Tag: cirurgia

  • O que é aumento de coroa clínica?

    O que é aumento de coroa clínica?

    Aí você foi ao dentista e ele(a) informou que você precisa fazer uma cirurgia chamada aumento de coroa clínica. Você não entendeu nada e veio procurar na Internet o que isso significa, afinal você só queria restaurar aquele dente que quebrou perto da gengiva… pra que cirurgia?

    Pra entender a necessidade dessa pequena cirurgia gengival, primeiro vamos compreender o conceito de…

    Espaço Biológico Periodontal

    O espaço biológico periodontal é uma região que fica entre a base do sulco gengival e o topo da crista óssea alveolar, tendo de 2 a 3 mm. É importante que, ao se restaurar um dente ou fazer uma coroa, esse espaço seja respeitado, pois disso depende a saúde da gengiva. Não dá pra simplesmente “enfiar” uma restauração num dente quebrado abaixo da linha da gengiva e achar que vai ficar tudo bem, porque não vai. Antes do dente ser restaurado é preciso recuperar o espaço biológico.

    Espaço biológico
    Espaço biológico periodontal

    Isso entendido, é possível explicar…

    O que é aumento de coroa clínica?

    É uma cirurgia (geralmente) que precisa ser feita pra recuperar o espaço biológico periodontal. Só que o aumento de coroa clínica não é uma cirurgia específica, mas uma série de possíveis procedimentos de levam à recuperação do espaço biológico (aqueles 2 a 3 mm entre a margem da restauração ou coroa até o topo da crista óssea). Cada caso é um caso, então é preciso avaliar cada situação separadamente pra se decidir qual estratégia será usada.

    Quais os tipos de aumento de coroa clínica?

    A recuperação do espaço biológico pode exigir vários tipos de procedimentos. Pode ser necessário remover só gengiva, pode ser necessário remover gengiva e um pouco de osso em volta do dente e, ainda, o dente pode ser “puxado” pra fora da gengiva com aparelho ortodôntico. Às vezes a osteotomia (remover osso em volta do dente) é contraindicada por questão estética, e isso é comum em dentes anteriores, por exemplo. Nesse caso, em vez de remover osso e gengiva, pode-se fazer a extrusão ortodôntica do dente / raiz. Durante o processo de extrusão (quem faz isso é o ortodontista), o periodontista realiza sessões de fibrotomia e raspagem, com o objetivo de manter a margem gengival e a crista óssea em suas posições.

    Em resumo, as técnicas de aumento de coroa clínica são:

    • Gengivectomia
    • Gengivectomia + osteotomia
    • Reposicionamento apical de retalho
    • Cunha distal
    • Tracionamento ortodôntico.

    Não é uma questão de escolher entre essas técnicas, mas de indicação. Seu dentista vai explicar pra você qual delas é a mais indicada no seu caso.

    Veja também:

    Espaço Biológico – O que é isso? no DicasOdonto 

    Excelente vídeo demonstrativo – Periodontia – Aumento de Coroa Clínica no Ortoblog 


