paroxetina (PaxilTM)
    • Sertralina (ZoloftTM)
    • Fluvoxamina (LuvoxTM)
    • Citalopram (CelexaTM)
    • Escitalopram (LexaproTM)

    Antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos de recaptação de norepinefrina:

    • Nortriptilina (PamelorTM)
    • Maprotilina (LudiomilTM)
    • Desipramina (NorpramineTM)
    • Amitriptilina (ElavilTM)
    • Clomipramina (AnafranilTM)
    • Imipramina (TofranilTM)

    Inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN):

    • Bupropiona (WellbutrinTM) – bloqueia a recaptação da dopamina e da norepinefrina
    • Duloxetina (CymbaltaTM)
    • Venlafaxina (EffexorTM)

    Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO):

    • Fenelzina (NardilTM)
    • Tranilcipromina (ParnateTM)
    • Selegilina (EldeprylTM)
    • Isocarboxazid (MarplanTM)
    • Moclobemida (ManerixTM)

    Inibidores de recaptura/antagonistas da serotonina-2 (IRAS):

    • Mirtazipina (RemeronTM)
    • Trazodona (DesyrelTM)
    • Nefazodona (SerzoneTM)
    • Mianserina (BolvidionTM)

    E pode tomar anestesia? Tem que ser uma anestesia “especial”?

    As anestesias sem vasoconstritores são indicadas pra uma série de situações, mas não necessariamente para pacientes que tomam antidepressivos… depende do caso. Vasoconstritores simpatomiméticos (aqueles que “imitam” os efeitos da adrenalina) como a própria adrenalina, a noradrenalina e a fenilefrina, quando associados a anestésicos locais, podem potencializar os efeitos colaterais dos antidepressivos, principalmente tricíclicos e inibidores da MAO (*), sobre o sistema cardiovascular. Note que eu não estou dizendo que essa “mistura” pode matar, ou qualquer coisa assim… só que pode haver interação entre antidepressivos e anestésicos locais, e isso é relevante e deve ser levado em conta. Além disso há muitas drogas antidepressivas novas, com diferentes mecanismos de ação, sendo necessário mais pesquisas sobre o assunto.

    E como é que você vai saber que tipo de antidepressivo toma e se pode tomar anestesia com vasoconstritor? Você não tem que saber isso… quem tem que saber é o seu dentista! Não é uma decisão que cabe a você e que você tem que levar pronta até o dentista. Informe que você toma antidepressivo (ou qualquer outro remédio) e confie nele. Simples assim. 😉

    Leia uma ótima revisão de literatura sobre o tema: Antidepressivos e anestésicos locais: interações medicamentosas de interesse odontológico


  • O que fazer enquanto eu não vou no dentista?

    O que fazer enquanto eu não vou no dentista?

    Ah se eu pudesse dar uma resposta que fizesse você feliz…

    Geralmente quem faz essa pergunta está com dor de dente num sábado à noite. E é feriado, daqueles emendados. E está no meio do mato. Sem dinheiro. Pelo menos são essas as justificativas que eu mais escuto para adiar a ida ao dentista, mesmo com o rosto inchado e latejando.

    E agora, quem poderá me defender?

    Acho interessante como as pessoas buscam em amigos e conhecidos, e mais recentemente na Internet, soluções caseiras que evitem a ida ao dentista. O “enquanto eu não vou” pode significar tanto “até que eu possa ir” quanto “até que eu ache um”. Ou, ainda, “para que eu não precise ir”.  Cada caso é um caso.

