Tag: confiança

  • Como NÃO ir ao dentista?

    Como NÃO ir ao dentista?

    Você sabe por que é que muitas pessoas procuram a Internet para sanar as suas dúvidas sobre Odontologia? Para não terem que ir no dentista.

    Como NÃO ir ao dentista?

    Recebi um comentário bem interessante no blog há alguns dias. Resumindo é o seguinte: uma moça, filha de agricultores, nunca teve medo de dentista, mas também não costumava frequentar o consultório odontológico. O motivo alegado: financeiro. Consulta no dentista tinha um motivo só: dor de dente (e insuportável, se desse pra aguentar, aguentava). Claro que, ao esperar até o momento derradeiro, nada se podia fazer em termos de prevenção, e a solução quase sempre era mutiladora. O que, lá na década de 70, quando essa parte da nossa história se passa, era algo comum.

    A menina cresceu e começou a trabalhar. Com o pouco que ganhava, tratava os dentes. Casou, a vida melhorou bastante e aí, por incrível que pareça, começou o problema (segundo conta). Ela procurou um dentista conceituado que “tercerizou” seu tratamento a dentistas menos experientes e o implante que fez resultou em uma parestesia (perda de sensibilidade numa região), dor de ouvido e outras sequelas. Procurou indenização na justiça e não obteve sucesso. Perdeu a fé na justiça, perdeu a fé nos dentistas.

    Por não poder mais confiar em ninguém, ela resolveu que seria sua própria dentista. Desde o acontecido, se tornou “dentista autodidata” (termo usado por ela para descrever a situação) e cuida da sua própria saúde bucal com a ajuda do irmão, que a “examina” de forma periódica, além de responsabilizar-se também por sua família nesse aspecto, removendo o tártaro que encontra. Estudou (!) e comprou os  instrumentos necessários (!) para nunca mais ter que procurar um dentista, já que profissionais competentes e honestos não vêm com um selo de qualidade grudado na testa.

    A situação acima, meus colegas vão concordar comigo, é surreal. Não existe dentista autodidata. Eu posso até compreender o sofrimento pelo qual essa pessoa passou, mas o fato é que por mais que o comportamento adotado por ela e por sua família seja uma forma de se defender das agruras da vida, é algo potencialmente destrutivo, perigoso e ineficaz. E o motivo é simples: eles não têm conhecimento técnico muito menos científico pra isso… até porque, remover tártaro supragengival sabe-Deus-de-que-jeito não é garantia de saúde pra boca de ninguém!

    Usando a história acima como exemplo, enfim respondo o questionamento central deste post: para decepção dos “autodidatas”, não há como não ir ao dentista.  É importante, sim, que a pessoa assuma pra si a responsabilidade por sua saúde, agindo de forma preventiva e se esmerando na higienização bucal diária, mas o acompanhamento de um dentista não é opcional e muito menos dispensável. A equação é a seguinte: sua disciplina + nossa supervisão = saúde. A sua.

    (E mesmo que as pessoas perguntem na Internet para não ter que ir no dentista, eu vou continuar respondendo. É mais uma oportunidade pra eu dizer: procure um. 😉 )


  • Dentista: eu não acredito em você!

    Dentista: eu não acredito em você!

    “Doutor, eu fui em outro dentista e ele me disse que eu tenho que fazer o tratamento de canal deste dente e colocar uma coroa, que não dá mais pra restaurar. Tá certo isso?”

    Certamente uma situação parecida já aconteceu com você, colega. “Tá certo isso?” é uma frase que eu ouço bastante no consultório… o paciente quer uma “segunda opinião”. Problema nenhum, é um direito dele. O que estraga é o motivo recorrente: ele acha que o outro dentista está inventando procedimentos para ganhar mais dinheiro. Pode até ser, né?! Mas, via de regra, não é não.

    Esse tipo de comportamento me faz pensar sobre a imagem que os pacientes fazem da gente. Será que o outro dentista não transmitiu segurança? Será falta de credibilidade no profissional de Odontologia? Ou será uma crise de confiança no próximo, de forma geral? Ao que me parece, na maioria das vezes, o que ocorre é a terceira situação. As pessoas aprenderam a ser desconfiadas. E aprenderam da pior forma: sendo enganadas… e enganando. 🙁

    O pódium

    Em 2007, numa pesquisa da Rider’s Digest (Revista Seleções) feita entre 1000 leitores da publicação, o cirurgião-dentista foi o profissional liberal que obteve o maior índice de confiabilidade, isso de acordo com com 81% dos entrevistados. No índice geral os dentistas só ficaram atrás dos bombeiros, que chegaram ao respeitável número de 96%. Isso faz 4 anos, mas demonstra que o problema da desconfiança não parece ser específico da relação paciente / dentista. Digo mais: creio que a relação que mais carece de confiança é a dentista / dentista.

    Quem aí já ouviu que “a classe odontológica é desunida” levanta a mão o/o/o/! Quer saber? Eu não acho. A minha rede de relacionamentos profissionais só me beneficia, aliás, NOS beneficia. E tem que ser assim, sozinho ninguém cresce. Quem pensa que vai longe sem uma equipe, quebra a cara rapidinho. O colega da porta ao lado “cobre o seu preço”? Deixe ele lá contando as moedinhas dele… 😉 ou você vai fazer igual?

    Anyway…

    E quando o paciente coloca você naquela saia-justa com uma pergunta perigosa do tipo: “Como assim eu só tenho 1 cárie? O outro dentista disse que eu tinha 8!” O que você responde?

    1. Mas você não tem! Ele inventou as outras 7. OU
    2. Puxa, que coisa! Na minha opinião você só tem 1. Talvez ele tenha considerado alguns sulcos mais profundos, escurecidos, como cáries. Vamos fazer o seguinte? Restauramos o seu dente cariado e ficamos de olho nos outros 7.

    Notaram a diferença? A mensagem é a mesma e você não incorre no erro de julgar quem você não conhece baseado no relato de… quem você não conhece! PENSE o que você quiser, é um direito seu, mas não caia na armadilha de EMITIR OPINIÃO como se você fosse um perito. O CEO condena esse tipo de atitude, além de pegar mal pra caramba. E nem preciso dizer (mas vou): não use esse tipo de situação como oportunidade para angariar pacientes, parecendo melhor ao diminuir um colega.

    Enfim, se o paciente não acredita em você ou no colega que o atendeu primeiro, talvez o problema seja o paciente. Talvez o problema seja o colega. Talvez o problema seja você. Por via das dúvidas, faça a sua parte. Não fale do que o outro deveria ter feito, e sim do que você faria… parece a mesma coisa, mas não é. E se o paciente estiver no meio do tratamento com um colega e aparecer na sua porta reclamando, sugira que ele volte e esclareça as coisas com o dentista que o atendeu primeiro. Agindo assim, ganha a Odontologia e quem mais consideramos: nossos pacientes.