Medo é Pouco: Fobia de Dentista

Inauguro hoje uma nova seção no blog: Depoimentos.

O testemunho abaixo é o primeiro, espero, de uma série. Uma pergunta que sempre me fazem é: “Tem outras pessoas assim como eu que têm PAVOR de dentista?”. Sim, muitas. Pela temática do blog, tenho a oportunidade de conversar com algumas delas… e garanto: medo e fobia são coisas bem diferentes. Fobia é uma condição patológica e, como tal, pede acompanhamento psicológico.

A nossa personagem de hoje entrou em contato comigo há alguns meses e, desde então, tenho acompanhado a sua luta e procurado ajudar quando é possível. Agradeço a sua disposição em nos contar a sua história. Através desses depoimentos, espero que muitas pessoas que sofrem de fobia de dentista possam se sentir encorajadas a não desistir. E, principalmente, que percebam que não estão sozinhas…

Dra. Ana Tokus

* * *

Vou contar um pouquinho da minha história que desencadeou um quadro de fobia de dentistas…

Meu nome é L. S. M., tenho 29 anos, sou Enfermeira Pediátrica e moro em uma pequena cidade no interior de MG.

Meu histórico com dentistas não é dos melhores. Passei por vários momentos que hoje me desencadeiam crises de pânico e intensa fobia. Relembro tristemente de alguns episódios quando era criança e forçada pelos meus pais a ir às temidas consultas. Aos meus 6 anos meu 1 primeiro dente de leite começava a ficar “mole” e meu pai, para não levar ao dentista, amarrou um fio dental nele e a outra ponta na maçaneta da porta batendo-a com toda força, arrancando o dente e provocando uma dor insuportável e um sangramento terrível. Lembro que chorei muito de dor e ainda apanhei muito por ter chorado.

Fobia.

Passaram-se algumas semanas e o outro dente começou a ficar “mole”. Minha mãe pediu ao meu pai que me levasse a um consultório para avaliar. No dia marcado, algumas horas antes da consulta eu já estava chorando, com medo do que poderia acontecer. Eu mal podia imaginar que essa tal consulta seria a primeira história de fobia que marcaria minha vida…

Lembro-me perfeitamente do dentista: alto, barbudo, sem educação, cara ameaçadora…. Mal entramos no consultório e já comecei o berreiro. Ele, juntamente com meu pai, começou a me xingar. Meu pai me batendo na frente dele, me imobilizando, e ele segurando forte minha cabeça e forçando para abrir minha boca. Com os próprios dedos e sem anestésico ou instrumental, senti sua unha (através da luva) sendo enfiada na minha gengiva enquanto ele fazia uma rotação de 360 graus no dente, com um puxão… (só de lembrar, sinto a dor toda). O dente saiu com muito custo, e um jato de sangue sujando tudo. Saí da cadeira correndo com hematomas pelo corpo devido à minha força para tentar me soltar e fui direto para a porta, trancada. Fiquei em desespero ao ver que a porta estava tranca e o dentista se aproximava de mim, porém para abrir a porta… Fui correndo para casa e apanhei mais por ter feito a “ceninha” no consultório.

O tempo passou e por medo de ser levada novamente ao dentista eu mesma comecei a arrancar meus dentes. Nunca reclamei com minha mãe de dor, pois seria o mesmo que comprar uma passagem para o inferno. Como minha mãe trabalhava em período integral, não tinha tempo para me levar e nem se preocupar com essas coisas. Aos 10/12 anos meus dentes estavam todos “encavalados” e totalmente tortos. Minha mãe resolveu me levar a um ortodontista. Como eu já era pré-adolescente, tive muita vergonha em falar sobre meus medos. Comecei a ter muita insônia, pesadelos associados a dentistas, crises de choro… mas ficava calada. Com 6 meses de aparelho, comecei a faltar às consultas, por causa dessa fobia. Fiquei uns 5 anos sem ir ao ortodontista, com o aparelho na boca.

