Tag: dor

  • Medo de dentista pode ser genético!

    Medo de dentista pode ser genético!

    Em princípio, não de forma direta, mas se considerarmos variáveis relacionadas ao medo da dor. Explico.

    Dois pesquisadores de Psicologia da West Virginia University descobriram que o medo e ansiedade durante – ou antes – da consulta no dentista podem ter origem genética, herdada dos pais. O estudo é um dos primeiros que sugere que a genética, unida a fatores ambientais, pode determinar se uma pessoa irá ter medo de dentista ou não.

    Dor de dente
    O artigo de Cameron Randall e Daniel Mcneil demonstra que o medo da dor pode ser hereditário. E é sabido que um dos grandes fatores que gera medo com relação ao atendimento odontológico é justamente a expectativa de sentir dor. O estudo proporciona, portanto, novas informações que esclarecem como o medo da dor pode influenciar no desenvolvimento do medo de dentista.

    “O achado mais importante deste estudo é que os nossos genes podem predispor algumas pessoas a serem mais susceptíveis a desenvolver medo de dentista, devido a variáveis relacionadas a dor em geral”, destaca Randall.

    O medo da dor durante o atendimento odontológico é algo relativamente comum. Nos EUA cerca de 20% dos pacientes adultos relata sofrer com o problema, o que os leva a evitar ao máximo a procura de ajuda profissional quando necessário. Considerando que o ideal é a atenção preventiva, e não a curativa, as consequências para a saúde dessas pessoas podem ser bem ruins.

    A ideia, agora, é entender a razão pela qual tantas pessoas têm medo de dentista, pra que se possa adotar medidas que ajudem a diminuir o problema.

    O artigo conclui: “As informações obtidas no estudo, junto com dados que já foram documentados, são importantes para que se detectem as causas do medo, o que irá ajudar a desenvolver novos tratamentos dentais, evitando ou diminuindo esta fobia”.

     

    O artigo ainda não foi publicado, mas será em breve no Journal Community Dentistry and Oral Epidemiology.

    Via Science Daily


  • Piercing na boca: será uma boa ideia?

    Piercing na boca: será uma boa ideia?

    Piercing é uma palavra em inglês que significa “perfuração”. Ela é usada, também, pra dar nome à moda de se colocar uma joia ou uma peça decorativa em metal, por perfuração, em certas partes do corpo como língua, nariz ou umbigo. Taí um assunto sobre o qual perguntam muito e do qual eu nunca tinha falado aqui no blog.

    Será uma boa ideia?

    Do ponto de vista estético, até acho legal! Mas do ponto de vista da saúde… tenho lá minhas dúvidas.

    Por quê? Vou dar um exemplo. Tem um artigo (*) em que os autores avaliaram, através de questionários, 63 pessoas que usavam piercings (quaisquer) na cidade de São Francisco (EUA). A ideia era determinar quais os tipos mais comuns e os problemas associados. Dos 63 indivíduos, 51 tinham piercing lingual, sendo a linha média anterior da língua o local mais comum.

    Em 13 indivíduos houve o relato de fraturas dentárias e em 4 houve presença de trauma gengival associado ao uso do piecing lingual. Oito pessoas apresentaram aumento do fluxo salivar e, em 2 casos, houve o desenvolvimento de infecção. A presença de piercing labial foi relatada em 24 casos, sendo que em 10 ele estava localizado no centro do lábio e em 14 em pelo menos um dos lados da boca. Dos piercings labiais, nenhum apresentou dano aos dentes, mas em 3 casos houve trauma gengival. Também em relação ao piercing labial, em nenhum caso houve presença de infecção, mas em 3 casos ocorreu aumento de fluxo salivar. Em alguns casos, foram relatadas perdas de dentes e ocorrência de hiperplasia inflamatória (crescimento de tecido) na língua.

    Como vocês podem ver, o uso de piercing tem suas consequências.

