Um termo muito usado por quem é leigo em Odontologia é “massinha”, como na frase: “O dentista tirou a cárie do meu dente e tampou o buraco com uma massinha!”. Embora seja um termo meio infantil, tem muito adulto que usa. “Por uma massinha” é uma forma muito simplista de descrever o procedimento odontológico em questão (e a gente não gosta muito ;)), mas sem dúvida dá o recado.
Tem gente que fala assim até quando se trata de restauração definitiva (embora nada seja definitivo na Odontologia). Mas eu quero falar hoje das “massinhas” mesmo: as restaurações provisórias. E por que cargas d’água alguém faria uma restauração provisória? Por que não fazer logo a definitiva? Porque nem sempre dá. Explico.

Existem alguns casos em que há necessidade de restaurações provisórias (enquanto não se termina um canal ou se está aguardando uma peça protética, por exemplo). Um que acontece sempre, e sobre o qual há uma dificuldade enorme em se fazer o paciente entender a necessidade de esperar, é em caso de dor. E essa resistência de alguns pacientes é até compreensível… não é só fechar o buraco que pára de doer? Não. Acontece mas ou menos assim: o paciente chega com uma cárie enorme, dizendo que dói um pouco, só que o tempo todo. Aí o dentista remove a cárie e constata que, felizmente, a dita-cuja não atingiu o canal do cidadão… mas chegou MUITO perto. Tão perto que há uma grande chance, pelos sintomas relatados, de acabar em tratamento de canal logo logo.
O dentista fala: “Sugiro que a gente faça uma restauração provisória e que durante algum tempo o dente fique em observação para, só depois, fazer a restauração final”. O paciente escuta: “Vou fazer 2 restaurações no mesmo dente, aí posso cobrar 2 vezes!” 😀
Só que não tem jeito… em um dente com pulpite (“inflamado”, digamos assim), é muito arriscado fazer uma restauração em resina (da cor do dente), por exemplo, porque para fazer esse tipo de restauração usa-se uma série de materiais que agridem o nervo do dente (veja aqui como é feita essa restauração)! Ou seja, enquanto o dente não se decide se pára de incomodar ou não, é bom não mexer. E se mexer, vai dar canal. E o barato sai caro.
Como diria minha avozinha e Jorge Benjor: prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém! (a não ser pra galinha)
E que “massinha” é essa? Tem de vários tipos… mas todas são feitas com materiais biocompatíveis, ou seja, que não agridem (ou pouco agridem) o nervo do dente. A citar: cimentos de hidróxido de cálcio, óxido de zinco e eugenol (que tem bem cheiro do dentista) e ionômero de vidro. Qual usar? Depende da avaliação do seu dentista e do material da restauração final que virá em seguida.
Moral da história: se o seu dentista propôs aguardar, aguarde. Acredite, não é um “jeitinho” pra tirar dinheiro de você… é uma atitude baseada em ciência e que visa o restabelecimento da sua saúde. Dá pra arriscar e fazer a restauração? Dá. Mas se der canal… não diga que eu não avisei!