Aos 18 anos, comecei a sentir fortes dores na região do siso (terceiro molar). A dor aumentava a cada dia, estava latejando, inchando. Tentei não procurar um dentista, mas estava sem escolha. Sem falar nada com ninguém procurei uma dentista. Eu nem imaginava que minha história estava recomeçando. Fiz um Raio X e tive que extrair os 4 sisos inclusos. Toda vez que eu olhava meu Raio X eu tinha crises de choro e de medo. No dia da cirurgia, fiquei me imaginando em um consultório novamente sofrendo tudo de novo. Estava muito tensa, chorando, com medo…. O anestésico não havia feito efeito completamente e senti quando ela passou o bisturi na gengiva. O local não foi suturado, gerando muito sangramento, dor e inchaço. A cirurgia foi uma experiência tão traumática que prefiro não relatar. Depois disso não tive coragem de procurar nenhum dentista.

Hoje, com 29 anos, tenho consciência da importância de uma profilaxia a cada 6 meses, escovo os dentes feito uma doida, até me machuco, uso fio dental, anti-séptico bucal… tudo para correr do pesadelo de um consultório. Também tenho consciência da minha fobia e não consigo vencê-la, o que me provoca uma grande frustração.

Uma última tentativa sem sucesso foi há algumas semanas, juntamente com acompanhamento psicológico. Há quase 20 anos sem fazer uma limpeza e sem avaliação rigorosa, resolvi postar um comentário (não lembro onde) e tive a resposta da dentista Dra. Ana Paula, que já se comunica por e-mail comigo há alguns meses, tentando me ajudar. Há poucas semanas tentei ir a uma dentista que piorou ainda mais minha situação. Até mesmo por vergonha da minha idade e, creio, que por falta de preparo dela, não consegui sequer voltar ao consultório.

Diante dessa minha recaída, juntamente com a sensação de impotência, decidi redobrar meus cuidados. Meu município não oferece clínica especializada, apenas na capital. E a tentativa de marcar outra consulta ou procurar outra profissional? Infelizmente não faz parte dos meus planos por enquanto…

Quer contar a sua história? Envie-a para [email protected] ou utilize o formulário de contato.

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Categoria: Depoimentos

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41 comentários

  1. Doutora Ana, o que fazer com quem não tem medo exatamente, mas sofre com tanta ânsia de vômito que simplesmente não consegue passar na porta de um consultório… este é meu caso, sinto-me perdida, já fui a tantos profissionais, tentamos de tudo, remédios via oral, acupuntura, mas nada surte efeito, as coisas só pioram por aqui, preciso de tratamento urgente, mas não encontro profissionais que tenham paciência em atender uma pessoa que não consegue ficar com algodão, sugador e etc dentro da boca… tudo causa ânsia. Agradeço muito se tiver alguma orientação para me dar, ou algum profissional a sugerir em sp. Abraço.

  2. Ola! Estava navegando na internet e vi seu blog. Me identifiquei logo com o assunto; não vou culpar ninguém pela falta de higiene da minha boca!
    Mas estou em situação bem ruim quanto aos meus dentes.
    Que Deus continue te iluminando e dando força, sabedoria, paz e muita disposição para continuar orientando a nós.
    Doutora Ana, você conhece algum dentista em Belo Horizonte que possa me indicar? Melhor ainda se atender Odontologia Bradesco.
    Muito obrigado.

    1. Romildo, amém! 🙂

      Na região metropolitana de BH tem o Dr. Leo Augusto, que é meu amigo. Ele é ortodontista, mas com certeza na clínica dele tem outros dentistas que atendem várias especialidades, ele pode orientar você quanto a isso. O endereço é Av. Governador Valadares, 510 – Centro, Betim – MG. Telefone:(31) 2571-0499.

