Alô… aí se cobra pra fazer orçamento?


Vez ou outra recebemos em nossos consultórios uma ligação assim. E aproveitando o gancho das aventuras oftalmológicas do Dr. Fabrício, acho oportuno tocar no assunto: prezado colega, você cobra consulta? 

Olhadinha… sei…

Se você não é dentista, talvez ache essa pergunta um tanto estranha. “Como assim consulta de graça? Onde? Eu quero!”. Então… a consulta da qual eu estou falando é o tal do “orçamento”, termo que faz sentido quando fazemos a revisão periódica dos nossos veículos, mas que definitivamente não combina com o consultório odontológico. “Ah, então não é consulta, é orçamento! Orçamento tem que ser de graça mesmo!”. Concordo plenamente. A questão é: o que nós dentistas fazemos na primeira visita do paciente aos nossos consultórios se resume a um orçamento? Eu estou convencida que não. Explico.

Há quem ache que nós somos formados em Matemática, e não em Odontologia: nós vamos somar o número de dentes cariados, multiplicar pelo custo da resina usada na restauração, diminuir o valor encontrado pra dar um “descontinho”, dividir o pagamento em 15 vezes e… voilà, eis a sua conta. Não é assim tão simples… um plano de tratamento personalizado é algo que está muito além da “olhadinha”.

Uma avaliação odontológica tem várias etapas. Alguns casos são simples mesmo, o paciente tem uma pequena cárie e precisa de uma “limpeza”; a restauração custa X, a limpeza custa Y, o que dá um valor Z em honorários. Mas, na maioria das vezes, a formulação de um plano de tratamento não é assim tão “direto ao ponto”. Muitos pacientes precisam de várias intervenções: periodontais, restauradoras, protéticas… precisam de implantes. Tudo isso tem uma ordem determinada e um tempo apropriado pra acontecer, e não dá pra se basear apenas no olhômetro do dentista. Exames de imagem são fundamentais em muitos e muitos casos.

O mais importante e o menos considerado pelo paciente que escolhe dentista pelo valor do “orçamento”: o profissional precisa, munido de todos os dados do exame clínico e dos exames de imagem, PENSAR. Usar o que aprendeu em anos de estudo para determinar as saídas possíveis para o seu caso e, não menos importante, fazer a solução encontrada caber no seu bolso. Afinal, quem paga os nossos honorários é o paciente. Isso tudo demanda tempo, e na Odontologia tempo é dinheiro. Nosso tempo, tanto quanto nosso conhecimento, tem um custo.

Conhecem a história do mecânico que consertou um navio? É mais ou menos assim…

O navio não saía do lugar. Na casa de máquinas reinava o silêncio. O capitão chamou vários técnicos e funcionários da manutenção, mas nenhum resolveu o problema. Por sorte havia um mecânico a bordo. O capitão, ao saber disso, mandou chamar o rapaz e pediu a ele que desse uma “olhadinha” na casa de máquinas. Ele foi até lá e, sob os olhares dos demais, passou cerca de meia hora apenas observando o maquinário. Quando todos já estavam irritados com a demora e descrentes de que aquele rapaz pudesse dar conta do serviço, ele pediu:

“Por favor, alguém poderia me arranjar um martelo?”

Com o martelo em mãos, ele foi até uma determinada parte do equipamento e TUM! Eis que os motores ligaram, e o navio já podia seguir viagem. O capitão ficou muito grato e disse ao mecânico:

“Meu rapaz, muito obrigado! Quanto lhe devo?”

Ao que ele respondeu: “São R$ 20.000,00, senhor.”.

O capitão quase caiu duro… “Isso é muito caro por uma martelada!”

Foi quando o mecânico lhe entregou o orçamento: Martelada: R$ 10,00. Saber onde dar a martelada: R$ 19.990,00.

Conhecimento é tudo. 🙂

Voltemos à questão principal: cobrar ou não cobrar. Li ontem o comentário de alguém num blog eugenólico que dizia que a consulta odontológica deveria ser cobrada de forma obrigatória, ou seja, que deveria ser lei. Fiquei pensando a respeito e concluí que… JÁ É LEI! Vejam só o que diz o Código de Ética Odontológica:

Capítulo VIII – Dos Honorários Profissionais (Art. 11o, I):
“Constitui infração ética oferecer serviços gratuitos a
quem possa
remunerá-los adequadamente”.

 

O que isso quer dizer? Quer dizer que o dentista não pode, salvo em caso de paciente carente, deixar de cobrar por um procedimento (muito menos dá-lo como brinde). Então: convenci você de que planejar um tratamento personalizado é um procedimento odontológico (o mais importante deles!), mesmo que nenhum dentinho seu tenha sido tocado? Se não, esqueça tudo isso aí em cima! Vem cá que eu dou uma “olhadinha” pra você… 😀

E você dentista, o que acha? Deve-se cobrar consulta sempre? Há casos em que não se deve cobrar? A cobrança deveria ser algo obrigatório e fiscalizado pelos CROs? Ou cada um sabe da sua própria vida? Opine! 🙂

 

Veja o que outros blogs pensam a respeito:

Netdentista: Consulta grátis? Não, obrigado.

Maldito Bruxismo: Cobrar Consulta?

OdontoDivas: Avaliação Clínica: Cobrar ou Não?

Saudálito: Cobrar Consulta? Sim, Senhor.

Vida de Dentista: Vamos no dentista??? É de graça mesmo…

Doctor Victor: Consulta Grátis – Não Pooode!

DicasOdonto: O Orçamento Grátis

Ortodontiaparatodos: Como Cobrar? Visão de Um Profissional Que Um Dia Não Podia Cobrar!

Ricardo Dentista: Consulta Grátis: Como Isso Funciona?

Sorriso CASOall: Quanto Vale?!

