Tag: siso

  • É possível “puxar” os sisos para frente?

    É possível “puxar” os sisos para frente?

    Imagine a seguinte situação: a pessoa teve que extrair um molar. Geralmente isso acontece com o primeiro molar, já que ele é um dos primeiros dentes permanentes que aparecem na boca e, além disso, nasce “atrás” dos dentes de leite, então nenhum dente cai pra ele nascer. Aí a pessoa acha que ainda é dente de leite e não cuida… enfim, esse assunto é de outro post. Mas pode ser um segundo molar, também.

    Pois bem… quando se perde um dente, é preciso substituí-lo de alguma forma. A solução mais óbvia é colocar uma prótese, que pode ser um implante, uma ponte fixa ou uma ponte removível. Mas não tem um dia sequer em que algum leitor não me pergunte: “Dra., não dá pra puxar o siso pra frente e fechar o espaço do dente extraído?”. Respondo: dá. Mas antes de comemorar, vamos considerar algumas coisinhas…

    Como “puxar” os sisos pra frente?

    Siso sendo "puxado" pra frenteEssa movimentação é feita, é claro, com aparelho ortodôntico. Se o dente perdido for superior, costuma não ser muito complicado de fazer. Já se o dente perdido for inferior… complica bastante! O problema não é o dente em si, mas a posição em que ele se encontra no osso, no ramo da mandíbula. Quando o ortodontista leva os molares pra frente, além deles irem pra frente, eles tendem a se inclinar, uma movimentação que não se deseja naquele momento. Digamos assim: “conserta-se” uma coisa, “estraga-se” outra.

    Quando os mini-implantes foram inventados – em tempo: mini-implantes não pequenos parafusos que são colocados em posições estratégicas na gengiva pra ajudar a movimentar os dentes – pensou-se que o problema estava resolvido… mas não, fechar espaços dessa forma continuou sendo complicado. Os mini-implantes acabam afrouxando, então é preciso usar um tipo especial de mini-implante, de rosca invertida.

    Ok… então é só usar um mini-implante de rosca invertida e pronto? Não. São necessárias outras medidas pra impedir que o dente que está sendo “puxado” gire. Enfim… o ortodontista tem que pensar em tudo ao mesmo tempo! Que isso sirva de exemplo pra você que acha que é só colar os bráquetes e trocar a cor da borrachinha todo mês que o aparelho trabalha sozinho! 😛

    No vídeo abaixo você vê essa movimentação dentária sendo feita. Mas tenha em mente que não é assim tão simples como parece, ok?!

    E precisa ter osso?

    Outro aspecto interessante a se considerar é o periodonto, ou seja, os tecidos que estão em volta do dente: osso e gengiva. Antes se pensava que se não houvesse osso suficiente na região do dente perdido, não era possível levar outro dente para essa posição, pois afinal de contas as raízes dos dentes precisam de osso pra se movimentarem. Porém hoje se sabe que o periodonto acompanha a raiz do dente, ou seja, quando o dente é movimentado, os tecidos em volta dele vão junto. Fazendo uma analogia, a gente não precisa tirar a roupa pra andar, não é mesmo?! Nem nossos dentes.

    Então, é possível?

    Sim, é possível puxar os sisos para frente de forma a fechar o espaço de um dente perdido. Porém, é preciso levar em conta que essa movimentação é, via de regra, complicada, trabalhosa e demorada. Se o seu dente perdido for superior, pode ser que valha a tentativa. Se o seu dente perdido for inferior, provavelmente é melhor fazer um implante. Procure um dentista / ortodontista e faça uma avaliação!

    Agradecimento

    Muito obrigada ao Dr. Leonardo Augusto, ortodontista, do OrtoBlog, que gentilmente colaborou na elaboração deste post. :)


  • É possível extrair os 4 sisos de uma vez?

    É possível extrair os 4 sisos de uma vez?

    Sim. Mas vamos por partes.

    A extração de terceiros molares (os sisos) não difere muito da extração de qualquer outro dente, a não ser pelo fato de que, muitas vezes, eles estão inclusos (dentro da gengiva) e/ou impactados (tem outro dente no caminho impedindo que eles nasçam ou eles estão mal posicionados dentro da gengiva). Embora muita gente ache que a remoção desses dentes é obrigatória, ela não é. Mas quando é, começam as dúvidas: dói extrair os sisos? Se eu não extrair eles vão entortar meus outros dentes? O pós-operatório é muito dolorido? Essas perguntas eu já respondi aqui no blog, basta clicar nos links.

    Aí você foi ao dentista, fez uma avaliação e ele confirmou: é preciso extrair os 4. Sim, como já esclarecido, é possível remover os 4 numa mesma sessão… em tese. Digo “em tese” porque cada caso é um caso, se for possível no seu caso, seu dentista irá confirmar.