  3. Estou sofrendo com os sisos há algum tempo. Sempre fui no dentista quando era criança e nunca tive medo, usei aparelho e tb não tive problemas. De uns 5 anos pra cá, estava muito tempo sem visitar o dentista e quando fui foi horrível, uma experiência desesperadora. Não passei nenhum trauma efetivamente, nenhuma situação difícil, mas simplesmente fiquei apavorada, desesperada na cadeira do dentista. Acabei um tratamento mas precisava extrair os sisos e simplesmente não consigo. Já fui em um consultório de emergência e parei o procedimento no meio pois chorava muito e queria sair correndo, foi mto ruim. Sinto dores atordoantes e não consigo ir ao dentista, só de pensar já tenho taquicardia, sudorese, é horrível. Tenho visto do gás que pode ajudar e acho que pode ser uma saída, eu tomo antidepressivo e ansioliticos, mas msm com eles o dentista virou um monstro pra mim. Não sei o que fazer.

      1. Dentista, hoje passei um micão, tava na cadeira deitada da dentista, e meu coração disparou feito louco, meu corpo tremia todo que era notório! Sempre amei ir ao dentista, nunca tive medo. Mas isso está acontecendo cmg. Me sinto decepcionada! Passei vergonha. 🙁

        1. Não passou vergonha não, Driely… acontece! Você foi fazer algum tipo específico de tratamento? Estava achando que ia doer?

    1. Oi Juliana, td bem? Estou com o mesmo problema que vc! Já na mão de psicólogo e psiquiatra. Vc já resolveu o seu caso? bjs

  4. Tive uma crise de pânico logo após extrair um dente. Na ocasião estava grávida de sete meses, e a dentista estava impaciente e cochichava com outro dentista enquanto procurava a anestesia sem adrenalina. Na minha mente ela me aplicou o anestésico com adrenalina, o que desencadeou aquela sensação horrível de morte iminente, pressão alta, taquicardia, tremores… Depois desse episodio não posso nem pensar em ir ao dentista que meu coração acelera e sinto uma vontade súbita de chorar. Penso que vou morrer, que desenvolvi alergia ao anestésico. Fui no psiquiatra e estou tomando Cloxazolam 1mg. Consegui um dentista muito tranquilo, Dr. Gustavo, que já iniciou o tratamento. Mas sem anestésicos por enquanto. Preciso arrancar um siso e isso me deixa muito tensa. Mas tenho enfrentado meu medo. É um sofrimento, uma angústia muito grande. Mal consigo falar. Sinto vergonha porque muitos não entendem. Preciso aceitar que isso é uma fobia, mas a minha mente diz que não, que eu vou mesmo passar mal por causa do anestésico.

    1. Elaine, é comum que as pessoas tenham medo do anestésico usado pelo dentista, mas eu garanto pra você que a fama de “dar reação” é infundada. A anestesia odontológica é apenas local e muito segura. A possibilidade de alergia até existe, mas a chance de uma ração alérgica acontecer é remota… e mesmo que aconteça, ela não será necessáriamente grave… pode não passar de uma coceira. Acredite, a grande maioria, algo como 99% das “reações” durante a anestesia no dentista, são por causa do nervosismo do paciente. O coração acelera, a pressão cai, etc.. Que bom que você encontrou o Dr. Gustavo, confie nele, você vai ver, vai dar tudo certo.

  5. Uma guerra entre o querer e o poder. CLAUSTOFOBIA?
    Luto desesperadamente para manter-me calmo na cadeira da dentista.
    A dentista é ótima. Não me importo com a dor, anestesia, broca etc.
    Simplesmente o que sinto é vontade de sair da cadeira: LIBERDADE
    Me sinto como se estivesse amarrado no chão de um buraco fundo.
    Estou em dia com tratamentos e até fiz implantes. Mas pensem na luta que tive que travar. Agora estou fazendo tratamento de canal.
    É uma hora e meia lutando comigo mesmo para ficar deitado naquela cadeira, como se tivesse amarrado.
    Brigo comigo mesmo e digo que sou muito homem, macho e que vou ficar calmo. Passa uns dez ou quinze minutos e me vem um impulso fulminante de querer sair da cadeira. Me desespero. O coração acelera, a respiração aumenta e o que quero é livrar-me do que me prende na boca e na cadeira bem ditada. Que pavor.
    Que conflito entre o impulso de sair e o compromisso de ficar de voltar a me acalmar e continuar o tratamento.
    Confesso que apesar dos micos nunca desisti. MAS O SOFRIMENTO…
    No final do horário da consulta (procedimento) fico calmo e vem uma sensação de cumprimento do própósito: vitória.
    Já me senti assim em lugares apertados e controlados.
    Como vencer esse problema?