  • Cuidados para pacientes com câncer

    Cuidados para pacientes com câncer

    🙂

    Pessoas com câncer necessitam de cuidado odontológico diferenciado, as terapias para o combate da doença costumam afetar a boca em vários aspectos. A atuação do dentista costuma ser dividida em três etapas: antes, durante e depois da  terapia. Cada etapa tem abordagem claramente diferenciada e respeitá-las é fundamental para oferecer conforto e qualidade de vida a quem passa por esse processo.
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    1. Antes da terapia (Adequação Bucal!): O dentista deve agir preparando o paciente para uma futura baixa de imunidade provocada pela maioria das terapias. Extrações, raspagens e tratamentos de canal devem ser realizados nesta fase, por que normalmente estão relacionados à processos infecciosos, que devem estar controlados durante a terapia. Restaurações e limpezas são realizadas como medidas preventivas, para evitar infecções na fase crítica.
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    2. Durante a terapia (Prevenção e Conforto): Nesta fase o dentista deve manter tudo limpo e restaurar pequenas cáries antes que cresçam. Não, a terapia não faz seus dentes caírem, mas é mais fácil desenvolver gengivites já que a imunidade é prejudicada. Pode ocorrer diminuição da quantidade de saliva (o dentista pode receitar sprays de saliva artificial para suavizar o problema) e mucosites (as grandes vilãs desta fase). As mucosites são feridas extensas e doloridas, por toda a mucosa da boca, que dificultam a alimentação. Nesta fase evite alimentos ácidos, duros ou quentes, pois todos pioram as dores. Procure consumir gelados (picolé, sorvete, bebidas geladas) durante as infusões de quimioterapia! Laserterapia funciona bem na prevenção e no alívio dos sintomas da mucosite. Seu dentista pode indicar um spray contendo anestésico e remédio para evitar infecções, melhorar as dores e facilitar a alimentação!
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    3. Após a terapia (Manutenção da Saúde Bucal): Existe um período em que as intervenções odontológicas mais próximas ao osso são contraindicadas, mas isso só inclui extrações, cirurgias em osso (implantes por exemplo) e as raspagens mais agressivas. Outros serviços são realizados normalmente e, ao fim deste período, o paciente pode ser submetido a qualquer tratamento novamente.

    A autoestima e o bom humor são ferramentas importantíssimas no fortalecimento psicológico, todos estes cuidados fazem muita diferença na qualidade de vida de quem precisa vencer este desafio!


    Este texto foi adaptado de OdontoEspecial, visite no Facebook ou no Tumblr.


  • Hemorragia no dentista!

    Hemorragia no dentista!

    Confesso que a intenção inicial deste post era falar apenas de problemas de saúde que dificultam a coagulação do sangue, mas acabei sendo um pouco mais abrangente, tentando deixar as informações menos chatas técnicas…

    Coágulo sanguíneo
    Coágulo sanguíneo

    Por definição, hemorragia é quando algum sangue consegue sair dos vasos sanguíneos. Então qualquer sangramento é hemorragia? Sim, mas não se desespere!! Por convenção, acabamos chamando de hemorragia apenas quando há um volume importante de sangue perdido (seja por um fluxo maior ou por tempo prolongado).

    Quando há maior risco de ocorrer uma hemorragia?

    Para que o organismo controle naturalmente um sangramento, é necessário que uma sequência (cascata) de substâncias (fatores) seja produzida, o resultado é uma rede que “entope” a saída das células do sangue (a imagem do post é um coágulo aumentado no microscópio! Veja que a rede amarela retém as células coloridas). Qualquer falha na produção de um fator coloca toda a cascata em jogo, impedindo a formação do coágulo, e assim alguns pacientes podem ter maior risco a  sangramentos importantes. Podemos dividir estes pacientes em grupos:

    1. Pacientes com problemas de saúde: Hemofilia, doença de Von Willebrand, púrpuras, cirrose hepática, etc. Nestes pacientes a coagulação não ocorre normalmente por algum defeito na cascata, e por isso quando houver necessidade de cirurgia, deve haver um preparo especial da equipe e, dependendo da gravidade do caso, o procedimento deverá ser realizado em ambiente seguro (hospital ou hemocentro);
    2. Pacientes que tomam remédios: AAS e outros anti-inflamatórios, anticoagulantes e outros. Nenhum medicamento é perfeito, todos têm algum efeito colateral, e alguns podem interferir na coagulação. O grau desta interferência deve ser avaliado pelo dentista e ele pode até pedir exames de sangue para escolher o melhor momento para uma intervenção. Na maioria dos casos, os procedimentos são realizados no consultório, mas sempre com conhecimento e aprovação do médico que receitou o remédio;
    3. Em caso de procedimentos de grande porte: Cirurgias ortognáticas ou de grandes traumas da face, quanto maior o procedimento, maior a exposição de áreas que sangram;
    4. Quando a área de trabalho é muito vascularizada: Lesões inflamatórias costumam ser muito vascularizadas, além disso, a quantidade de vasos varia em cada local na boca;
    5. Em caso de variações anatômicas: Quando o paciente nasce com uma veia ou artéria uma pouco mais calibrosa, mais frágil, ou num local incomum, e que assim não pode ser prevista pelo dentista, mas este tipo de situação é extremamente rara.

