Taí uma pergunta que eu ando cansada de responder. Mesmo, não é só força de expressão :). Quando não é alguém que liga no consultório, é no blog ou no Pergunte ao Dentista. Todo mundo quer saber quanto custa um tratamento ortodôntico!
O problema não é a pergunta… o problema é que a resposta não é padrão como muita gente pensa. Fazendo uma analogia, perguntar quanto custa qualquer tratamento odontológico sem que haja uma avaliação do paciente é como chegar numa concessionária e perguntar quanto custa um carro “em média”. O vendedor não vai saber o que dizer pra você, embora o trabalho dele seja vender carros. Ele, no mínimo, irá perguntar: qual carro? Aí é que está. Todo carro tem a função básica de transportar algo ou alguém de um lugar para outro… mas você quer um carro que apenas cumpra essa função ou que vá além?
Existem “n” tipos de aparelhos dentários, de várias marcas, de vários materiais. Todos cumprem o objetivo a que se propõem: “desentortam” dentes e resolvem problemas de mordida. Mas cada dentista trabalha com a marca e o tipo que prefere, e geralmente faz essa escolha por critérios técnicos. Da mesma forma, cada paciente tem um ou mais objetivos e exigências ao decidir usar aparelho.

No que diz respeito ao dentista, os principais fatores que influenciam na formulação do valor de um tratamento ortodôntico são: experiência e formação. Profissionais renomados vão cobrar mais caro, e existe um motivo pra isso. Experiência se adquire atendendo e aprendendo a cada novo paciente e formação é fruto de muito estudo e embasamento teórico pra saber fazer e fazer bem feito. Especializações, mestrados, doutorados, pós-doutorados… anos de estudo e dedicação!
No que concerne ao paciente, o que mais varia para se estabelecer um valor para o tratamento é a dificuldade do caso e o material do aparelho. Sim, o dentista pode (e deve) cobrar mais caro se o seu caso for mais complicado! Afinal, lembre-se que ele não está cobrando pelo custo do aparelho… mas por um tratamento ortodôntico, o SEU tratamento ortodôntico. Com relação aos materiais de que são feitos os aparelhos, os mais usados são:
- Aparelho metálico: é o mais popular e apresenta uma boa relação custo-benefício. É um material relativamente barato e que tem ótimo desempenho clínico. Sua desvantagem é a estética, embora há quem se divirta trocando a cor das borrachinhas. Existe também a versão “auto-ligada” (que dispensa o uso de ligaduras elásticas).
- Aparelho estético de policarbonato: é feito de uma resina plástica. Tem índice de quebras maior que do aparelho metálico e a estética é bem duvidosa, de aspecto grosseiro. Eu não recomendo.
- Aparelho estético de porcelana: é produzido em porcelana policristalina.
- Aparelho estético de safira: é produzido em porcelana monocristalina. É mais translúcido, mais resistente e mais caro que o aparelho de porcelana.
- Aparelho lingual: os braquetes são colados na parte de dentro dos dentes, por isso não aparecem quando o paciente sorri. Essa colagem é feita de forma indireta, ou seja, as peças precisam ser ajustadas em laboratório para se adaptarem a cada paciente em especial. E essa personalização encarece o tratamento.
- Invisalign: o tratamento consiste em uma sequência de placas transparentes removíveis. Não é indicado para toda movimentação ortodôntica. É caro (cerca de 5 vezes mais caro que um aparelho convencional), mas confortável e eficiente. Gisele Bündchen que o diga.
Entendeu agora como é complexo saber quanto custa um tratamento ortodôntico? Só com todas essas variáveis consideradas, será possível determinar um valor… e esse valor não é o mesmo para todo paciente. Por isso, não ligue perguntando “quanto é a manutenção” e, principalmente, não selecione dentista / ortodontista pelo preço. Considere os aspectos acima e escolha de forma consciente, levando em conta suas necessidades e, por que não, os seus desejos.
