Tag: periodontia

  • A relação entre osteoporose e perda dos dentes

    A relação entre osteoporose e perda dos dentes

    Dia desses um leitor enviou um comentário em que se mostrava inconformado por estar perdendo os dentes. É compreensível. Mas o motivo principal da indignação não era a perda dos dentes, em si, mas o fato do seu dentista não o ter avisado de que ele tinha osteoporose, e que isso é que estava fazendo seus dentes caírem. Só que não é bem assim…

    O que é osteoporose?

    E uma doença óssea, mais comum em mulheres a partir da menopausa – porque tem a ver com um hormônio chamado estrogênio que diminui muito nessa fase -, caracterizada pela baixa formação e/ou rápida reabsorção óssea. A consequência é que a densidade óssea fica diminuída e os ossos ficam frágeis. Sem exames preventivos, a osteoporose pode passar despercebida e dificilmente será diagnosticada antes que aconteçam fraturas por trauma ou mesmo espontâneas. 

    Osteoporose

    É esperado que a densidade dos nossos ossos diminua com o envelhecimento, fenômeno que recebe o nome de osteopenia. A osteopenia – que consiste numa redução de 10 a 25% da massa óssea -, embora fisiológica, pode ser considerada precursora da osteoporose.

    As regiões mais atingidas pela osteoporose costumam ser a coluna, os punhos, o quadril e o fêmur. Os homens também podem ter osteoporose.

    Tratamento:

    Adotar medidas para aumentar a massa óssea, com indicação a critério do seu médico: bisfosfonatos, reposição hormonal (como forma de facilitar a deposição de cálcio nos ossos e evitar a evolução da doença), vitamina D, calcitonina (hormônio que tem a função de evitar que os ossos percam cálcio), tomar sol periodicamente (pra ajudar a vitamina D na absorção do cálcio e fortalecer os ossos), atividade física, etc..

    O que é doença periodontal (periodontite)?

    Isso eu já expliquei detalhadamente nesse texto, mas em resumo é o seguinte: o acúmulo constante de placa bacteriana sobre os dentes favorece o surgimento do tártaro e da gengivite, que é a inflamação da gengiva. O tártaro começa a se acumular ao redor dos dentes, inclusive por baixo da gengiva, levando à formação de bolsas periodontais. A quantidade de osso em volta dos dentes diminui, levando ao amolecimento deles e, na falta de tratamento, à perda dos dentes, que quando não caem sozinhos precisam ser extraídos.

    Periodontite

    Tratamento:

    É preciso remover o tártaro através de raspagens periodontais realizadas pelo dentista / periodontista e manter uma higiene bucal rigorosa, como forma de parar o processo de perda óssea e evitar a perda dos dentes.

    Qual a relação entre osteoporose e doença periodontal?

    A perda óssea causada pela doença periodontal é decorrente de um processo inflamatório. A inflamação libera toxinas e outras substâncias que causam osteopenia, o que altera a densidade e a “altura” do osso em volta dos dentes. Porém, a periodontite não é uma doença óssea em si, mas uma consequência da ação de fatores locais e sistêmicos sobre o osso alveolar.

    A osteoporose, por sua vez, é uma doença óssea mesmo, e atinge todos os ossos do corpo. A gengiva acaba sofrendo também, já que reveste o osso que está ao redor dos dentes. Mas que fique claro: a osteoporose não leva à doença periodontal e, portanto, não causa perda de dentes.

    Se você tem um ou mais dentes moles pode estar com periodontite, e precisa procurar um dentista pra tratar de acordo o mais rápido possível. Se você tem mais de 45 anos e, principalmente, é mulher, precisa procurar um médico, mesmo que não tenha nenhum sintoma de osteoporose (dores no corpo, ocorrência de fraturas espontâneas, etc.). O médico vai pedir alguns exames, entre eles a densitometria óssea, que pode confirmar (ou não) a osteoporose. Em caso afirmativo, é preciso tratar.

    Portanto, a relação entre osteoporose e periodontite está em que a primeira pode piorar a segunda: a osteoporose pode acelerar o processo de perda óssea na doença periodontal, mas nunca causar a perda de dentes de forma direta. Ou seja: a osteoporose “ajuda” a doença periodontal.

    * * *

    Então, embora não caiba ao dentista diagnosticar a osteoporose, é de suma importância que ele conheça a saúde dos seus pacientes em detalhes, o que vai além da boca. Se você sabe que tem osteoporose, informe isso ao seu dentista!

    Vale lembrar: dente não é osso e, portanto, não tem a densidade alterada pela osteoporose. Se os seus dentes andam se quebrando e você tem osteoporose, é apenas coincidência. Consulte um dentista. 😉


  • Você não tem amor aos dentes?

