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  • Quer engravidar? Vá ao dentista!

    Quer engravidar? Vá ao dentista!

    É com prazer que eu apresento o mais novo colaborador do Blog Medo de Dentista: o Dr. Sérgio Eduardo Braga da Cruz, especialista e mestre em Periodontia. Ainda bem, porque se dependesse de mim para falar sobre perio… 😛 Seja bem-vindo Sérgio, que essa seja uma parceria longa e duradoura. Ana Tokus.

    * * *

    Uma das fases mais importantes na vida de uma família e principalmente, claro, para a mulher em si, é a gestação. Passar por uma gestação tranquila sem problemas de saúde é primordial para a qualidade de vida da mulher e saúde do bebê.

    As alterações emocionais e fisiológicas (do corpo) necessárias para preparar a mulher para esta fase são muitas. As alterações hormonais que o corpo da mulher sofre influenciam todo o seu corpo e mente. E são os hormônios as substâncias responsáveis por “dizer” às células do corpo o que fazer e como crescer.

     

    As mulheres, por conta dos hormônios, podem ficar mais “inchadinhas”. Isso mesmo! Isso na verdade quer dizer que a mulher está ajustando toda a sua vascularização (vasos sanguíneos) para melhor distribuir os nutrientes, inclusive para o feto, pois são exatamente os vasos sanguíneos que levam os nutrientes para as células, através do soro do sangue. Alguns desses hormônios, como a progesterona e os estrógenos, chegam a aumentar em 10 e 30 vezes,
    respectivamente, durante a gravidez!!! O.o

    Muitas pessoas já escutaram alguma história de mulheres que perderam os dentes durante a gravidez… Pois é… Exatamente! Tem que tomar cuidado! Porém a história de ganhar um filho e perder um dente é coisa que já está no passado (ou pelo menos deveria estar com o conhecimento da Odontologia de hoje). Para tanto é necessário prevenir para não sofrer depois com a saúde do corpo e do bolso com tratamentos mais caros para repor um dente (implantes e próteses). Mas como ocorre essa história de perder dentes durante a gravidez?

    É verdade que a mulher pode ter mais cáries e doenças da gengiva durante a gravidez? Sim, pode! E como muitos já leram aqui no blog com a Dra. Ana Paula Tokunaga, as doenças da gengiva podem levar à perda dos dentes, mesmo que não tenham cárie! A gengiva possui uma vascularização muito grande e intensa, uma camada de células de queratina mais fina em relação à pele e pouca ou nenhuma pigmentação. Por isso que ela é vermelha. Óóó! Se tem mais vascularização, sofre mais com as alterações hormonais. Se a gengiva tem uma camada mais fina de células de queratina que a pele, é menos protegida. Por ser menos protegida, a gengiva sofre mais com as bactérias da boca do que a pele. E no caso da paciente gestante, a vascularização alterada pode gerar um inchaço da gengiva (gengivite) e também terá um sangramento facilitado da gengiva.

    Lembre-se que quando há um aumento da vascularização, há um aumento de nutrição para as células. Só que esses nutrientes extravasam para além das células e chegam até as bactérias que ficam em torno do dente e da gengiva. As bactérias, então, fazem a festa com esses nutrientes e resolvem crescer. Se a mulher deixar essas bactérias crescerem demais, sem um controle maior da higiene bucal, os problemas começarão a aparecer mais do que antes de engravidar.

    Quando a gente come, o que acontece depois? A gente vai ao banheiro… hmmm… o.O E se as bactérias comem muito, o que acontece? Elas vão ao banheiro? Não! As bactérias não são educadas! Elas vão fazer onde estiverem… e vão liberar substâncias tóxicas na gengiva e abaixo da gengiva. E quanto mais nutrição proveniente da gengiva (e não do que a paciente come), maior será a quantidade de substâncias tóxicas das bactérias. E o que pode acontecer com isso? Abaixo da gengiva temos o osso que segura os dentes. O osso, para ser limpo, precisa ser removido pelo próprio corpo, porém enquanto tiver bactérias, ele só será removido e não será reposto. Se for completamente removido, o dente não terá suporte e cairá!!! E assim se vai um dente… Sem cárie…

    Mas e por que a gestante pode ter mais cáries? Primeiro, pelo aumento das bactérias. Segundo, a gestante precisa comer mais e se não cuidar da alimentação pode comer açúcares demais. Aqui eu falo de carboidratos, e não só o açúcar de adoçar. Carboidratos são açúcares que estão em quase tudo, no pão, bolo, arroz, feijão, carne, frutas, etc.. E se não higienizar bem, ficam mais carboidratos para as bactérias. Só que as bactérias que se alimentam de carboidratos possuem a capacidade de produzir ácidos ao fim de sua digestão. E esse ácido corrói o dente e gera a cárie.

    E as gestantes que possuem refluxo gastro-esofágico (aquele tipo de soluço com azia) ou até sentem mais enjoos e chegam a voltar com o que está dentro do estômago pra fora? Chega a ser pior, pois a boca fica mais ácida e juntamente com o ácido das bactérias, os dentes podem ser destruídos por cárie mais rapidamente.

    O que deve ter de mulher pensando: “Deus me livre de ter filho!”… Calma! Não é assim… Ter filho é tudo de bom! E tudo isso pode ser evitado ou contornado se você cuidar da saúde, inclusive a saúde bucal, de forma preventiva. Visitar o dentista, o médico e se possível o nutricionista antes de ter um filho é muito importante! Planejar é tudo! E planejar antes é o ideal.