    • Até que eu possa ir: as 2 explicações clássicas de quem não vai ao dentista quando precisa: tempo e dinheiro. As mesmas pessoas que dizem não ter tempo de ir ao dentista geralmente “não têm tempo” nem de escovar os dentes, ou seja, são as que mais precisam ir ao dentista. Eu entendo que a vida não tá fácil, a gente tem que trabalhar se quiser comer. Mas, na boa? Se você tiver uma dor de barriga tenho CERTEZA que vai arranjar tempo NA HORA pra ir ao banheiro, sob pena de sujar as calças. Portanto, a desculpa da falta de tempo não cola. Se você não tem tempo de ir ao dentista é porque não vê isso como prioridade, pois para as prioridades a gente sempre arranja tempo. Dinheiro já é outra história, mas até pra isso tem opção.
    • Até que eu ache um: uma grande dificuldade, principalmente em cidades pequenas, é achar um dentista na hora do aperto. Muitos leitores que acessam o blog procuram uma medida paliativa até que consigam achar um profissional que os atenda. Isso é totalmente compreensível, não sou alienada ao ponto de achar que é só estalar os dedos e automaticamente um dentista cairá na sua cabeça. Mas tem certas situações em que não adianta, você vai precisar MESMO de um. Por isso, se informe de antemão sobre os serviços de urgência em Odontologia na sua região (Unidades de Saúde 24h e Pronto Socorros Odontológicos) ou descole o número do celular daquele único dentista que tem na cidade. Você vai precisar.
    • Para que eu não precise ir: esse é o famoso “eu nunca irei”. Ou seja, a pessoa quer dar um jeito de resolver o problema com alguma solução mágica caseira e não tem intenção nenhuma de procurar um dentista. São essas pessoas que entram no Google pra perguntar que remédio tomar para dor de dente, aí quando você não diz elas xingam você. Clássico. Bom, deixe-me dar pelo menos 3 motivos para um dentista não indicar um remédio pela Internet, pelo telefone ou whatever:
    1. O dentista nunca viu você, sabe apenas que você está com dor… mas nunca o examinou pra saber o motivo dessa dor. Por que raios ele deveria saber que remédio você tem que tomar?
    2. Quando o seu vizinho indica pra você um remédio que funcionou com ele, é amizade. Quando um dentista indica pra você um remédio sem examiná-lo e sem fazer UM MONTE de perguntas sobre a sua saúde geral é irresponsabilidade e negligência. Se der algum problema ou se você morrer por causa do tal remédio, o vizinho vai ao seu enterro e chora abraçado com a viúva(o). E o dentista? O dentista é processado por sua família que viverá às suas custas pelo resto da vida.
    3. O Código de Ética Odontológica condena a realização de “consulta” via Internet ou outros meios não presenciais, sob pena do dentista ser suspenso ou perder a licença para trabalhar. Muito diferente é orientar o paciente, coisa que eu faço direto aqui no blog.

    Enfim… sabe o que você deve fazer enquanto não vai no dentista? Procurar um.


  • Vem cá… te conheço?

    Vem cá… te conheço?

    Não tem um dia sequer em que eu não receba no e-mail do blog ou no Pergunte ao Dentista a seguinte pergunta: Que remédio eu tenho que tomar? Ou o dente está doendo, ou a gengiva está sangrando, ou o rosto está inchado. Via de regra a minha resposta é: procure um dentista para que ele o examine, diagnostique a causa da dor e prescreva de acordo (se houver necessidade). Muitos tentam argumentar que “…a consulta tá marcada mas demora” e, outros, se ressentem, dizem que eu não tenho coração e desejam a dor de dente pra mim ;).

    Então, de uma vez por todas, deixe-me explicar o porquê dessa minha relutância em “abrir o jogo”: EU NÃO FAÇO IDEIA do remédio que você tem que tomar. Mesmo. Vem cá… te conheço?

    Pois é. Nunca vi a pessoa. Nunca examinei a pessoa. Por que raios eu deveria saber o remédio que ela tem que tomar?  Muita gente acha que uma simples descrição do problema dá dados suficientes ao dentista para determinar a medicação. Desculpe pessoal, mas não dá. Em primeiro lugar, porque se trata de uma descrição feita por um leigo, e eu não devo me basear nela. Em segundo lugar porque, embora eu até possa ter uma noção do que se passa pelo relato do internauta, eu não tenho certeza. “Prescrever”, nessas condições, seria irresponsabilidade. Sim, a palavra é RESPONSABILIDADE. Quando eu prescrevo uma medicação estou me responsabilizando pelos efeitos provocados por ela no organismo do paciente. Pessoalmente, via Internet, via telefone, via sinal de fumaça… não importa o meio.

    Milagrex: Dispensa Dentista

    Há quem diga que “Procure um dentista” não é resposta que se dê. Pois eu acho que “que remédio eu tomo?” não é pergunta que se faça! Não pela Internet, pelo menos, e por duas razões relevantes: um profissional sério não a responderá (se responder, desconfie) e um leigo sabichão COM CERTEZA vai responder. Afinal de contas, ele tinha “bem isso” que você tem, tomou cloridrato de pirlimpimpina e ficou bom na hora! Quer apostar nisso? Fique à vontade, por sua conta e risco.

    Entra aí, também, a questão do respeito pelo trabalho do dentista. Já falei disso aqui no blog várias vezes. Muita gente acha que dentista é um cara que arranca o seu dente, à sua ordem, quando ele dói. Escutei isso ontem ainda: “… quero saber que remédio eu tomo pra desinflamar o meu dente e eu poder MANDAR ARRANCAR”. Caro paciente, se você acha que é assim que funciona, precisamos conversar. Extrações dentárias têm indicação, e dentes são órgãos humanos! Que banalização é essa? Outra coisa que escutei dia desses e que me deu vontade de arrancar os tímpanos foi que “… os dentistas não falam qual o remédio que tem que ser tomado pra obrigar o paciente a procurá-lo e pagar uma consulta”. Ah, vá ver se eu tô na esquina!