    4 sisos
    Melhor 4 terceiros molares na mão do que 2 com pericoronarite! (*)

    Ok, seu dentista disse que, no seu caso, é possível tirar os 4 sisos de uma só vez. Só que você não quer isso, seja porque está com medo, porque não tem dinheiro ou porque não vê necessidade de ter pressa. É obrigatório? Não. Dá pra extrair só 1, 2 de cada lado ou todos de uma vez só. E qual a melhor estratégia? Depende.

    São vários os fatores que o seu dentista / cirurgião buco-maxilo-facial leva em conta pra decidir se dá ou não pra fazer várias extrações numa mesma sessão. É preciso considerar, principalmente, a complexidade do procedimento. Se os seus 4 dentes do siso já nasceram, provavelmente a remoção de todos de uma só vez será relativamente simples. Se você tem dentes inclusos, a tendência é que seja um pouco mais complicado, então talvez seja melhor extrair 2 de cada vez. Se esses dentes inclusos estiverem muito próximos a regiões nobres, como vasos sanguíneos e nervos importantes, talvez seja mais prudente fazer uma extração de cada vez.

    Mas essas são decisões técnicas, que só o seu dentista é capaz de tomar. Eu acho que o fator mais importante do ponto de vista do paciente é como será o pós-operatório. Os sintomas mais comuns após a extração dos sisos são: edema (rosto inchado), dor local e nas estruturas próximas (ouvido, garganta e articulação da mandíbula) e trismo (dificuldade de abrir a boca), além da possibilidade de complicações pós-cirúrgicas como parestesia (ausência de sensibilidade em lábio inferior, bochecha e língua, geralmente temporária) e alveolite (infecção). Cada extração contempla esses sintomas e complicações… imagine assumir esses riscos “vezes 4” e de uma vez só?

    Eu, particularmente, sempre sugiro aos meus pacientes que sejam feitas 2 extrações por vez, e por uma razão bem simples: removendo 2 dentes do mesmo lado, sobra o outro lado pra mastigar! Depois de mais ou menos 1 semana, quando os pontos dessas extrações forem removidos (e não havendo nenhuma complicação, claro), já é possível fazer as outras 2 cirurgias.

    O vídeo abaixo  (que legendei em português pra vocês… obrigado, de nada 😀 ) é muito didático e explica 1. como se dá a decisão pela extração dos sisos (que costuma partir do clínico-geral ou do ortodontista), 2. o procedimento em si (que em princípio pode ser executado por qualquer dentista, embora dê-se preferência ao dentista especialista em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial) e 3. o pós-operatório. Ainda, enfatiza o benefício e a facilidade de higienização que a ausência desses dentes proporciona. Assistam!

    Notem que o vídeo explica que o dente talvez precise ser cortado em 2 ou mais pedaços. Uma das maiores bobagens que eu escutei nos últimos tempos sobre remoções cirúrgicas de terceiros molares é que “dentista bom é aquele que tira o dente inteiro”. Essa afirmação, vinda de uma reportagem que vi na TV e que foi feita por um leigo, não procede. Em muitos casos simplesmente é impossível remover o dente sem seccioná-lo, e essa manobra visa justamente facilitar a extração e manter o máximo de osso no local da cirurgia (o que é altamente desejável).

    Quer saber se você precisa extrair nenhum, 1, 2, 3 ou os 4 sisos? Procure um dentista e faça uma avaliação!

    (*) Ah, os sisos que você vê na foto, lá em cima, são os meus. 😉


  • Compressa fria ou quente para dor de dente?

    Compressa fria ou quente para dor de dente?

    Depende do tipo de dor.

    Já falei aqui no blog que dor de dente é trabalho pra dentista, que qualquer remédio que se tome não garante que a dor vá embora (e se for, ela volta, pois a causa da dor permanece). Mas é compreensível que, na hora do desespero, se procure por um alívio, pelo menos. E o alívio caseiro mais famoso é o uso de compressas quentes e/ou frias.

    Qual tipo de compressa devo usar?

    Pra saber o tipo de compressa adequado é preciso entender a dor. A dor pode ser acompanhada de edema (inchaço) ou não. Quando há inchaço, é preciso considerar a causa dele. A situação mais comum de dor associada com inchaço é no pós-operatório de extrações dentárias (sisos, principalmente). Nesse caso, nas primeiras 48 horas, indica-se a compressa fria, por 2 motivos:

    1. O frio tem efeito analgésico (diminui a dor), pois os receptores da dor são “desligados” quando a pele é esfriada a uma temperatura de cerca de 12ºC.
    2. A aplicação de frio no início do pós-operatório faz os vasos sanguíneos e linfáticos se contraírem, o que diminui tanto o inchaço quanto o hematoma (o “roxo”).