OdontoBLOGia: O dia em que me dei mal por não cobrar avaliação inicial

Por Dentro da Dor Orofacial: Orçamento Grátis

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Categoria: Profissão: Cirurgião-Dentista

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64 comentários

  1. Duvida. Um Dentista pode solicitar muitos exames antes de analisar clinicamente o dente de um paciente?

    Ex: eu fui em 3 dentistas pra ver minha carie. Só tenho uma carie… a consulta não foi cobrada.
    Mas achei uma dentista mais proxima do meu serviço o que seria mais facil, porem fui informado que a avaliação custa 800 Reais e antes de ver a dentista irei tirar fotos do rosto, imagem digital e farei Radiografias por minha conta, e ai depois de 15 dias passarei com a dentista pra ela confirmar se é só a carie. Sendo só isso, pagarei uma nova consulta e o valor especifico para retirar a cárie. Minha dúvida é esta, isto pode ser feito este procedimento? Pois achei um tanto abusivo. Digo, se a Dentista olhar a boca antes e disser que tem duvidas de outros dentes ou com a propria carie e solicitar radiografias ok. Mas antes de me ver, ser padrão ter q tirar fotos q custarão 800 reais e mais as radiografias de toda a boca… sei lá… parece ser meio exagerado.

    1. Também achei meio exagerado, Euder. Mas é fato que o dentista pode pedir quantos exames quiser e cobrar o quanto quiser pela consulta. Nisso não há ilegalidade.

  2. Eu não sou dentista, não atuo na área, e achei esse blog apenas meia hora atrás.
    Então, sem querer parecer intrometido, mas, dado o meu currículo acima, quase impossível não ser taxado assim, quero dar minha opinião como “cliente-consumidor”.
    Antes, talvez caiba uma breve descrição sobre alguns pontos deste quem vos fala: Primeiro, não tenho nenhum tipo de plano, sempre que vou a um dentista é “no particular” por assim dizer. Segundo, por motivos diversos tive que morar em várias cidades, então me deparei várias vezes naquelas situações de procurar de novo o “mecânico de confiança”, o “advogado de confiança”, o “contador de confiança”, e claro, o “dentista de confiança”!
    Explico tudo isso para esclarecer que quando tive a necessidade de procurar qualquer um dos profissionais, por exemplo, listados acima, não tinha qualquer conhecimento a mais sobre a pessoa, não tinha convivência, e algumas vezes a indicação que tinha era algo não mais que alguma indicação sem compromisso de um colega de trabalho ou vizinho de prédio, ou mesmo o que encontrava em uma boa “googleada”.
    Dito isso, eu digo que sempre me causou muito desconforto aquele momento que se fala de valores com dentistas. Usando os exemplos que dei, preços você discute sem se constranger com mecânicos, e orçamentos são praxe no negócio, negociamos honorários abertamente com advogados e não raro podemos até ajustar isso dependendo do que vai sendo discutido sobre o processo, e não há pagamento para isso , da mesma forma é comum negociar valores de serviço contábeis… mas sentado ali na frente do dentista, de repente parece uma heresia demonstrar a menor expressão de espanto com o preço, imaginem então pedir um desconto! Afinal, e os comentários que li aqui reforçam muito esta minha impressão, me parece que os dentistas realmente se sentem ofendidos se são questionados em relação a valores. E, em relação à consulta, é algo que reforça um mecanismo que impede (na minha visão, como cliente-consumidor) que procuremos diferentes profissionais para buscar diferentes alternativas e “orçamentos”.
    Eu recentemente tive que fazer um tratamento de canal, preço R$1.600 em um molar, previsão de 2 sessões. Sem contar a restauração feita depois, que foram outros R$850.
    Foi caro? Eu achei caro sim, apesar de ter o meu problema resolvido. Mas, além de caro, o que paguei foi abusivo? Nunca saberei. Porque não procurei diferentes profissionais para saber, já que minhas opções eram pagar pelas consultas com outros profissionais próximo de R$250,00 e não o fiz.
    Sim, me sinto quase um refém toda vez que me vejo em situações assim. O que faço? Saio pagando consultas, até me sentir confortável com o preço e a confiança que me foi passada, ou já de cara fico onde estou, me conformo com o que me cobram e tudo bem?
    Um dos argumentos que li acima foi sobre a forma como “consumimos” o serviço de odonto. Que não se procura prevenir, só remediar. Mas isso não é uma exclusividade para odonto. Alguém tem o costume de apresentar todas as negociações e contratos para o seu advogado a fim de prevenir problemas? Todos realmente seguem as revisões periódicas do seu carro em concessionárias? E, se tivéssemos que pagar a cada consulta ao seu advogado, ao contador, ao mecânico, será que isso traria alguma melhora em algo? E por aí vai.
    Outro ponto é a questão um pouco abstrata do que nós, como clientes-pacientes-consumidores, podemos avaliar como “qualidade”. Isso é bastante complicado. deixem-me opinar. Porque assim como para vocês seria muito difícil opinar entre as diferentes qualidades versus preço entre um serviço de fundição de baixa-fusão ou usar simplesmente uma soldagem para uma determinada retífica, para mim e muitas outras pessoas certamente o é julgar se aquele atendimento recebido foi ou está sendo o melhor que poderíamos receber pagando aquele preço no dentista. Ou por outro lado se o que pagamos está adequado, não é um ponto fora da curva. Eu, por exemplo, tenho que passar o que e como vai ser feito em detalhes, em orçamento prévio.
    Sobre o esforço necessário pelo conhecimento, entendo. Na minha área também são necessários vários anos de estudo bastante especializado, também obrigatoriamente anos de prática trazem mais segurança sobre os projetos, porque lidamos com equipamentos caríssimos, e assim também ocorre com advogados e vários outros profissionais, então creio não ser o ponto a se centrar nesta discussão.
    Enfim… deixo claro, dentistas tem todo o meu respeito. Está subentendido todo o esforço no estudo, investimento em consultório, etc e etc. Este aqui quem vos fala é apenas um empresário que atua no ramo de prestação de serviços, que passa orçamentos no ramo que atua, e que se sente de alguma forma também constrangido em ficar questionando valores com dentistas (embora brigue de forma ferrenha com fornecedores e negocie longamente com clientes) e sempre, sempre se sente em uma “sinuca de bico” nessa questão entre sair por aí consultando opções de tratamento – e pagando por isso – ou ficar quieto onde está, sem questionar valores, confiando que o que paga está dentro do razoável (não precisa ser o mais barato, só precisa ser justo – mas o é? Lá no fundo sempre fica uma pequena dúvida, já que não ficamos saindo por aí fazendo orçamentos – que oneram – e comparando atendimento – o que talvez seja então nossa falta).