    1. Dermio, não acho que você tenha claustrofobia, pois essa fobia se refere a lugares fechados. Talvez você tenha merintofobia, que é o medo de ficar amarrado… pelo menos me parece mais próximo do que você descreve. De qualquer forma, não importa muito o nome, o que interessa é que você você poderia se beneficiar muito de um acompanhamento psicológico, uma psicoterapia. Você não tem medo de dentista, o que é ótimo, mas seria bom tentar enternder as razões dessa sua inquietação durante um procedimento odontológico, o que é decisivo pra vencer isso. Enfim: procure um psicólogo.

  6. Parabéns pelo blog e parabéns a todos que deixaram seus depoimentos e superaram o medo, ou pelo menos estão conseguindo encarar mesmo que de longe. Li vários posts, depoimentos, tenho pesquisado sobre o assunto, porque eu sofro com pânico de dentista, e eu penso comigo que é uma coisa tão ridícula, medo de dentista! Tenho vergonha de falar sobre isso, porque é uma coisa boba, que dá para superar, existem coisas muito piores… Mas na verdade o pânico é algo muito sério, eu sei. Só tentando ser racional e me convencer de que é algo simples que pode ser superado. Eu preciso urgentemente ir a um dentista, o problema é que eu morro de medo e isso me impede, bloqueia, o que não é nada bom. Tenho trauma de quando eu era criança e me levavam num dentista estupido, grosso, totalmente inapropriado para uma criança, talvez até para um adulto, sofri horrores, é horrível lembrar… Preciso superar meus medos e ir adiante, me sinto péssima por ter medo os problemas que eu tenho já deveriam ter sido resolvido há muito tempo, e pior ficam agravando e aparecendo mais com a idade, coisas que já poderiam ter sido resolvidas há tempo, mas não… Eu fico sofrendo com isso, sabendo qual é a solução mas deixando para depois. Pesadelos, choros, tudo… Pelo menos já estou com coragem para escrever sobre o assunto, perguntar a um amigo ou outro sobre seus dentistas, e mal ou bem pelo menos já sei que quero que seja uma mulher, homem nunca mais! E tem que ter óxido nitroso senão não vou nem porém decreto. Aproveito para perguntar se funciona mesmo o óxido e a pessoa não sente nada mesmo, porque anestesia, a da agulha gigantesca dói na entrada da agulha, na entrada da anestesia na pessoa, na saída da agulha e o tratamento também, aquela porcaria parece que só serve para te deixar com a cara torta, comigo nunca funcionou, não sei se o medo fez com que ela não funcionasse, tem a ver isso? Não sei. Bom, já olhei a lista dos dentistas onde moro, mas só tem uma no site, que não trata pessoas com fobia só indica ao que parece, mandei um email, mas ainda não me respondeu, estou aguardando, quem tem medo nem tem tanta pressa… Enfim, sei que meus filhos jamais vão ter medo dentista, eu não vou deixar, se possível vou levá-los ainda bebês no consultório para que se acostumem e nunca tenham medo, eu sei o que é ter medo e não é nada bom, mas para que os meus filhos não tenham medo é necessário que eu os leve (ou seja, frequente um dentista, necessariamente vença meus traumas e vá) e isso ainda não aconteceu, mas vai acontecer eu creio nisso, porque os meus filhos não vao passar por isso. Meus pais também deveriam ter pensado nisso, mas também não adianta culpa- los, a medicina odontológica já evoluiu muito estou certa disso… Tenho 35 anos, meus pais, um pouco mais, em 70 anos algo deve ter mudado, evoluído. Então vamos em frente e vamos todos superar isso e vencer. Sorte, saúde e sucesso a todos!