    Se o inchaço for causado por um trauma (uma “pancada”), vale a mesma estratégia.

    Passadas as 48 horas iniciais da extração, com o edema controlado, pode-se iniciar compressas quentes. O objetivo do uso do calor é aumentar o fluxo sanguíneo,  fazendo os vasos dilatarem. Isso é bom porque deixa os sintomas do processo inflamatório (e toda cicatrização envolve inflamação) mais amenos. Nessa fase, a compressa quente ajuda com o edema também, pois favorece a eliminação dos líquidos extravasados e acumulados na região afetada. Outro benefício da compressa quente nessa fase é ajudar a diminuir o trismo (dificuldade de abrir a boca), pois o calor provoca um relaxamento muscular.

    Compressa fria ou quente pra dor de dente?
    Compressa fria ou quente?

    Uma outra situação é a dor de dente relacionada a um abscesso. O abscesso é um acúmulo de pus, e esse pus é resultado de uma infecção. A infecção pode tanto ter origem no canal de um dente quanto na própria gengiva (ou nos dois ao mesmo tempo). Nesse caso, a compressa quente ajuda a drenar o pus. Porém, cuidado: drenar o pus significa “puxá-lo” para fora, o que é desejável, mas pra que isso ocorra seu organismo terá que providenciar um “caminho intra-ósseo” para o pus. Esse caminho se chama fístula, que geralmente se apresenta como uma bolinha na gengiva, e nada mais é que uma comunicação entre o local onde está o pus e o meio externo. E as fístulas podem doer MUITO. Não bastasse isso, existe a possibilidade do seu organismo drenar o pus através da sua pele, e não pela gengiva, o que pode causar uma ferida muito feia na sua mandíbula, pelo lado de fora. Sério, caso pra cirurgia plástica.

    Como fazer as compressas?

    Claudia Leitte fazendo compressa depois de extrair um siso
    Claudia Leitte fazendo compressa depois de extrair um siso

    Atualmente existem bolsas térmicas com gel que podem tanto ser usadas frias quanto quentes. Facilita bastante ter uma dessas mas, se você não tiver, não há problema… dá-se um jeito ;).

    A compressa fria pode ser feita com gelo, mas lembre-se: o gelo não deve ficar em contato direto com a pele. Você pode colocá-lo num saquinho plástico e enrolar o saquinho numa toalha. Não mantenha a compressa fria sobre o rosto por mais de 10 minutos seguidos e aguarde pelo menos 10 minutos antes de fazer uma nova compressa.

    A compressa quente pode ser feita com uma toalha aquecida com um ferro de passar roupa, por exemplo. Não vá colocar o ferro direto no rosto, hein?! 😉

    E o mais importante:

    Analgésicos, compressas e qualquer outra “receita caseira” que a sua vizinha tenha proposto servirão, no máximo, pra dar uma enganada na dor como medida paliativa. Se o dente doeu, corra no dentista. Isso sim é solução.


  • É preciso MESMO extrair os dentes do siso?

    É preciso MESMO extrair os dentes do siso?

    Siso incluso / retido / impactado

    Um dos primeiros posts deste blog teve como personagem principal ele, o siso. Ou seja, já faz mais de 2 anos que eu venho falando sobre os terceiros molares e, diariamente, recebo muitas e muitas perguntas sobre o dito-cujo. A maioria dessas perguntas contempla a cirurgia em si, ou seja, se dói extrair os sisos e quais são os sintomas comuns após a extração dos sisos. Mas não é raro que alguém me pergunte se precisa extrair os próprios terceiros molares.

    Minha resposta, é claro: não sei. Não tenho como saber, e nem posso me basear em descrições do tipo “meu siso está nascendo e dói” para sentenciar um dente à extração. Não adianta: você vai ter que procurar um dentista e fazer uma avaliação.

    Aí a pessoa vai ao dentista. O siso nunca incomodou. Talvez tenha nascido, talvez nunca tenha dado o ar da graça, mas o dentista decreta: tem que extrair. O cidadão sai do consultório, entra na Internet e cai aqui no blog: “Dra., meus sisos nunca me incomodaram, fui numa consulta de rotina num dentista e ele me disse que eu TENHO que extrair os sisos porque senão terei problemas em breve. É verdade?”

    Mesmo que o siso não incomode, ele pode ter, sim, indicação de extração. Mas uma coisa é fato: tá cheio de dentista por aí sugerindo a extração dos sisos de forma rotineira e sem considerar a relação custo-benefício para o paciente. Tanto é que as pessoas, de forma geral, costumam achar de que todo dente do siso precisa ser extraído mais dia, menos dia… que é algo inevitável. E isso não é verdade. Terceiros molares totalmente irrompidos e bem posicionados, por exemplo, não precisam ser extraídos.