      1. Ana, eu que agradeço pela existência deste blog. Muito interessante.
        Passei um tempo lendo várias coisas, o interesse veio como se fosse um livro diferente. Me intrigou o assunto “placa” para bruxismo.
        E a propósito, se bem entendi onde você está, passei um tempo nessa cidade. Encontrei um excelente dentista enquanto estive aí. Aliás, em assuntos médicos achei que sempre fui bem atendido.
        Apesar da cidade gostar de trocar o sol pela chuva, saí daí com excelentes impressões. Sinto falta do pierogi !

  3. Acho muito engraçado o dentista cobrar pra dar orçamento e o arquiteto (que vai até a obra, frise-se!), o engenheiro, o eletricista, o mestre de obras e até o próprio advogado (pasmem!) NÃO! O que será que eles têm que os outros não têm? Pois bem, vão deixar de fazer um serviço de 2mil por causa de 100reais. Ótimo!

    1. O problema é que você acha que dentista “dá orçamento”. Já falei exaustivamente sobre isso no texto. Se o paciente se pauta pelo “orçamento” mais barato, eu ganho R$ 100,00 da consulta, não perco R$ 2.000,00 do tratamento… porque ele nunca se trataria comigo, meu diferencial não é preço. Já se o diferencial do dentista for preço… seu raciocínio até faz sentido.

    2. O odontologista não faz “orçamento”, quem faz orçamento é mecânico, fazemos consulta, e esta sim DEVE ser cobrada, até mesmo para que o paciente tenha uma consulta bem feita pelo profissional, até porque o CD não cuida apenas dos dentes como acreditam quase todas as pessoas. Quanto aos profissionais de outras áreas que você mencionou não cobrarem os devidos valores pela prestação de serviço deles, cada profissional sabe seu valor e quanto seus conhecimentos valem, porque uma consultoria é uma prestação de serviço e deveriam cobrar (lembrando que vários cobram) sim, qual tipo de atendimento você espera de um profissional que te faz uma consulta de graça?

  4. O que esperar de um país onde as pessoas esperam as doenças bucais se instalarem e depois chegam no consultório e dizem: “Quero obturar esse dente, quanto custa?”? Os pacientes precisam entender que mesmo que cheguem com uma queixa específica (muitas vezes com o diagnóstico já definido pelo próprio paciente, pois o mesmo, nesse caso, não precisa ser expert para reconhecer lesão de doença cárie) que os Cirurgiões Dentistas não vendem simplesmente serviços. Eles ajudam a prevenir, diagnosticam e tratam doenças. Se um paciente chega com uma queixa como essa, em uma primeira consulta, vai ser feita uma análise clínica não somente daquele dente, como dos demais dentes, mucosas, gengivas, língua, dentre outros, em busca de possíveis lesões e sinais para diagnóstico de doenças da região bucomaxilofacial e sistêmicas. Somente depois disso, o plano de tratamento é feito, o tratamento é realizado e dada as orientações para se alcançar a saúde. Por isso sou completamente adepto a cobrança de primeira consulta.

  5. A questao em cobrança de consulta e que culturalmente as pessoas, tanto população quanto certos colegas, tratam a Odontologia como uma mercadoria, nós profissionais odontológicos estudamos muito, gastamos valores altos, e o curso de Odontologia é um dos mais caros do mercado, somos profissionais de saude, um problema dentario / gengival pode matar uma pessoa, as pessoas precisam entender isso, por exemplo “extrair” o dente de uma pessoa com problemas cardiacos requer cuidados, e um bom profissional vai planejar, medicar de forma correta, não é simplesmente chegar e extrair. Pois é de se desconfiar de atendimentos gratuitos, tudo tem um custo para ser mantido, luvas, material que tem que ser esterilizado, luz e tudo mais, e hoje em dia temos pessoas que sao auxiliares, tecnicos atendendo em lugares pops, sei que no SUS nao ha recursos, porem deve se ter cuidado, acreditem, ninguem trabalha de graca, aquele velho ditado que o barato sai caro e verdade, principalmente na saude. Um pouco a mais pode fazer a diferença.

  6. Pingback: Dentista de Graça
  7. Boa tarde Dra, gostaria de saber se quando vai ao dentista para fazer um orçamento do aparelho odontologico e ele disser um preco X e eu descidir colocar, ele pode cobrar ja na hora ?

    1. Tainara, pode. Mas geralmente isso não acontece, até porque será preciso fazer vários exames antes de colocar o aparelho, e ele vai encaminhar você pra fazer isso, ainda. O que se cobra é a consulta.

  8. Quero fazer uma limpeza, trocar obturações e fazer um clareamento. Eu já sabia o que queria. Orcei com 3 dentistas nos seus respectivos consultórios, 2 não me cobraram, e uma só me cobrou. Referente a essa que me cobrou, o valor da consulta dela é o mesmo valor de uma limpeza com um outro dentista x. Os preços dela são o dobro dos outros. E eu não vou fazer meus procedimentos com ela, sabia o que queria, fui lá pra orçar e ela sabia. Perguntei dos valores por celular, e ela disse que eu deveria ir pra ela ver. E ela me cobrou como uma consulta. Me sinto lesada. Tenho razão por estar assim?

  9. Bom dia, olha sóm eu sou dentista, tenho dois consultórios e a minha dica pra cobrar a avaliação é reverter depois em procedimento caso o paciente aceite o plano oferecido e queira indicar no ato (para isso na hora de agendar, deve realmente ser deixado um horário para aquela avaliação), concordo com as opiniões anteriores que gera custo para nós avaliar alguém, são anos e anos estudando, pagando faculdade, nada é de graça, mas como a cultura do brasileiro já é assim (orçamento deve ser gratuito) temos que nos adaptar.
    Outro ponto é passar o orçamento, deve ser feito pela secretaria ou qualquer outra pessoa, menos você, pois o paciente adora pedir desconto, pedir pra parcelar mais, enfim, não temos que administrar essa parte, contrate uma secretaria que faça essa parte.
    Como também ja li acima, nós podemos SIM cobrar para avaliar, você vai se quiser, se não quiser basta escolher outro que não cobre, com certeza a avaliação será BEM diferente.

    1. Será que entendi bem o que você disse? Você quer que nossas secretárias façam o “orçamento” (leia-se consulta, que é o dever do bom profissional), mas me diga, a secretária irá orçar o que? O CD é você ou ela? Quem frequentou anos de estudo para fazer este trabalho foi você ou ela. Me desculpem, mas é por isso que nossa classe realmente não tem valor nesse país. E outra, o CD não cobra a consulta e posteriormente incluir este valor no procedimento (se é que será ele mesmo quem irá fazer né, porque o paciente pode muito bem fazer com outro profissional), é completamente anti-ético.