    Possíveis consequências do uso de piercing bucal

    Isso de forma geral, considerando lábios, língua, freios, etc., desde a colocação do piercing até em longo prazo:

    • Dor / inflamação;
    • Sangramento persistente / prolongado;
    • Perda de sensibilidade na região perfurada;
    • Obstrução das vias aéreas pela aspiração do piercing ou pelo inchaço pós-colocação;  (acontece!)
    • Trincas ou fraturas  dentárias;
    • Machucados e lesões na gengiva;
    • Movimentações dentárias indesejadas, aparecimento de espaços entre os dentes, etc.;
    • Recessões gengivais;
    • Interferência na mastigação ou deglutição;
    • Formação de cicatrizes;
    • Ocorrência de alergia ao metal;
    • Interferência na fala / dicção;
    • Aumento da salivação;
    • Perda de paladar;
    • Infecção local.
    Piercing na boca
    Piercing na boca causando recessões gengivais

    Algumas dicas úteis

    • Não faça piercing do pescoço pra cima. 😀
    • Mas se for fazer, procure um profissional qualificado, um body piercer que tenha conhecimento de anatomia e de técnicas de enfermagem. É o mínimo.
    • Faça uma excelente higienização! Remova o piercing de vez em quando pra limpar bem, pois há o acúmulo de resíduos.
    • Durante o período de cicatrização, que leva de 4 a 6 semanas, evite contato com fluídos corporais (beijar, fazer sexo oral, etc.).

    * * *

    Em resumo, o recado é o seguinte: se você for maior de idade e quiser ter um piercing, ninguém pode impedir você. Apenas esteja ciente de que sua decisão terá consequências, e eu espero que as mais brandas. Mas em se tratando de piercing de lábio, de língua e em outras partes da boca, não dá pra garantir isso.

    Pesquisas recentes indicam que a grande maioria dos portadores de piercing relata algum tipo de complicação, em menor ou maior grau. Porém, apenas 7% deles procura atendimento. Não faça parte das estatísticas… quando se acontecer, procure um dentista ou um médico. 😉

    Assista:

    Leia também: OdontoDiva Explica #2: Piercing na Língua (dicas de uma dentista que já teve piercing na língua… e passa bem). 😀

    (*) SCULLY, C.; CHEN, M. Tongue piercing (oral body art). Br J Oral Maxillofac Surg, London, v.32, n.1, p.37-38, Jan. 1994.

  • Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um denteUma pergunta que sempre me fazem e que eu vivo respondendo. Acho que vale escrever um post só sobre isso. 🙂

    Não custa nada relembrar as principais orientações pós-operatórias:

    1. Não fazer esforço físico.
    2. Não ingerir alimentos consistentes ou duros.
    3. Não ingerir alimentos e bebidas quentes. Prefira os mornos e frios.
    4. Não fumar.
    5. Não ingerir bebidas alcoólicas.
    6. Não fazer bochechos (a não ser quando indicado por seu dentista) ou cuspir.
    7. Higienizar o local.
    8. Tomar a medicação que seu dentista prescreveu, pelo tempo indicado por ele.
    9. Comparecer para remover os pontos.

    O local da extração consiste basicamente num “buraco” (uma loja óssea chamada alvéolo) protegido pelos pontos que o dentista deu na gengiva. Sim, é normal que fique esse ‘buraco”, porque a gengiva, nesse caso, cicatriza de uma forma diferente da nossa pele, um processo que se chama cicatrização por segunda intenção, ou seja, as bordas da ferida não se juntam, a cicatrização se dá “de dentro pra fora”. Então os pontos que o dentista dá (quando não há cortes, claro) servem mais pra formar uma rede de proteção, e não pra fechar o “buraco”, ok?!

    Dito isso, vamos falar da higienização.

    Pode escovar diretamente o local?

    Não. Considere que no local da extração há uma ferida, e feridas não devem ser escovadas. Quando há uma ferida na sua pele, você não mete uma escova nela, certo?! O mesmo princípio vale para a gengiva em cicatrização após uma extração dentária. Escove todos os dentes normalmente, mas o local da cirurgia, não. Até porque provavelmente você não vai conseguir, já que vai doer. Escovar a ferida, além de machucar, fazer doer e provocar sagramentos, pode soltar os pontos. Cuidado.