    Ok. Mas então, quais são os principais motivos (oficiais) que justificam a extração de um dente do siso?

    1. Dentes inclusos e/ou impactados: dentes que não nasceram e, considerando seus posicionamentos intra-ósseos, nunca vão nascer.
    2. “Pressão” do dente do siso contra o dente à sua frente, ameaçando a permanência do segundo molar na boca.
    3. Pericoronarite recorrente: a gengiva que cobre o siso vive inflamando.
    4. Dificuldade de higienização: predispõe à pericoronarite e leva, muitas vezes, esses dentes a desenvolverem cáries também.
    5. Motivos ortodônticos (outra controvérsia, que eu discuto em outro texto) ou protéticos

    E por aí vai.

    A grande controvérsia é, sem dúvida, o motivo número 1: os sisos inclusos. Diz a literatura que há uma certa chance de um siso retido (que não nasceu) estar associado a um cisto ou um tumor. Güven et al (2000), analisando 9994 terceiros molares inferiores retidos, encontrou 231 cistos (2,31%) e 79 tumores (sendo 0,02% deles malignos). Já para Yildirim et al (2008), a ausência de sintomas dolorosos não assegura a ausência de quadros patológicos (em resumo: não é porque não dói que está tudo bem). Seu estudo verificou que dentre 120 folículos pericoronários de sisos inferiores retidos (um “saquinho” que aloja o dente em desenvolvimento dentro da gengiva), 23% apresentaram alterações, portanto esses dentes deveriam ser removidos de forma preventiva.

    Caro paciente, decifrando os dados acima pra você: um estudo disse que nem 3% dos sisos inclusos “viram” cistos e, o outro, que 23% dos dentes analisados apresentavam alterações, o que daria base para a ideia de extraí-los preventivamente. Percebem como os números são bem diferentes? Ou seja, existem vários estudos e muitas opiniões a respeito, mas nem os próprios dentistas concordam que sisos inclusos devem ser extraídos “antes de dar problema”.

    A questão que quero levantar é a seguinte: será que nós, dentistas, não deveríamos ser mais prudentes ao indicar remoções cirúrgicas de terceiros molares inclusos assintomáticos? Eu gosto sempre de me colocar no lugar do paciente… se o dente fosse meu, eu  aconselharia a extração? Diariamente recebo comentários de pessoas contando das complicações pós-operatórias que tiveram por causa de dentes inclusos que elas nem sabiam existir, inclusive parestesias permanentes. Nos EUA, por exemplo, apesar dos riscos envolvidos em qualquer procedimento cirúrgico, anualmente milhões (!) de dentes do siso saudáveis e assintomáticos são extraídos pouco antes dos jovens entrarem na faculdade, por uma questão “preventiva”. Pois é.

    Enfim, minha intenção com este texto é chamar a atenção para uma certa banalização das cirurgias odontológicas. Toda cirurgia envolve riscos, não só as neurológicas ou de peito aberto! Cada caso é um caso e deve ser analisado de forma individual, levando em conta a relação custo-benefício para o paciente. Se o siso não dói, não está infeccionado nem cariado e não ameaça outro dente, talvez um acompanhamento periódico seja suficiente. Dessa forma, evita-se o temor da cirurgia, alveolites e rostos inchados, além de certas complicações pós-cirúrgicas que podem marcar para sempre a vida do paciente.

    Vale ler também essa matéria traduzida do New York Times sobre o tema, dica do leitor Danilo Cruz.


  • Comunicação Buco-Sinusal: Sintomas e Tratamento

    Comunicação Buco-Sinusal: Sintomas e Tratamento

    A comunicação buco-sinusal é uma complicação pós-cirúrgica que pode acontecer quando a pessoa se submete à extração de um dente de cima (geralmente o segundo pré-molar, os molares ou o siso). Primeiramente, é importante entender o que esse nome metido à besta isso significa.

    Como o próprio termo sugere, a comunicação buco-sinusal é uma ligação não desejada entre a boca e o seio maxilar, um “buraco” que passa a ligar essas duas regiões anatômicas. A boca, é claro, vocês sabem onde fica ;). Já o seio maxilar é uma região “oca” que fica acima dos dentes superiores. É essa mesma região que inflama quando a gente tem sinusite. Localizou?

    Olha só como tá perto!

    Pois bem. Percebeu como as raízes dos dentes superiores estão pertinho da parte de baixo do seio maxilar? Nem todas as pessoas apresentam essa proximidade mas, quando apresentam, há uma chance de, ao dente ser extraído, uma comunicação buco-sinusal acontecer.

    Comunicação Buco-Sinusal

    Como saber se aconteceu uma comunicação buco-sinusal?