    1. Viviane, pra quem tem fobia, ir ao dentista nunca será algo simples. E eu acho que aí é que está o segredo pra enfrentar o medo: ter consciência de que ir ao dentista sempre será um desafio, mas que ele pode ser enfrentado e vencido. É muito comum que pessoas com fobia pensem assim, que um belo dia isso simplesmente passa e ir ao dentista será algo habitual, mas eu não acho que é assim que funciona… eu diria que não é tanto uma questão de superar, mas de controlar (considerando uma fobia real, mesmo).

      O óxido nitroso funciona sim, mas ele não substitui a anestesia… ele apenas mantém o paciente tranquilo enquanto o dentista trabalha, pois acalma e altera a percepção à dor. Sim, o medo interfere na percepção do paciente à dor.

      No mais, fico aqui na torcida e continuo à disposição se você precisar. 🙂

  7. Olá Dra. Gostaria de indicação bibliográfica que abordem técnicas psicológicas para trabalhar a odontofobia no consultório com meus pacientes.
    Desde já meus agradecimentos.
    Abraço.

    1. Selma, confesso que desconheço livros específicos sobre o tema. O que há são livros de psicologia sobre fobias de forma geral, mas não sobre odontofobia em si. Mas olha, você me deu uma ótima ideia… 😉

  8. Me identifiquei demais com essa história… Faz muitos que não vou a um dentista com a intenção de tratar dos meus dentes… minha história é meio que ao contrário, mas traumática… eu tenho hipotensão, e muita sensibilidade quando se trata dos dentes, então desde pequena recebia quantias absurdas de anestesia, para aguentar os procedimentos e acabava sempre desmaiando ou ficando tonta. Já fiz tratamento de canal quando tinha onze anos. Há quatro meses tive um cálculo salivar, e tive que tomar um sedativo pra sentar na cadeira da dentista, mesmo assim, suava frio e tive uma crise de pânico antes. Tenho arrepios e taquicardia só de pensar…

  9. Olha, eu tenho 19 anos e tenho pavooooooor de dentista! Nao suporto nem passar perto de um consultorio, e toda vez que vou eu grito, choro, faço um escandalo.

  10. Eu também tenho muito medo, mas não sei se chega a ser bem fobia, mas quando fui extrair meu siso ha algumas horas me deu vontade de sair lá da maca, cama, enfim, não sei como se chama aquilo que a gente deita, correndo. Eu fico com muito frio na barriga, as vezes minhas pernas batem.
    Acredito que seja trauma de criança, porque meus pais também tiravam meu dente assim, com linha, só não amarravam na porta (achei isso terrível).
    E quando eu tinha mais ou menos 10 anos, fui restaurar dente cariado em um dentista do meu colégio, e senti muuuita dor e falei para dentista e mesmo assim ela não aplicou anestesia e tive que aguentar a dor.
    E também quando fui ao Sesc, senti muita dor ao ponto de me pedirem pra voltar pra casa, dai procurei outro dentista, ele me deixou super calmo, me passou muita segurança, ele me aplicou anestesia e não senti dor. Meoo, ele foi um anjo kkkkk
    E esse dentista que relatei do siso, não me passou nenhuma segurança, e falta de interesse total, parecia que estava ali de obrigação, me tratou como um qualquer, um cachorro. Enfim.
    Tenho medo total de dentista, tenho que extrair outro siso mas to com muuuuuito medoo, sem vontade de ir, só de lembrar da minha última experiência, essa do siso, eu chego a lacrimejar.