    Pode fazer bochechos?

    Sim, mas nunca nos primeiros 3 dias após a extração. Isso porque logo que o dente é removido se forma uma tecido inicial de cicatrização dentro do “buraco” onde o dente estava, chamado coágulo. Ele geralmente parece uma gengiva mole e mais escura. Fazer bochechos nessa fase pode remover o coágulo, o que causará sangramento e até pode levar a uma alveolite. Mesmo passados os 3 dias iniciais, evite bochechos muito vigorosos. Vá com calma.

    Então, como limpar o local da extração de um dente?

    Essa não costuma ser uma tarefa muito fácil, principalmente porque não é incomum que a pessoa não consiga abrir a boca direito nos primeiros dias após a extração, uma condição chamada trismo, que é um sintoma comum após a extração dos sisos, por exemplo. Nesse caso, um enxaguante bucal pode ser muito útil, desde que – como já mencionado – não se façam bochechos vigorosos pra não remover o coágulo.

    Algo que pode ajudar bastante é usar uma seringa (sem agulha) cheia de água limpa, enxaguante bucal ou soro fisiológico pra lavar o local da extração. Da mesma forma que ocorre com o enxaguante, evite fazer isso nos 3 primeiros dias do pós-operatório. Essa estratégia ajuda a remover resíduos alimentares maiores como grãos de arroz, etc..

    Outra dica é usar um cotonete umedecido pra limpar os pontos superficialmente, já que sobre eles às vezes se forma uma camada esbranquiçada de resíduos. Essa camada pode e deve ser removida, mas não introduza o cotonete no “buraco” ou em qualquer reentrância, ok?! A limpeza é apenas superficial. É muito comum que a pessoa queira enfiar o cotonete dentro do alvéolo, mas isso não ajuda em nada e ainda atrapalha.

    Por último: é praticamente impossível que você consiga manter totalmente limpo o local da extração o tempo todo. Abrir a boca dói, mexer no local dói, higienizar dói. Então não fique muito neurótico, apenas procure fazer uma boa limpeza superficial após cada refeição e seguir as recomendações pós-operatórias do seu dentista. Mesmo que a cor da gengiva pareça estranha, haja inchaço, o seu hálito esteja péssimo e um líquido transparente e com gosto ruim saia do local, não significa que você tem uma infecção. Esses sintomas são comuns e inerentes ao processo inflamatório, que está presente em qualquer cicatrização.

    Mas caso realmente você ache que tem alguma coisa errada (muita dor, sangramento, pus, febre, etc..), não hesite em entrar em contato com o seu dentista. É atribuição dele orientar você depois da extração, também.

    Fico aqui torcendo pra que você tenha uma boa recuperação. 🙂


  • Dor na Articulação da Mandíbula: Causas e Tratamento

    Dor na Articulação da Mandíbula: Causas e Tratamento

    ATMSua cabeça dói, sua mandíbula parece cansada, a articulação da sua boca (a ATM ou articulação temporomandibular) faz uns barulhos estranhos. Você não sabe, mas pode estar sofrendo de uma disfunção temporomandibular (DTM). Ou não. 🙂

    Quais os sintomas da DTM (Disfunção Temporomandibular)?

    As disfunções crânio-mandibulares são as principais causas de dor de origem não-dentária na região da face. Desordens músculo-esqueletais e da ATM (articulação temporomandibular) podem causar bastante desconforto e o seu diagnóstico não é assim tão óbvio. É provável que você que lê este texto tenha estalidos, sofra com dores de cabeça, dores de ouvido e na região articular, e chegou aqui justamente pra entender o que está acontecendo.

    Mas dor na região da articulação não significa, necessariamente, problema articular. Segundo Bell (1989), em princípio considera-se a dor como de origem dentária, até que se prove ao contrário. Depois, como de origem muscular, até que se prove o contrário. E só depois, articular. Viu como não é assim tão simples?

    Como saber se eu tenho DTM?

