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  • Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um dente?

    Como limpar o local da extração de um denteUma pergunta que sempre me fazem e que eu vivo respondendo. Acho que vale escrever um post só sobre isso. 🙂

    Não custa nada relembrar as principais orientações pós-operatórias:

    1. Não fazer esforço físico.
    2. Não ingerir alimentos consistentes ou duros.
    3. Não ingerir alimentos e bebidas quentes. Prefira os mornos e frios.
    4. Não fumar.
    5. Não ingerir bebidas alcoólicas.
    6. Não fazer bochechos (a não ser quando indicado por seu dentista) ou cuspir.
    7. Higienizar o local.
    8. Tomar a medicação que seu dentista prescreveu, pelo tempo indicado por ele.
    9. Comparecer para remover os pontos.

    O local da extração consiste basicamente num “buraco” (uma loja óssea chamada alvéolo) protegido pelos pontos que o dentista deu na gengiva. Sim, é normal que fique esse ‘buraco”, porque a gengiva, nesse caso, cicatriza de uma forma diferente da nossa pele, um processo que se chama cicatrização por segunda intenção, ou seja, as bordas da ferida não se juntam, a cicatrização se dá “de dentro pra fora”. Então os pontos que o dentista dá (quando não há cortes, claro) servem mais pra formar uma rede de proteção, e não pra fechar o “buraco”, ok?!

    Dito isso, vamos falar da higienização.

    Pode escovar diretamente o local?

    Não. Considere que no local da extração há uma ferida, e feridas não devem ser escovadas. Quando há uma ferida na sua pele, você não mete uma escova nela, certo?! O mesmo princípio vale para a gengiva em cicatrização após uma extração dentária. Escove todos os dentes normalmente, mas o local da cirurgia, não. Até porque provavelmente você não vai conseguir, já que vai doer. Escovar a ferida, além de machucar, fazer doer e provocar sagramentos, pode soltar os pontos. Cuidado.

    Pode fazer bochechos?

    Sim, mas nunca nos primeiros 3 dias após a extração. Isso porque logo que o dente é removido se forma uma tecido inicial de cicatrização dentro do “buraco” onde o dente estava, chamado coágulo. Ele geralmente parece uma gengiva mole e mais escura. Fazer bochechos nessa fase pode remover o coágulo, o que causará sangramento e até pode levar a uma alveolite. Mesmo passados os 3 dias iniciais, evite bochechos muito vigorosos. Vá com calma.

    Então, como limpar o local da extração de um dente?

    Essa não costuma ser uma tarefa muito fácil, principalmente porque não é incomum que a pessoa não consiga abrir a boca direito nos primeiros dias após a extração, uma condição chamada trismo, que é um sintoma comum após a extração dos sisos, por exemplo. Nesse caso, um enxaguante bucal pode ser muito útil, desde que – como já mencionado – não se façam bochechos vigorosos pra não remover o coágulo.

    Algo que pode ajudar bastante é usar uma seringa (sem agulha) cheia de água limpa, enxaguante bucal ou soro fisiológico pra lavar o local da extração. Da mesma forma que ocorre com o enxaguante, evite fazer isso nos 3 primeiros dias do pós-operatório. Essa estratégia ajuda a remover resíduos alimentares maiores como grãos de arroz, etc..

    Outra dica é usar um cotonete umedecido pra limpar os pontos superficialmente, já que sobre eles às vezes se forma uma camada esbranquiçada de resíduos. Essa camada pode e deve ser removida, mas não introduza o cotonete no “buraco” ou em qualquer reentrância, ok?! A limpeza é apenas superficial. É muito comum que a pessoa queira enfiar o cotonete dentro do alvéolo, mas isso não ajuda em nada e ainda atrapalha.

    Por último: é praticamente impossível que você consiga manter totalmente limpo o local da extração o tempo todo. Abrir a boca dói, mexer no local dói, higienizar dói. Então não fique muito neurótico, apenas procure fazer uma boa limpeza superficial após cada refeição e seguir as recomendações pós-operatórias do seu dentista. Mesmo que a cor da gengiva pareça estranha, haja inchaço, o seu hálito esteja péssimo e um líquido transparente e com gosto ruim saia do local, não significa que você tem uma infecção. Esses sintomas são comuns e inerentes ao processo inflamatório, que está presente em qualquer cicatrização.

    Mas caso realmente você ache que tem alguma coisa errada (muita dor, sangramento, pus, febre, etc..), não hesite em entrar em contato com o seu dentista. É atribuição dele orientar você depois da extração, também.