  11. Olá Ana Paula de Avila;
    Sei EXATAMENTE o que é isso, fiquei 12 anos sem ir ao dentista, por experiências desagradáveis na infância e adolescência, e há 4 meses aproximadamente, também tive péssimas experiências. Tenho 30 anos e realmente lidar com isso, nessa idade não é fácil, mas te digo: Não é impossível. Acho que como eu, você deveria procurar um auxílio psicológico para que você possa “entender” e saber como lidar com esse trauma. Faça também uma “busca” por dentistas na sua cidade, telefone, pegue indicações, etc… Estive nessa luta por mais de um ano e conheci a Dra. Ana Paula Tokunaga que se dispôs a me ajudar e sempre esteve ao ao meu lado. Depois de muitos anos de terapia, resolvi que era momento de tentar. Fiz isso, telefonei, peguei indicações de vários profissionais. Foi difícil sim, mas a força de vontade em ser ajudada sempre foi maior. Em alguns momentos me senti muito fraca e várias vezes pensei em desistir de tudo, inclusive da terapia. Mas ao longo desse tempo a Dra. Ana sempre esteve comigo e não me deixou desistir. Até que um belo dia, depois de tanto tentar e já desistindo, eu estava no facebook e conheci uma prima distante, que havia formado há 10 anos. Nunca tínhamos conversado, apenas a conhecia de vista. Conversa vai, conversa vem, tomei coragem e resolvi falar tudo com ela. Ela foi super compreensiva, me ouviu atentamente e fez várias perguntas. Nesse momento senti algo diferente! Poxa, ela me OUVIU, coisa que nenhum outro profissional havia feito. Marquei uma avaliação e como eu já sabia, minha reação não foi nada agradável, crises de choro terríveis, taquicardia, sudorese, tremor, vontade de sair correndo… Ela toda tranquila, em nenhum momento demostrou pressa ou impaciência… Explicou tudo direitinho, antes de qualquer coisa. Conseguimos fazer uma avaliação! Ainda estou realizando o tratamento, ainda vou morrendo de medo, tenho algumas recaídas sim, mas como ela já sabe da minha situação, me sinto compreendida e ela faz de tudo para que seja o menos incômodo possível. Sempre choro muito nas consultas, fico com vergonha sim, mas pra ela é uma coisa tão “normal” que isso me deixa mais à vontade. Por isso eu te digo… Fácil não é, mas não desista! Se necessário, procure em municípios vizinhos (é meu caso) marque uma consulta apenas para conversar. Se o primeiro dentista não te agradou, não desanime, vá em frente! Existem excelentes profissionais no mercado e tenho certeza que como eu, você poderá mudar o rumo dessa história! Boa sorte!

  12. Bom, tenho 28 anos, moro em Rolim de Moura-RO, Quando tinha 15 anos fui ao dentista pela primeira vez, por falta de condições economicas não pude ir antes.
    Mas essa ida não foi nada agradável, pois o dentista me deixou traumatizada, acho que ele fez obturação sem anestesia ou não, só sei que doeu muito, tanto que nunca mais consegui ir a nenhum dentista, não sei mais o que fazer, sofro todos os dias por isso, choro muito, só de passar em frente a um consultorio ja me arrepio toda, meu marido em 2010 conseguiu me levar a um dentista só pra ver o que tinha que ser feito, deu o maior trabalho pra me convencer a ir, resultado tenho que fazer 9 restaurações e uma boa limpeza, fora os sisos que tenho que extrair… fiquei uns dias em total depressão só de ter ido… não aguento mais isso, preciso de ajuda para meu sofrimento.

    1. Ana, você já procurou auxílio psicológico? Eu acho que é um bom começo. Quando um medo nos priva de cuidar da própria saúde, o problema é mais sério do que parece. Procure um psicólogo pra conversar e tentar compreender o que está acontecendo.