    Cerca de 90% das DTMs são diagnosticadas pelo exame clínico. A questão é que nem todo profissional (seja médico ou dentista) está preparado para fazer o diagnóstico. Por isso, se você desconfia que tem DTM, é importante procurar um dentista especialista em DTM e Dor Orofacial. Exames de imagem podem ajudar, mas o fator determinante no diagnóstico de DTM ainda é a queixa do paciente. O dentista especialista na área é capaz de diferenciar variações anatômicas de alterações patológicas, além de correlacionar os dados clínicos com os dados epidemiológicos, pra aí sim fechar um diagnóstico.

    Quando o exame físico e a anamnese (aquele monte de perguntas que o dentista faz) levantam a possibilidade de uma DTM, existem alguns exames que podem ajudar a determinar a causa do problema: a radiografia panorâmica de ATM (em busca de variações anatômicas), a artrografia (o exame mais indicado para verificar perfuração de disco articular) e a ressonância magnética (capaz de mostrar deslocamentos do disco articular, anormalidades do tecido medular da cabeça da mandíbula, músculos e outros tecidos moles adjacentes, além de fibrose da cápsula articular).

    Disco articular
    Problemas no disco articular

    Minha mandíbula estala. Tenho DTM?

    Uma dúvida muito comum é com relação aos estalidos. Se minha mandíbula estala, eu tenho um problema articular? Não necessariamente. Se esse for seu único sintoma, certamente não se trata de uma DTM. Muitas pessoas relatam estalidos em ATM, até eu :).

    O que leva alguém a ter DTM?

    A DTM costuma surgir da combinação de um “desarranjo articular” com uma série de fatores predisponentes. Quando a articulação da mandíbula é sobrecarregada, 2 situações podem ocorrer: ou ela se adapta ao problema (remodelação) ou ela é vencida pelo problema (degeneração). O disco articular costuma se adaptar a uma situação de sobrecarga mas, quando isso não acontece, são consequências possíveis:

    • Degeneração da fibrocartilagem
    • Perfuração do disco
    • Afinamento e perfuração da cortical articular
    • Formação de cistos subarticulares e aplainamentos
    • Desgastes e erosão generalizada das partes ósseas

    Qual a relação entre DTM e bruxismo?

    Bruxismo é o hábito de ranger os dentes, o que pode acontecer durante o sono ou mesmo acordado. Dá pra dizer que bruxismo causa DTM (ou o contrário)? Não. Associar estas duas condições implica acreditarmos que reduzindo eventos de bruxismo reduzem-se sintomas relacionados à DTM. Porém, essa associação ainda não foi comprovada pela literatura.

    E usar aparelho ortodôntico, ajuda?

    Pode ajudar, mas também não é possível associar as coisas assim de forma direta. O uso de aparelho pode gerar uma série de benefícios, mas é um exagero atribuir o controle da DTM pura e simplesmente a um tratamento ortodôntico. Cada caso é um caso, e é essencial a opinião de um dentista especialista em DTM para determinar se o uso de aparelho representa, realmente, um benefício direto para o paciente.

    E qual é o tratamento?

    Taí uma pergunta difícil! São fatores que influenciam na ocorrência de DTM a idade, o sexo, o estresse e os fatores sistêmicos, e tudo isso deve ser levado em conta ao se propor algum tipo de tratamento. Um aspecto que merece destaque é o psicológico, o estresse costuma estar diretamente envolvido num quadro de DTM. Por isso, o tratamento das disfunções temporomandibulares deve ser multidisciplinar, podendo englobar, além das várias especialidades odontológicas, a intervenção de outros profissionais da saúde, como psicoterapeutas, fisioterapeutas, etc.. O uso de quaisquer medicamentos e a indicação de placas interoclusais, cirurgias, infiltrações, etc., depende do caso. Por isso, fica a dica: procure um dentista especialista em DTM e Dor Orofacial e faça uma avaliação!


  • Colocar aparelho… dói?

    Colocar aparelho… dói?

    Taí uma dúvida recorrente de quem quer, pretende ou precisa usar aparelho ortodôntico: colocar aparelho dói? Para responder essa pergunta, é importante explicar primeiro como acontecem as coisas até o dia da instalação do aparelho ortodôntico, propriamente dito.