    Através de uma radiografia costuma ser possível visualizar esse tipo de problema. Outra forma bem comum, e que pode ser utilizada no momento da extração, é fazer o teste da “expiração forçada” ou manobra de Valsava. Essa manobra consiste em tampar o nariz do paciente e pedir pra ele fazer força, como se fosse assoar o nariz. Se sair ar do alvéolo (o “buraco” onde estava o dente), fica confirmada a comunicação buco-sinusal. Faça o teste aí! 🙂

    Quais os sintomais mais comuns?

    • Sinusites recorrentes
    • Ao ingerir líquidos, a bebida sair pelo nariz
    • Voz nasalisada
    • Transtornos ao engolir de líquidos e alimentos
    • Mau hálito
    • Coriza (nariz escorrendo)
    • Paladar alterado (gosto ruim na boca)
    • Nariz trancado de um lado só
    • Dor na face e dor de cabeça
    • Tosse noturna devido à drenagem do exsudato (um líquido proveniente da inflamação/infecção) para a faringe.

    Qual o tratamento?

    • Imediato: se a comunicação for notada ainda durante a extração, primeiramente o cirurgião-dentista precisa verificar se o seio maxilar está normal (se não há nenhum corpo estranho dentro dele). Sendo assim, ele fará na hora a aproximação dos bordos da mucosa para fechar o alvéolo e eliminar a comunicação, suturando como se não houvesse amanhã. 😉
    • Tardio: se a comunicação não foi percebida na hora da cirurgia, o cirurgião-dentista primeiro vai tratar qualquer possível infecção. Isso feito, será realizada uma nova cirurgia em que um retalho (pedaço) de mucosa, geralmente retirado do céu da boca, será colocado sobre a comunicação, com o objetivo de “tampá-la”.

    Uma comunicação buco-sinusal pode “se fechar” sozinha?

    Existe a possibilidade disso acontecer em até 48 horas após a cirurgia, caso a comunicação seja MUITO pequena. Mas geralmente a resolução desse tipo de problema necessita de nova intervenção cirúrgica. Um tempo atrás alguém me fez essa pergunta aqui no blog e, pela descrição que a pessoa fez do caso, eu disse que ela precisaria conversar com o seu dentista porque certamente seria preciso fazer uma nova cirurgia para fechar o “buraco”. Porém, o dentista responsável pelo caso disse ao paciente que “era preciso aguardar, porque a comunicação ia acabar se fechando sozinha”.

    Essa pessoa, é claro, retornou aqui para me dar uma mijada confrontar, dizendo que eu o “tinha assustado” e que eu “não devia generalizar dessa forma”. Minha opinião com relação ao caso dele continua a mesma, e gostaria de recomendar aqui o que recomendei a ele: se você tem uma comunicação buco-sinusal, não é a mim (ou à qualquer outra ~~pessoa da Internet~~) que você deve perguntar se vai “fechar sozinha”… pergunte ao seu dentista. Eu nunca examinei você, portanto não tenho os dados necessários para lhe dar essa informação de forma precisa.

    Quais as recomendações pós-operatórias?

    Se você fez uma cirurgia para reparar uma comunicação buco-sinusal, você não deve assoar o nariz nem realizar bochechos. A alimentação dele ser líquida e/ou pastosa.  Os pontos serão removidos depois de 1 semana, e seu dentista pedirá que você retorne periodicamente para acompanhar o caso.


  • Meu dente demora pra nascer?

    Meu dente demora pra nascer?

    Uma pergunta recorrente de quem procura sanar suas dúvidas sobre Odontologia com “qualquer um” na Internet (em vez de perguntar para um dentista) é o tempo que um dente leva para nascer. Essa preocupação é muito comum, em pelo menos 4 situações:

    Quando um dente de leite é perdido antes da hora

    Seu filho caiu e bateu o dente da frente. Ou o dentinho dele estava tão cariado que não deu pra manter na boca. Nas duas situações, o dente de leite foi embora antes do que devia. Quando isso acontece, não espere que o dente permanente nasça em seguida para fechar o buraco… porque é esperado que isso aconteça apenas quando for a hora certa (veja aqui a idade aproximada em que nascem os dentes).

    Durante a troca normal dos dentes de leite pelos permanentes

    Para que um dente “de adulto” nasça ele precisa, antes, “comer” a raiz do dente de leite. Sim… dentes de leite têm raízes e só ficam moles quando essas raízes são reabsorvidas pelo dente permanente correspondente que “caminha” lá dentro do osso em direção à gengiva. Existe um tempo certo tanto para os dentes de leite quanto para os permanentes nascerem. Porém, qualquer tabela que você consulte trará idades MÉDIAS em que isso acontece. Muitos pais ficam preocupados quando os dentes de leite dos filhos demoram para nascer e, da mesma forma, muitos adolescentes acham que lhes falta algum dente porque o dito-cujo não aparece. Mas muitas vezes não há problema algum, apenas ansiedade do banguela.