  10. Boa Tarde!

    Eu não sou dentista, mas trabalho na odontologia desde 1988 na área comercial passando por diversas empresas multinacionais incluindo, Johnson & Johnson, Dentsply Ind. Com., Euronda América.
    Sou graduado em Marketing pela FGV-Fundação Getúlio Vargas e especialista em Balanced Score Card. O tema em questão requer aprofundarmos um pouco mais em algumas questões extra consultório e ter como foco o “Consumidor”. A imensa variedade de bens e serviços à disposição dos consumidores faz muito mais do que ajuda-lo a resolver problemas. Bens e serviços mediam as relações entre pessoas e o mundo onde vivem. As organizações devem ter consciência da importância de seus bens e serviços par seus clientes não apenas para melhor servi-los – maximizando ganhos – mas também para servir a esses consumidores de forma responsável – e, desse modo, maximizar ganhos de forma sustentável.
    O “comportamento do Consumidor” apresenta as principais teorias referentes às relações entre pessoas e produtos, estudando as teorias fundamentadas nas relações, culturas e grupos sociais em que se inserem analisando teorias provenientes da psicologia do consumo.
    Lembrando que compreender o consumo é um fenômeno não apenas psicológico, mas também – e principalmente – social.
    Dominando esse entendimento o Dentista será capaz de observar os determinantes sociais do consumo, entender a posição das atitudes, da memória, do pensamento e das emoções nos processos de decisão de compra. Desta forma o profissional de odontologia entenderá as opiniões do consumidor, o efeito dessas opiniões em seu comportamento e a forma de escolha e decisão. Portanto o processo de compra é uma cognição e inseri ai diversos fatores de influencia que é de fundamental importância para o Dentista domina-los:
    1) Primeiro o prospect possui a necessidade;
    2) Segundo ele deseja o serviço;
    3) Terceiro ele compra o serviço.

    Entender esse processo e possuir a técnica eficaz de atração e negociação bem sucedida é a chave do resultado positivo e reversão dos orçamentos em tratamento e manutenção sustentável dos clientes.
    E deixo aqui uma reflexão em relação aos clientes:
    – O que os motiva a comprar?

    Um forte abraço,

  11. Guilherme… Primeiro que não é olhadinha porque olhadinha não precisa ser dentista pra olhar, basta somente ter vista rs o que o dentista faz é diagnóstico, que como é um trabalho, deve ser pago. Sobre o que você falou… De diferenciar o valor da consulta… Na minha opinião deve ser um valor fixo independente do que será feito, pois consulta é consulta. Exemplo quando você vai ao médico. Estou gestante, sempre que vou na consulta está tudo bem, ele só me pesa, mede a pressão, e pago o mesmo valor de uma mulher que está com problemas e que gasta mais tempo lá dentro do consultório.

  12. Demetrius… Pois é, infelizmente a saúde pública no Brasil não presta. Ou a pessoa paga um médico particular, que na minha cidade a consulta é R$180,00 e um dentista particular, que já vi de R$ 120,00, ou temos que ficar nas mãos do serviço público, é a realidade. Conclusão: se você tem dinheiro PAGA consulta em médico ou dentista PARTICULAR. Se você não tem NÃO PAGA e vai até um hospital público, onde tem médico e dentista de graça, porém tratamento precário (realidade brasileira).

    1. Natália, “concordando com você só que discordando” 😉 : Atendimento público em saúde não é de graça, é pago pelos nossos impostos. Então, na prática, pode até ser mais caro que um atendimento particular. O Estado / o Município / a União não nos fazem um favor, prestam um serviço pelo qual nós pagamos… um serviço que, geralmente, fica aquém do que merecemos e precisamos. Mas que fique claro: o problema não é o profissional sério que atende no serviço público, que é tão competente quanto o que atende em âmbito particular, mas as condições de trabalho e de infraestrutura (que podem ser pífias se considerarmos o quanto pagamos por elas).

  13. Orçamento: previsão de custo de um serviço. Ou seja: obturação R$ X. Então se o paciente já sabe sei lá como que é preciso fazer uma obturação e quer saber quanto custa isso é orçamento. Porém, a partir do momento que você entra no consultório, senta na cadeira, usa o tempo do profissional, os materiais, o conhecimento (pois ele vai diagnosticar o problema e o que deve ser feito para resolver o problema), isso é uma consulta. E ele realizou um trabalho. E todo trabalho é pago. Nunca vi ninguém trabalhar de graça. E aí se você for fazer o tratamento que ele diagnosticou será outro trabalho/serviço que também deverá ser pago.

  14. Visto no post que consta na lei, como a própria lei diz “Capítulo VIII – Dos Honorários Profissionais (Art. 11?, I): “Constitui infração ética oferecer serviços gratuitos a quem possa remunerá-los adequadamente””. Como o dentista vai descobrir que tal paciente não tem condições para remunerar o profissional no momento de uma única consulta? Visto que nosso país não é nada barato para se viver, digo, o paciente tem que contar a vida, ou falar que não tem dinheiro, é pobre ou algo constrangedor do tipo? Exatamente por isso que a saúde neste país é como é, PODRE! (lembrando que saúde pública não presta, e todos sabemos disso, e nos dias atuais os convênios estão cada vez mais negligentes.) “Não tenho dinheiro, não descubro o que é, logo não tenho nada” e assim a vida segue.

    1. Demetrius, o dentista que atua no serviço particular não tem obrigação de prestar serviços de forma gratuita. Se ele o faz, é porque quer. Como selecionar quem precisa? Confiando na pessoa e, de vez em quando, quebrando a cara ao se fazer isso. Saúde é obrigação do Estado, por isso pagamos impostos. Se a saúde pública não presta (e estou falando de como o sistema é gerido, e não da qualidade dos profissionais, que é a mesma no serviço público ou privado), a origem de todos os males é uma só: CORRUPÇÃO. Tem um texto que fala só sobre isso aqui no blog –> http://medodedentista.com.br/2014/01/faltam-recursos-no-brasil-pra-se-investir-em-saude.html

  15. Ola Ana, estou trabalhando demais e recebendo de menos. Tenho muita dificuldade em cobrar do paciente, que na maioria das vezes me torno amigo deles e os deixo a vontade para pagar, e estou quase indo pra lavoura. Acho que o orcamento deve ser cobrado, pois se gasta luvas, autoclave, equipamento, energia, secretaria, graduacao universitaria, anuidade do cro, aluguel, etc. Mas se eu cobrar, nao terei mais pacientes… complicadissimo. Como posso ser justo na cobranca dos meus servicos sem deixar de ser amigo dos meus pacientes? Obrigado e abraco do colega sofredor.