    Primeiramente, você precisa fazer uma consulta com um dentista, e o dentista especialista nessa área se chama ortodontista. Nessa primeira consulta o ortodontista vai fazer uma avaliação preliminar do seu sorriso e da sua mordida. Assim, será possível dizer se você precisa usar aparelho.

    Considerando que você precisa, o próximo passo é encaminhá-lo para fazer a documentação ortodôntica, que consiste nos exames necessários para planejar o seu tratamento (radiografias, fotos, cefalometria – que são as suas “medidas” – e modelos). Isso geralmente é feito em um laboratório de Radiologia Odontológica, e tem custo variável (depende do laboratório). Com os exames prontos e analisados pelo ortodontista, é hora de marcar o dia de, finalmente, colocar o seu aparelho. Ufa!

    Colocar aparelho… dói?

    Cada profissional gosta de trabalhar de uma determinada forma. Alguns montam o aparelho só na parte de cima, depois, em outro dia, só na parte de baixo e, em uma outra sessão, colocam as bandas, que são aqueles anéis metálicos que geralmente são encaixados nos primeiros molares. Mas isso varia. “Montar o aparelho” significa colar os bráquetes, aquelas pecinhas individuais, em cada dente. Os bráquetes não são todos iguais e também não podem ser colados em qualquer lugar do dentes… tem um lugar certo pra isso. Por isso, quando eles descolam, não adianta pegar Super Bonder e colá-los de qualquer jeito só pra não levar bronca, hein?! 🙂

    E colar os bráquetes, dói? Não, nem um pouco. Eles são fixados nos dentes com uma resina. Depois de todos eles colados, o ortodontista coloca um fio ou arco metálico que passa por uma canaleta em todos os bráquetes e, finalmente, une os bráquetes ao arco com as famosas borrachinhas coloridas que os pacientes adoram (essa é uma forma de se fazer, existem outras técnicas, ok?!).

    Tá… então não dói! Até aqui não. A dor (um desconforto, na verdade) aparece quando o aparelho começa a movimentar os dentes… e isso leva algumas horas. Então, se você colocou o aparelho pela manhã, lembrará “com carinho” de seu ortodontista no começo da noite… 😀 De qualquer forma, esse desconforto pode ser diminuído com o uso de analgésicos, que deverão ser prescritos pelo seu dentista.

    Para colocar as bandas, há necessidade de separar um pouquinho os seus dentes de trás, senão não há espaço para encaixá-las. Para isso, usam-se separadores que podem ser metálicos ou elásticos, que devem ser colocados pelo menos uns 2 dias antes do dia da cimentação das bandas. Esses separadores costumam incomodar um pouco sim…

    Outro problema de quem acabou de colocar aparelho são as feridinhas que podem aparecer na parte de dentro da bochecha pelo atrito dos bráquetes (principalmente daqueles que possuem ganchos) com a mucosa do paciente. Como a sua mucosa não está acostumada com esse atrito, pode machucar. Mas geralmente isso não dura muito tempo, e pode ser minimizado com o uso de algumas ceras odontológicas que você mesmo gruda nas regiões mais críticas (pontudas) de forma a proteger sua bochecha. Peça a tal cerinha ao ortodontista.

    O desconforto inicial causado pelo aparelho ortodôntico deve levar uns 2 dias. Procure não comer nada muito duro, pra não doer e pra não quebrar o aparelho. Depois de mais ou menos 1 semana de sorriso metálico, você estará mais do que acostumado, e aí é vida normal… ou quase. Você vai precisar tomar cuidado com o que come (evitar alimentos duros e pegajosos) e caprichar na escovação. Se antes você achava que escovar os dentes era chato, agora vai ver que sua vida complicou! O que não vai faltar são lugares para parar todo tipo de sujeira… fique esperto! Escova de dentes convencional, escova de  dentes interdental, fio dental e passa-fio (uma espécie de agulhinha plástica que ajuda a passar o fio dental por baixo do arco do aparelho) serão sua companhia constante. Várias vezes ao dia.