  13. dando continuidade ao meu histórico de fobias…

    Depois de muito conversar com a Dra. Ana Paula, com acompanhamento psicológico intenso e com medicações, consegui agendar uma consulta com uma dentista da família, recém formada. Tive muita atenção e compreensão, quando relatei a minha história, me deixando mais tranquila e em determinado momento me senti mais segura de que essa fobia teria sido controlada, (não curada) de alguma forma. No dia do procedimento – ontem (09/08/12) fui hiper tranquila, pensando em coisas boas… eu havia conversado muito com a Dra. Ana e também com minha terapeuta, o que ajudou muito. Mas infelizmente tivemos um “pequeno acidente de percurso”. Bem no meio do procedimento, senti uma dor horrorosa embaixo da língua e soltei um berro sem querer… senti aquele aquele gosto de sangue e ela me pedindo mil desculpas, relatando que “deixou a broca escapulir”, pegando embaixo da minha língua e fazendo um estrago terrível, deixando uma enorme região ulcerada (conforme as fotos que enviei à Dra. Ana) provocando um sangramento horrível e uma dor insuportável, me impossibilitando de alimentar e de fazer uma higiene adequada.
    Me controlando diante de tudo o que estava acontecendo (inclusive a dor), fui pra casa arrasada, não terminamos o tratamento e todas as coisas positivas que eu demorei a aceitar e reconhecer sobre os dentistas desabou de uma vez só. Me sinto estranha, decepcionada, sei lá.

    Hoje, diante de tudo o que venho vivenciando, aprendi a aceitar que eu tenho uma fobia que precisa ser controlada. Tenho certeza que a minha situação piorou depois disso e que eu preciso cultivar ainda mais a minha paciência e principalmente minha confiança nestes profissionais… sem cobranças, buscando uma nova forma de procurar outra profissional que possa me ajudar de verdade, sem provocar mais medos e traumas.
    Agradeço muito à Dra. Ana Paula pelas orientações, nossas conversas demoradas, trocas de e-mails e pelos puxões de orelha… agora, mais do que nunca, preciso de ajuda… obrigada por respeitar meus passos lentos com muita paciência, ética e profissionalismo.

  14. Nunca procurei psicologo, tenho vontade. Estou pesquisando sobre os tipos de sedação que as clinicas aqui da minha cidade usam pra tentar tomar coragem. Acho que são os únicos caminhos mesmo.

    Muito obrigada.

  15. Procurando desesperada por uma alternativa achei vocês, é bom saber que não estou sozinha. (coisa que muito dentista que conheci também não sabia) sempre me trataram feito uma criança, muitas vezes tirando sarro da minha cara por ser uma adulta com pavor de dentista. Faço a avaliação, mas na data do tratamento simplesmente não consigo, desisto. É muito difícil pois meus dentes tortos, além de horríveis, me trouxeram um desvio no maxilar. Queria muito fazer os tratamentos, mas simplesmente não consigo. Da última vez que fui fazer um tratamento, ha anos atras, foi bem doloroso, pela minha ansiedade extrema tomei 5 anestesias, e mesmo assim senti dor para arrancar um dente. Não sei o que fazer.

    1. Às vezes falta preparo, Agnes. Infelizmente.

      E apoio psicológico, você já procurou? E alternativas como sedação? Pode ser o caminho.

  16. Ai meu Deus, coitadinha, tomara que ela tenha conseguido marcar uma consulta, e com um dentista bem compreensivo e paciente.

    1. Erika, você não me mandaria um texto contando sobre o seu medo? Acho que, como no texto acima, poderia ajudar outras pessoas que têm o mesmo problema. Se você mandar, eu publico. 🙂

  17. Nossa, achei que era só eu que sofria dessa fobia. Gente tenho 32 anos e tenho verdadeiro pavor, pânico e tudo de ruim relacionado a dentista. Sei que tenho que arrancar uns 5 ou 6 dentes que ja estão horriveis, são de trás. Agora estou me vendo obrigada a fazer isso. mais ou menos 14 anos atras tinha muita dor de dente e fui deixando devido ao medo que ainda era menor que agora, enfim acabei ficando 10 dias internada por conta de um abscesso, tive que tomar anestesia geral pra arrancar o dente, pois minha boca não abria, então depois disso meu medo só aumentou. Daqui uns dois meses mais ou menos vou fazer redução de estomago e estou com medo do pós cirurgico, pois a imunidade abaixa muito, por isso estou pensando em extrair esses que estão muito feio. Ja tenho muita dor na gengiva, não suportaria tratar canal de jeito nenhum, mas ao mesmo tempo to com muuuuuiiiiiito medo de extrair e sentir muita dor, sera que se tomar antibioticos não vai doer?
    Meu Deus… como eu queria ter condições financeiras para pagar um profissional e tomar uma anestesia geral, arrancar todos que precisar de uma vez e me livrar disso. Não to nem um pouco com medo da minha cirurgia, o que esta me deixando louca é o fato de ter que mexer nos meus dentes.