    1. Marden, compreendo você perfeitamente… tenho o mesmo problema! Eu acho que a solução é que você realmente não tenha nada a ver com a parte de cobrança, quem tem que passar por “chata” e fazer essa parte é a secretária. Você tem que ser apenas “o cara legal que resolve o problema do paciente”. Eu acho que o caminho é por aí.

  16. Mesmo já sendo um post antigo, resolvi comentar, acho justo o dentista cobrar pela “olhadinha” afinal ele estará usando o conhecimento que ele pagou para ter, ou seja, ele precisa de um retorno! Já o que eu não concordo é cobrar muito caro, claro aí vai depender de o caso, se é por exemplo uma dúvida sobre sua higiene ou qual dente irá cair e qual não irá não deve ser tão caro,imagine só o dente de uma criança estar mole e os pais estarem com medo de que seja um dente que não “surja das cinzas” o dentista examina e dá uma solução caso o caso for que o dente não “renasça”, caso ele “volte do mundo inferior” aí o dentista diz tudo certinho e pode cobrar não muito caro (acho que até 50,00 está bom :P) Agora se é um caso COMPLICADO, como uma cárie grande que precise de uma avaliação detalhada, aí eu concordo em cobrar mais caro (30,00 até 120,00, tá acho que exagerei nos 120,00 mas como não sei os preços certos vai este mesmo.), então Resumindo: Acho certo cobrar, mas o preço depende do caso.
    P.S: Se estou com alguma ideia errada, me corrijam por favor :).

  17. O valor cobrado na consulta serve p pagar os 5 anos d faculdade e muitas noites sem dormir pra poder aprender a fazer o “orçamento”. Simples assim.

  18. Acho que le este blog so deu vontade de chinga vcs, A fala serio isso aqui e um manifesto pra esvaziar os bolsos dos clientes pra mim isto e crime não compare o serviço odontologico a medicina convencional, so olhar meu dente por 5 minutos e dizer se o serviço pode ser feito por vc e quanto vae custa não te torna mais pobre, pelo contrario e uma tentativa de força o individuo a fazer tratamento ali tirando o direito de achar um preço mais justo invez de levar gato por lebre. Ps olha meu dente não me cura pq vou paga e sabe o meu problema tbm não me resolve . pois não tem como eu me curar sozinho sem o dentista so pq sei a causa. Defendo o direito de poder escolher o dentista a se fazer o tratamento, ter que paga 1 consulta pra cada orçamento impede que o individuo escolha um serviço condigente a sua realidade. Pra mim vcs são ipocritas, distorcem as coisas para ter algum lucro da vontade ate de estudar pra dentista pra mostra oque e ser decente e honesto. Vcs perderam isso pelo caminho. Não use o fato de adquire conhecimento e caro e desgastante pq todos passam por isso não e facil pra ninguem.

    Não a olhada do dentista por si so não resolve o medico pode resolver atravez de conhecimento um remedio, o dentista não. I se pode resolver com um remedio quero sabe o valor que ele vae cobra pra me dizer o remedio para que possa escolher o dentista mais em conta para ae sim eu pagar. Meu dinhero veio com trabalho não vou dalo de graça.

    1. Deyverson, e quem é que tirou o seu direito de escolha? Escolha o dentista que você quiser e se trate com ele, oras. Faça “orçamentos” em dentistas que não cobram consulta e escolha aquele que cobra mais barato e dentro do seus ganhos. Do que é que você tá reclamando? Juro que não entendi.

      Se você acha que o dentista não tem o mesmo conhecimento que um médico e só quem sabe prescrever remédios é o médico, quando você tiver uma dor de dente VÁ AO MÉDICO. Ele vai ficar olhando pra você com cara de bobo, sem saber o que fazer (e nem deveria saber, não é a área dele). E a cara de bobo dele vai custar um valor “x”… que você vai ter que pagar, pois médico não atende de graça. 🙂

      Meu dinheiro também veio com trabalho… e não atendendo de graça gente que não me valoriza como profissional e que só apareceu no meu consultório pra fazer pesquisa de preço.

      1. Quanto paciente tem aqui que não desejo no meu consultório!! quando vou no meu advogado para que dê uma ‘olhadinha’ num processo ele me cobra r$500,00 … isso para me dar um parecer justo, é o valor do trabalho intelectual dele e acho certo, afinal desse parecer vai depender a ação de uma demanda que pode me acarretar enorme prejuízo. O mesmo se vou no médico com alguma duvida, dor, ou apenas por controle preventivo… pago a consulta pois está colocando seu capital intelectual a minha disposição, independente de me operar ou não. O problema principal aqui é incomodo de dizer, mas na minha opinião vem principalmente de pessoas que não tem uma formação acadêmica superior (é normal, pois uma pequena parte da população é que possui) e que não consideram o conhecimento científico um bem negociável (embora o profissional tenha investido muito tempo e dinheiro nisso). Saber interpretar uma radiografia ou um sintoma é conhecimento, e deve ser remunerado quando utilizado.

  19. SOU DENTISTA E É LÓGICO QUE TEMOS QUE DAR UM VALOR X PARA O PACIENTE PAGAR… É QUESTÃO DE LÓGICA… ENTÃO DENUNCIE SE O SEU DENTISTA COBRAR UM ORÇAMENTO SEM MESMO ELE TOCAR EM SUA BOCA!!!

  20. Eu não sou dentista e acho que a consulta deva ser cobrada SIM. Afinal de contas a famosa “olhadinha” é uma consulta!
    Quando você vai ao médico, ele olha para você, ouve o que você tem a dizer, muitas vezes nem te examina, escreve meia dúzia de remédios num papel e te manda embora. Você paga a consulta e vai à farmácia comprar o tratamento. Não é isso que acontece??
    Na consulta do dentista é a mesma coisa. Só que o tratamento você faz ali no consultório!
    Consulta e tratamento são duas coisas diferentes!