    Portanto, colocar aparelho não dói. Movimentar os dentes pode ser um pouco chato sim, mas é perfeitamente suportável. O importante nessa história toda é: se você escolheu um dentista no qual confia (e “preço” é um péssimo critério), não tem com o que se preocupar. É fazer a sua parte e esperar pelos resultados… seus dentes alinhados e sua mordida saudável. Vale a pena. 🙂

    Assista ao vídeo onde esclareço isso:


  • Anestesia Geral no Dentista

    Anestesia Geral no Dentista

    Alexandre vai fazer cirurgia bariátrica… é, aquela que diminui o tamanho (ou pelo menos o volume) do seu estômago. Cirurgia nunca é brincadeira, ainda mais nessa modalidade… requer preparo físico e mental. Não é fácil dormir gordo e acordar… ainda gordo :). Mas sabendo que, em poucos meses, lá se vão os quilos… e o cérebro que se habitue com isso!

    Dá pra deixar pra outro dia?

    Lendo o testemunho em seu blog, um parágrafo me chamou a atenção, o qual transcrevo:

    “Agora, uma coisa é certa: se fosse algo relacionado ao dente,
    eu já estaria
    tomando calmantes e calmantes. Tenho pavor de
    dentista, meu batimento
    cardíaco aumenta só de escrever
    essa palavra e imaginar o motorzinho, que tortura!”

    Até tu, Alexandre? 🙂

    Achei interessante isso… o cara vai fazer uma cirurgia importante, com implicações sérias. Mas não tá nem aí. O que importa mesmo é que não tem nada a ver com dente… ainda bem! Por isso digo: medo é uma coisa muito pessoal mesmo, e não tem nada a ver com a razão. É mais profundo que isso, é como a cárie: é multifatorial.

    Então… por que as pessoas têm medo de dentista? Posso pensar em “n” motivos… mas motivo é como [insira seu termo engraçadinho aqui], cada um tem o seu! No caso do Alexandre, ele não explica o porquê de temer o dentista, mas esclarece a razão de estar tranquilo em relação à cirurgia que vai fazer:

    “Sou bem grandinho (e é real rsrs), mas tenho medo de dentista,
    fico tenso e com mau humor
    uma semana antes. Já para a cirurgia bariátrica
    não vejo a hora de tomar anestesia geral e apagar,
    entrar no mais profundo
    relaxamento, esquecer de tudo e deixar o Dr. Marcelo exterminar meu estômago”.

    Entendeu? No dentista, é preciso enfrentar o medo acordado. Pra fazer a cirurgia bariátrica é só “apagar” e deixar o Dr. Marcelo agir :). Isso me lembra uma pergunta que vivem me fazendo no consultório (e fora dele): “Doutora, dá pra fazer anestesia geral no dentista?”.

    Dá pra fazer anestesia geral no dentista?

    E não é que dá? Mas não é bem assim… não vamos banalizar. Primeiramente, não dá pra fazer anestesia geral em ambiente ambulatorial (consultório), tem que ser no hospital. Ainda, o cirurgião-dentista não está habilitado a aplicar anestesia geral, isso tem que ser feito por um médico anestesiologista, que deve ficar presente durante todo o atendimento, monitorando o paciente.

    Em que casos é possível usar a anestesia geral no dentista?

    Existem indicações para o uso de anestesia geral, não é pra qualquer caso nem pra qualquer paciente. Essas indicações são associadas às características dos pacientes e aos procedimentos que serão realizados. A anestesia geral em Odontologia está indicada para:

    • Pacientes com fobia de dentista (FOBIA, não medo);
    • Pacientes que não conseguem abrir a boca (trismo);
    • Pacientes que têm reações adversas aos anestésicos locais;
    • Pacientes incapacitados física e/ou mentalmente;
    • Crianças não-cooperativas;
    • Procedimentos muito invasivos ou traumatizantes (cirurgia ortognática, por exemplo) ou demorados.

    Há opções mais simples que a anestesia geral?

