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  • Autismo e Odontologia

    Autismo e Odontologia

    Hoje é dia 2 de abril: Dia Mundial da Conscientização do Autismo. 🙂

    O que é autismo?

    Autismo é um transtorno global de desenvolvimento marcado por algumas características fundamentais em maior ou menor grau: inabilidade / dificuldade de interação social (de olhar nos olhos das pessoas, por exemplo), dificuldade de se expressar verbalmente e de dominar a linguagem, além de um padrão de comportamento restritivo, repetitivo e/ou estereotipado.

    Admite-se, atualmente, a existência de múltiplas causas para o autismo, entre elas fatores genéticos e biológicos. O autismo se desenvolve na infância precoce (até os 3 anos de idade) e o diagnóstico é clínico, baseado nas características citadas acima.

    O autismo foi descrito primeira vez por Leo Kanner, em 1942.

    2 de abril: Dia Mundial da Conscientização do Autismo
    2 de abril: Dia Mundial da Conscientização do Autismo

    O que o autismo tem a ver com Odontologia?

    Autistas também precisam ir ao dentista, como qualquer outra pessoa. E as alterações comportamentais são um importante complicador no atendimento odontológico, pois dificultam a realização de exames e tratamentos. É essencial que o dentista conheça as características do autismo de forma a melhor planejar e direcionar o tratamento odontológico desse tipo de paciente.

    A Odontologia vem modificando sua visão sobre o atendimento de autistas, desde a consolidação da necessidade do tratamento preventivo até o envolvimento da família nesse processo. Como o atendimento curativo do paciente autista pode ser bem difícil e trabalhoso, o ideal é um acompanhamento constante e rigoroso, procurando-se interceptar a ocorrência de qualquer problema bucal mais sério.

    Encontrar novas possibilidades de intervenção e acolhimento destes pacientes deve ser uma busca constante de todos que trabalham com o autismo, visando atendimentos mais efetivos e ações menos desgastantes, estressantes e traumáticas, tanto para a família quanto para o paciente, si.

    Qual especialista procurar?

    O tratamento do autismo, em si, envolve uma equipe multidisciplinar. O paciente precisará do acompanhamento de um médico neuropediatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e qualquer outro profissional que se faça necessário pra ajudar no desenvolvimento da criança.

    No âmbito da Odontologia, é o dentista especialista em pacientes com necessidades especiais que está mais preparado para atender o paciente autista.

    Quais cuidados são necessários no atendimento odontológico de um paciente autista?

    Algumas dicas importantes:

    • Autistas não filtram bem certos estímulos sensoriais como sons, cheiros, texturas e imagens. Quanto mais simplificado for o ambiente sensorial da criança, melhor. Usar fantoches pode ajudar na interação e comunicação do dentista com a criança autista durante o atendimento odontológico. É uma boa forma de explicar como escovar os dentes, por exemplo.
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    • Se a criança se alterar, não faça o mesmo: procure se manter calmo, não grite, não franza as sobrancelhas, não faça careta. Se movimente de forma lenta. Se a criança interagir, responda ao seu comportamento com um reforço positivo, elogie, comemore, bata palmas. Tenha reações grandes e empolgadas para qualquer sinal de interesse ou disposição da criança.
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    • Os pais são os aliados mais importantes e duradouros da criança, eles fornecem um foco consistente para treinamento, educação e inspiração. Juntar-se a uma criança em seus comportamentos repetitivos e ritualísticos fornece a chave para se decifrar o mistério destes comportamentos, e facilita o contato de olho no olho, o desenvolvimento social e a inclusão dos outros na brincadeira da criança.
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    • A utilização da motivação da própria criança impulsiona o aprendizado e constrói a fundação para a educação e a aquisição de habilidades. A visita ao dentista é considerada uma nova habilidade. Uso de energia, empolgação e entusiasmo envolve e motiva a criança, inspirando um desejo contínuo por interação e aprendizagem.

    Essas dicas (que estão nesse artigo da Revista Autismo) são da Dra. Adriana Gledys Zink, que é cirurgiã-dentista especialista em pacientes com necessidades especiais. Ela se dedica ao estudo do condicionamento do paciente autista para o tratamento odontológico. Contatos: (11) 2212-8933 ou 2649-1011, e-mail: [email protected]. Ela também tem um blog só sobre o tema, vale a pena conferir –> Autismo e Odontologia

    Um bom artigo sobre o tema: Estratégias de acolhimento e condicionamento do paciente autista na Saúde Bucal Coletiva


  • O que faz o Especialista em Pacientes Especiais?

    O que faz o Especialista em Pacientes Especiais?

    Quando falamos de pacientes especiais, imaginamos apenas pessoas com deficiência mental, talvez pela popularização do termo “especial” que veio para substituir o antigo “excepcional”. Na Odontologia, paciente especial é todo aquele que precisa ter a consulta adaptada à sua condição, seja qual for. Isso inclui outros tipos de pacientes:

    1. Comprometimento médico: doenças cardiovasculares, diabetes, problemas de coagulação e outros problemas que aumentem o risco de complicações durante um atendimento;
    2. Deficiência ou limitação física ou sensorial: principalmente cegos, surdos/mudos e cadeirantes, pacientes que precisam apenas de acessibilidade;
    3. Problemas neurológicos: paralisias, epilepsia, escleroses, doenças de Alzheimer e Parkinson, são apenas alguns exemplos. Aqui o desafio é lidar com espasmos e/ou atrofias musculares ou mesmo com a inquietação do paciente;
    4. Deficiência mental: sindrômicos ou não;
    5. Transtornos psiquiátricos: odontofobia medo de dentista, depressão e compulsões entre outros problemas;
    6. Transtornos comportamentais: espectro autista, hiperativos, deficit de atenção, etc.;
    7. Malformações congênitas faciais: como as fissuras labiopalatinas, o famoso lábio leporino.

    O conceito parece amplo demais, mas é esta a ideia: abrangência, inclusão! O dentista especialista em Pacientes com Necessidades Especiais é o profissional capacitado para dar acessibilidade, conforto e segurança para os casos mais cabeludos complicados. 😉 especiais A especialidade foi homologada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) em 2001, e no curso os profissionais são treinados, entre outras coisas para entender:

    • Características bucais e gerais desse tipo de paciente;
    • Reação dos remédios usados pelos pacientes com as substâncias de uso odontológico;
    • Reações que as substâncias de uso odontológico possam causar no estado de saúde do paciente;
    • Técnicas seguras de sedação;
    • Manobras para contenção física (sim, alguns pacientes podem precisar de contensão física, principalmente aqueles que têm espasmos ou contrações musculares involuntárias, ou quando os responsáveis não autorizam a sedação) 🙁 ;
    • Manejo de eventuais emergências médicas que possam ocorrer em um atendimento.

    No Brasil, o atendimento gratuito de pacientes especiais é realizado nos Centros de Especialidades Odontológicas, ONGs e em algumas escolas de educação especial. A rede privada resolve boa parte da demanda, já que nem todas as cidades contam com estas instituições.