  21. Não sou dentista, mas lendo com atenção o tópico e os comentários ficou claro o seguinte: é e não é certo cobrar pelo “orçamento”.

    A questão é de princípio, se o dentista faz um mero orçamento de fato ou se ele faz uma consulta.

    Cobrar para em alguns minutos dizer qual o problema do paciente e quanto em média ele vai gastar é um absurdo!

    Agora, partindo do princípio q não existe essa de orçamento na odontologia e q na verdade, em qualquer circunstância o paciente será atendido para uma consulta e, portanto, avaliado de maneira cortês, individual e atenciosa, descobrindo com zelo qual o problema do paciente e qual a melhor maneira de resolvê-lo e, por consequência, informando com clareza o valor do tratamento, é mais do justo cobrar, afinal estará o dentista fazendo nada mais do q seu trabalho elementar.

    A questão é: os dentistas atendem com zelo na primeira consulta? Ou fazem q nem o médicos q mercantilizaram a saúde e atendem 300 pacientes por hora, tratando-os igual cachorros?

    Outro ponto importante é discutir se a 1 consulta exige muito do dentista. Afinal, ele só vai avaliar, não faz nenhuma intervenção, o q é menos trabalhoso e menos custoso. Assim, acredito q a solução dessa celeuma seria os dentistas cobrarem um valor menor na primeira consulta, por ser uma consulta de avaliação e não de tratamento.

    1. Oi Nico! Concordo com você: se for pra cobrar, o paciente tem que ser efetivamente atendido, no sentido de ter um tempo reservado só pra ele, no qual o dentista aplicará seu conhecimento para disgnosticar e propor soluções para os problemas bucais do paciente. “Olhadinha”, nessa hora, não serve.

      Mas eu acho que a primeira consulta exige muito, sim, do dentista (se ela for feita nos padrões acima). Dizer que ele “só vai avaliar e não fazer nenhuma intervenção” é uma maneira bem simplista de descrever a primeira consulta. Qual o trabalho de um dentista? Apenas realizar procedimentos de forma isolada ou saber como planejar um tratamento completo? Eu acho que não dá pra desconsiderar o trabalho intelectual, certamente o passo mais importante do tratamento do paciente: o plano de tratamento.

      Eu já cheguei a atender um paciente por mais de uma hora, com um caso complexo, explicando passo a passo a minha proposta de tratamento, me desdobrando para fazê-lo entender a complexidade da coisa e para fazer o valor do tratamento caber no bolso dele. E ele nunca voltou. Se eu não tivesse cobrado a consulta, quem pagaria pelo meu tempo e pelo meu conhecimento? Pra mim isso é trabalho. E eu acho que a grande questão discutida neste post é essa.

      1. rsrsrs não acho justo pois impede que cada pessoa possa escolher onde fara seu tratamento. quanto a ser cortez isso e necessario em qualquer profissão, e não tem custo pro dentista, distorce as coisas o medico ate pode resolver com uma olhada. Dentista ta mais pra um mecanico(Isso e um analojia) pode sim te da um preço, sempre paguei um preço x independente pro tipo de abturação se gasta pouco ou muita resina o valor foi o mesmo sem calculos pra mim ta de boa agora ser inrolado que e consulta. muitas vezes vc ja ate sabe seu problema e o cara que te cobra uma olhada 1 e depois te da um preço do tratamento que vira e que vc “ja sabia”.

        1. Deyverson, tem MILHARES de dentistas que não cobram consulta… portanto, seu direito de escolha está garantido. A parte de “ser cortês” eu não entendi… sim, todo mundo deve ser cortês, independente da profissão. Nenhum dentista cobra para “ser educado” com o paciente.

          Pelo que eu pude perceber, o seu ponto de vista é o resolutivo: o médico pode resolver as coisas com “uma olhada” e o dentista precisa realizar um procedimento pra curar sua dor de dente. Ok… mas por que é que o médico pode cobrar por um diagnóstico (que envolve conhecimento técnico e científico) e o dentista não? Você se engana se pensa que o médico cobra “pela receita”… ele cobra por descobrir o que você tem e sugerir um tratamento. A questão é que o tratamento que ele sugere muitas vezes consiste em indicar o remédio certo. Já o dentista, além de fazer isso, precisa intervir em 90% dos casos.

          Segundo a sua analogia com a profissão de mecânico, o dentista poderia “dar um preço” para os procedimentos a serem realizados nessa primeira consulta de avaliação. E é verdade: pode. Mas isso não é regra, já que quase sempre a gente precisa de pelo menos uma radiografia para dizer de qual tratamento o paciente precisa (restauração, canal, prótese)… senão fica tudo no compo dos “ses”: “SE precisar de canal custa tanto”, “SE o dente estiver fraturado tem que extrair”… e por aí vai. O paciente “saber o seu problema” não tira do dentista o mérito do diagnóstico e a necessidade da idealização de um plano de tratamento. Você pode saber que tem dor de dente, mas não faz ideia se precisa de restauração, canal, extração pra curar a dor… você pode saber que precisa de uma prótese, mas não faz ideia se precisa de um implante, ponte fixa ou removível… ou seja: você sabe o que você SENTE mas não que problema dentário você TEM (e muito menos como tratar).

          Eu não sei em que tipo de dentista você tem ido, mas no meu consultório o valor cobrado pelas restaurações é diferente sim, e se baseia em um monte de variáveis: dificuldade de confecção, estética, TAMANHO (sim, tamanho), etc..