    Sim, as sedações. As mais usadas em Odontologia são a analgesia inalatória com óxido nitroso (que é administrada por cirurgião-dentista com habilitação para isso) e a sedação via endovenosa (que, como a anestesia geral, é aplicada por médico). Pra saber se dá pra usar e se há necessidade de qualquer um desses meios, consulte seu dentista.

    * * *

    E lembre-se: conversar não tira pedaço. Agende uma avaliação com o seu dentista e converse com ele, sem a obrigação de realizar qualquer procedimento nessa sessão. Pergunte sobre TUDO, até se sentir seguro. Garanto que você vai até esquecer da anestesia geral… 🙂

    Ao Alexandre, boa sorte! 🙂

    Com base no blog Pensando Leve


  • CQDM #02: A Anestesia (Agulha) do Dentista

    CQDM #02: A Anestesia (Agulha) do Dentista

    Depois do motorzinho do dentista, o maior “vilão” dos consultórios odontológicos é a anestesia. O que é uma ironia sem fim… como é que algo planejado para tirar a dor do paciente pode dar mais medo do que a possibilidade da própria dor?

    Seringa carpule
    Seringa carpule

    Reflexões à parte, deixe-me apresentá-los à seringa carpule, essa aí de cima. A carpule (para os íntimos) é o instrumento da anestesia. Dentro dela vai um tubete de líquido anestésico (lidocaína, mepivacaína ou outra “caína”) que serve para tirar a sua dor. Na ponta, é encaixada a agulha gengival, que é bem mais fina e flexível que aquelas de injeção. Sério, é diferente! Não fique imaginando uma “injeção na boca”, é bem mais light que isso.

    Mesmo sendo a anestesia a garantia de controle da dor, ou seja, de que o dentista vai “mexer” e a pessoa não vai sentir nada, os pacientes fogem dela. “Ah, doutor, será que precisa mesmo?” Precisa. Alíás, por que o dentista sugeriria anestesia se não houvesse necessidade? Muitas vezes o paciente vem com aquela história de “vamos tentar sem anestesia pra ver se dá”, mas acaba sendo pior, porque aí é certo que haverá dor… uma dor bem pior que a “picadinha” inicial da anestesia. Nem se compara!

    SIM, a anestesia pode oferecer certo desconforto. Certa vez uma paciente minha que na época tinha 11 ou 12 anos, e que nunca havia tomado anestesia, perguntou pra mim se ia doer. Respondi que sim. Ela esbugalhou os olhos enquanto eu continuava: “Você já é grande, não tenho razão pra mentir. Você vai sentir a ‘picadinha’ da agulha. E, depois disso, não vai sentir mais nada. Topa?” Ela topou. Não chorou, não gritou, não fugiu, não saiu falando mal de mim por aí 🙂 . Pelo contrário, disse que não doeu nada e achou engraçada a sensação de “boca boba”. Pois é. E até a “picadinha” da agulha dá pra minimizar usando anestésico tópico…. Falando nisso: anestésico tópico (aquela pomadinha com gosto de tutti-frutti ou coisa parecida) só serve para anestesiar mucosa (superfície da gengiva ou da bochecha). Não pense que dá pra extrair siso ou tratar canal com anestesia de pomadinha. Não dá.

    “Ah, mas eu tomei anestesia uma vez e não pegou, quase morri de dor! O dentista aplicou errado…”. Não é bem assim. Via de regra o que acontece nesses casos é que quando a região que vai ser anestesiada está muito infeccionada / inflamada, o pH (“acidez”) tecidual fica alterado, o que influencia na ação do anestésico… ele está lá, mas não funciona direito. Então, não espere que haja uma grande inflamação / infecção pra procurar um dentista, ok?! A chance de você sentir dor diminui drasticamente.

    Resumindo… ninguém gosta de tomar anestesia. Eu não gosto. Mas ela não é um motivo pra sentir dor, é a solução pra ela. Não há nada pior pra você do que ser aterrorizado pela possibilidade da dor cada vez que o seu dentista aperta o pedal do “motorzinho”. E não há nada pior para o seu dentista do que tentar atender você enquanto você pula na cadeira. 🙂