    Fico aqui torcendo pra que você tenha uma boa recuperação. 🙂


  • CQDM #04: Arrancar um Dente

    Arrancar um dente. Infelizmente, esse é o procedimento mais associado à imagem do dentista através dos tempos. A Odontologia, até não muito tempo atrás, se resumia a isso: remover os dentes que doíam até que não sobrasse nenhum mais para incomodar. Um costume muito comum, mais frequente nas áreas rurais, era o pai da moça mandar extrair TODOS os dentes da filha em idade de casar, independente da necessidade, para que seu futuro marido não tivesse mais despesas com isso. o.o Tipo um “dote“. Já ouvi essa história algumas vezes no consultório… 🙁


    Tem gente que acha que extrair um dente, necessariamente, dói. É um negócio meio “truculento”, é verdade, não dá pra ser totalmente delicado. Porém, todo procedimento de extração dentária é feito sob anestesia. O que você sente durante o procedimento é pressão, não dor. Às vezes o paciente confunde uma coisa com a outra. SENTIR O TOQUE, você vai; SENTIR DOR é que não vai. O dentista te aperta, estica e puxa e viva a festa da Xuxa, é assim mesmo. E sobre a anestesia, já falei aqui e repito: ela é a solução para a dor, e não o motivo dela. Quando ela não se instala (não “pega”), das duas uma: ou a técnica anestésica está inadequada ou  a região está tão inflamada que, por uma questão de pH (“acidez”) tecidual, o anestésico não funciona direito. Então, não espere o último segundo pra procurar seu dentista. Fica pior pra você. o.o

    Exodontia. Esse é o nome técnico da extração dentária. Exo significa “fora” e dontia, “dente”. Portanto, exodontia é remover o dente do álveolo, que é o buraco em que ele está. Explicar como se faz isso, neste espaço, acho que mais assusta do que ajuda. O fato é: às vezes, é preciso tirar o dente.

    Algumas situações em que a exodontia é requerida:

    Dente fraturado: não qualquer uma, as fraturas de coroa normalmente têm conserto. Mas aquela fratura que parte o dente em dois, de cima até embaixo, quando ele fica até mole. Por vezes, esse tipo de fratura nem é percebido no exame clínico, sendo necessária a realização de uma radiografia.

    Dente extranumerário: nossa dentição completa, na idade adulta, atinge o número de 32 elementos. Mas há quem tenha 33, 34, 35… quando isso acontece, normalmente não há espaço nos arcos dentários pra acomodar todo mundo. Os “intrusos”, via de regra, caem fora.

    Dente incluso: é aquele dente que não conseguiu “nascer” (irromper) porque um obstáculo o impedia, por falta de espaço no arco ou por causa de seu posicionamento desfavorável. Ainda dá pra tirar ele de lá através de uma técnica chamada “tracionamento”, muito utilizada com caninos inclusos. A decisão pela extração depende do planejamento do caso e da relação custo-benefício para o paciente.

    Exodontia por razões ortodônticas: algumas vezes não há espaço suficiente nos arcos dentários para que todos os dentes sejam alinhados com o uso de aparelhos ortodônticos. Nesses casos, faz-se necessária a remoção de um ou mais dentes para se atingir o resultado desejado. Geralmente, opta-se pela extração dos primeiros prés-molares ou de um incisivo inferior.

    Dificuldade de higienização: certos dentes, devido às suas posições, são praticamente impossíveis de serem higienizados adequadamente. Higiene deficiente, cárie iminente. 🙂 O melhor exemplo desse caso é o siso, que vive cariado ou provocando pericoronarite.

    Ausência do antagonista: quando você morde, os dentes de cima tocam os dentes de baixo. Quando falta um deles, o outro fica sem anteparo e sem função mastigatória.

    Irrupção ectópica: hã?! Seguinte: sabe aquele dente que deveria estar lá no rebordo da sua gengiva e resolve aparecer no céu-da-boca? Então, isso é irrupção ectópica. Quando o dente nasce onde não deveria.