    Dentes permanentes reabsorvendo as raízes dos dentes de leite

    Quando o dente “aponta” e não cresce de uma vez!

    Essa é uma dúvida que muitos adolescentes têm. O dente de leite cai e, logo em seguida, o permanente aparece. Só que ele não cresce! E fica lá aquela pontinha durante meses a fio. Isso não é necessariamente um problema… alguns dentes são mais preguiçosos pra nascer mesmo. Mas pode virar um problema quando não há espaço suficiente para o dente que vem vindo e ele não tem pra onde ir. Se enquanto isso a raiz dele se formar completamente dentro do osso, ele não nasce mais sozinho. Pra saber se esse é o seu caso, um dentista precisa avaliar você.

    Quando o siso está nascendo

    Muitas vezes a gengiva que recobre o siso infecciona. Isso se chama pericoronarite e dói pra caramba. Aí a pessoa sai espalhando: “Minha gengiva está inflamada porque o siso está nascendo!”. Porém, essa inflamação não significa que o siso está necessariamente nascendo… se assim fosse, alguns dentes do siso demorariam anos pra nascer! O que muitas vezes acontece é que o siso já terminou de nascer, mas mesmo assim a tal gengiva fica cobrindo ele, o que dificulta bastante a higienização do local. Aí as bactérias fazem a festa e… o resto vocês já sabem. Em resumo: se a gengiva que cobre o seu siso inflama de forma recorrente, procure um dentista para ou remover essa gengiva ou extrair o dente. E seja feliz.

    Essas são algumas situações em que os dentes parecem demorar pra nascer, o que deixa muitos pais e pacientes de cabelos em pé. Saiba que, depois que o dente de leite cai, o permanente pode demorar ainda pra nascer… e que, depois que o permanente começa a nascer, pode levar meses “nascendo”. Espero que a esta altura você, leitor, esteja mais tranquilo com relação a isso. Mas lembre-se: a melhor forma de tirar a cisma é procurar um dentista e fazer uma avaliação. Pergunte pra quem sabe! 😉


  • Dói extrair os sisos?

    Dói extrair os sisos?

    Todo mundo que tem entre 17 e 21 anos e está com a cara inchada quer saber: dói pra tirar os sisos (terceiros molares)? Resposta: não dói. “Mas como não? Fiquei sabendo que a cunhada da prima da minha avó quase morreu quando foi tirar os dela!”. Pois é… e desde quando você liga pra o quê a cunhada da prima da sua avó diz? 😉

    Melhor 4 sisos na mão do que 2 com pericoronarite!

    Primeiramente, nem todo siso precisa ser extraído. A decisão pela remoção de 1 ou mais dentes do siso depende de vários fatores. Geralmente são extraídos aqueles terceiros molares que mais atrapalham do que ajudam: os que já estão cariados e precisam de tratamento de canal para continuarem em função, aqueles que recorrentemente infeccionam a gengiva e causam uma dor danada, os que não participam da mordida e estão na boca “só de enfeite” (e pra juntar restos de comida) e os que ainda nem nasceram e, por estarem impactados, nem vão nascer.

    E como é que acontece a temida extração dos terceiros molares? Primeiramente, o dentista vai pedir que você faça uma radiografia panorâmica. Esse exame é necessário para saber qual a posição dos seus dentes, principalmente dos sisos que ainda não nasceram. Também serve pra conhecer o formato das raízes deles, já que os sisos podem apresentar anatomias diversas.

    Feitos os exames (a radiografia ou quaisquer outros que seu dentista tenha requisitado) é hora de marcar o dia do abate da cirurgia. Dá pra tirar 4 de uma vez só? Dá, mas geralmente faz-se 2 de cada vez pra judiar menos da vítima do paciente. Isso porque o parte  mais chata para o paciente costuma ser o pós-operatório, e não as extrações em si. A regra é a seguinte: quanto mais for mexido, mais chata e demorada será a recuperação. Se for preciso desgastar osso, cortar o dente em pedaços para removê-lo e etc., mais dias “de molho”.