    Como diminuir o risco?

    Os problemas acima são detectados com algumas “perguntas-chave” antes de qualquer procedimento, na consulta de avaliação. Para que seu dentista consiga programar seu tratamento da melhor forma possível, nunca omita informações sobre sua saúde!

    E se acontecer uma hemorragia?

    Algumas manobras podem ser usadas para minimizar as hemorragias:

    • O dentista pode lançar mão de artifícios para provocar/acelerar/manter a coagulação (cola, fitas ou esponjas de fibrina, soluções hemostáticas, remédios, até a própria solução anestésica… as opções são muitas e cada qual tem sua indicação!);
    • Compressão (manter uma gaze pressionada sobre a ferida por alguns minutos – normalmente cinco são suficientes) – é uma medida extremamente eficiente. A lógica é que parando o fluxo, damos tempo para a formação do coágulo);
    • Sutura (sempre que possível o dentista deve dar pontos, mesmo que eles não fechem a ferida completamente. Os fios são uma segurança a mais para manter o coágulo firme e forte;
    • Aplicação de frio (sim, frio! Água gelada, sorvete, bolsas de gel resfriadas no rosto… O frio reduz o fluxo de sangue e assim diminui o sangramento, “de quebra” também reduz inchaço e dor);
    • Repouso (quando o coração bate mais rápido por esforço físico ou stress, aumenta a pressão sanguínea e isso pode favorecer a ocorrência de sangramentos);
    • Ajuda da gravidade (sim, manter a cabeça alta diminui a pressão vascular na região, e assim, mais fácil haver coagulação).

    * * *

    Sempre que qualquer procedimento é realizado, seu dentista avalia o famoso “risco-benefício”, que é a relação que existe entre o bem estar proporcionado por um tratamento e a possibilidade de ocorrerem problemas decorrentes dele. Na maioria das vezes opta-se pelo tratamento sem hesitação, já que cada vez temos mais e melhores ferramentas para contornar eventuais contratempos!  Confiança é fundamental!

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  • O que é cirurgia ortognática?

    O que é cirurgia ortognática?

    Cirurgia ortognática

    Uma situação comum e que talvez até tenha acontecido com você: numa avaliação no ortodontista, ele revela que seu problema não se resolve apenas com aparelho ortodôntico. É preciso cirurgia.

    Como assim cirurgia?

    Pois é. Nem sempre ter os dentes tortos é apenas uma questão dentária… muitas vezes o problema envolve também as bases ósseas, ou seja, a posição em que se encontram os ossos onde estão inseridos os dentes: maxilas (a parte de cima) e mandíbula (a parte de baixo).

    Dá-se o nome de cirurgia ortognática à correção cirúrgica do posicionamento dos ossos da face. A ideia é restabelecer um padrão facial normal, ou seja, fazer com que o rosto, como um todo, apresente um perfil mais harmônico.

    Quando está indicada a cirurgia ortognática?

    Um exemplo: muita gente acha que tem os dentes “muito pra frente”. A conclusão lógica é que seria preciso usar aparelho para “puxar” os dentes para trás. Porém, pode ser que os dentes não estejam projetados, mas toda a base óssea esteja posicionada mais pra frente. Nesse caso, apenas “puxar” os dentes para trás não vai resolver o problema. Outra possibilidade dentro do mesmo exemplo: os dentes não estão projetados e a base óssea não está pra frente, mas mesmo assim os dentes de cima estão muito à frente dos de baixo. Aí, o problema pode ser outro: a mandíbula (queixo) é que pode estar muito para trás!

    Dessa forma, a cirurgia ortognática está indicada para pacientes adultos que tenham deficiência ou excesso de crescimento ósseo de maxilas e/ou mandíbula.