    O dentista irá procurar por tártaros, próteses e restaurações (obturações) mal adaptadas que podem servir de refúgio para o crescimento de bactérias por serem de difícil limpeza e higienização pela paciente. Com tudo resolvido antes de ter um bebê e antes de ter a vascularização alterada, a chance de ter um dente perdido é praticamente nula, sendo necessárias apenas algumas profilaxias (limpezas) rápidas e simples de 3 em 3 meses. Das pacientes gestantes, 50% passam por problemas de doenças da gengiva, principalmente no segundo trimestre de gestação, o que poderia ser evitado com uma visita ao
    dentista.

    A gestante não deve (não quer dizer que não possa!) tomar muitos medicamentos (inclusive anestésicos odontológicos) para não prejudicar a sua saúde e a do bebê e, também, não deve ficar passando por procedimentos radiográficos em demasia, principalmente no primeiro trimestre. Então, para não passar por tudo isso, a prevenção antes de engravidar é extremamente importante. Pois se tiver uma cárie, ou uma doença da gengiva durante a gravidez, o tratamento será pior, urgente e com riscos.

    Então, previna-se e visite um dentista! E depois, é só curtir esta ótima experiência com saúde para a mamãe e para o bebê!


  • A Culpa é do Dentista!

    A Culpa é do Dentista!

    Higiene bucal. Estas duas palavrinhas são o mínimo que qualquer mortal precisa pra ter uma dentição da qual se orgulhe. E eu digo “mínimo” porque tem-se que considerar outros fatores, tais como: genética, condições sistêmicas, histórico de trauma, sorte… 🙂

    Gengivite e um montão de placa.

    Vamos considerar um paciente padrão. Ele é provido de uma genética favorável, não apresenta nenhuma condição sistêmica que prejudique diretamente sua higiene bucal (uma doença que afete sua coordenação motora, por exemplo, e que impeça ou dificulte o uso da escova de dentes e do fio dental), nunca sofreu um acidente grave em que teve perda de elementos dentários. Uma pessoa comum.

    A maioria dos pacientes são pessoas comuns, e chegam no consultório odontológico com queixas e justificativas recorrentes. Esses mesmos pacientes não costumam se orgulhar das condições bucais que exibem. Abordei essa questão no post Vergonha do Dentista. Hoje quero bater mais uma vez na tecla da co-responsabilidade do profissional e do paciente odontológico. Com especial atenção para a parte que cabe a esse último.

    Na faculdade somos compelidos a motivar a higiene bucal dos nossos pacientes, especialmente na disciplina de periodontia (parte da Odontologia que trata dos tecidos de suporte dos dentes). Acho sim que é um papel que nos cabe, e que muitas vezes negligenciamos. Mas uma coisa que eu nunca engoli é a posição de que se o paciente não faz uma boa higienização a culpa é do dentista, pois ele não orientou e/ou motivou o paciente como deveria. Discordo.

    Certa vez um paciente chegou, muito bravo, na clínica onde eu então trabalhava. Perguntei o porquê de sua irritação. Ele me contou que 6 meses antes havia feito uma “limpeza” com uma colega minha, da mesma clínica, e queria o seu dinheiro de volta. O que o contrariava era o fato de que havia se passado apenas 6 meses e os seus dentes já estavam todos sujos e cheios de tártaro de novo! O que estava claro, pra ele, é que a “limpeza” da minha colega era muito ruim, pois não durava nada.

    “Sr. Fulano, o senhor tem carro?” Ele respondeu que sim, imaginando em que contexto se encaixava aquela pergunta. Perguntei então se ele costumava lavar seu próprio carro. Ele disse que não, que levava o veículo a um lava car. “Com que frequência o senhor lava seu carro?” A essa altura, o homem já estava achando que eu queria comprar o carro dele… ou que o tratamento ia custar o valor do veículo! 😀 Ele me respondeu que a cada 2 semanas, mais ou menos.

    “Pois bem”, continuei. “E se o senhor deixar de levar o seu carro com frequência no lava car, o que acontece?” Ele respondeu: “O meu carro vai ficar sujo!” (aí ele já imaginava onde é que eu queria chegar…). Levantei a seguinte hipótese: “E se o senhor não levar o seu carro para lavar durante 6 meses e, durante esse tempo, pegar chuva, sol, pó, participar de um rally off-road, etc…. quando aparecer no lava car, vai reclamar com o dono do estabelecimento da sujeira do seu veículo e pedir o dinheiro da última lavagem de volta?” Pois é.

    Atendi o homem e fiz a “limpeza” caprichada que ele queria (e precisava). Expliquei como higienizar seus dentes. E deixei bem claras as possibilidades que ele tinha para manter sua condição bucal do jeito que eu deixei quando ele saiu:

    1. Não comer nada que sujasse seus dentes até a próxima consulta. (= deixar o carro na garagem) OU
    2. Vir me visitar a cada 2 semanas. (= levar o carro pra lavar de vez em quando) OU
    3. Escovar os dentes e usar o fio dental regularmente. (comprar uma mangueira e um esfregão e… mãos à obra!)

    Não transfira a responsabilidade pela sua saúde bucal pra nada e pra ninguém. Dentes sujos não aparecem simplesmente na sua boca, eles são produto de uma higiene bucal inadequada e/ou negligenciada. Tomar muito antibiótico na infância não faz os seus dentes se quebrarem sozinhos e gravidez não é motivo para os seus dentes caírem, por mais que você acredite nessas coisas. Tem alguma dificuldade e precisa de orientação? Procure um dentista. Mas lembre-se: estamos aqui pra fazer a nossa parte. A sua só cabe a você.