    Durante a cirurgia o paciente está anestesiado, portanto não tem motivo nenhum pra sentir dor. E, depois das extrações, serão prescritos analgésicos e/ou anti-inflamatórios, para diminuir ao máximo o desconforto pós-operatório. Seu rosto pode inchar, ficar roxo, amarelo, verde. Mas aí já era, né?! Nessa fase o importante é seguir à risca as orientações do seu dentista, como:

    • Não faça esforço físico.
    • Coma alimentos mais pastosos e que não estejam muito quentes. Se empanturre de sorvete! 😉
    • Procure não cuspir nem fazer bochechos. Se estiver com um gosto ruim na boca, beba água. A pressão negativa que se faz dentro da boca ao cuspir pode soltar pontos e desprender o coágulo, que é uma massa vermelho-escura que fica no alvéolo, o buraco onde o dente estava. Isso pode provocar sangramento.
    • NÃO FUME. A chance de você conseguir uma bela de uma alveolite (a inflamação do alvéolo) é enorme se você teimar em fumar durante o período de recuperação. Não diga que eu não avisei…
    • Mantenha limpo o local da extração, livre de resíduos alimentares. Se não der pra usar a escova de dentes, tente com um cotonete, com cuidado.
    • Tome a medicação prescrita pelo seu dentista da forma que ele receitou e pelo tempo certo, mesmo que não esteja doendo mais. Às vezes não dói mais justamente porque você está tomando remédio.
    • No dia marcado, compareça ao consultório do seu dentista para remover os pontos. Não tente remover os pontos sozinho.

    Claro que, se você aparecer no consultório do dentista quando o siso estiver todo inflamado e doendo, uma extração de urgência provavelmente será dolorida. Isso porque a anestesia não “pega” bem em tecido inflamado. Portanto: não espere o dente inflamar… vá ao dentista antes do dente doer e eu GARANTO: vai dar tudo certo!

    “Ah, mas pra você é fácil falar que não dói… você é dentista!”. É… mas sabe de quem são os 4 sisos da foto deste post? Tá falando com a dona! Tirei os 4, 2 de cada vez, e não tenho nenhuma história assustadora pra contar… sorry! 😉


  • Respeito é bom e eu gosto!

    Respeito é bom e eu gosto!

    Nossos consultórios são nossas empresas. É lá que nós, dentistas, fazemos o que gostamos (e algumas coisas que não gostamos) e ganhamos nosso dinheiro. Mal nenhum há nisso, pelo contrário, trabalhar e tirar daí nosso sustento é bom, digno e honesto. Temos sim um relacionamento comercial com nossos pacientes que, é claro, não se restringe a isso… nem é o mais importante.

    Considerando essa relação comercial (e que dinheiro não dá um árvore), é compreensível que o paciente queira negociar o valor do tratamento ou a forma de pagamento. Só que tem gente que parece que está comprando banana na feira. Semana passada  uma moça ligou querendo agendar a remoção de um siso. Geralmente quem faz os terceiros molares no meu consultório é um colega meu. Disse a ela que iria verificar a disponibilidade do meu colega para o dia que ela me pediu.

    Olha a oferta, freguesia!

    Até aí tudo bem. Eis que ela continuou: “… sabe o que é, doutora… minha mãe vem na semana que vem pra cá, e faz mais de um ano que eu não a vejo. Será que dava pra arrumar um atestado pra eu passar a semana com ela?”. Respondi, é claro, que não. Atestado não é brincadeira, não é um vale-feriado. Ela não gostou, mas não disse mais nada. Fiquei de ligar para confirmar. Depois que falei com o meu amigo e ele disse que podia atendê-la, entrei em contato novamente.

    Dessa vez, quem atendeu foi o marido dela, que é meu paciente. Pedi que a avisasse que a cirurgia estava marcada. Ele, me interrompendo, começou o discurso: “… pois é, doutora! A [nome da paciente] falou que a mãe dela está vindo nos visitar, né?! Eu disse pra ela: pode abrir o jogo com a doutora! Diz pra ela que o atestado é pra ficar com a sua mãe, ela vai entender”. Eu disse que entendia sim. Mas que não seria possível, porque se tratava de uma cirurgia simples… não havia justificativa aceitável para um atestado tão longo assim.

    Perguntei: “Afinal… posso deixar agendada a cirurgia?”. E aí veio a pérola, aquilo que eu nunca achei que ia escutar: “Bom… se a doutora der o atestado pra uns 5 dias, ela vai querer fazer a cirurgia sim”.

    (…)

    Entenderam? Se eu fornecesse um atestado absurdo, onde constariam meu nome, meu CRO e, nas entrelinhas, minha [falta de] ética, eu e meu colega teríamos o “prazer” de atender a esposa do cara. Senão, nada feito.

    O Código de Ética Odontológica, em seu capítulo V, seção I, art. 7o, diz:

    “Constitui infração ética: XI – fornecer atestado que não
    corresponda à veracidade dos fatos ou dos quais não tenha participado”.

    Quando se contrata um serviço em Odontologia, pode-se negociar uma série de condições… mas tem uma coisa que, pelo menos pra mim, é inegociável: minha retidão. Se tem gente por aí que “prolonga” atestados (e até os vende!), sinto muito. Mesmo. Felizmente não é o meu caso.