          Enfim… se for pra “fazer orçamento” ou “dar uma olhadinha”, você tem toda razão: não há motivo para cobrar. Mas o meu texto deixa bem claro que não é disso que estou falando. Agora, se for pra diagnosticar o seu problema de forma adequada e propor um tratamento baseado em achados clínicos e radiográficos, amigo: de graça, nunca. Nem relógio trabalha de graça, quanto mais eu. 🙂

  22. Posso estar completamente enganado (por não ser um profissional do ramo), mas acho que muitos não estão vendo os fatos adequadamente. Uma consulta inicial (termo melhor do que orçamento?) toma tempo do profissional? Sim. Tem gastos de materiais? Claro. Telefone, água, luz, secretária? Também. Esta avaliação em si é um serviço? NÃO!!! Como assim vocês podem perguntar? Ora, o paciente não usufruiu de absolutamente nada até aquele instante. Vou usar a mesma metáfora utilizada no texto: martelada: R$ 10, saber onde dar a martelada: R$ 19.990,00. Ok. Mas você ainda não deu a martelada… O cliente de posse do resultado da avaliação inicial, obteve um serviço? Apenas e tão somente para saber se tem um problema… Desenvolvo: caso o paciente vá ao consultório verificar se há algum problema e nenhum for encontrado, o dentista efetuou um serviço. O paciente fica feliz e continua sua vida. Se algum tratamento é recomendado, o paciente pode fazê-lo por conta? Não. Então ele poderia apresentar essa avaliação a outro dentista? Pode, mas isso não excluirá a avaliação do novo dentista (espero eu, por favor!!!).
    E quanto aos custos? Ora, se se tratarem de custos relacionados a exames específicos, claro que podem ser cobrados. Caso contrário, cobrar o telefone? a eletricidade? Por favor, isto faz parte do custo geral de funcionamento de sua clínica, que é distribuída a todos os seus pacientes…
    E sabe qual é o pior? A cobrança inibe que os pacientes possam ir a diferentes dentistas e avaliar não apenas preços, mas qualidade (de avaliação, de materiais utilizados, de higiene, de atendimento…). Cobrar, sabe no que resulta? Apenas no tratamento do problema específico e, se o paciente gostar, pode continuar. Se não, o paciente deixará de voltar ao dentista. Não apenas a este, mas a qualquer um, por alguns anos, até que novo problema surja.
    Pra finalizar, gostei muito da postura do Ricardo FP!! O paciente é também seu cliente e precisa ser cativado. Eventual custo da primeira avaliação pode ser diluído no próprio tratamento.

    1. Vinícius, a sua linha de raciocínio é coerente. Porém não concordo com a sua resposta à pergunta “Esta avaliação em si é um serviço?”. Se considerarmos que NÃO, você tem toda razão. Se considerarmos que SIM, e essa é a minha opinião, a linha de raciocínio muda completamente, e aí está nossa divergência. Eu vejo a avaliação como um serviço intelectual, e acho que ela deve ser cobrada por causa isso, independente da realização de algum procedimento odontológico. Se tomarmos a avaliação como uma lista de procedimentos isolados com o preço ao lado, isso tem nome: orçamento. E “orçamento cobrado” é um negócio meio estranho mesmo. Acho que nossa discordância é conceitual: avaliação seria igual a orçamento? Eu vejo como algo mais amplo: como um plano de tratamento.

      Eu não entendi um trecho do seu comentário: “… caso o paciente vá ao consultório verificar se há algum problema e nenhum for encontrado, o dentista efetuou um serviço.” Nesse caso, por ter sido um serviço, você acha que deveria ser cobrado, ou não?

      As pessoas ainda têm, infelizmente, o costume de ver o dentista como aquele que resolve problemas dentais, e não como o profissional que os previne. Portanto, não é cobrar que afugenta os pacientes, discordo de você. As pessoas não procuram o dentista antes da dor de dente porque simplesmente acham que não precisam, pois não há nenhum problema dental a ser resolvido.

      Minha experiência no consultório tem mostrado que quando não se cobra a consulta inicial, muitas vezes o paciente marca e não aparece ou aparece e não volta mais, porque ele busca preço (e certamente o meu preço não é o mais barato). Quando eu anuncio que a consulta custa X e mesmo assim o paciente agenda, ele dificilmente falta e quase sempre faz o tratamento. Interessante, né?! (sem ironia).

      Obrigada pelo seu comentário e pela visita. Caso tenha mais alguma questão, fique à vontade, a casa é sua. 🙂

  23. Agora, eu como mecânico, quando vocês vão a qualquer oficina para “fazer um orçamento” ou uma “consulta” para saber o que seu carro tem, vocês se sentem no dever de pagar a “consulta”?????.
    “Mecânico com formação ETE, SENAI, + cursos de injeção etc…” Qual a reação de vocês se o mecânico falar por exemplo “olha, meu senhor/senhora, ja tenho o diagnóstico, a consulta é R$ 70,00, o serviço é x,00 reais. Qual a reação de vocês?? Justo ou injusto?

    1. Faço minhas as palavras do Fabrício: somoes prestadores de serviços especializados!
      Até pq até pra fazere orçamento a gente gasta material estéril, luz, hora clínica etc (fora o material q está contido dentro dos nossos cérebros, q foi catalogado em anos de estudo, é claro!)

  24. >Estava até agora pouco conversando com minha irmã, dentista também, sobre cobrar ou não consulta. Até foi por isso que resolvi pesquisar no Dr. Google algo que pudesse me ajudar a resolver esta questão.
    Sou recém-formada, resolvi alugar um consultório para começar e aí me bateu esta dúvida: se eu cobrar, a maioria dos pacientes vai preferir ir em outro que não cobre (no consultório que tem na frente do lugar que eu aluguei por exemplo)…por outro lado…se eu não cobrar, estarei infringindo 2 leis: a que obriga a cobrar qdo o paciente pode pagar, e a que proibe prestar serviço de graça, além de estar desvalorizando meu próprio trabalho e minha profissão.
    Por mais que eu perca pacientes, resolvi que cobrarei consultas sim, pois como diz um professor da faculdade: "paciente que não quer pagar consulta, definitivamente não é o tipo de paciente que quero ter no meu consultório".
    Por mais que eles não gostem de pagar a consulta (porque nunca nenhum dentista que ele foi cobrou), o meu diferencial é justamente este: Cobrar porque eu me garanto e eu sei o bom trabalho que eu faço…e vc realmente fazendo um bom trabalho e tendo um bom relacionamento com o paciente (o que acho extremamente importante), vai fazer com que mesmo cobrando a consulta, ele ainda assim faça a famosa propaganda do "boca-a-boca" e te traga muitos pacientes novos.
    Infelizmente nem todos pensam como nós que aqui estamos postando, senão com certeza a classe seria muito mais valorizada e não teríamos que perder tempo pensando numa coisa que era pra ser tão óbvia.

  25. >Eu também acho bastante válido que se cobre a primeira consulta, evitar o termo "Orçamento" deve se tornar uma prática nos consultórios.