    Mas não deixarei você, caro leitor, desamparado. Se o seu dente doer, siga os seguintes passos (não pule nenhum, isso é muito importante):

    1. Procure um dentista.

    😀

    Somente um dentista (sim, um médico, nessa hora, não sabe o que fazer – e não tem obrigação nenhuma disso), através de um exame clínico e possivelmente radiográfico, poderá dizer o que faz o seu dente doer. O remédio que você precisa tomar, se é que precisa, só pode ser determinado depois do exame. Mas o detalhe importante é que o dentista está apto a remover a causa da dor, seja tratando um canal, fazendo uma restauração ou uma extração. Remédio nenhum faz isso.

    Enfim, o recado é:

    • Consulte seu dentista regularmente, para o dente nem chegar a doer.
    • Se o dente doer, não se auto-medique: procure seu dentista.
    • Se o seu dentista não puder atendê-lo imediatamente, procure um pronto-socorro odontológico ou um pronto-atendimento de urgência. O importante é fazer a dor parar.
    • Não se satisfaça com a ausência temporária da dor. Termine o tratamento para que a dor não volte. Se fez curativo, trate o canal. Se fez restauração provisória, procure o dentista no tempo recomendado e faça a restauração final.

    Você pode tentar tomar um coquetel de medicamentos até “acertar”, mas isso apenas trataria os sintomas e não a causa dor. Por que não procurar quem entende do assunto, PESSOALMENTE, e resolver o problema de uma vez?


  • Antibióticos: O Perigo da Auto-Medicação

    Antibióticos: O Perigo da Auto-Medicação

    Tomar remédio por conta própria. Quem já não fez isso? Ok, ok… ninguém vai marcar consulta médica (e esperar 1 mês) pra o doutor prescrever um analgésico comum pra uma dor de cabeça igualmente comum. Mas, e quando não se trata de uma dor corriqueira? Às vezes a dor é um alerta do corpo pra algum perigo… fique atento! Nesse caso, tomar remédio sem saber o motivo da dor apenas “mascara” os sintomas e o problema real.

    Isso não é bala não! 🙂

    Tem gente que acha que antibiótico é bala de caramelo. Doeu a cabeça? Antibiótico. Doeu o estômago? Antibiótico. Doeu o dente? Antibiótico. E o pior: QUALQUER antibiótico…. Auto-medicação é ruim em qualquer categoria medicamentosa, mas quando se trata de antibióticos… ai ai ai. Já atendi pacientes com dor de dente que faziam uso crônico desses medicamentos, meses a fio! E a dor ia e voltava. Nesses casos, o antibiótico vira bala de caramelo mesmo: não ajuda em nada (e ainda prejudica muito).

    Antibióticos são medicamentos usados para combater infecções por bactérias, fungos e “otras cositas más”. INFECÇÕES, e não inflamações. Em tempo: “infecção” é o ataque das bactérias. “Inflamação” é a defesa (reação) do nosso organismo (a região fica quente, avermelhada, dolorida e inchada). Às vezes há inflamação, mas não há infecção (nem necessidade de antibiótico).

    Cada tipo de antibiótico age sobre espécies definidas de microrganismos. Alguns matam as bactérias, outros as “paralisam”. Mas todos eles “selecionam” bactérias, ou seja, agem sobre algumas e não agem sobre outras. Resumindo: quando você toma antibióticos indiscriminadamente, você elimina alguns microrganismos e deixa outros mais fortes, pois sobra mais espaço para esses últimos. E aí, com o tempo, você desenvolverá resistência, ou seja, aquele antibiótico não terá mais efeito sobre você. Aí já era.

    Trazendo tudo isso pra Odontologia, se você estiver com dor de dente não se auto-medique. Agende uma consulta com seu cirurgião-dentista para investigar o motivo dessa dor (tá, um analgésico de emergência tudo bem…). Se for uma infecção, ele prescreverá o antibiótico adequado e eficaz para o caso, a ser tomado da forma correta e durante o tempo exato. Se não houver infecção, nada de antibiótico. Além disso, se for necessário algum procedimento como exodontia (extração), restauração, endodontia (tratamento de canal) pra que a dor seja solucionada (e não “escondida” sob efeito de remédios), será feito.

    E chega de dor. Mesmo. 🙂

    Veja também: DicasOdonto – Medicamento é Coisa Séria!