    O que mais me revoltou nessa história toda não foi nem o paciente ter perguntado se era possível fornecer o atestado, porque isso só traz à tona o [mau] caráter dele. O inaceitável é ele ter associado a possibilidade de atendimento, de “fechar um orçamento”, com uma possível atitude desonesta de minha parte. Ei, sou “farinha de outro saco”!

    Pra ele, pra ela, pra qualquer outro paciente que se comportar como se estivesse na feira: reservo-me ao direito de não atendê-lo. Não estou desesperada, nem passando fome e, mesmo que estivesse, isso não mudaria minha essência. Durmo como um anjo todas as noites, e isso se chama “consciência limpa”.

    A porta da rua é serventia da casa.


  • Terceiros Molares Inclusos

    Terceiros Molares Inclusos

    “Meus sisos não nasceram. E agora, o que fazer?”

    Talvez nada. Talvez você não tenha sisos (sortudo!) :). Isso se chama, em termos técnicos, “agenesia”, e significa que Papai do Céu foi legal com você. Não há problema nenhum em não ter 1, 2, 3 ou os 4 terceiros molares. Se eles não irromperam (nasceram) e não incomodam, só com uma radiografia é possível saber se eles existem.

    Terceiro molar semi-incluso

    Às vezes os terceiros molares não aparecem porque, por mais que haja espaço pra eles nascerem, tem um outro dente no caminho deles. Ou eles estão em posição desfavorável (deitados, por exemplo). Aí eles além de “inclusos” (dentro da base óssea e da gengiva) estão “impactados”, ou seja, existe um obstáculo que os impede de sair por conta própria.


    “Mas se meus sisos não nasceram e não me incomodam, porque tirá-los?”

    Boa pergunta. Primeiro porque há uma possibilidade de, no local em que está o dente, surgir um cisto ou um tumor, que nesse caso precisará ser removido. Talvez esse cisto até já exista, e por isso o dente não nasceu. Segundo porque o terceiro molar pode reabsorver (“fazer sumir”) a raiz e até a coroa do dente mais próximo a ele, o segundo molar. Aí você poderá ter que tirar dois dentes: o segundo e o terceiro molar. Alguns profissionais acreditam, ainda, que os terceiros molares podem empurrar os outros dentes da mandíbula para frente, o que causa apinhamentos dentários (aquela falta de espaço que deixa os dentes tortos, um meio em cima do outro). Mas isso não é consenso, nem minha opinião.

    Então, não ache que o seu dentista só está querendo ficar rico às custas dos seus sisos (ou da remoção deles).  Há motivos sim pra tirar seus terceiros molares inclusos de lá, mesmo que você não sinta dor. 🙂


  • Os Terceiros Molares e a Pericoronarite

    Os Terceiros Molares e a Pericoronarite

    Olá. Post inaugural do blog! Então vamos começar falando dele, do dente do cis… oops! Dente do siso. Mas vamos chamá-lo pelo nome “técnico”: terceiro molar.

    Os terceiros molares são os últimos dentes a irromperem (nascerem) nos arcos dentários, lá pelos 18 anos de idade. São 4 no total: 2 superiores, 2 inferiores, 2 esquerdos, 2 direitos… oh, wait… 🙂 Eles se posicionam lá no fundo, são os últimos da fila. Por serem os últimos a aparecerem e, como a boca não é coração de mãe, às vezes falta espaço pra eles. E aí é que começa o problema…

    O terceiro molar. Mas pode chamar de siso.

    Quando não há espaço pra eles irromperem, eles permanecem dentro da base óssea. Nesse caso, o paciente acaba achando que não possui os terceiros molares, mas uma simples radiografia panorâmica confirma ou não a existência deles.

    “Ok, mas meus sisos não nasceram. E agora, o que fazer?” Veja aqui.

    E quando há espaço e nenhum outro dente impede a passagem, eles irrompem. Durante o processo de irrupção, o problema mais comum que se verifica é a pericoronarite. A pericoronarite é caracterizada pela inflamação da gengiva que recobre o terceiro molar, o que leva a dor local e/ou na região de mandíbula e pescoço, além de dificuldade de abrir a boca (trismo), mastigar e engolir. Algumas vezes causa até dor na ATM (articulação temporomandibular).

    O tratamento da pericoronarite consiste na higiene adequada do local, bochecho com anti-sépticos bucais (à base de clorexidina), aplicação de água oxigenada na região (pelo cirurgião-dentista) e, para a dor, analgésicos e antiinflamatórios. Se houver infecção instalada, há ainda a necessidade de antibióticos. Lembre-se: nunca se auto-medique. Procure o seu dentista e ele sim fará o diagnóstico e prescreverá a medicação necessária. Não brinque com remédios, principalmente com antibióticos!

    Por fim, quando a infecção estiver controlada, pode-se realizar a retirada da gengiva excedente, através de uma pequena cirurgia.