    Crianças e adolescentes podem / precisam fazer cirurgia ortognática?

    Quando se detecta precocemente que o crescimento dos ossos da face está fora do padrão, geralmente é possível corrigir sem a necessidade de cirurgia até mais ou menos os 16 anos de idade, ou seja, a parte final da fase de crescimento. Quanto mais cedo o ortodontista intervir, melhor. Na fase do crescimento é possível, com o uso de aparelhos ortopédicos (máscara facial, aparelho de protração mandibular, etc.), direcionar melhor o crescimento dos ossos da face, de forma a adequar as bases ósseas. Não que isso garanta que a criança / adolescente não tenha que usar aparelho no futuro, mas provavelmente vai evitar a cirurgia ortognática e diminuir o tempo de tratamento com o aparelho fixo. Portanto, leve seu filho ao ortodontista / odontopediatra ainda na infância pra avaliar!

    Como saber se você precisa de cirurgia ortognática?

    É necessário fazer uma avaliação com um ortodontista e/ou cirurgião bucomaxilofacial. O dentista irá encaminhar você pra uma série de exames, que incluem radiografias e análise cefalométrica, que consiste em se fazer medições dos ossos da face e do crânio de forma a determinar a relação entre eles. O profissional mais experiente é capaz de detectar a necessidade de cirurgia mesmo sem esses exames, pela análise do perfil do paciente, mas mesmo assim é necessário realizá-los pra poder planejar o tratamento de forma adequada. Quando a pessoa tem a parte de cima pra frente chamamos de protrusão maxilar. Quando a parte de cima está mais para trás do que deveria, diz-se retrusão maxilar. Já na parte de baixo (mandíbula), usam-se os termos prognatismo e retrognatismo, respectivamente.

    Radiografia panorâmica após cirurgia ortognática
    Radiografia panorâmica após cirurgia ortognática

    Se eu fizer a cirurgia ortognática, vou precisar usar aparelho?

    É importante ressaltar: a cirurgia ortognática não substitui o tratamento ortodôntico, pelo contrário: ocorre uma ação conjunta entre duas especialidades odontológicas, a cirurgia bucomaxilofacial e a ortodontia. Geralmente a cirurgia é realizada após um tratamento prévio com aparelho, que deve continuar por algum tempo depois da intervenção do cirurgião.

    A cirurgia ortognática é obrigatória?

    Muitos pacientes que têm indicação para cirurgia ortognática não têm coragem vontade de se submeter a esse tipo de procedimento, o que é compreensível. Dependendo do caso, quando a desarmonia dos ossos da face é leve, é possível realizar um tratamento ortodôntico compensatório, ou seja, o melhor possível sem cirurgia, movimentando apenas os dentes. Vai ficar perfeito? Não. Mas pode ficar muito bom e o paciente muito satisfeito com o resultado. Nos casos mais severos, o tratamento ortodôntico pode até piorar o problema… então se você tem uma desarmonia grande entre os ossos da face e não quer fazer cirurgia, talvez seja melhor nem usar aparelho, também.

    Como é feita a cirurgia ortognática?

    Assista vídeo abaixo pra entender como é feita a cirurgia ortognática:

    O vídeo mostra um caso em que a mandíbula foi colocada para frente e as maxilas foram trazidas para trás, mas nem sempre se faz as duas coisas, e pode ser ao contrário também: pode ser preciso levar a parte de cima para frente e a parte de baixo para trás. Depende do caso. Ou, ainda, talvez nem seja necessário fazer a correção em cima e embaixo, apenas em uma das bases ósseas. Quem determina isso é o ortodontista em conjunto com o cirurgião bucomaxilofacial, tendo como base os exames e a avaliação clínica do paciente.

    Outros tipos de cirurgia ortognática você vê no infográfico abaixo (clique na imagem para ampliá-la):

    Cirurgia ortognatica - infografico

    Está “desconfiado” de que precisa de uma cirurgia ortognática? Procure um dentista e faça uma avaliação!