    Provavelmente você já ouviu a expressão acima. Não necessariamente dirigida à sua pessoa, mas você deve conhecê-la. Ela normalmente é usada por um “valentão” quando ele é ou se sente provocado por alguém, sendo esse alguém quase sempre menor que ele. 🙂 A doença periodontal é o “valentão” da Odontologia. E quer todos os seus dentes pra ela.

    Eu juro que vi um dente nesse tártaro!

    O que é doença periodontal?

    Talvez você não a conheça por esse nome. Outro nome usado é periodontite, e o mais popular que eu conheço (e odeio) é piorreia (sem acento por causa da reforma ortográfica) 🙂 . A doença periodontal é a maior responsável por perdas dentárias, em adultos, no Brasil. E o mais curioso é que ela não acomete o dente em si, mas os seus tecidos de suporte. Ou seja: o dente fica mole porque não tem onde se segurar!

    Como ocorre a doença periodontal?

    Vamos tentar entender como a doença periodontal age. Quando você negligencia a escovação dos seus dentes ou não o faz corretamente, a placa bacteriana (aquela camada áspera que se forma sobre os seus dentes depois das refeições) vai se acumulando. A simples presença da placa já favorece o aparecimento da gengivite, que é a inflamação da gengiva. A gengiva pode ficar avermelhada, inchada e sangrante, e às vezes até “cresce”um pouquinho (coisa comum de se ver em quem usa aparelho dentário).

    Enquanto a placa é só uma camada, ok, pode ser removida com uma correta (e assídua) escovação. O problema é quando ela se mineraliza, ou seja, literalmente “vira pedra”. Eis que eu lhes apresento o tártaro! Nós dentistas chamamos o tártaro de “cálculo”. O nome é mais chique, mas o problema não é nada bonito: formam-se pedrinhas de aspecto amarelo-acinzentado, resultado da interação da placa com a nossa saliva, que começam a cobrir os dentes. E a halitose (mau hálito), a essa altura, provavelmente já deu sinal de vida…

    Você não eliminou a placa quando dava. Você não foi ao dentista e removeu o tártaro quando dava. Aí…

    … o safado do tártaro entrou por baixo da sua gengiva! Se não dá pra tirar por conta própria quando ele está por fora, imagina do lado de dentro! Então as coisas se complicam. O dentista terá que remover o tártaro de lá de alguma forma, e por vezes será obrigado a fazer isso cirurgicamente.

    Ué, se o tártaro entrou, deixa ele lá! Não tem problema, né?! Se você não liga de perder alguns dentes, não. 🙂 O problema de deixar o tártaro por baixo da gengiva é que isso induz perda óssea, pela formação de bolsas periodontais, lugarzinho onde as bactérias anaeróbias adoram morar. Ou seja, o osso, que é o que segura o dente e o mantém em posição, some. Pluft.

    No fim, o pior: o dente amolece e, se não cair sozinho, estará condenado à extração. Perceberam a bola de neve? Tudo começou com uma “sujeirinha” superficial…

    Qual o tratamento da doença periodontal?

    É só escovar que sai, né?! Não. Agora não adianta só escovar. Faz-se obrigatória aquela chegadinha no dentista, aquela que você vinha evitando faz tempo. O dentista terá que fazer, então, uma raspagem. Esse procedimento pode ser manual, usando-se curetas periodontais, ou através de um aparelhinho chamado ultrassom, que quebra as pedras através de uma ponta vibratória. Cabe ao seu dentista avaliar qual dos métodos será necessário, ou ainda a combinação dos dois.

    Existem algumas condições que predispõem o aparecimento e a progressão da doença periodontal, ou seja, algumas pessoas são mais suscetíveis a desenvolverem a periodontite. Além dos fatores genéticos e hereditários que devem ser considerados, doenças como diabetes, Síndrome de Down, Doença de Crown, AIDS etc., ajudam a piorar o quadro. Cuidado redobrado nesses casos!

     

    Em resumo…

    1. A falta de escovação leva ao acúmulo de placa bacteriana (camada áspera sobre os dentes).
    2. Surge a gengivite. A gengiva fica vermelha e sangra. Mas não dói.
    3. A placa bacteriana não removida vira tártaro, primeiramente por fora da gengiva.
    4. O tártaro começa a invadir o espaço ao redor do dente, agora por dentro da gengiva.
    5. Formam-se bolsas periodontais, e a quantidade de osso que segura o dente diminui.
    6. O dente fica mole. Ou cai sozinho ou precisa ser extraído.
    7. Você gasta um dinheirão pra fazer dentadura ou implante. E se dá conta de que uma escova de dente saía mais barato… 🙁