    Em tempo: cárie não é motivo (em si) pra extrair um dente! Pode ser um motivo se, e apenas se, o dente estiver tão cariado que não sobra muita coisa. Se o nervo do dente estiver comprometido mas houver tecido dentário viável, a escolha é o tratamento de canal, seguido de restauração ou prótese. Se você insistir em tirá-lo, o barato pode sair caro. Os implantodontistas agradecem. 🙂

    Ainda bem, os tempos são outros. A ideia de que o cirurgião-dentista é um mero arrancador de dentes vem perdendo força. Hoje, mais do que nunca, o conceito de prevenção (cuidar) vem tomando o espaço do tratamento curativo. O saldo dessa modificação na forma de encarar o papel do profissional de saúde bucal é uma geração que não conhecerá o medo de dentista, a não ser nos filmes e séries de TV. Estamos caminhando nessa direção. 🙂


  • Doutor, arranca o meu dente?

    Doutor, arranca o meu dente?

    Já ouviu essa frase no consultório? Sr. Paciente, já disse isso para o seu dentista? Já me fizeram esse pedido várias vezes. A frase acima exemplifica um comportamento muito comum dos pacientes na Odontologia: dizer ao dentista o que é que tem que ser feito.

    Esse já era!

    Funciona assim: o paciente entra no consultório, com dor ou não, e já vai dando as diretrizes: “Doutor, esse dente aí tá podre. Não adianta mais. Eu vim arrancar ele”. Aí o dentista, calmamente, diz: “Posso, primeiro, ver o seu dente?” E então, no exame clínico e, quase sempre, radiográfico, confirma-se ou não a necessidade da exodontia (extração) do elemento. Quando é constatada a real indicação de exodontia, ok. Mãos à obra. E quando o dente tem salvação?

    Já volto para essa questão. Vamos, antes, analisar esse comportamento tão corriqueiro dos pacientes odontológicos. Ninguém chega no médico e diz: “Doutor, esse coração aí tá podre. Não adianta mais. Eu vim transplantar ele”. Ah, alguém diria, não dá pra comparar dente com coração…. Não? Ambos são órgãos humanos, úteis e, se não estiverem presentes, fazem falta. O problema está na banalização da Odontologia. O paciente vê você, meu colega, como um arrancador de dentes. Um fazedor de dentaduras. Um limpador de tártaro. Ele não enxerga os anos de estudo que o prepararam e muito menos a sua verdadeira profissão: promotor de saúde. E não só bucal.

    Os maiores culpados da banalização da Odontologia somos nós, cirurgiões-dentistas. Nós não nos valorizamos como profissionais de saúde. Nós fazemos qualquer negócio! As clínicas “pop” estão aí pra quem quiser ver. Eu já trabalhei em clínica popular (como 95% dos recém-formados que nao abrem consultório), e sei como funciona: você pergunta para o paciente o que ele quer e… faz. Veja, não há problema nenhum em perguntar ao paciente o que ele deseja, e acredito que essa pergunta seja parte fundamental da elaboração do plano de tratamento. Mas simplesmente comportar-se como um macaquinho adestrado, não dá!

    Aí tem o outro lado da moeda… o paciente carente. Você planeja um tratamento incrível, uma reabilitação bucal completa, próteses fixas, enxertos ósseos, implantes… mas o paciente não pode pagar. Sem problema, existem outras opções mais baratas e igualmente saudáveis a serem propostas. Agora, voltando à questão daquele dente que “tem salvação”, imagine: seu paciente chega urrando de dor, implorando para que você faça aquilo parar. “Doutor, arranca PELAMORDEDEUS!”. Você avalia que o dente não está condenado, e uma endodontia bem feita resolveria o problema (seguida, é claro, de restauração ou coroa). Você informa isso ao paciente. Ele diz: “Não, Doutor, eu não tenho dinheiro pra fazer canal e essas coisas, eu prefiro arrancar”. E aí? QUERO SABER SUA OPINIÃO E CONDUTA NOS COMENTÁRIOS, LÁ EMBAIXO.

    Enfim…

    Sr. Paciente: respeite a opinião do seu cirurgião-dentista como profissional de saúde. Não diga a ele o que ele deve fazer. Ele estudou bastante e, após o exame clínico / radiográfico, saberá dizer para você do que você precisa. E não se preocupe, ele não fará nenhum procedimento na sua boca que você não queira ou pelo qual não possa pagar.

    Caro colega: ouça o que o seu paciente tem a dizer, mas não siga ordens. Você é um profissional habilitado a decidir e realizar o melhor tratamento para o seu paciente. A opinião dele é fundamental, mas não é a regra. Se o que ele lhe pede não combina com o embasamento científico que você tem, reserve para si o direito de não atendê-lo. O paciente que pede pra você extrair aquele dente porque “prefere assim” é o mesmo que processa você por lesão corporal. E ganha.