    1. Andréa, mesmo considerando a sua fobia, se esses dentes puderem ser mantidos é MUITO melhor, pois eles farão falta com certeza. Eu acho que você devia procurar um dentista para uma avaliação, pra saber a dimensão do seu problema. Talvez o problema não seja tão grave quanto você pensa (ou talvez seja), só um dentista vai poder dizer. Pense nessa avaliação como isso mesmo: AVALIAÇÃO. O dentista não vai realizar qualquer procedimento em você, apenas olhar pra poder sugerir algum tratamento. A partir daí, seu problema se torna mais palpável… e a aí a gente pensa no segundo passo. Fico à disposição se você quiser conversar: [email protected]

  18. L.S.M. NAO SERIA O CASO DE VC MARCA CONSULTA COM PROFISSIONAL DE OUTRA CIDADE, TENTA A DRA ANA PAULA. EU TB TENHO MUITO MEDO DE DENTISTA , MAS FIZ 2 IMPLANTE , USEI APARELHO POR QUASE 3 ANOS. SEMPRE FICO MUITO TENSA, MAS TODOS QUE JA PASSEI SAO OTIMOS E SUPER ATENSIOSO. HJ PRESO MUITO PELO ATENDIMENTO E ISSO MUITAS VX SAI CARO, MAS PAGO PQ VALE A PENA SABER Q O ODONTOLOGO NAO QUER SO GANHAR MEU DINHEIRO ESTA PREOCUPADO COMIGO.

        1. L.S.M eu sei que foi bastante traumatico pra vc, mas vc tem que entender que o dentista, se ele for um bom profissional, ele vai te entender, ele vai olhar só os seus dentes e nada demais, ele não vai ficar falando para todo mundo que seu dente é sujo, que isso que aquilo, se na hora vc ficar com medo dele peça pra ele lhe dar um abraço pra vc sentir mas confiança. Vc tem que confiar no seu dentista, tem que ser amiga dele e não inimiga, não tenha vergonha de contar toda a sua história, que talvez ele pode te ajudar.

          1. Obrigada pela força Arielle… Graças à minha força de vontade e às ajudas que tenho recebido, essa história está mudando. Encontrei uma dentista da família (… quem diria que fosse da família…) expliquei tudo e estou sendo super compreendida. Foi uma consulta totalmente diferente de tudo o que eu já passei. Tudo foi conversado via Facebook e ela está sendo super paciente e calma. Muito bom, acho que primeiramente tudo precisa ser esclarecido e criado um vínculo de confiança. Sem confiança não vai.
            Abraços!

    1. Ahhauuahha! Fica tranquilo… não é Ilicínea e isso aconteceu bem antes de você pensar em ser dentista…

      E você não é mal educado e nem tem cara ameaçadora. Na minha opinião. 🙂

      1. A foto ficou parecendo minha…. rsrs
        Espero que minha postagem possa contribuir para as outras pessoas que também sofrem do mesmo problema, se sentem sozinhas e sem saber o que fazer diante da situação…

A área de comentários / perguntas está fechada. Agradeço a compreensão.

No plantão: Ana Tokus

Cirurgiã-dentista graduada pela Universidade Federal do Paraná, especialista em Radiologia Odontológica e Imaginologia pela ABO-PR, convicta de que medo de dentista se combate (também) com informação. Diva-Boss do OdontoDivas e autora do Blog Raios Xis. Twitter: @AnaTokus e @medodedentista