    Afinal o exame clínico é um procedimento que dispendia tanto tempo quanto os demais mais simples, e tempo é dinheiro, todos sabemos, sem falar que para diagnosticar a doença do paciente precisamos investir também em uma formação acadêmica de qualidade. Conscientizar o paciente de que cárie, doença periodontal etc. são DOENÇAS como qualquer outra e também exigem um planejamento de intervenção adequado.

    Pelo menos no meu tempo de faculdade, o exame clínico e preenchimento de ficha com os dados de odontograma só eram realizados depois que fosse feita uma profilaxia no paciente. Agregar valor (financeiro para o dentista, e qualitativo para a consciência do paciente) à primeira consulta a partir desse procedimento seria uma saída viável.

  26. >Quando um paciente vai ao consultorio médico porque esta com uma dor de barriga qualquer, esse não passa pela secretária sem pagar a consulta. Seja através de convênio, particular ou social. O profissional que estudou e sabe diagnosticar a real necessidade de tratamento para essa dor de barriga, cobra para fornecer ao paciente seu conhecimento.
    Mesmo que na sua receita seja colocado apenas um remédio para gases. rsss
    Pergunto: Por que o dentista faz diferente? Não quero comparar a odontologia com a medicina. O grande problema é os dentistas prostitutos(as) da profissão. Abrem mão do próprio valor para ganhar qualquer trocado e não perder pacientes. Sou dentista e tenho dificuldade em cobrar a consulta. E acho que a classe deveria ser unida, e não um querendo roubar o pão da boca do outro. Talvez o CRO devesse fiscalizar essa pratica. Mais para um órgão que sabe apenas mandar a carta de cobrança da anuidade no inicio do ano…
    Abraços

  27. >Se tem uma palavrinha que eu abomino é essa: Orçamento! Depois de me formar Dentista, fico com receio de usa-la até mesmo em outras situações!
    Com relação a cobrar ou não a consulta de exame / plano de tratamento, todos deveriam ter em mente que as pessoas em geral só dão valor pra aquilo que investem dinheiro.. Não acho certo deixar de cobrar a consulta, é desvalorizar o próprio trabalho e a classe profissional.

  28. >Ana, um dia em uma gravação do Podcast odontoBLOGia, o Dr. Alexandre Koga teceu um comentário extremamente pertinente: "O pecado original da Odontologia começou no dia e que o PRIMEIRO dentista @#$% falou para seu paciente que iria fazer um orçamento sem cobrar nada." – Agora é tentar reverter esta situação.

    1. Diria mais doutor! Que o pecado original da Ortodontia começou quando passaram a cobrar mensalidade, ao invés do tratamento ortodôntico! Agora convencer o paciente pagar por tratamento, as vezes fica mais difícil! Parabéns pelo post Ana! 😉

  29. >Acho que o ideal seria cobrar sim a primeira consulta! Mas não o conselho ter que fiscalizar isso… até pq já tem muita coisa pra fiscalizar e eles não fiscalizam!
    Eu não trabalho e nunca trabalhei em alguma clinica que cobrasse o "orçamento", mas acho que seria interessante!
    Acho que assim as pessoas começariam a dar mais valor na nossa profissão! Ou não neh! hehehe…

  30. >Cada um sabe de sua própria vida, rs. Tudo o que eu não quero nessa vidaé a fiscal do CRO futucando minha papelada e eu perdendo meu precioso tempo com isso.
    Meu método: Cobro pra bater papo com o cliente: Não. Considero isso uma consulta: Não. Recebo o paciente em uma primeira consulta disposto a conversar com ele sobre suas vontades, anseios, medos, etc. Dou a ele minha atenção e isso por si já costuma impressionar.
    Mas para elaborar um plano de tratamento adequado preciso, na maioria das vezes, de radiografias, fotografias e modelos em gesso. As radiografias, tomos e ressonâncias eu peço fora e o cara paga por isso, mas não sou eu que recebo, claro. Às vezes eu mesmo faço a radiografia periapical e cobro por isso. Fotografias e moldagens eu mesmo faço, e cobro por isso. Até chegar no ponto da moldagem já rolou muita pedra e o paciente já está bem convencido a tratar comigo, pois já teve muita atenção dispendida independente da parte financeira. Aí pra chegar "aos finalmente", que ele me pagar e eu iniciar o tratamento já é mais simples, o paciente já aceita melhor um tratamento complexo, já está disposto a investir nisso.

    Resumindo: Meu paciente paga pela consulta inicial: Quase sempre sim.

    1. Eu concordo com Ricardo FP, dentista nao deve cobrar orçamento.
      Acho que assim como muitas profissões como mecanico por exemplo, o dentista nao deve cobrar o orçamento, não vejo a primeira visita ao dentista como consulta, vejo como orçamento, assim o cliente vai poder escolher qual profissional escolher, se tiver que pagar cada orçamento, coitado, de orçamento em orçamento já gastou pelo tratamento.
      E voces dentistas que só visam o lucro e nao ganhar um cliente, quando fizer uma visitinha ao mecanico pra ele dar uma olhadinha no carro de vcs, PAGUEM, e bem por isso, afinal ele esta trabalhando pra vcs, ou nao?????? Ahhh era apenas um orçamento??? Pensem nisso!

      1. Maria de Fátima, acho que você não entendeu a opinião do Ricardo, se tivesse entendido não diria que concorda com ele. O que ele disse é que não cobra pra conversar com o paciente, e isso nenhum dentista faz. Mas se ele precisar de quaisquer outros exames pra formular um plano de tratamento (e em 90% das vezes vai ser preciso), o paciente vai ter pagar por esses exames, eles sendo feitos num outro local ou pelo próprio dentista. O Alex que comentou lá em cima é mecânico, dê uma lida na resposta que eu dei pra ele, é isso que eu penso sobre a sua comparação (não que eu ache que ela caiba aqui, mas enfim…). Se o seu critério ao escolher um dentista é exclusivamente “preço”, eu acho que você tem toda razão: faça muitos “orçamentos” e escolha o mais barato.

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No plantão: Ana Tokus

Cirurgiã-dentista graduada pela Universidade Federal do Paraná, especialista em Radiologia Odontológica e Imaginologia pela ABO-PR, convicta de que medo de dentista se combate (também) com informação. Diva-Boss do OdontoDivas e autora do Blog Raios Xis. Twitter: @AnaTokus e @medodedentista