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  • Gengivite é gengiva + ite!

    Gengivite é gengiva + ite!

    “Ite” é um sufixo que tem origem no grego “itis” e designa doenças de origem inflamatória. Portanto, gengivite é a inflamação da gengiva. E a porção idiomática deste post terminou. 🙂

    Já falei em gengivite aqui no blog várias vezes, mas nunca de forma específica. A gengivite (inflamação de 1 dos tecidos de suporte dos dentes), quando não controlada, pode ser o primeiro estágio de uma periodontite (inflamação do periodonto, que representa todos os tecidos de suporte dos dentes). Por isso é tão importante não descuidar quando os primeiros sinais aparecem.

    Margem gengival avermelhada e um monte de placa!

    Os sintomas clássicos desse mal são gengiva avermelhada ou arroxeada (o normal é um tom mais rosado), inchada e sangrante, tanto de forma generalizada (toda a gengiva) quanto localizada. E, na maioria das vezes, não dói. Se toda vez que você escova os dentes a sua gengiva sangra, é bom ficar atento… e continuar escovando os dentes! Essa é uma questão interessante: muitas pessoas acham, e é uma pergunta recorrente no consultório, que se a gengiva sangra durante a escovação (ou de forma espontânea) o melhor é não escovar mais ou “diminuir o ritmo”. Porém, a solução é exatamente oposta. O sangramento faz parte da resposta inflamatória do nosso organismo, ou seja, é o nosso corpo respondendo a uma agressão externa. E o agente agressor, nesse caso, é a placa bacteriana. E como é que se remove a placa? Com escova de dentes, creme dental, fio dental, orientação e força de vontade!

    Dia desses um paciente me perguntou se era possível tratar a gengivite em casa. Achei a pergunta muito interessante, porque exemplifica um comportamento muito comum das pessoas: não se enxergarem como parte da solução. Ora, é exatamente em casa que se trata a gengivite! Por mais que o dentista faça aquela “limpeza” e oriente sobre a higiene bucal do paciente, o controle da gengivite é uma soma de esforços, onde o protagonista é o dono da gengiva!

    Pessoas imunodeprimidas ou que atravessam um período de baixa imunidade devem redobrar a atenção com a higiene bucal, pois estão mais suceptíveis à ocorrência de uma gengivite. Da mesma forma, mudanças hormonais podem favorecer um quadro inflamatório gengival, fato muito comum em mulheres grávidas. Mas não me venham com aquela história de “a cada filho vai-se um dente”, ok? Qualquer risco disso acontecer é sumariamente eliminado se houver uma escovação correta e assídua e acompanhamento por parte do dentista. Há quem tenha “dentes bambos” já antes de engravidar e use a gestação como justificativa para perdas dentárias… estamos de olho! 🙂

    Existem outros tipos de gengivite. Algumas até com ulcerações associadas, como a GUN ou GUNA (gengivite úlcerativa necrosante aguda), caracterizada por odor fétido, gosto ruim na boca, aumento da salivação, sangramento gengival espontâneo, às vezes febre e mal estar. Esse tipo de gengivite não é a regra, felizmente, mas é extremamente agressiva e provoca destruição gengival, principalmente da sua margem e da gengiva que fica entre os dentes. Mas como a GUNA é bem óbvia, o paciente acaba procurando por atendimento.

    Já a gengivite clássica, crônica, aquela em que o tecido gengival é agredido constantemente e de forma leve, ou seja, sempre tem uma “sujerinha” que fica por lá, é perigosa por ser discreta. O paciente não se assusta com ela e vai “empurrando com a barriga” enquanto foge do dentista. E algo que era pra ser de resolução simples, vira um problema extremo. Cuidado…